Venda de Sopradoras: demanda para reduzir peso das peças

Clientes procuram máquinas capazes de reduzir peso das peças e processar reciclados

Fabricantes de sopradoras nacionais, marcas como Romi, Pavan Zanetti e Multiblow, têm a expectativa de recuperação das vendas nos próximos meses, ainda que tímidas. O otimismo moderado é baseado na recuperação das vendas internas de sopradoras, que este ano até agora estão longe de serem entusiasmantes. Os negócios obtidos com as exportações se mantêm em bom patamar, repetindo os resultados do ano passado.

O cenário negativo do mercado interno neste ano é atribuído a alguns fatores, como a desconfiança causada pela mudança de governo, inflação e valor do dólar em patamares preocupantes no início do ano, além da elevada capacidade ociosa da indústria como um todo, fator que em determinados setores ainda persiste.

A taxa básica de juros elevada não ajuda em nada.

O segundo semestre começou com melhora no ambiente econômico. O resultado do PIB nos seis primeiros meses do ano indica crescimento anualizado em torno de 3% em 2023, superando as expectativas. A inflação se estabilizou em índice “civilizado”, assim como o dólar. O governo adotou novo regime de arcabouço fiscal e tranquilizou o mercado, responsável por fortes cobranças nesse sentido no início do mandato. O projeto de reforma tributária enviado ao Legislativo foi outra medida bem recebida, era cobrada pela indústria há muitos anos – a reforma tributária já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e se encontra em tramitação acelerada no Senado. E os juros começaram a cair, porém em ritmo muito lento.

Sopradoras: Clientes procuram máquinas capazes de reduzir peso das peças e processar reciclados ©QD Foto: Divulgação
Sopradora elétrica EB 600D opera com 3 camadas de extrusão

Não existem números oficiais sobre o desempenho das vendas de sopradoras. Estima-se que elas acompanhem, de forma aproximada, os dados obtidos pelo setor de máquinas e equipamentos como um todo. Números da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) revelam que a receita líquida total do setor de janeiro a julho apresenta queda de 9,2% em relação ao mesmo período do ano passado. As vendas de sopradoras no mercado interno caíram 13,8%. Já as exportações cresceram 18,6% no mesmo período, a despeito da desvalorização do dólar. A Abimaq trabalha com expectativa de queda de receita líquida no ano de 3,4%, número que pode ficar ainda mais negativo caso não ocorra uma reação das vendas nos próximos meses.

Quando o assunto é tecnologia, a forte demanda dos compradores por equipamentos a cada dia mais confiáveis, produtivos e econômicos também atinge o segmento do sopro e os fornecedores de máquinas investem de forma contínua para atender a expectativa dos clientes. Algumas cobranças particulares têm merecido o esforço das empresas, que investem na sofisticação dos diversos modelos. Duas delas são fortes e vêm da principal compradora, a indústria de embalagens: a redução de peso e a inclusão do uso de materiais reciclados nos itens produzidos (leia o texto anexo). Também existem cobranças pela fabricação de vasilhames que contam com três camadas de materiais, o que exige soluções técnicas de ponta.

Sopradoras: Clientes procuram máquinas capazes de reduzir peso das peças e processar reciclados ©QD Foto: Divulgação
PETmatic 7.000 é totalmente elétrica

Outro aspecto bastante discutido entre fornecedores e clientes é o do tipo de acionamento dos movimentos. A exemplo do que ocorre no universo das injetoras, o uso de componentes hidráulicos deixou de ser unanimidade. Já estão disponíveis e são a cada dia mais procuradas máquinas dotadas com sistemas de movimentos híbridos – mistura de soluções hidráulicas e elétricas – e as com movimentos totalmente acionados por componentes elétricos.

Novo nome

Uma das novidades que agitou o mercado de sopradoras neste ano foi a alteração do nome da fabricante Multipack Plas, empresa nacional fundada em 1995 e pioneira no país na produção de sopradoras com acionamentos totalmente elétricos. Ela agora se chama Multiblow. A troca foi anunciada durante a Plástico Brasil, feira realizada em março em São Paulo. A estratégia foi adotada após a venda de máquinas para o mercado norte-americano. A experiência gerou o interesse de incrementar as exportações para a região e o novo nome foi escolhido por parecer mais apropriado à nova clientela. Na feira também foi anunciada a mudança da sede da empresa, agora ocupando área de 5 mil m², cerca de 30% superior à anterior.

As novidades também atingiram a linha de produtos. Foi lançada na exposição a máquina elétrica EB 600D COEX 3, indicada para frascos de um litro extrudados em três camadas, embalagem muito utilizada no caso dos óleos lubrificantes. “Já tínhamos máquinas co-extrusoras para 20 litros”, observou André Fonseca, da área comercial da empresa. “Embalagens com três camadas que permitem o uso de resinas recicladas constituem uma tendência”, emendou.

A Multiblow conta em seu portfólio com máquinas para sopro de PEAD e PET – no caso do PEAD, elas podem produzir qualquer tipo de peça com até 30 litros de volume. Ela oferece as linhas EcoBlow (elétrica) e AutoBlow (hidráulica). Fonseca explica que o interesse pelo equipamento elétrico vem se intensificando por conta do apelo ESG (sigla em inglês da expressão Environmental, Social and Governance, em português Ambiental, Social e Governança) nas grandes empresas. Ele informa que em 2023 as vendas entre das duas opções já se encontram equilibradas, com 50% cada. “Na máquina elétrica você consegue economia energética de até 40% em relação à hidráulica”.

De acordo com Fonseca, as vendas  neste ano estão 20% menores do que as verificadas no mesmo período do ano passado. “A perspectiva é de que o mercado fique aquecido na reta final do ano”. Um setor cuja procura se encontra firme em 2023 é o de produtos de limpeza. “As exportações andam bem mesmo em um cenário desafiador no exterior, estamos conseguindo atingir nossa meta, abrindo o mercado em novos países”.

As linhas AutoBlow 600 e EcoBlow 600, com mesas simples ou duplas, são as mais vendidas. Fonseca explica que um diferencial dessas sopradoras é o curso – em 2019, a empresa resolveu aumentá-lo de 600 mm para 740 mm. “Com a alteração, as máquinas se tornaram mais versáteis, atendem diversas demandas com grande produtividade e desempenho”. O modelo apontado como o mais sofisticado da empresa é o EcoBlow 30 Litros Mesa Dupla (EB30L/D), destinado para o mercado agro. “Com ele conseguimos a produção de duas bombonas de 20 litros prontas e rebarbadas em ciclos de 38 segundos”.

Sopradoras: Clientes procuram máquinas capazes de reduzir peso das peças e processar reciclados ©QD Foto: Divulgação
Modelo P57, da Romi, tem troca rápida de cabeçote

 

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Venda de sopradoras: Híbridas em destaque

No mercado desde 1966, a Pavan Zanetti é uma das marcas mais conhecidas do mercado de sopradoras. A empresa comercializa ampla gama de máquinas voltadas para diversas aplicações. “Oferecemos cinco modelos básicos de sopradoras para PET com capacidades para produzir frascos de até 6 litros”, informa Newton Zanetti, diretor comercial. São máquinas automáticas, algumas totalmente elétricas, como o modelo PET 7.000. “Também temos uma linha grande de sopradoras de extrusão continua para PEAD, de mesa simples ou dupla, que atendem transformadores para a fabricação de peças com volumes até 30 litros”. De quebra, a empresa fornece uma máquina dotada com linha de extrusão por acumulação que permite a produção de peças com até 100 litros, voltada para a fabricação de bombonas, peças automotivas e técnicas.

“Este ano, o mercado está com vendas baixas, inferiores até em relação a 2022, um ano conturbado pelas eleições”, informou o dirigente. Ele detalhou que o primeiro semestre foi fraco, mas espera tímida reação nos próximos meses. “A esperança de um ano melhor fica para 2024, com a redução dos juros e, quem sabe, melhores condições de financiamento pelo Finame”.

Entre os modelos oferecidos, o diretor comercial aponta como os de maior tecnologia embarcada as sopradoras com tecnologia híbridas. “Elas diminuem a dependência dos movimentos realizados por componentes hidráulicos, substituindo-os por servomotores”. Para ele, além da diminuição da possibilidade de vazamentos de óleo, essas características elevam a velocidade dos movimentos e ajudam na atenuação de ruídos.

Zanetti também destacou a comercialização e entrega recente de uma sopradora modelos BMT 5.6D/H com Coex-3. É uma máquina para produção de frascos com três camadas de um mesmo tipo de resina, com a possibilidade de usar resina reciclada na camada intermediária, virgem na interna e colorida na externa. “As camadas interna e externa podem ser bastante finas, o que reduz o uso de materiais virgens”.

Quatro linhas

A Romi, se apresenta como líder na fabricação de máquinas-ferramenta, máquinas para plásticos, fundidos e usinados. Ela conta em seu portfólio com quatro linhas de sopradoras: a de extrusão contínua P5L, composta de estação simples e destinada a produções de até 5 litros; a por extrusão contínua C, de alta produtividade, com versões de mesa simples e dupla, área de molde maior e força de fechamento de 14 toneladas; a por acumulação MX, destinada a produção de embalagens até 200 litros; e a totalmente elétrica C 15D, com dupla estação de moldagem e simultaneidade de movimentos, além de sistema de extração automática traseira que proporciona redução do espaço físico.

Sopradoras: Clientes procuram máquinas capazes de reduzir peso das peças e processar reciclados ©QD Foto: Divulgação
Lopes: índice de confiança na economia tende a subir

“Não fornecemos informações referente às vendas de máquinas”, explica Maurício Lopes, diretor de comercialização.

De acordo com nota emitida pela empresa, a Romi informa que registrou crescimento de 1,5% na margem bruta no segundo trimestre de 2023 em relação ao mesmo período de 2022. No primeiro trimestre, o índice de crescimento foi de 3,1%. “Embora o ano de 2023 continue indicando ambiente instável para a realização de investimentos, notamos que no mercado doméstico o índice de confiança do empresário apresenta tendência de recuperação gradual, assim como na utilização da capacidade instalada da indústria”, avalia Luiz Cassiano Rosolen, diretor-presidente.

De acordo com Lopes, as máquinas da empresa se destacam por características técnicas que englobam desde a precisão de seu design até a eficiência de seu funcionamento. “Isso faz com que a escolha de cada máquina esteja relacionada às demandas específicas de cada aplicação”. Como diferenciais, o diretor de comercialização aponta o cabeçote FIFO (first in first out), otimizado para troca de cores em tempos reduzidos e o uso de servo-válvulas Moog com controle programador de parison em até 512 pontos. “Os modelos como C5TS e P5L contam com sistema de troca rápida de cabeçote, que garante a produção de mais de um tipo de produto e setup mais eficiente”.

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