Ferramentaria Moderna

Universo da extrusão é pequeno e concentrado

Jose Paulo Sant Anna
21 de outubro de 2013
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    Alguns tipos de peças extrudadas ganharam espaço nos últimos dez anos em segmentos econômicos variados, em especial na construção civil. Também merecem destaques componentes para as indústrias moveleira e de eletrodomésticos da linha branca. No caso da indústria automobilística, são usados com frequência perfis com design sofisticado, projetados para solucionar o difícil dilema de contar com componentes leves e com resistência mecânica elevada. Entre outras aplicações.

    A produção de peças do gênero exige moldes complexos, bem mais dos que os utilizados na extrusão de tubos, fornecidos pelos fabricantes dos equipamentos. O cenário contribuiu com a saúde financeira das empresas especializadas nesses tipos de matrizes. Não se trata de mercado muito pulverizado, como ocorre com os ferramenteiros voltados para a operação de injeção. As encomendas também são bem menores do que as do universo dos injetados.

    O número de empresas tradicionais no ramo da extrusão talvez não chegue a dez, todas com porte de pequeno a médio. Elas se concentram na Região Sul e em São Paulo e atendem clientes do país inteiro e também da América do Sul. São os casos, por exemplo, das ferramentarias Astrotec, Pickler, Raltec e Pewa.

    Uma ressalva: a última década foi favorável, mas os resultados de 2013 não entusiasmam. Entre os representantes dessas empresas não há muito otimismo em relação ao número de encomendas para este ano. Alguns acreditam em crescimento, mais pelo desempenho pífio obtido em 2012 do que pelo vigor da economia. Lembram com saudades do ano de 2010, quando obtiveram resultados para lá de entusiasmantes.

    Os clientes mais assíduos são os transformadores de peças feitas de PVC, em especial os fabricantes de forros. Para esse nicho, o desafio dos fornecedores tem sido o de produzir moldes mais produtivos, pelos quais duas ou mais peças são obtidas ao mesmo tempo. Os forros no Brasil, conforme a região, costumam ter 100 mm ou 200 mm de largura. Também no campo do PVC, destaque para a produção de divisórias, portas sanfonadas, cantoneiras para a indústria moveleira e esquadrias para janelas. Outras matérias-primas são usadas com parcimônia, o número de moldes produzidos é bem menor. São os casos do polipropileno, polietileno, poliestireno, policarbonato ou do poliuretano.

    A concorrência da indústria asiática, em especial a chinesa, motivo de tantas reclamações por parte dos especialistas em moldes de injeção, no caso da extrusão incomoda menos. Ela existe, mas os fabricantes brasileiros garantem que a qualidade dos importados deixa muito a desejar, é compatível com os preços praticados. Os bons moldes vindos do exterior custam caro. Além disso, por exigir assistência técnica constante, o nicho favorece os fabricantes brasileiros.

    Passo a passo – As ferramentarias de moldes para extrusão têm cotidiano similar. Ricardo Kunde, projetista da Pickler, de Joinville-SC, fala sobre o passo a passo de cada projeto. “Não desenhamos nem somos responsáveis pelo desenho do produto”, explica. Por isso, a boa funcionalidade da peça fica por conta da competência dos transformadores. Isso não significa a ausência total de palpites. “Às vezes auxiliamos os clientes com algumas sugestões para facilitar a confecção da ferramenta e o processo de extrusão.”

    Definido o produto a ser fabricado, parte-se para o orçamento. Nesse momento, por exemplo, são definidas as dimensões da ferramenta e os materiais a serem usados na sua confecção. “Sempre usamos o aço 420 como material principal. Conforme a necessidade, os moldes também contam com componentes de alumínio, latão, aço inox e cobre-berílio.” Um estudo detalhado define a lista dos materiais a serem comprados.

    As principais máquinas usadas no processo de construção da matriz são as de usinagem, como fresadoras convencionais e CNC, equipamentos de eletroerosão a fio e de penetração e torno. Usinadas as peças, seguem-se as etapas de montagem e ajustes, estes últimos muitas vezes feitos com a ajuda de retíficas planas. “Como em qualquer projeto mecânico, a precisão depende de cada situação. Normalmente trabalhamos com tolerância de dimensões na casa dos 0,05 mm”, conclui.

    Os moldes, então, vão para os testes, feitos na própria ferramentaria ou, quando elas não contam com equipamentos compatíveis com o projeto, nas dependências do cliente. Os prazos para completar essa epopeia variam caso a caso. Nos projetos mais sofisticados, o prazo gira em torno de 60 dias.

    Plástico Moderno, Pewa destaca em seu portfólio os moldes para PVC

    Pewa destaca em seu portfólio os moldes para PVC

    Pioneira, parte I – A Pewa, de São Paulo, é uma das pioneiras no Brasil no ramo. Está no mercado há 21 anos e conta com doze funcionários. “Nosso diferencial é a experiência”, revela Wagner Pereira, sócio fundador. “A nossa empresa é familiar, meu pai trabalha com moldes de extrusão há mais de meio século, desde os anos 60. Eu comecei há 21 anos. Conhecemos muito os problemas do cliente”, justifica ele.

    Entre as empresas atendidas, os fabricantes de forros de PVC são os mais assíduos. “Os moldes de maiores dimensões que fizemos foram para forros com 600 mm de largura”, informa. No exterior, são construídos moldes maiores. “No Brasil, as extrusoras usadas têm capacidade entre 300 e 400 kg/h, em outros países os fabricantes dos equipamentos produzem de 500 a 600 kg/h.”

    O PVC é de longe o material mais utilizado pelos clientes da Pewa. “É o nosso carro-chefe.” A empresa também trabalha com outros plásticos, como polietileno, policarbonato ou poliuretano. “Tudo é uma questão de conversa. Construímos os moldes por encomenda, estudamos qualquer proposta feita pelos compradores.”



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    Um Comentário


    1. ainda tem empresas do ramo que pensam ser pioneiras, mas não sabem que a ASTROTEC desenvolve os produtos com base em vários estudos de campo e que de longe é pioneira nos produtos lançados no ramo..



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