Tubos: Entusiasmo de fabricantes e avanços

Demanda futura justifica entusiasmo de fabricantes e avanços nos materiais

Presente um tanto preocupante e futuro promissor.

Esses são os sentimentos atuais das empresas envolvidas com a fabricação de tubos plásticos em relação à evolução de suas vendas.

A expectativa sobre os resultados aguardados para esse ano é de incerteza, em especial no principal nicho de atuação do ramo.

O grande mercado para os transformadores é o de distribuição e tratamento de água, seja em obras prediais ou públicas voltadas para o saneamento.

E os negócios podem vir a ser influenciados pela atual situação desfavorável vivida pelo seu principal cliente.

Eduardo Zaidan, vice-presidente de economia do Sindicato da Indústria de Construção Civil de São Paulo (SindusCon-SP), em pronunciamento feito no início de maio, mostrou-se pessimista em relação ao desempenho desse ano.

Ele apontou uma série de variáveis que impactam a economia e podem se transformar em dificuldades para o setor.

Para ele, a redução do pessimismo que se vê nas sondagens junto aos empresários do ramo deve ser vista muito mais como uma esperança.

Se o presente gera dúvidas, a expectativa para os próximos anos é animadora.

Em médio e longo prazo, existe a esperança do setor se beneficiar com investimentos que diminuam o enorme déficit habitacional da população.

O novo Marco do Saneamento Básico no Brasil, sancionado em julho de 2020, é outro motivo para otimismo.

Ele tem a ambiciosa meta de garantir que 99% da população tenha acesso à água potável e 90% ao tratamento e coleta de esgotos até 2033.

O aporte necessário de verbas para as respectivas obras é calculado em R$ 520 bilhões e uma fatia gorda desse bolo será destinada à aquisição de tubos.

O bom momento vivido pelo setor agrícola reforça o sentimento positivo em relação ao futuro.

Trata-se de outro cliente de porte dos transformadores, os fornecedores de produtos para sistemas de irrigação, que devem ser adotados com maior força, entre outras aplicações.

Tubos os mais distintos também são utilizados pelas indústrias automobilísticas, de linha branca, moveleira, elétrica, de exploração de petróleo e por outros segmentos cujos desempenhos estão sempre ligados aos ventos soprados pela economia.

A importância do mercado de tubos justifica a presença de várias empresas ligadas à indústria do plástico com atuação no setor.

Além dos fabricantes dos produtos finais, o segmento envolve fornecedores de resinas e equipamentos e conta com nomes com grande participação no mercado.

Entre os transformadores podemos citar, por exemplo, marcas como Tigre, multinacional brasileira com nove plantas no Brasil e doze no exterior, a também multinacional Amanco Wavin, com forte presença no mercado mundial, e a brasileira Corr Plastik, com três plantas industriais no Brasil e mais de quinhentos colaboradores, entre outras de renome. Também existem vários fornecedores de menor porte e atuação regional.

Não há informações oficiais sobre o quanto esse mercado movimenta em termos de receitas.

O desempenho da Tigre, empresa líder do ramo no mercado nacional, pode ser definido como bom termômetro.

Em 2021, a empresa apresentou faturamento superior a R$ 5,5 bilhões e lucro líquido de R$ 559 milhões, com crescimento de 11% no volume de vendas, sendo 6% no Brasil e 25% em suas operações internacionais.

O segmento predial responde por dois terços das vendas da empresa, sendo o restante dividido entre infraestrutura e irrigação.

Pelo feeling dos dirigentes da Tigre, há otimismo em relação ao desempenho desse ano.

Tubos: Entusiasmo de fabricantes e avanços ©QD Foto: iStockPhoto
Alexandre de Castro, presidente do Instituto Brasileiro do PVC

“As vendas em todos os segmentos devem continuar crescendo em 2022”, avalia Vinícius Miranda de Castro, diretor de desenvolvimento de negócios.

Matérias primas – Nos casos de distribuição e tratamento de água e irrigação, dois grupos de matérias primas ocupam posição de grande destaque no mercado, os fabricados em PVC e os que utilizam resinas poliolefínicas (polietileno e polipropileno).

“O PVC não sofre corrosão e é 100% estanque, impedindo vazamentos ao longo do caminho de distribuição.

Assim, gastos financeiros e impactos ambientais, como contaminação do solo e perda de água potável são evitados”, ressalta Alexandre de Castro, presidente do Instituto Brasileiro do PVC.

Outros benefícios apontados são a leveza e facilidade de manuseio e instalação, além de ser material 100% reciclável.

De acordo com dados do instituto, o PVC está presente em cerca de 90% das tubulações de água e esgoto nas instalações prediais.

Na infraestrutura, está em 85% das tubulações de água e 60% das tubulações de esgoto.

“Pode ser usado em praticamente todo o ciclo do saneamento, desde a adução de água potável à coleta e despejo de dejetos”.

O mercado de tubos também é bastante significativo para os fornecedores de resinas poliolefínicas.

O engenheiro civil Paulo Afonso Bertoldi, diretor da PAB Estudos Técnicos, conta com mais de trinta anos de experiência no setor.

Ele informa que, no Brasil, três resinas poliolefínicas são aplicadas na fabricação desse produto: polietileno de alta densidade (PEAD), polipropileno (PP) e polietileno reticulado (PEX).

Entre as principais propriedades dessas resinas são apontadas a elevada resistência química, ao impacto, à abrasão e corrosão.

Por serem atóxicas, constituem excelente opção para o transporte de água potável e alimentos.

Além dos tubos voltados para o setor de edificações e saneamento, os materiais poliolefínicos são aproveitados pelos setores de telecomunicações, transporte de gás e combustíveis e na mineração.

Muito relevante – Se existe uma empresa interessada no desempenho do mercado de tubos é a Braskem.

Não por acaso.

A empresa é fornecedora tanto de PVC, quanto de resinas poliolefínicas, as matérias-primas mais usadas para a fabricação do produto.

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Almir Cotias, diretor de vinílicos da Braskem

“Este mercado é altamente relevante para a Braskem, já que oferece possibilidade de aplicação em ampla gama de soluções e segmentos, com destaque para construção civil, infraestrutura e saneamento”, resume Almir Cotias, diretor de vinílicos.

Cotias avalia que, apesar das dificuldades atravessadas pelo país, a demanda por parte desse nicho de mercado pode ser considerada satisfatória em 2022.

“Para o futuro, existe a expectativa de crescimento da demanda impulsionado, em especial, pelo aumento da área irrigada do agronegócio e pelo novo marco do saneamento”.

Por falar em saneamento básico, o executivo destaca as soluções oferecidas pela empresa.

Elas são indicadas para tubos e conexões para sistemas de adução e distribuição de água potável, tubulações para ramais prediais, sistemas de interconexão com as redes e unidades de medição e controle e tubos e conexões para sistemas coletores de esgoto e sistemas de drenagem, entre várias outras aplicações.

Cotias considera o PVC, dentre os termoplásticos, como aquele que oferece melhor balanço de custo com rigidez, atrelado ao fato de ser seguro em condições de incêndio (não propaga chamas) e sinônimo de praticidade, durabilidade, estanqueidade e versatilidade em aplicações que demandem processos de extrusão.

“O segmento de tubos e conexões representa hoje aproximadamente 60% do mercado de PVC no Brasil”.

Entre os grades de PVC oferecidos pela empresa, ele aponta o SP 767 para tubos e o SP 700 para conexões.

“Eles possuem características de peso molecular, viscosidade e granulometria que permitem elevado desempenho nos processos de extrusão (tubos) e injeção (conexões)”.

Para o diretor, o polietileno se apresenta como ótima solução para tubos para infraestrutura (redes de água pressurizada, redes de gás, redes coletoras de esgoto e redes pluviais de drenagem, geomembranas para aterros sanitários e mineração).

“Os tubos de PEAD apresentam grandes vantagens na sua instalação, permitindo o uso de técnicas por MND (método não destrutivo), cujo benefício é substituição de tubos antigos ou a reabilitação deles em grandes cidades sem a necessidade de aberturas de valas”, apontou.

No caso do PEAD, o diretor destaca os grades para aplicação em tubos pressurizados. O principal é o GP100BKXP, comercializado na coloração preta e indicado para os mercados de mineração, saneamento e distribuição de água.

“Em nosso portfólio também constam produtos oferecidos na coloração azul (GP100BLXP) e laranja (GP100ORXP), indicados para os mercados de distribuição de água e gás, respectivamente”, informou.

“Quanto ao polipropileno, a expressividade do mercado para tubos é bem menor que o PE, mas tende a aumentar com maior presença no setor de construção civil e óleo e gás”, salientou.

Outros materiais – Em aplicações técnicas, como as presentes na indústria automobilística ou de linha branca, por exemplo, podem ser usados materiais compostos ou plásticos de engenharia.

Também existem aplicações projetadas para serem realizadas em regimes muito críticos, que exigem o aproveitamento de materiais diferenciados que atendam condições de trabalho desafiadoras.

A multinacional Solvay, fornecedora de materiais especiais, conta com uma linha voltada para melhorar a proteção e o desempenho de tubos rígidos e flexíveis.

Sérgio Detoie, líder da plataforma de compostos e termoplásticos na América Latina, lembra que, na indústria, há avanços importantes no uso de tecnologias de alto desempenho que viabilizam estruturas mais eficientes de tubos, o que afeta positivamente a demanda por termoplásticos especiais”.

Dentro do portfólio da empresa, o profissional aponta os produtos Ryton PPS, KetaSpire PEEK, Solef PVDF e Evolite PVDF como os que têm sido explorados em diversos projetos, aplicações e mercados.

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Sérgio Detoie, líder da plataforma de compostos e termoplásticos na América Latina da Solvay

“O Solef PVDF foi desenvolvido no início da década de 1990 e é indicado para aplicações offshore como barreira de pressão em risers flexíveis usados em ambientes agressivos de produção de petróleo em alto mar”, exemplifica o executivo.

“O desempenho confiável da matéria prima se dá em ampla faixa de temperatura e reduz o risco de ruptura durante a instalação”.

Em tempo: riser é um tubo que liga uma estrutura de produção offshore flutuante, ou uma plataforma de perfuração, a um sistema submarino para fins produtivos, como a perfuração, produção, injeção e exportação, ou para perfuração, completação e workover.

Outro material destacado pelo executivo é o Evolite PVDF, compósito leve e de alto desempenho indicado para a próxima geração de risers.

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Plataformas marítimas usam resinas especiais no tubos

“A linha Evolite é formada por compósitos termoplásticos para aplicações complexas que demandam propriedades extremas. Ela oferece excelentes propriedades mecânicas e foi projetado para uso em aplicações de compósitos ultraleves”.

O Grupo Solvay anunciou em fevereiro o investimento de 300 milhões de euros no aumento da capacidade da sua unidade em Tavaux, França, que com isso se transforma na maior produtora de PVDF da Europa.

Qualidade – O mercado de tubos conta com a participação de um número considerável de transformadores.

A competição acirrada faz com que muitos deles apelem para a redução de preços como forma de se destacar perante a concorrência.

Com a prática, cresce o risco de serem ofertados produtos com qualidade duvidosa, fabricados fora das especificações recomendadas.

Castro, do Instituto do PVC, informa existir vasto conjunto de normas rigorosas lançadas pela ABNT que regem as especificações para fabricação e métodos de ensaio para a verificação da qualidade dos tubos de PVC usados tanto em instalações hidráulicas prediais quanto em obras de infraestrutura que envolvem distribuição de água, tratamento sanitário do esgoto e sistemas de drenagem.

“O índice de conformidade do setor é maior do que 96% para instalações prediais e infraestrutura. Este índice de conformidade, é medido a cada três meses e, vale ressaltar, além de alto é muito estável ao longo do tempo, atestando a oferta constante de produtos de boa qualidade ao mercado”, garante.

Raciocínio similar é apresentado pelo consultor Bertoldi ao falar sobre os tubos fabricados em resinas poliolefínicas, cuja fabricação também é regida por várias normas da ABNT.

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Paulo Afonso Bertoldi, diretor da PAB Estudos Técnicos

“Tubo de boa qualidade requer que o fabricante atenda todos os requisitos normativos de cada produto, desde a origem da matéria-prima, no processo de fabricação e na entrega para o cliente, sem excluir a necessidade de a instalação seguir as recomendações normativas e considerações de boas práticas para que se alcance o desempenho esperado”, explica.

Ele diz que as empresas ligadas a Associação Brasileira de Tubos Poliolefínicos e Sistemas (ABPE) passam por constantes processos de auditorias realizados em laboratório institucional.

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