Proteção de Molde – como regular – Transformação de Plástico

Ferramentaria Moderna

3 – Regular a velocidade de proteção de molde.

Nem todas as máquinas possuem esse recurso, como é o caso das mais antigas. Nas mais modernas, muitas vezes podemos encontrar duas ou três velocidades.

Logicamente, quando há mais de uma velocidade disponível, será necessária a regulagem das posições para que ocorram as variações convenientes dessas velocidades durante a operação.

Ao se regular esse recurso, ao contrário da pressão de proteção de molde, deve-se aplicar as maiores velocidades possíveis, no limite do bom senso e de acordo com a complexidade, delicadeza e detalhes do molde.

4 – Regulagem do final de proteção de molde.

Esse é o ponto crucial e de maior dificuldade para os preparadores de máquinas e técnicos.

Geralmente, eles conseguem boas regulagens nos três primeiros passos, mas pecam ao topar com esse item. Essa regulagem deve ser feita de forma manual, zerando a posição de fim de fechamento ou travamento (cada fabricante define uma nomenclatura para esse item, complicando ainda mais a boa regulagem do parâmetro) e fechando o molde até que se encostem as duas faces (placa móvel e placa fixa).

Uma vez encostadas, o painel mostra a posição na qual o molde deverá ser travado.

Plástico Moderno, Imagem do painel didático da máquina Sandretto da Escola LF, utilizada para ensinar a regulagem de proteção de molde.
Imagem do painel didático da máquina Sandretto da Escola LF, utilizada para ensinar a regulagem de proteção de molde.

Também deve ser observado que, se a pressão estiver zerada, muitas vezes não conseguiremos fechar o molde quando ele entrar na posição de início de proteção do molde.

É o caso da maioria das máquinas, sendo necessário nesse caso o aumento gradativo da pressão de proteção de molde até que haja um balanceamento entre as duas variáveis: velocidade e pressão.

A ideia é que, no início da proteção do molde, ele deve se fechar com a máxima velocidade e com o mínimo de pressão.

Uma vez gravado esse valor, o travamento do molde sempre ocorrerá naquele ponto, impedindo que o molde trave até mesmo com uma folha de papel entre as duas faces.

Para isso, deve-se dedicar muito tempo com os try-outs, em inúmeras tentativas, até que se consiga uma proteção de molde segura, sem causar perdas de tempo que afetarão diretamente o tempo de ciclo de moldagem e, consequentemente, a produtividade.

Devemos também levar em conta nessa regulagem a dilatação térmica do aço, afetando diretamente o diâmetro dos pinos guias e buchas guias, inclusive das gavetas.

Quando há refrigeração de um lado e aquecimento do outro, ou ainda, quando a proteção do molde é regulada no try-out, acredita-se que a essa regulagem seria a ideal, levando a aplicá-la quando o molde entrar em produção efetiva.

Porém, dificilmente a regulagem realizada no try-out será a mesma que a da produção, devido ao aquecimento e consequentemente à dilatação do molde, gerando inúmeras paradas e o disparo de alarmes de segurança de molde, até o ponto de o técnico ou o preparador de máquinas achar que a solução seria aumentar a pressão, provocando assim a ineficiência desse recurso.

5 – Regulagem do tempo de proteção de molde.

Esse recurso está disponível na maioria das máquinas injetoras e normalmente deve ser regulado no automático.

O molde parte para fechar com pressões e velocidades elevadas e, ao entrar na posição de início de proteção de molde, a pressão e a velocidade são reduzidas até a posição de final de proteção do molde, que é aquela na qual as duas faces do molde se encontram, dando início à fase de alta pressão, isso é, a pressão se eleva novamente a ponto de travar o molde e mantê-lo fechado durante a injeção.

Esse tempo é definido do início ao final da proteção de molde e, se mal regulado, a máquina entrará em alarme quando esse tempo for curto, pois dependendo da velocidade com que o molde fechar, estoura o tempo.

Se o tempo for muito alto, o molde poderá fechar ainda com a peça ou canal de injeção, travando e amassando o molde, caso a pressão e final de proteção de molde estejam mal regulados.

Por isso, a necessidade de se regular o tempo de proteção de molde precisamente de acordo com a velocidade, pressão e posições determinadas, sendo essa última etapa de toda a regulagem

Na maioria dos casos, os moldes de injeção não se amassam simplesmente ao fechar com a peça dentro. Eles são amassados se travarem com alguma coisa dentro deles, até mesmo fiapos decorrentes dos bicos, câmaras quentes ou bicos quentes são causadores de cavidades amassadas.

A proteção de molde é uma regulagem que deve ser precisa, fundamental e extremamente necessária no set-up, na preparação e na regulagem das máquinas injetoras.

Temos como comprovar a importância deste item através do depoimento do encarregado geral Thiago G. Vitto, da empresa Trali, localizada na zona leste de São Paulo.

Ao concluir o treinamento sobre Segurança de Moldes, integrante do curso de Analista Técnico do Processo de Injeção na Escola LF, implantou na empresa em que trabalha a maneira correta de regular esse recurso, resultando numa queda de 52% nas manutenções dos moldes.

“Antes da implantação, eram geradas peças com rebarbas causadas pelos moldes amassados com as altas velocidades e pressões usadas no fechamento e sem a devida proteção. Houve então, um ganho de 22% na produção e redução da mão de obra utilizada em rebarbar as peças”, afirmou.

Outro depoimento de como o aprendizado da regulagem correta da proteção de molde é importante, vem do trocador de moldes Rinaldo S. Pacheco, da empresa São Bernardo, em Itaquaquecetuba-SP, que com outros colaboradores também aprendeu a regular esse recurso de maneira correta, chegando a zerar o número de moldes amassados.

“Há um ano não temos mais moldes amassados por causa da aplicação correta da proteção de molde. Ocorrem quebras de moldes por outros motivos, mas não mais por erros de ajustes de proteção”, confirmou.

Podemos concluir, portanto, que os técnicos e preparadores de máquinas ao aprender a regular corretamente esse recurso disponível em todas as máquinas injetoras podem evitar sérios problemas com os moldes, eliminando a quebra de pinos, gavetas e machos hidráulicos, e amassamentos em placas e cavidades decorrentes de uma peça que não caiu após a extração, ou de um canal de injeção que ficou preso no molde e até mesmo pela presença de fiapos originados por bicos quentes ou câmara quente.

 

Plástico Moderno, Transformação - Proteção de molde: como regular
Alexandre Farhan administrador de empresas e técnico em plásticos pelo Senai-SP

Alexandre Farhan administrador de empresas e técnico em plásticos pelo Senai-SP, com 30 anos de atuação no setor.

Atualmente, é diretor da Escola LF, especializada na formação de profissionais para a indústria de transformação plástica pelos processos de injeção, sopro e extrusão.

www.escolalf.com.br

alexandre@escolalf.com.br

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3 Comentários

  1. No caso da Prática 80, quando ocorre o travamento do molde e ele não abre nem por decreto, como proceder para abrir o molde e continuar o trabalho?
    Porque, afinal, ocorre o travamento do molde?

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