Proteção de Molde – como regular – Transformação de Plástico

Ferramentaria Moderna

Atualmente, imersas na enorme crise que assombra o país, as empresas que não reduzirem custos, desperdícios e avarias em seus equipamentos e ferramentas estarão correndo um sério risco de desaparecer do mercado.

Um dos itens causadores de enormes prejuízos com quebras das ferramentas é a falta de conhecimento para regular corretamente a proteção dos moldes.

É extremamente necessário conhecer o processo de injeção como um todo, bem como efetuar corretamente as diversas regulagens no que diz respeito aos moldes de injeção para que não haja contratempos indesejados, como moldes amassados, quebra de placas, pinos, gavetas, machos e excesso de intervenções de manutenção, ocasionando um aumento indesejável nos gastos da empresa.

Ferramentas caras e delicadas, os moldes são partes integrantes do processo de injeção, portanto vale a pena dar a eles uma atenção especial.

Milhões são investidos em moldes de injeção de diversos segmentos, como automotivo, linha branca, brinquedos, hospitalar, utensílios domésticos, entre outros.

Em todos eles, a necessidade da redução de custos, ciclo da máquina e aumento da qualidade e produtividade são fundamentais.

No atual cenário, a tecnologia tem proporcionado grandes avanços nos maquinários, dispositivos, periféricos e principalmente nos moldes de injeção.

Em contrapartida, não podemos contar com a evolução e disponibilidade de cursos e oportunidades de aprendizado voltados para essa área, visto que é assunto relativamente novo em nosso país e as literaturas mais ricas existentes normalmente se encontram em língua estrangeira, fugindo ainda mais da realidade vivida por nós brasileiros.

Em razão disso, sempre encontramos complicadas situações de entendimento dos complexos painéis das máquinas, principalmente aquelas importadas com idioma estrangeiro, sem a devida tradução, dificultando ainda mais a vida de reguladores, técnicos e preparadores de máquinas.

Esse despreparo ocasiona muitas vezes a quebra de moldes, pinos, gavetas e machos hidráulicos, além de placas e cavidades amassadas entre outras partes, muitas vezes, pela falta de conhecimento em regular esse recurso, chamado popularmente de proteção de moldes ou, simplesmente, porque esses profissionais desconhecem a existência do mesmo.

Trata-se de recurso disponível em todas as máquinas injetoras, das mais antigas às mais modernas, nacionais e importadas, porém, devido à falta de padronização dos painéis, das nomenclaturas e do conhecimento para regular esse recurso, muitos moldes são amassados e danificados, gerando manutenções complexas e demoradas, acarretando custos, produções paralisadas e enormes prejuízos para as empresas.

Ao ingressar numa empresa, dificilmente o profissional recebe instruções suficientes para enfrentar os problemas do dia a dia relacionados com os delicados equipamentos e ferramental, sendo que em alguns casos, funcionários são até mesmo dispensados pela empresa com base nos prejuízos causados.

Ao se realizar o set-up da máquina injetora, no momento da preparação da máquina, a regulagem da proteção de molde é fundamental e deve ser criteriosamente executada, observando procedimentos, seguindo passo a passo sua regulagem para que seja efetiva.

A proteção de molde é algo que jamais deve ser confundido com as proteções do operador. A regulagem dessa proteção sempre protegerá única e exclusivamente o molde.

Para o operador existem dispositivos, proteções, distâncias de segurança e atualmente devem ser seguidas as rigorosas normas de trabalho, caso da NR-12.

Um dos primeiros passos antes de iniciar uma regulagem de proteção de molde, é identificar fragilidades, pinos e gavetas que são partes móveis dos moldes utilizadas para realizar nos produtos alguns detalhes negativos, ou furos laterais, rebaixos, roscas internas e outras exigências que impeçam a extração do produto.

 

Para se regular a proteção de moldes, devemos seguir rigorosamente os cinco passos seguintes:

1 – Verificar a posição do início de proteção de moldes.

Essa posição deve ser regulada antes de o pino guia entrar na bucha guia, ou do pino inclinado entrar no furo da gaveta.

Devem ser observadas as posições de cunhas, machos, enfim, leva-se também em conta o bom senso e a experiência do técnico ou preparador de máquinas para casos de pinos guias serem demasiadamente longos e que prosseguir a regulagem sem considerar esse tipo de detalhe será perda de tempo, pois o molde permanecerá desprotegido.

2 – Regular a pressão de proteção de molde.

Normalmente a máquina fechará e travará o molde com elevada pressão e esmagará o que ele encontrar pela frente, seja uma peça, um galho, uma ferramenta ou a mão do operador. Para tanto, as injetoras contam com um recurso chamado pressão de proteção do molde.

Deve-se regular essa pressão para que seja a mais baixa possível, evitando que tenha força para esmagar tudo aquilo que o molde encontrar quando estiver fechando.

Existem máquinas que conseguem promover o fechamento com a pressão de proteção do molde igual a zero. Se for esse o caso, deve-se deixar essa pressão zerada.

3 – Regular a velocidade de proteção de molde.

Nem todas as máquinas possuem esse recurso, como é o caso das mais antigas. Nas mais modernas, muitas vezes podemos encontrar duas ou três velocidades.

Logicamente, quando há mais de uma velocidade disponível, será necessária a regulagem das posições para que ocorram as variações convenientes dessas velocidades durante a operação.

Ao se regular esse recurso, ao contrário da pressão de proteção de molde, deve-se aplicar as maiores velocidades possíveis, no limite do bom senso e de acordo com a complexidade, delicadeza e detalhes do molde.

4 – Regulagem do final de proteção de molde.

Esse é o ponto crucial e de maior dificuldade para os preparadores de máquinas e técnicos.

Geralmente, eles conseguem boas regulagens nos três primeiros passos, mas pecam ao topar com esse item. Essa regulagem deve ser feita de forma manual, zerando a posição de fim de fechamento ou travamento (cada fabricante define uma nomenclatura para esse item, complicando ainda mais a boa regulagem do parâmetro) e fechando o molde até que se encostem as duas faces (placa móvel e placa fixa).

Uma vez encostadas, o painel mostra a posição na qual o molde deverá ser travado.

Plástico Moderno, Imagem do painel didático da máquina Sandretto da Escola LF, utilizada para ensinar a regulagem de proteção de molde.
Imagem do painel didático da máquina Sandretto da Escola LF, utilizada para ensinar a regulagem de proteção de molde.

Também deve ser observado que, se a pressão estiver zerada, muitas vezes não conseguiremos fechar o molde quando ele entrar na posição de início de proteção do molde.

É o caso da maioria das máquinas, sendo necessário nesse caso o aumento gradativo da pressão de proteção de molde até que haja um balanceamento entre as duas variáveis: velocidade e pressão.

A ideia é que, no início da proteção do molde, ele deve se fechar com a máxima velocidade e com o mínimo de pressão.

Uma vez gravado esse valor, o travamento do molde sempre ocorrerá naquele ponto, impedindo que o molde trave até mesmo com uma folha de papel entre as duas faces.

Para isso, deve-se dedicar muito tempo com os try-outs, em inúmeras tentativas, até que se consiga uma proteção de molde segura, sem causar perdas de tempo que afetarão diretamente o tempo de ciclo de moldagem e, consequentemente, a produtividade.

Devemos também levar em conta nessa regulagem a dilatação térmica do aço, afetando diretamente o diâmetro dos pinos guias e buchas guias, inclusive das gavetas.

Quando há refrigeração de um lado e aquecimento do outro, ou ainda, quando a proteção do molde é regulada no try-out, acredita-se que a essa regulagem seria a ideal, levando a aplicá-la quando o molde entrar em produção efetiva.

Porém, dificilmente a regulagem realizada no try-out será a mesma que a da produção, devido ao aquecimento e consequentemente à dilatação do molde, gerando inúmeras paradas e o disparo de alarmes de segurança de molde, até o ponto de o técnico ou o preparador de máquinas achar que a solução seria aumentar a pressão, provocando assim a ineficiência desse recurso.

5 – Regulagem do tempo de proteção de molde.

Esse recurso está disponível na maioria das máquinas injetoras e normalmente deve ser regulado no automático.

O molde parte para fechar com pressões e velocidades elevadas e, ao entrar na posição de início de proteção de molde, a pressão e a velocidade são reduzidas até a posição de final de proteção do molde, que é aquela na qual as duas faces do molde se encontram, dando início à fase de alta pressão, isso é, a pressão se eleva novamente a ponto de travar o molde e mantê-lo fechado durante a injeção.

Esse tempo é definido do início ao final da proteção de molde e, se mal regulado, a máquina entrará em alarme quando esse tempo for curto, pois dependendo da velocidade com que o molde fechar, estoura o tempo.

Se o tempo for muito alto, o molde poderá fechar ainda com a peça ou canal de injeção, travando e amassando o molde, caso a pressão e final de proteção de molde estejam mal regulados.

Por isso, a necessidade de se regular o tempo de proteção de molde precisamente de acordo com a velocidade, pressão e posições determinadas, sendo essa última etapa de toda a regulagem

Na maioria dos casos, os moldes de injeção não se amassam simplesmente ao fechar com a peça dentro. Eles são amassados se travarem com alguma coisa dentro deles, até mesmo fiapos decorrentes dos bicos, câmaras quentes ou bicos quentes são causadores de cavidades amassadas.

A proteção de molde é uma regulagem que deve ser precisa, fundamental e extremamente necessária no set-up, na preparação e na regulagem das máquinas injetoras.

Temos como comprovar a importância deste item através do depoimento do encarregado geral Thiago G. Vitto, da empresa Trali, localizada na zona leste de São Paulo.

Ao concluir o treinamento sobre Segurança de Moldes, integrante do curso de Analista Técnico do Processo de Injeção na Escola LF, implantou na empresa em que trabalha a maneira correta de regular esse recurso, resultando numa queda de 52% nas manutenções dos moldes.

“Antes da implantação, eram geradas peças com rebarbas causadas pelos moldes amassados com as altas velocidades e pressões usadas no fechamento e sem a devida proteção. Houve então, um ganho de 22% na produção e redução da mão de obra utilizada em rebarbar as peças”, afirmou.

Outro depoimento de como o aprendizado da regulagem correta da proteção de molde é importante, vem do trocador de moldes Rinaldo S. Pacheco, da empresa São Bernardo, em Itaquaquecetuba-SP, que com outros colaboradores também aprendeu a regular esse recurso de maneira correta, chegando a zerar o número de moldes amassados.

“Há um ano não temos mais moldes amassados por causa da aplicação correta da proteção de molde. Ocorrem quebras de moldes por outros motivos, mas não mais por erros de ajustes de proteção”, confirmou.

Podemos concluir, portanto, que os técnicos e preparadores de máquinas ao aprender a regular corretamente esse recurso disponível em todas as máquinas injetoras podem evitar sérios problemas com os moldes, eliminando a quebra de pinos, gavetas e machos hidráulicos, e amassamentos em placas e cavidades decorrentes de uma peça que não caiu após a extração, ou de um canal de injeção que ficou preso no molde e até mesmo pela presença de fiapos originados por bicos quentes ou câmara quente.

 

Plástico Moderno, Transformação - Proteção de molde: como regular
Alexandre Farhan administrador de empresas e técnico em plásticos pelo Senai-SP

Alexandre Farhan administrador de empresas e técnico em plásticos pelo Senai-SP, com 30 anos de atuação no setor.

Atualmente, é diretor da Escola LF, especializada na formação de profissionais para a indústria de transformação plástica pelos processos de injeção, sopro e extrusão.

www.escolalf.com.br

[email protected]

3 Comentários

  1. No caso da Prática 80, quando ocorre o travamento do molde e ele não abre nem por decreto, como proceder para abrir o molde e continuar o trabalho?
    Porque, afinal, ocorre o travamento do molde?

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