Transformação – Plásticos de Engenharia – Policarbonato

Policarbonato (PC) - Parte 3

Policarbonato (PC)

Chegou a hora de conhecermos um pouco mais sobre o policarbonato, um polímero bem importante para o mundo dos plásticos, conhecido por ter a sua transparência semelhante à do vidro e apresentar uma resistência parecida com a do aço.

Esse material de engenharia consegue ser um dos mais versáteis, tendo a capacidade de unir características interessantes e desejáveis dos vidros e metais, combinadas ao processamento de termoplásticos.

A título de curiosidade: esse polímero pode ser obtido pela reação de fosgênio com Bisfenol A. O policarbonato também é considerado um poliéster linear e possui em sua estrutura química o grupo carbonato (-O – C – O – O-).

Estrutura química do policarbonato

Fato Histórico

Basicamente, os primeiros policarbonatos a serem desenvolvidos, entre os anos de 1898 e 1930, não chegaram a ser comercializados, pois apresentavam algumas propriedades desinteressantes como, por exemplo, rápida hidrólise (degradação pela água) e baixo ponto de fusão.

De acordo com literaturas, somente um tempo depois, em 1956, que a evolução do policarbonato começou a ser encaminhada. A Bayer estava com a proposta de desenvolver uma resina que fosse termorrígida e que apresentasse uma boa estabilidade ao calor e à hidrólise. Foi então que em uma dessas tentativas a empresa conseguiu, como subproduto, o policarbonato de Bisfenol A.

Dois anos depois, em 1958, tanto a Bayer quanto a General Eletric passaram a comercializar, simultaneamente, esse tipo de polímero, sob os nomes de Makrolon e Lexan, respectivamente. Desde então o famoso policarbonato vem sendo empregado em vários ramos do nosso cotidiano, sendo eles a área automobilística, indústria eletrônica, aplicações domésticas, hospitalares, equipamentos de proteção e vários outros meios.

Propriedades

Plástico Moderno - Respirador hospitalar feito de policarbonato
Respirador hospitalar feito de policarbonato

Relacionando as propriedades do policarbonato com a sua estrutura, notamos com exatidão que, por conta dos anéis aromáticos presentes em sua cadeia principal, o polímero se torna um material amorfo e rígido.

É interessante dizer que os grupos carbonatos são extremamente sensíveis à hidrólise e como eles fazem parte da cadeia principal, podem ocasionar a degradação do material, resultando em perdas de massas molares e afetando a sua resistência ao impacto.

Por isso, peças em policarbonato que tenham um contato muito constante com a água têm a sua vida útil reduzida. Vale ressaltar que o material resiste à esterilização desde que a ação seja rápida. Fora isso, podemos destacar as seguintes propriedades que o polímero desempenha:

  • Excelente resistência ao impacto;
  • Alta resistência térmica;
  • Boa resistência a intempéries;
  • Dificuldade de propagar chamas;
  • Sensível ao risco;
  • Peças podem ser usinadas, coladas ou soldadas;
  • Aceita boa impressão gráfica;
  • Resistência à tração;
  • Baixa contração no molde.

As resinas de policarbonato podem ser reforçadas com cargas e aperfeiçoadas com a utilização de aditivos. A incorporação de fibra de vidro, por exemplo, dá ao polímero um aumento considerável na sua resistência ao impacto, aumenta o módulo de elasticidade, melhora as propriedades de isolamento térmico e resistência à compressão.

Quanto ao processamento, o policarbonato se aplica a vários processos de transformação de termoplásticos, sendo eles, injeção, termoformagem, sopro e extrusão.

Sobre um processo de injeção, antes de tudo, é extremamente necessário que se realize a secagem do material, pois a resina úmida, como já sabemos, pode apresentar problemas no processo (manchas e bolhas). Para que isso não ocorra, os grânulos devem ser secados a uma temperatura em média de 120°C por 4 a 6 horas, aproximadamente.

Recomenda-se às peças com estrutura de paredes finas a serem injetadas que a velocidade de injeção seja rápida, a fim de se evitar problemas de preenchimento ou rugas no produto.

Agora, para peças com necessidade de uma ótima aparência visual, médias velocidades de injeção já atendem o requisito. As temperaturas de moldagem do policarbonato se encontram entre 230 e 300°C, acima destas temperaturas a degradação do polímero se inicia.

Sobre o molde, é importante que ele seja bem confeccionado para que se evitem problemas de moldagem, isso serve tanto para o policarbonato, quanto para os outros termoplásticos. Eliminar tensões internas e proporcionar alto brilho para a peça são questões que podemos resolver com o molde, para isso, basta deixá-lo aquecido a uma temperatura por volta de 80 a 100°C.

Áreas de Aplicação

Segundo pesquisas, cerca de 50% da produção de policarbonato é destinada a peças da indústria de elétrica e eletrônica, devido às suas ótimas propriedades de isolamento, dureza, resistência à chama e transparência.

Essas propriedades também favorecem o uso dessa resina em embalagens sofisticadas. É o caso de uma embalagem descartável injetada em PC para próteses mamárias. Essa embalagem deve ter excelente resistência térmica para ser esterilizada, e o PC suporta a temperatura de esterilização.

Também deve apresentar resistência ao impacto, transparência sem pinta alguma e sem nenhuma contaminação. Enfim, trata-se de uma embalagem de custo altíssimo, mas que se justifica pelo preço do produto, no caso, a prótese mamária. Fosse para embalar chocolates, por exemplo, ela poderia ser feita tranquilamente de poliestireno (PS), a um custo muito mais baixo.

Fora isso, conheça um pouco mais sobre os produtos que podem ser feitos a partir do PC, sendo eles:

  • Mamadeiras;
  • Escudos de proteção;
  • Vidro à prova de bala;
  • Telhas para cobertura;
  • Janelas de avião;
  • CDs E DVDs;
  • Lentes e faróis automotivos;
  • Óculos de segurança;
  • Recobrimento de relês. 

Plástico Moderno - Camila Falcari Dias, técnica em plásticos
Camila Falcari Dias, técnica em plásticos

Camila Falcari Dias, técnica em plásticos, e aluna do curso de Analista Técnico de Processo de Injeção da Escola LF

(https://escolalf.com.br)

 

 


Plástico Moderno - Alexandre Farhan é Administrador de Empresas e técnico em plásticos pelo Senai-SP
Alexandre Farhan é Administrador de Empresas e técnico em plásticos pelo Senai-SP

Alexandre Farhan é Administrador de Empresas e técnico em plásticos pelo Senai-SP, com 30 anos de atuação no setor.

Atualmente, é diretor da Escola LF, especializada na formação de profissionais para a indústria de transformação plástica pelos processos de injeção, sopro e extrusão.

(www.escolalf.com.br e/ou alexandre@escolalf.com.br)

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