Plástico em veículos automotores

Além do contínuo crescimento do uso do plástico em veículos automotores, o setor apresenta uma particularidade que o torna precioso para a indústria do plástico. É um nicho de mercado no qual são utilizadas centenas de itens com grande valor agregado.

Muitos são manufaturados com resinas nobres, com propriedades diferenciadas, resultantes de pesados investimentos das gigantes da indústria química em pesquisa e desenvolvimento. Para sua fabricação, são utilizados equipamentos com tecnologia de última geração.

Plástico em veículos: Perspectiva para o setor automotivo em 2024

“Temos motivos para acreditar num ano positivo para o setor automotivo brasileiro. Além da expectativa de crescimento do mercado interno e da produção, devemos celebrar a publicação da MP 1.205 que instituiu o Programa Mover”, afirma Márcio de Lima Leite, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Programa Mover

O Programa Mover (Programa de Mobilidade Verde e Inovação) surgiu com a edição da Medida Provisória citada, em 30 de dezembro.

Seu objetivo é promover a expansão de investimentos em eficiência energética, incluir limites mínimos de reciclagem na fabricação dos veículos e cobrar menos imposto de quem polui menos, criando o IPI Verde. O incentivo fiscal para que as empresas invistam em descarbonização e se enquadrem nos requisitos obrigatórios do programa alcançará R$ 19 bilhões em créditos a conceder até 2028.

“Trata-se de uma política industrial muito moderna e inteligente, que garante previsibilidade para toda a cadeia automotiva presente no país e às empresas que chegarem, privilegia novas tecnologias de descarbonização, investimentos em P&D e favorece a neoindustrialização”, avalia Lima Leite.

Projeção da Anfavea para 2024 prevê crescimento de 6,1% de nos emplacamentos de automóveis (expectativa de 2,45 milhões de unidades), 6,2% na produção (2,47 milhões de unidades) e 0,7% nas exportações (407 mil unidades). Vale ressaltar que as vendas de peças plásticas para as montadoras movimentam, na média histórica, algo próximo de dois terços do total das vendas de autopeças. O restante é destinado para o mercado de reposição.

Resultados do setor no ano passado

Em 2023, a produção de automóveis cresceu 1,3% (chegou a 2,2 milhões de unidades). O mercado interno apresentou desempenho bastante positivo, com crescimento de 9,7% (2,3 milhões de unidades). Apesar de tal desempenho dos emplacamentos, o resultado final das montadoras foi prejudicado pela queda de 16% nas exportações (403,9 mil unidades) e também pelo aumento de 29% nas importações. A Argentina, com queda de 16%, deixou de ser nossa principal cliente. Louve-se o crescimento de 51% nas exportações para o México, que passou a ser o país principal comprador de automóveis brasileiros.

No caso das importações, ocorreu fenômeno inverso: houve forte crescimento junto ao mercado argentino (11%). Também merece destaque o significativo aumento das vendas de veículos chineses por aqui, com aumento de nada menos de 431% (41,9 mil unidades).

O número obtido pela China se explica pela chegada dos automóveis elétricos fabricados naquele país, que tiveram boa aceitação pelos compradores nacionais. Ele não preocupa muito, uma vez que a China está investindo pesado na implantação no Brasil de duas fábricas de elétricos, a GWM, que está se instalando em Iracemápolis-SP, e a BYD, em Camaçari-BA.

Os automóveis elétricos, por sinal, prometem transformar o perfil da indústria automobilística nacional nos próximos anos. Nos últimos meses, várias montadoras com fábricas no Brasil apresentaram planos de investimentos bilionários para os próximos anos, valores que com certeza devem incluir lançamentos de modelos elétricos ou híbridos plug in. Podemos citar Caoa (R$ 3 bilhões), Nissan (R$ 1,5 bilhões), Renault (R$ 2 bilhões), Toyota (R$ 1,7 bilhões) e General Motors (R$ 7 bilhões).

O segmento de pesados não obteve bons resultados. No caso dos ônibus, houve queda de 37,9% na produção (100,5 mil unidades) e de 14,7% (108 mil unidades) nos emplacamentos, enquanto no dos caminhões houve queda de 35,2% na produção (20,6 mil unidades), apesar do aumento de 17,7% nos emplacamentos (20,4 mil unidades). Os números fora da curva se devem a fatores particulares dessas categorias de veículos. Foi o caso, por exemplo, do lançamento de modelos adequados à mudança de legislação do desempenho dos caminhões, que movimentaram as vendas de forma atípica. A expectativa é de crescimento na categoria dos pesados em 2024 de 32,1% na produção e de 13,6% nos emplacamentos.

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