Transformação – Empresas atualizam máquinas e projetam demanda firme

Perspectivas

Empresas atualizam máquinas e projetam demanda firme, mas resultados de 2020 foram fracos

 

Especialistas em búzios, cartomantes, leitores de bola de cristal e adivinhos de todas especialidades estão em dificuldades. Fazer previsões sobre o futuro, diante do atual cenário, não está sendo tarefa simples para ninguém.

Para os líderes da indústria de transformação do plástico a situação é parecida.

Por conta da pandemia, o ano passado foi totalmente atípico. O segundo trimestre foi desastroso, mas os meses seguintes apresentaram recuperação. O último trimestre proporcionou perspectiva otimista para o ano que se inicia.

Existem problemas, no entanto, para que a expectativa positiva se confirme.

 

Plástico Moderno - Transformação: Empresas atualizam máquinas e projetam demanda firme, mas resultados de 2020 foram fracos - Perspectivas 2021 ©QD Foto: Divulgação
Roriz Coelho: importação de transformados cresceu em 2020

“Esperamos que 2021 perpetue o comportamento de recuperação vista nos últimos meses.

Porém, é necessário cautela e um ambiente de negócios propício para que isso aconteça de forma consolidada”, resume José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).

 

O dirigente enumera alguns fatores preocupantes. Um deles é o fim do auxílio emergencial, que no ano passado injetou algo próximo a R$ 50 bilhões mensais na economia nos meses em que esteve em vigor.

Isso manteve a demanda e a capacidade de compra, principalmente de produtos básicos como alimentos, mas também de utilidades domésticas, materiais de construção e eletrodomésticos”.

Somam-se à interrupção da ajuda do governo federal às pessoas de menor poder aquisitivo, o elevado índice de desemprego, a queda dos rendimentos dos trabalhadores e o recrudescimento da inflação.

O resultado pode ser uma queda significativa no consumo.

Roriz Coelho também aponta as incertezas em relação à pandemia, com casos ainda crescentes no Brasil, o que afeta a previsibilidade de todos.

“Um sucesso na companha de vacinação pode atenuar esse cenário”. Em relação às reformas, o dirigente espera que a tributária tenha definição positiva. Lembra que o chamado “Custo Brasil” da ineficiência tributária varia de R$ 240 bilhões a R$ 280 bilhões por ano, em comparação com a média dos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

“Parte desse custo se deve ao arcabouço jurídico tributário ser muito complexo e pouco transparente. Torná-lo mais simples traz ganhos para economia, com melhoria de produtividade, aumento da renda, do consumo e do emprego”.

No caso particular do setor plástico, um tema se mostra delicado.

Desde o segundo semestre do ano passado, os transformadores enfrentam problemas de escassez e/ou forte elevação do preço das resinas. “Continuamos trabalhando, dentre diversos assuntos, para que haja acesso competitivo a matérias-primas e tenhamos um ambiente mais equilibrado entre oferta e demanda de resinas termoplásticas, superando o desbalanceamento que houve em 2020”, explica o presidente da Abiplast.

 

Queda e ascensão

No início de 2020, a expectativa da indústria de transformação era de crescimento do PIB em torno de 2%.

A estimativa despencou a partir de março. Empresas fabricantes de produtos essenciais como embalagens e utensílios de uso médico-hospitalar mantiveram suas operações. Entretanto, aqueles que produzem para o setor automotivo, de eletrodomésticos e demais bens duráveis foram impactados pela crise.

Em abril, o setor chegou a cair mais de 15% em sua produção mensal.

Seguiu-se um movimento de recuperação. A estimativa é de queda anual de 1% do setor em relação aos resultados de 2019.

Confirmada essa expectativa, a produção física deve ter fechado o ano em torno de 7 milhões de toneladas em 2020. O desempenho entre as empresas foi desigual.

De acordo com a Abiplast, no caso das embalagens plásticas, houve crescimento de 6% entre janeiro e novembro, em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os tubos e acessórios plásticos para construção civil também registraram resultados positivos no período, com crescimento de 3,7%. Por outro lado, o setor automotivo apresentou retração de 31,5%.

As exportações de transformados plásticos alcançaram 280 mil toneladas em 2020, desempenho 1,3% menor frente a 2019. Em valor, esse montante correspondeu a mais de US$ 1,1 bilhão, 2% acima do valor de 2019. Foram importadas 796 mil toneladas de produtos plásticos no ano passado, com crescimento de 3,2% frente a 2019. Em valor, o montante correspondeu a US$ 3,9 bilhões, número quase 10% superior em relação ao ano anterior.

O resultado manteve o déficit histórico do setor no comércio internacional, com elevação de 5,9% em peso e 13,2% em valor. Mais de 34% das importações vieram da China e cerca de 40% das exportações se dividem entre Argentina e Estados Unidos.

Os produtos plásticos normalmente não possuem representatividade expressiva nesse comércio. “Mais de 90% do setor é formado por micro, pequenas e médias empresas, que enfrentam dificuldades de logística”.

No final do ano, uma notícia bombástica afetou o universo das montadoras. Depois de mais de cem anos atuando no Brasil, a Ford encerrou suas atividades no país.

“Muitas empresas transformadoras de peças plásticas para o setor automotivo já têm como estratégia diversificar sempre que possível seus clientes. No caso da saída da Ford, os impactos no faturamento dessas empresas foram diferentes, mas, de forma geral, não houve grandes prejuízos”, explica o dirigente.

Roriz Coelho cita que existem casos de empresas que tiveram queda de 2% a 5% de seu faturamento e casos com impacto entre 20% e 35%.

“As companhias mais afetadas estão revendo seus planejamentos, cancelando pedidos de insumos e pesquisando novos projetos. Existe a expectativa de que o mercado vai se ajustar com a melhora na demanda por parte de outras montadoras, que mantêm o ritmo de produção, estão lançando novas linhas e poderão ampliar seu share de mercado”.

Resta a todos os envolvidos com a indústria de transformação do plástico torcerem para que as coisas caminhem da melhor maneira. Quem quiser respostas mais imediatas contrate os adivinhos de sua preferência.


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