Aditivos e Masterbatches

TiO2: Custos do aditivo arrefecem e os especialistas acreditam que esse quadro permaneça

Domingos Zaparolli
1 de fevereiro de 2013
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    Mercado brasileiro – Nos últimos dois anos, a demanda aparente de TiO2 no Brasil registrou queda. A expectativa agora é de um ligeiro crescimento. Segundo Ciro Marino, em 2010, o consumo de dióxido de titânio no país foi de 192 mil toneladas, caindo para 182 mil toneladas no ano seguinte. Em 2012, estima-se que tenha ficado entre 170 mil e 172 mil toneladas. Como relata o executivo, a movimentação de estoques, seguindo o exemplo do que ocorreu no exterior, também foi fator determinante para a evolução dos negócios no Brasil. Em 2011, os consumidores industriais de TiO2 foram às compras e formaram estoque se preparando para atender a uma expectativa de crescimento anunciada pelo governo federal na casa dos 4%, o que não ocorreu. Em 2012, o ano foi de consumir o estoque adquirido. Além disso, a produção industrial apresentou um recuo no país de 2,7%, segundo o IBGE, não estimulando a demanda. Para 2013, Marino estima um crescimento na demanda de TiO2 entre 2% e 3%, o que ainda manteria o consumo brasileiro abaixo do registrado em 2011.

    O ano de 2012 não foi marcado apenas pela queda de consumo, mas também pela movimentação de troca de fornecedores. Como relata Vanessa Falcão, gerente de marketing e vendas da fabricante de masterbatches Procolor, a grande variação de preços do TiO2 nos últimos anos levou a companhia a desenvolver uma estratégia defensiva: “A busca de novas opções de fornecedores com preço competitivo e qualidade que atendam os nossos pré-requisitos.”

    Não foi uma ação isolada, a estratégia da Procolor representa uma tendência de mercado. Além do produtor brasileiro, fornecedores com base produtiva na Europa e nas Américas perderam espaço para fornecedores chineses. Avalia-se que os orientais, apesar da queda do consumo brasileiro, apresentaram crescimento de 65%, já respondendo por 25% das 130 mil toneladas importadas pelo Brasil. José Carlos Bartholi confirma. A Ouro Branco, que representa no país os produtos da chinesa Wuxi Haopu, do grupo Gisi, obteve um crescimento de 30% nesse segmento de mercado, segundo o executivo. “E nossa expectativa é a de um bom crescimento em 2013 também, que virá não do aumento de consumo do país, mas do ganho de participação”, diz o executivo.

    O planejamento dos importadores para 2013, porém, está sendo elaborado sob o impacto de duas novidades tributárias, uma aparentemente definitiva e outra que até o início de fevereiro ainda era uma incógnita. A primeira mudança diz respeito à chamada “guerra dos portos” (incentivos tributários estaduais a produtos importados). Por determinação do governo federal, produtos fabricados no exterior ou que tenham mais de 40% de componentes importados terão alíquota única de ICMS de 4% quando “viajarem” de um estado para outro. A medida mexe bastante com o mercado, uma vez que boa parte do TiO2 importado entrava no país por portos de estados como Santa Catarina e Espírito Santo, que concediam incentivos nas vendas para outros estados.

    A mudança fiscal incerta diz respeito à alíquota do imposto de importação do TiO2. Em 2010, o governo federal reduziu a alíquota sobre o produto de 12% para zero, taxa que foi aumentada para 2% em 2011 e mantida no mesmo patamar em 2012, para uma cota de importação de 95 mil toneladas. A expectativa no mercado era a de que o benefício tributário fosse mantido em 2013, fato não confirmado até o início de fevereiro. Segundo Bartholi, as duas mudanças podem elevar em até 15% os preços do TiO2 importado.

    Camila atribui ao TiO2 melhora na resistência às intempéries

    Camila atribui ao TiO2 melhora na resistência às intempéries

    Demanda da indústria do plástico – O principal cliente do dióxido de titânio é a indústria de tintas, responsável por 60% da demanda brasileira. A indústria do plástico responde por 24% das encomendas, a de papel por 5% e a de borracha, por 3%, mesma participação dos fabricantes de tintas gráficas. Segundo Vanessa Falcão, da Procolor, o TiO2 é a principal matéria-prima do masterbatch branco, mas ele também é importante na composição das cores, tendo função de cobertura e fechamento das cores. Como diz Camila Pecerini, chefe de produto na área de materiais inorgânicos na América Latina da Evonik, além da pigmentação branca, o TiO2 é responsável por conferir opacidade aos sistemas, sendo essa sua função elementar, e também contribui com propriedades como facilidade de dispersão e resistência às intempéries.



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