Plástico

Termoformagem – Aquecimento do mercado se confirma com ânimos positivos durante a feira e aumento de consumo

Marcio Azevedo
4 de junho de 2007
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    Os mercados de termoformagem estão aquecidos. Essa é a impressão que fabricantes competindo em solo nacional confirmaram durante a Brasilplast, depois de perceberem novo ânimo no mercado desde a virada de 2006 para 2007.  O crescimento do PIB brasileiro não foi tão espetacular quanto o prometido. Mas o fato é que, mesmo ainda sendo muito baixo no País, o consumo de resinas plásticas foi reforçado por uma parcela da população de baixa renda que passou a integrar o mercado consumidor de produtos plásticos, entre eles bandejas, copos e potes, artigos muito ligados aos processos de termoformagem. O bom momento também reforçou a idéia de que há espaço para empresas de diferentes perfis, sendo as brasileiras responsáveis pelo atendimento da maior faixa do mercado, dedicada a produtos commodities, e as estrangeiras voltadas para as aplicações especiais, sem concorrentes nacionais aptos a competir.

    Uma das concorrentes mundiais presentes no Anhembi foi a Gabler Thermoform GmbH (representada no País pela Ematec), fabricante de linhas automatizadas de termoformagem para chapas de PP, PS, PVC, ABS e PET, além de chapas co-extrudadas. Carregando a mística dos construtores alemães de máquinas, a empresa fabrica equipamentos de alta qualidade e preço elevado para aplicações de maior valor agregado. Mesmo que o transformador nacional não tenha, em geral, poder de fogo para almejar esse tipo de máquina, o gerente de vendas Matthias Klein afirma que o preço não é um problema, por que clientes da Gabler buscam alta qualidade. “As demandas sobre os clientes estão crescendo, e esse é o motivo pelo qual estão buscando máquinas mais caras, que oferecem maior qualidade”, disse Klein. A exportação para mercados mais exigentes é outro ponto citado a favorecer fornecedores de equipamentos de ponta. Não que as máquinas brasileiras sejam ruins, mas elas atendem a aplicações em que não é necessária grande sofisticação. Alguns artigos produzidos em equipamentos nacionais têm boa aparência e propriedades mecânicas adequadas, mas pecam no quesito valor agregado. Entre as principais diferenças entre o maquinário importado e o nacional, Klein enfatiza os sistemas de controle, além de características como acionamentos dos motores, sistemas de troca de ferramentas automáticos e mecanismos de lubrificação interna, também automáticos.

    Plástico Moderno, Termoformagem - Aquecimento do mercado se confirma com ânimos positivos durante a feira e aumento de consumo

    Desempenho econômico favorece consumo de alguns termoformados

    Por conta do interesse em produzir com padrões de qualidade maiores, o mercado da América Latina é considerado bom. Em algum dos países da região, houve outra mudança que intensificou a procura por máquinas alemãs: o PS, tido como o material padrão para a termoformagem, foi substituído por PP. Acontece que na Alemanha a mudança aconteceu muito antes, e os fabricantes germânicos acumularam experiência com a poliolefina, cujo processamento é mais complexo que o do PS.  A maior parte das grandes concorrentes mundiais em termoformagem só aporta no Brasil por meio de empresas de representações.  É o caso da canadense GN Thermoforming Equipment e da estadunidense Irwin Research and Equipment, integrantes do portfólio de matérias-primas especiais e equipamentos da Intermarketing Brasil.

    Conforme as informações do engenheiro Oliver Venezia, vice-presidente da empresa de representações, a Irwin é voltada para a termoformagem de plásticos expandidos (principalmente PS), em aplicações como bandejas de supermercado – segundo Venezia, 90% do mercado mundial para esse tipo de aplicação está nas mãos da empresa dos Estados Unidos. O principal foco está no mercado norte-americano, marcado pelos altos volumes, e, além do PS expandido, as máquinas da Irwin estão aptas a processar PET, PP e cPET, expandidos ou rígidos, sempre em aplicações de alto volume.

    Os fabricantes nacionais têm se dedicado à construção de equipamentos de menor porte. A primeira máquina de termoformagem a chegar ao Brasil, há mais de trinta anos, foi um modelo de pequeno porte da alemã Illig, e que serviu de referência para muitos dos produtores brasileiros, principalmente os instalados no sul do País. Talvez por isso, a cultura dos concorrentes brasileiros é mais voltada para a fabricação de máquinas desse tipo. No caso da Irwin, o equipamento possui uma unidade de aquecimento, outra de formação e uma terceira de corte, sendo mais complexo e difícil de copiar que as formadoras alemãs, mais compactas. A produção dos modelos da empresa estadunidense pode chegar a 200 mil copos por hora.

    A GN, por outro lado, se posiciona no segmento de máquinas menores, do tipo corte conjugado. Venezia reputa a representada como líder mundial em peças termoformadas de PET, BOPS e PP, porém em aplicações que resultam em produtos mais especializados e com maior requinte.

    Mas, para os interessados na produção de artigos triviais, como tampas e potes de sorvete, sem a necessidade de operação contínua 24 horas por dia e sete dias da semana, ou ainda àqueles cujas termoformadoras não processam resinas de maior complexidade, não há o porquê de se optar por parceiros estrangeiros, e a oferta nacional cobre a demanda.



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