Termoformagem: Alta produtividade para novas aplicações

Tecnologia oferece baixo custo e alta produtividade para conquistar novas aplicações

Os fornecedores de equipamentos para termoformagem, em sua maioria, se mostram satisfeitos com a evolução das vendas.

Os resultados variam, no entanto, de acordo com os nichos de mercados atendidos.

Para 2022, a expectativa é de otimismo para alguns dos principais nomes do setor.

Trata-se de segmento com bom número de participantes, formado por empresas nacionais e também por marcas internacionais.

Podemos citar nomes como Selovac, Lakatus, Ulma e Kiefel, entre outros.

O cenário só não está melhor por conta de problemas bastante conhecidos por empresas de todos os segmentos econômicos.

A queda no poder aquisitivo da população reduziu a procura por vários itens, a inflação dos bens de consumo continua elevada, a taxa de juros praticada pelo mercado anda pelas alturas, proximidade das eleições, custo Brasil, reflexos da guerra da Ucrânia, e outros.

A dificuldade de acesso a linhas de financiamento para compra de equipamentos não ajuda.

As peças obtidas por termoformagem podem ser rígidas ou flexíveis, dotadas com estruturas mono ou multicamadas.

São muito aplicadas nas embalagens de alimentos e produtos os mais diversos, além de outros usos que vão de copos descartáveis a banheiras de grande porte ou peças para os sofisticados nichos de linha branca, automobilística e até aeronáutica.

O processo apresenta características que o tornam competitivo perante outros meios de transformação em diversas situações.

Seu custo é reduzido em relação à injeção, o principal concorrente.

O processo não exige grande espaço para instalação das linhas de produção, pode ser manejado por mão de obra menos especializada, atende boas práticas de manuseio e oferece produto final com aparência diferenciada.

O segmento de embalagens sempre foi o maior responsável pelas vendas dos equipamentos.

Em muitos casos, os termoformados têm sido usados em aplicações em que substitui o papelão e a polpa de celulose, entre outros materiais.

Alguns acontecimentos recentes reforçaram essa tendência.

Com a pandemia do coronavírus, cresceu muito o delivery de alimentos e outros produtos os mais variados, o que favorece a oferta de peças termoformadas.

Mesmo com a redução significativa do número de casos da doença ocorrida após a vacinação, a expectativa é que a prática se mantenha em patamares elevados.

Outra mudança de hábito de consumo vem ganhando força nos últimos tempos.

Por conta de uma questão de preferência ou por causa da inflação elevada, os consumidores têm adquirido cada vez mais produtos oferecidos em porções menores, o que implica a multiplicação do número de embalagens fabricadas.

Também apareceram novos nichos de mercado responsáveis pela venda de grandes volumes de peças.

São os casos, por exemplo, das cápsulas de café expresso, bandejas rígidas para cortes de carnes ou das bandejas flexíveis para alimentos refrigerados, que se somam às aplicações consolidadas há anos.

Produtividade e economia – Por ganho de competitividade ou por ampliação das linhas de produção, os compradores de termoformadoras buscam nos modelos novos tecnologia que permita maior produtividade com redução de consumo de energia.

Um dos fornecedores é a Lakatos, empresa brasileira no mercado há 50 anos. Ela oferece soluções de máquinas e moldes customizados de acordo com as necessidades dos clientes.

Termoformagem: Alta produtividade para novas aplicações ©QD Foto: Divulgação
Lakatos investe para ampliar a capacidade de produção

“Somos 100% focados em termoformagem, essa é nossa essência e especialidade”, explica Roberto Lakatos, diretor comercial.

As máquinas oferecidas permitem produzir peças em média e larga escala a partir de chapas ou bobinas de inúmeros materiais plásticos e atendem mercados distintos, como o alimentício, de embalagens técnicas, autopeças, aeronáutico e linha branca.

O portfólio da empresa é composto por cinco séries de equipamentos.

Transformadores ligados ao mercado de embalagens alimentícias de produtos como ovos, frutas, pães e bolos, congelados e bandejas seladas, a partir do PET/PP, são os principais clientes.

De acordo com o diretor, os equipamentos mais adequados para essas aplicações são as linhas TCE e TCM.

“Eles apresentam, como diferenciais, alta produtividade, economia de matéria-prima e energia elétrica, com baixo índice de manutenção, entre outras vantagens”.

A Lakatos investe no lançamento de novos produtos que devem chegar ao mercado em breve.

“Dois exemplos são nossa solução a laser para marcação e furação de embalagens e uma máquina de termoformagem para alinhadores dentários transparentes”.

Em paralelo, está construindo nova sede em Itapecerica da Serra-SP, em local próximo ao da sede atual. “Teremos grande ampliação da nossa capacidade produtiva”.

As vendas para esse ano se encontram em alta.

Termoformagem: Alta produtividade para novas aplicações ©QD Foto: Divulgação
Modelo TCM é indicada para fazer embalagens de alimentos

“Estamos muito entusiasmados com o segundo semestre. É um período normalmente aquecido, mas estamos em um ano incomum, com eleições e copa do mundo, acontecimentos que podem influenciar o consumo e o humor dos empresários em termos de investimentos”.

Nos resultados há importante participação de vendas para o exterior, da ordem de 30% da receita da empresa.

Apesar do otimismo, Lakatos aponta as altas taxas de juros e as incertezas geopolíticas e macroeconômicas globais como desafios a serem enfrentados.

Amplo portfólio – A multinacional espanhola Ulma Packaging promove soluções para a produção de embalagens há mais de 60 anos.

Ela conta com seis plantas produtivas em todo o mundo, uma delas inaugurada há mais de 15 anos no Brasil.

De acordo com Luiz Henrique Nalini, gerente de engenharia de aplicações, um dos diferenciais da empresa é o de abranger amplo portfólio de produtos.

Termoformagem: Alta produtividade para novas aplicações ©QD Foto: Divulgação
Nalini: sustentabilidade e indústria 4.0 estão no foco

“Ele nos permite decidir o melhor sistema de embalagem em função da exigência do produto e do consumidor”.

Além de termoformadoras, a empresa oferece equipamentos tipo Flow Pack (horizontais e verticais), termoseladoras e linhas de automação.

Os principais núcleos de atuação da empresa são os das indústrias de alimentos e de produtos médicos, além de outras aplicações industriais.

Nalini explica que a empresa atua a partir de conceito We Care, que criou para valorizar a sustentabilidade.

O conceito engloba a adaptação dos equipamentos oferecidos aos materiais que surgiram nos últimos anos com os propósitos de reduzir os insumos plásticos que compõem a embalagem e reduzir o desperdício o quanto possível.

Em paralelo, existe a preocupação de incluir o conceito da indústria 4.0 nas soluções oferecidas.

O gerente destaca o custo/benefício da termoformagem, o que tem tornado o processo bastante procurado pelo mercado.

Para ele, isso explica o fato de o mercado dessas máquinas ter se mantido em níveis elevados nos últimos três anos.

“Até o final do ano, o mercado ainda deve seguir no mesmo patamar de negociações”.

As linhas oferecidas pela Ulma para esse nicho possuem características diferenciadas em função do mercado aos quais elas são destinadas.

Para os segmentos médico e industrial, as máquinas exploram as características de apresentação e resistência mecânica dos produtos a serem fabricados, acrescidos da necessidade de selagem hermética e possibilidade de conferir à embalagem as condições necessárias para suportar os processos de esterilização.

Já para o mercado alimentício, em especial o destinado ao de fresh food, a busca é de conferir ao alimento maior tempo de vida útil com o uso de técnicas de conservação a vácuo ou sob atmosferas controladas.

Os equipamentos têm características de higienização que eliminam os riscos de contaminação do alimento.

“Cobrimos esta amplitude de aplicações com uma linha de equipamentos divididos em dez categorias por critérios de produtividade, nicho de mercado e equipamentos para aplicações específicas”.

Produção customizada – No mercado desde 1970, a Selovac é uma empresa nacional fabricante de diversos equipamentos a vácuo com câmara simples, câmaras duplas, seladoras de bandejas e de máquinas termoformadoras.

“No caso das termoformadoras, são equipamentos dedicados, desenvolvidos de acordo com a necessidade do cliente”, explica Willy Borst, diretor comercial.

Para o executivo, as vantagens de custo de produção, grande preocupação dos fabricantes de embalagens, vêm fazendo com que a termoformagem seja cada vez mais utilizada pelos transformadores.

“O mercado está aquecido e crescente. As termoformadoras são bem aceitas pelo consumidor, principalmente no caso da indústria alimentícia”.

Neste segmento, entre os clientes da empresa, destaque para os produtores de alimentos embalados a vácuo (linguiças, carnes frescas, aves, queijos e outros).

Fora do campo alimentar, o diretor cita o bom desempenho da empresa junto aos fabricantes de encartelados usados para embalar produtos como lápis, canetas, escovas de dente e cutelaria, entre dezenas de outros exemplos.

A demanda também é positiva para os fabricantes de embalagens para produtos descartáveis, como seringas, agulhas, gazes, etc.

Como a Selovac praticamente customiza a termoformadora de acordo com a aplicação a ser adotada pelo cliente, a empresa sempre traz aspectos diferenciados aos equipamentos oferecidos.

Borst explica que uma das principais características consideradas é o custo das peças a serem fabricadas pelo equipamento.

“As termoformadoras auxiliam em muito na redução dos custos internos das indústrias”.

Para cumprir esse objetivo, o diretor explica que a empresa conta com estrutura adequada.

“Possuímos um departamento técnico próprio com profissionais treinados e capacitados”, afirma.

Ele também ressalta o atendimento pós-venda, voltado para auxiliar os clientes com a qualidade e agilidade necessárias.

“Temos um setor exclusivo de reformas”, acrescenta.

Mercado sofisticado – A multinacional alemã Kiefel conta em seu portfólio com soluções completas de termoformagem, entre outras linhas de produtos, e é representada no Brasil pela PMH Claassens.

Por aqui, no campo da termoformagem, a empresa trabalha de maneira preferencial em três nichos de mercado: as de equipamentos para produtores de embalagens, para peças voltadas para o segmento de linha branca e para os de peças para a área médica.

“Atuamos junto às empresas que precisam de máquinas com tecnologia mais sofisticada; quando os transformadores procuram modelos mais básicos acabam escolhendo os fabricantes nacionais”, explica Patrick Claassens, proprietário da representante local.

Uma das preocupações é a de oferecer treinamento e assistência técnica com padrões de excelência. As vendas em 2022 não estão atendendo às expectativas do empresário.

“Esse ano elas têm recuado. A pandemia atrapalhou e o câmbio hoje se encontra desfavorável”, resume.

Claassens explica que, para o segmento de embalagens, a empresa conta com duas linhas de máquinas, uma voltada para a produção de bandejas e outra para a de copos descartáveis e potes.

As máquinas voltadas para a produção de peças para a linha branca são diferenciadas e de maior porte.

“Elas são usadas para fabricar gabinetes internos e componentes presentes nas portas das geladeiras”, exemplifica.

Todas as máquinas comercializadas por aqui são fabricadas na Alemanha.

“No Brasil, nosso carro-chefe sempre foi o mercado de embalagens, seguido pela área médica”.

O representante anuncia que, na próxima edição da feira K’, a marca alemã vai apresentar uma série de novidades, muitas das quais voltadas para automação das linhas e para a sustentabilidade dos produtos transformados.

Um dos desafios é oferecer linhas de produção cada vez mais adequadas ao conceito da indústria 4.0.

No campo da sustentabilidade, os laboratórios da empresa alemã trabalham, entre outras frentes, com o desenvolvimento de soluções que englobem o uso de materiais mais leves.

“Uma tendência tem sido a do uso de materiais expandidos, como o polipropileno”.

Resistentes e leves – A termoformagem é um processo de transformação que permite a produção de peças em grande número e movimenta toneladas de resinas.

Trata-se de mercado para lá de atraente para os fabricantes de matérias-primas, que investem pesado em pesquisa e desenvolvimento para desenvolver formulações que permitam melhor processabilidade nas máquinas e peças mais resistentes e leves, dotadas com paredes as mais finas possível.

A brasileira Braskem é um exemplo.

Termoformagem: Alta produtividade para novas aplicações ©QD Foto: Divulgação
Grave: PP e PE inovam para acompanhar evolução do setor

“O segmento de termoformagem é dinâmico e apresenta constantes inovações que garantem shelf life e apelo de gôndola aos alimentos premium, o que se reflete em incremento e/ou novas vendas de resinas nestas aplicações”, resume Emir Grave, engenheiro de aplicação.

Essas características reforçam a participação do polietileno e do polipropileno no volume total de produção da Braskem.

“O polipropileno é utilizado em estruturas mono ou multicamadas destinadas às embalagens rígidas, enquanto o polietileno é majoritariamente utilizado em estruturas multicamadas para embalagens flexíveis”, explica o engenheiro.

Ele diz que o portfólio de grades de polipropileno para este segmento é amplo, contando com opções nas condições de homopolímero, copolímero randômico e copolímero heterofásico.

“As resinas de PP mais demandadas são àquelas que possuem elevada rigidez, elevada transparência, permitam reaquecimento em micro-ondas ou que possibilitam envase a quente”.

Recentemente foi lançada uma atualização tecnológica do grade PP H 502HC.

“Ele que permite obter redução de consumo energético durante seu processamento ou aumento da produtividade, a depender do interesse do transformador”.

O portfólio de grades de polietileno, por sua vez, engloba famílias de PEAD, PEBDL e metalocenos.

“As mais utilizadas são as responsáveis por agregar funcionalidades relacionadas à selagem (fechamento), resistência ao rasgo e barreira à umidade e gorduras”.

Grave ressalta que a empresa é reconhecida como inovadora e avalia constantemente o desenvolvimento de novos produtos ou implementação de atualizações tecnológicas no portfólio destinado à termoformagem.

“Nossos focos são a melhoria de propriedades que permitam redução de peso do produto final, redução de consumo energético durante o processamento, manutenção ou melhoria de propriedades específicas”.

Outra preocupação é com a procura por soluções sustentáveis que possibilitem obter estruturas monomateriais.

Poliamidas – A adição de uma ou mais camadas de poliamidas em filmes ou placas plásticas multicamadas permite a obtenção de peças com maior resistência mecânica e barreira ao oxigênio, dotadas com maior profundidade, paredes mais finas e espessura uniforme, inclusive nos cantos.

As vantagens são apontadas por Edgar Veloso, supervisor de vendas para a América Latina da UBE, multinacional de origem japonesa fornecedora da resina.

Para essa aplicação, a empresa está lançando a formulação UBE Nylon 5036B.

A nova resina apresenta características similares às das duas formulações da série Terpalex também produzidas pela empresa para esse método de transformação, com a vantagem de apresentar custo mais competitivo.

Termoformagem: Alta produtividade para novas aplicações ©QD Foto: Divulgação
Veloso: multicamadas com poliamida ficam mais leves

“A escolha do produto mais adequado para cada cliente está ligada às características das máquinas termoformadoras que eles possuem”.

Os produtos são indicados para filmes ou placas com 3, 5, 7 ou mais camadas.

“Nossos clientes são todas as empresas que preparam esses filmes ou placas para os transformadores de extrusão”.

As peças mais comuns para as quais esses materiais são indicados são as embalagens de embutidos e de produtos voltados para o segmento médico.

A UBE tem efetuado pesquisa e desenvolvimento de poliamidas indicadas para a produção de filmes multicamadas.

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