Plástico

Termofixos nos veículos – Termofixo resiste nos veícos pesados em busca de reciclabilidade

Marcio Azevedo
24 de setembro de 2009
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    A evolução das aplicações para termofixos também passa pelo emprego da nanotecnologia, uma febre que já atingiu a indústria de termoplásticos e começa a ser percebida nos materiais termoestáveis. Tiraboschi revela que a Plascar mantém algumas frentes de trabalho nesse tema, embora a tecnologia ainda seja cara, pois, em alguns anos, a nanotecnologia será a solução de muitos dos “problemas” da transformação. Nos termofixos, as peculiaridades do mundo nanométrico poderiam contribuir para aperfeiçoar o aspecto superficial dos materiais, melhorando a ancoragem de tintas e facilitando a pintura com acabamento de alta qualidade. Isso aconteceria graças ao aprimoramento de propriedades mecânicas da resina e à redução da necessidade por fibra de vidro, notadamente uma vilã no quesito aspecto superficial.

    Em termos de processo, o gerente de engenharia revela que uma das evoluções da indústria reside em otimizar o projeto do ferramental, com o objetivo de obter peças de qualidade nas primeiras fases de teste do molde. O processamento de termofixos não conta com sua versão de Moldflow, o programa de simulação de injeção de termoplásticos amplamente utilizado por projetistas para compreender, antes da usinagem da ferramenta, o comportamento da resina na cavidade. É uma grande desvantagem para os termofixos, pois muito tempo e dinheiro são perdidos na etapa de try out. Com o programa de simulação, peças de boa qualidade moldadas em termoplástico são obtidas já no primeiro ou no segundo teste, mas, no caso do termofixo, com sorte, o sucesso chega depois do quinto try out. Os moldes para SMC usam aços cromados especiais, e são bastante caros, por isso não é desejável uma quantidade excessiva de testes. Nesse ponto, Tiraboschi destaca o que acredita ser uma das vantagens da Plascar. Verticalizada, a empresa conta com a agilidade para mudar as formulações do compósito a cada tentativa sem sucesso, e pode até fabricar os moldes para seus testes, quando não passam de 25 t.

    Mercado em crescimento – A demanda por compósitos termofixos no Brasil, considerando todo o universo de aplicações, e outras resinas além do poliéster insaturado, como resinas epóxi e éster-vinílicas, foi de cerca de 165 mil t/ano em 2008, um crescimento de 13,3% em relação a 2007. O volume, até setembro do ano passado, crescia em médias anuais próximas a 15%, mas como todo o mercado, o segmento de resinas termofixas se viu prejudicado pela crise financeira global instalada no último semestre de 2008. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Materiais Compósitos (Abmaco), Gilmar Lima, a queda da demanda local começou em outubro do ano passado, intensificou-se em novembro e se agravou muito em dezembro, tradicionalmente um mês fraco para a indústria. O primeiro trimestre de 2009 manteve a mesma toada, e o segundo ainda não proporcionou a recuperação esperada. Mesmo assim, Lima espera que o setor feche o ano com crescimento de 2% a 3%, se daqui para o fim do ano os negócios demonstrarem bom vigor. “É fundamental que o segundo semestre seja melhor para chegar a esses números, pois eles ainda não são uma realidade e a projeção ainda está sob risco”, avisa.

    A Abmaco, em conjunto com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), também está interessada no desenvolvimento de um processo de reciclagem para os compósitos termofixos. Lima revela que a tendência viável é a moagem do

    Plástico,  Gilmar Lima,  presidente da Associação Brasileira de Materiais Compósitos (Abmaco), Termofixos nos veículos - Termofixo resiste nos veículos pesados em busca de reciclabilidade

    Lima: Abmaco também corre atrás da reciclabilidade

    material para reutilização como reforço, e não mera carga, na produção do próprio termofixo. Ele confirma que o ponto de dificuldade central reside na presença de radicais livres no compósito moído. Por isso, o objetivo da associação consiste em buscar uma forma de transformar o reciclado para adequá-lo ao retorno à fabricação do compósito. A reciclagem química dos polímeros, revertendo-os aos seus monômeros, hoje, está descartada, segundo o presidente da Abmaco. Lima também cobra os fornecedores de matérias-primas, que precisam sair de sua “zona de conforto” para criar resinas recicláveis, ou que possuam fontes renováveis, pois “as empresas petroquímicas não estão mais concorrendo entre elas. A competição é global e envolve produtores de outros materiais. As empresas químicas precisarão criar espaço no mercado com novos produtos, pois a tendência é de que as participações diminuam”. Como exemplo desse esforço, Lima cita o desenvolvimento de resinas de poliéster renováveis, com base em óleo de mamona.

    Mas ainda é pouco. Mesmo nos veículos pesados, seu nicho preferencial, os termofixos perdem espaço para termoplásticos por conta da inexistência de uma solução para a reciclagem. 



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