Telhas de PVC têm Baixo Custo e Praticidade: Coberturas Plásticas Práticas, Confortáveis e Econômicas

Coberturas Feitas com o Polímero (PVC) Ganham Espaço no Mercado

Ainda é bem nova – tem pouco mais de dez anos de vida – a indústria brasileira de telhas de PVC. E ela nasceu em contexto altamente promissor, com a economia nacional vivendo uma fase de euforia, prometendo negócios grandiosos em vertentes como a expansão do crédito imobiliário e programas de moradia popular.

Parecia, então, fácil imaginar enorme demanda por esse produto que, comparativamente a outras opções de coberturas de edificações, apresenta diferenciais favoráveis em quesitos como praticidade e custos, se não no preço, ao menos na relação custo/benefício, pois além de requerer menos mão-de-obra, ele é mais leve, permitindo obter economia nas estruturas de suporte.

Veio, porém, a crise, levando embora o entusiasmo econômico e, durante quatro ou cinco anos, afetando muito duramente a construção civil.

Telha com aparência de cerâmica, feita pela Permatti Plástico Moderno - Telhas de PVC - Coberturas plásticas têm custo baixo e praticidade ©QD Foto: Divulgação/Precon
Telha com aparência de cerâmica, feita pela Permatti

E quando a economia parecia prenunciar alguma melhora, apareceu a pandemia, embaralhando perspectivas e desestruturando cadeias produtivas.

Não se pode dizer que a pandemia provocou impactos diretos na ponta da demanda, até porque fatores como o auxílio emergencial mantiveram aquecidas as vendas de materiais de construção.

Mas ela certamente contribuiu para uma elevação acentuada dos preços e por alguma escassez da resina que constitui sua principal matéria-prima.

Agora, estima Sonia Chapman, secretária-executiva da Abitelha – Associação Brasileira da Indústria de Telhas de PVC, essa indústria já produz anualmente cerca de 20 milhões de metros quadrados de telhas de PVC e angaria 2% do mercado nacional de coberturas.

À primeira vista, pode não parecer um índice muito expressivo, “mas representa um avanço significativo, levando-se em consideração a grave crise pela qual passou a construção civil no Brasil desde 2015 e os efeitos adversos da pandemia da Covid-19”, pondera.

“Estima-se uma evolução importante da participação da solução em telhas de PVC nos próximos dois anos”, acrescenta Sonia.

Para Estevão Maia Fensterseifer, diretor da divisão de plásticos do grupo DVG, “o mercado brasileiro de telhas de PVC vem se consolidando pouco a pouco”.

Fixação requer acessórios, como este, da Permatti Plástico Moderno - Telhas de PVC - Coberturas plásticas têm custo baixo e praticidade ©QD Foto: Divulgação/Precon
Fixação requer acessórios, como este, da Permatti

No ano passado, esse mercado apresentou um “bom crescimento” de cerca de 5%, em volume (relativamente a 2019).

“Na DVG Precon, os negócios se expandiram em ritmo similar”, especifica Fensterseifer, referindo-se à empresa do grupo DVG fabricante de telhas de PVC, que ela atualmente produz em doze linhas: oito em Pedro Leopoldo-MG e quatro na cidade alagoana de Marechal Deodoro (a empresa fabrica também telhas de fibrocimento e argamassas).

No primeiro semestre deste ano, ressalta Fensterseifer, a conjuntura mostrou-se “mais difícil”.

Até porque já no final de 2020 começaram a ser mais sentidos os efeitos da acentuada alta de preços de sua matéria-prima básica, cujo preço mais que dobrou no decorrer do ano.

“Mas temos perspectivas mais favoráveis para o segundo semestre, quando creio que a demanda voltará a se expandir.

No total do ano, o mercado deverá registrar ao menos um pequeno aumento, relativamente a 2020. Ou, pelo menos, uma estabilidade”, prevê.

Essa indústria, projeta o profissional do grupo DVG, pode avançar nas mais diversas vertentes: nas vendas no varejo, nos programas habitacionais – que, para ele, “devem evoluir para atender o déficit existente no Brasil” –, no uso de telhas de PVC em galpões industriais e comerciais.

“É um produto muito prático para galpões, e temos em nosso portfólio formatos de telhas mais adequados para esse tipo de aplicação”, especifica Fensterseifer.

Ampliação da Produção das Telhas de PVC:

O problema não se resumiu ao aumento no preço do PVC, pois também problemas em seu abastecimento prejudicaram os negócios do setor no decorrer do ano passado, relata Ailton Perlati, diretor da Permatti, empresa situada em Mauá-SP que produz telhas, portas sanfonadas e forros com essa resina.

Plástico Moderno - Telhas de PVC - Coberturas plásticas têm custo baixo e praticidade ©QD Foto: Divulgação/Precon
Ailton Perlati, diretor da Permatti

“Mas agora a situação do abastecimento está se normalizando e o preço do PVC começou até a cair”, comenta.

Também Perlati projeta perspectivas favoráveis para esse mercado e cita, como instrumento capaz de colaborar com sua expansão, um processo de treinamento dos balconistas das lojas de materiais de construção, que devem saber explicar aos consumidores que, embora no primeiro momento a telha de PVC pareça ser mais cara, a partir da economia na estrutura do telhado, e da menor necessidade de mão de obra, ela proporciona melhor relação custo/benefício.

Mais que apostar nessa expansão, Perlati investe no preparo de sua empresa.

“Em aproximadamente sessenta dias começaremos a operar outra linha de produção de telhas que permitirá fabricar, além do modelo colonial, que já produzimos, também a telha do modelo plan”, informa o diretor da Permatti.

Iniciativas como essa parecem concretizar o que é qualificado como “um novo ciclo de investimentos” do setor por Nilton Valentim, gerente comercial do segmento de construção civil na Unidade de Vinílicos e Especialidades na Braskem (fabricante de PVC).

Segundo ele, “as telhas de PVC apresentaram crescimento importante em 2020, utilizando toda a capacidade produtiva instalada e iniciando um novo ciclo de investimentos, ainda tímido, mas que deve se acelerar em 2021 e 2022”.

Atualmente, relata Valentim, o mercado nacional de coberturas é liderado pelas telhas de fibrocimento e pelas telhas cerâmicas: respectivamente, com 45% e 40% de share.

“As telhas de PVC estão avançando tanto geograficamente quanto em diferentes tipos de canais de vendas, com excelente aceitação dos consumidores”, informa.

“Estamos seguros do avanço das telhas de PVC, acreditamos que elas devem alcançar uma participação de 15% do mercado em dez anos”, complementa o gerente.

Cumeeira é uma opção de telhas que podem ser feitas com a linha da Extrusão Brasil Plástico Moderno - Telhas de PVC - Coberturas plásticas têm custo baixo e praticidade ©QD Foto: Divulgação/Precon
Cumeeira é uma opção de telhas que podem ser feitas com a linha da Extrusão Brasil

Norma e nichos – Telhas de PVC não são feitas apenas com essa resina: são co-extrudadas com uma camada de acrilato mantida em sua parte externa, cuja função é conferir proteção contra a ação dos raios UV da luz solar.

De acordo com Sonia, da Abitelhas, a tecnologia para a produção dessas telhas está plenamente desenvolvida, começando pelo design do produto, passando pelos equipamentos de extrusão e chegando aos aditivos utilizados em sua composição, seja na camada base ou no capstock (a camada de acabamento).

Essa tecnologia foi bem adaptada às necessidades brasileiras, inclusive na otimização dos aditivos em agrupamentos pré-montados – que ela chama de one-packs –, compostos por estabilizantes térmicos, protetores anti-UV, lubrificantes, auxiliares de processamento, entre outros.

Sonia Chapman, secretária-executiva da Abitelha – Associação Brasileira da Indústria de Telhas de PVC Plástico Moderno - Telhas de PVC - Coberturas plásticas têm custo baixo e praticidade ©QD Foto: Divulgação/Precon
Sonia Chapman, secretária-executiva da Abitelha – Associação Brasileira da Indústria de Telhas de PVC

“Os one-packs permitem a dosagem correta e repetitiva de diversos componentes”, salienta.

Essa possibilidade de padronização da qualidade é necessária até porque, desde 2019, há no Brasil uma norma específica para telhas vinílicas: a NBR 16737-2.

E a DVG Precon, afirma Fensterseifer, “é a primeira empresa a receber, a partir dessa norma, a certificação do Inmetro, recebeu-a há cerca de um mês”.

No Brasil, ele destaca, o segmento residencial, atendido principalmente pelas vendas feitas no varejo, é o maior mercado para a telha de PVC.

“Nesse segmento residencial ela está atualmente posicionada como um produto intermediário, para residências de padrão médio”, diz.

Há ainda, prossegue Fensterseifer, seu uso em galpões comerciais e industriais, onde predominam as telhas trapezoidais (no segmento residencial, os formatos mais comuns são o colonial e o plan).

“E hoje apostamos bastante na expansão do uso dessas telhas no mercado agro”, complementa o profissional do grupo DVG, que além da DVG Precon inclui também empresas fabricantes de tubos e conexões, acabamentos vinílicos, blocos de alvenaria, entre outros produtos.

Perlati, da Permatti, observa que, embora quando de seu surgimento no Brasil a telha de PVC estivesse mais associada a moradias de baixa renda, ela realmente se tornou usual em habitações de classe média, enquanto a moradia do público de baixa renda usa preferencialmente as telhas de fibrocimento, mais baratas, porém com mais problemas em quesitos como o conforto térmico.

“Mesmo em habitações de alto padrão há telhas de PVC. Já vi condomínios fechados, com casas de 250 metros quadrados ou mais, que optaram por elas, intercalando as diferentes cores, para diferenciar uma casa da outra”, relata.

A camada externa de acrilato, afirma Perlati, confere às telhas de PVC excelente resistência à ação dos raios UV. “Nós damos garantia de treze anos, mas a expectativa é que elas possam durar pelo menos 20 a 25 anos, ou até mais”, explica.

A norma NBR 16737-2, prossegue Perlati, considera vários quesitos relacionados às telhas de PVC: desempenho, resistência, conforto térmico, dentre outros.

Também a Permatti, ele destaca, está buscando a certificação do Inmetro, que atestará que a empresa atende aos requisitos dessa norma.

“Com isso, também teremos condições de fornecer para as obras dos programas habitacionais da Caixa Econômica Federal”, finaliza Perlati.

Plástico Moderno - Telhas de PVC - Coberturas plásticas têm custo baixo e praticidade ©QD Foto: Divulgação/Precon

Extrusoras para máquinas para produção de telhas de PVC

A fabricante de extrusoras Extrusão Brasil começou a trabalhar com máquinas para produção de telhas de PVC há cerca de dez anos, adaptando para o mercado nacional algumas das primeiras extrusoras destinadas a essa aplicação que chegaram ao país, produzidas na China pela Politech.

Logo nacionalizou essa produção, permitindo que seus clientes pudessem adquirir esse gênero de extrusora por meio dos programas de financiamento disponíveis para a compra de equipamentos nacionais, por exemplo, o Finame, do BNDES.

Ela ainda mantém sua parceria com a Politech, de quem traz componentes e periféricos, como a conformadora da telha que dá o formato final do produto, misturador, micronizador, fornos, prensa e moldes para os acabamentos, entre outros.

“Caso o cliente queira comprar todo o equipamento diretamente da Politech, oferecemos o apoio técnico e de processo. Mas nesse caso não há a possiblidade de financiamento pelos programas destinados a quem adquire equipamentos nacionais”, ressalta Carlos Renato Borges, diretor comercial da Extrusão Brasil, cujo portfólio inclui extrusoras mono rosca, dupla rosca paralela, dupla rosca co-rotante e dupla-rosca cônica contra-rotante.

 

Carlos Renato Borges, diretor comercial da Extrusão Brasil Plástico Moderno - Telhas de PVC - Coberturas plásticas têm custo baixo e praticidade ©QD Foto: Divulgação/Precon
Carlos Renato Borges, diretor comercial da Extrusão Brasil

A produção de telhas de PVC, ressalta Borges, é feita por extrusoras dupla rosca contra-rotantes cônicas.

“Telhas têm quantidades muito elevadas de carga, até 90 ppm. Isso exige máquinas com um poder de plastificação maior e mais rápido: caso das contra-rotantes cônicas”, explica.

Até mesmo pela crise que durante vários anos atingiu a construção brasileira e gerou capacidade ociosa nas empresas fornecedoras do setor, e pela subsequente pandemia, nem no ano passado nem este ano a Extrusão Brasil vendeu nenhuma máquina para produção de telhas.

“Mas esse é um mercado que vai crescer muito, creio que será maior que o de tubos de PVC”, projeta Borges.

Ele ressalta que se trata de um mercado para “gente grande”, até porque a menor das máquinas do atual portfólio de extrusoras para fabricação de telhas da Extrusão Brasil pode processar 400 kg/hora de matéria-prima – e assim produzir cerca de 50 telhas –, já demanda uma quantidade muito expressiva de resinas: cerca de 200 toneladas por mês.

E, além da máquina principal, o processo exige vários periféricos, como misturador, micronizador e moldagem específica para as cumeeiras.

“E esse mercado é regido por normas que exigem, entre outras coisas, o uso de aditivos antichamas, por exemplo, e não permite o uso de material reciclado”, pondera.

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