Tecnologia de limpeza acelera trocas de cores – Agentes de Purga

A intensa busca pela diferenciação dos produtos em relação à concorrência é fator capaz de tornar mais frequentes as trocas de cores das resinas durante os processos de transformação de plásticos.

Além disso, como são também prementes a redução dos custos e o aumento da produtividade, essas trocas devem ser cada vez mais rápidas, com perdas sempre menores de materiais e insumos.

Consolida-se um cenário favorável para a expansão do uso dos chamados agentes de purga que, confrontados com os métodos usuais de limpeza das máquinas, anunciam significativa redução nos tempos das trocas de ferramentas e nos consequentes consumos de matéria-prima e de energia.

A purga, ensinam os dicionários, é um processo de purificação, de eliminação de impurezas.

Na transformação de plásticos, os agentes aos quais cabe essa tarefa devem retirar das máquinas os resíduos de resinas, pigmentos, cargas e demais materiais que possam comprometer a qualidade do produto – ou um de seus componentes – que elas fabricarão em seguida, usando uma resina com alguma característica diferente daquelas que até então processavam, frequentemente nas variações de cor, mas também em outras ocasiões.

Utilizáveis tanto em injetoras quanto em sopradoras e extrusoras, em outros países os agentes de purga já são empregados em larga escala; no Brasil, seu uso parece por enquanto limitado a grupo restrito de empresas, embora eles aqui estejam disponíveis em diversas versões tecnológicas, comercializadas com preços também muito distintos.

Plástico Moderno, Asaclean deixa as superfícies complexas limpas
Asaclean deixa as superfícies complexas limpas

O Easypurge APC, por exemplo, diferente de grande parte dos demais agentes de purga, não contém resinas em sua formulação.

Plástico Moderno, Giammattei: agente líquido une praticidade e eficácia
Giammattei: agente líquido une praticidade e eficácia

É líquido e basta adicioná-lo diretamente sobre a resina no funil de alimentação do equipamento e efetuar o procedimento de purga. “Isso reduz em 70% a 80% o tempo de troca de cor”, afirma Paulo Stefano Giammattei, diretor-executivo da Freedom, empresa sediada em São Paulo que há cerca de um ano traz o Easypurge da Espanha, onde é fabricado, para distribuí-lo em todo o Brasil.

Uma única versão do Easypurge serve para qualquer resina transformada em processos de sopro, injeção e extrusão, realizados em uma temperatura compreendida entre 135 e 390ºC. “Isso abrange mais de 90% das resinas”, afirma Giammattei.

“Sendo líquido, o produto atinge todos os pontos que precisam ser limpos e não entope nada, nem mesmo os canais quentes dos sistemas de moldes, que podem ter apenas 0,2 mm de diâmetro, ou menos que isso”, acrescenta.

O Easypurge, reconhece Giammattei, tem custo de aquisição superior ao dos agentes de purga tradicionais, formulados com resinas.

“Em média, um quilo de meu produto custa dezenove vezes mais que um quilo de um desses agentes, mas para fazer o que faz um quilo de Easypurge são necessários 50 kg de um agente de purga comum. Ou seja: é preciso investir três vezes mais na compra desse outro agente para se obter o mesmo resultado”, compara.

Embora haja quem diga ser abrasiva a maioria dos agentes de purga líquidos, Giammattei garante: “ele não é nada abrasivo”.

Sua ação, diz o diretor da Freedom, deve-se a micropartículas capazes de uma limpeza tão profunda quanto a de um produto abrasivo. “Mas não conheço sua fórmula, isso é um segredo do fabricante, ao qual não tenho acesso”, comenta.

A mesma afirmação – “desconheço a fórmula, o fabricante não a revela” – é apresentada por Euquério Cualhete que é responsável na distribuidora Pigatto pelos agentes de purga Asaclean, desenvolvidos e fabricados pela empresa japonesa Asahi Kasei.

“Esses agentes contêm uma resina que serve como veículo, geralmente um estireno ou PP, o restante é composto por aditivos que o compatibilizam com as cadeias de carbono presentes em resinas, pigmentos e cargas, evitando sua aderência a metais”, resume Cualhete.

Fornecidos na forma de grãos, os agentes Asaclean devem ser inseridos nas linhas como se fossem grãos de resina destinados ao processo normal de transformação, acelerando-se as máquinas durante a sua passagem.

“Eles podem reduzir em mais de 50% os custos das paradas e dos set ups de máquinas”, afirma o executivo da Pigatto, que atualmente fornece no Brasil cinco versões do produto. “Ainda neste primeiro semestre aumentaremos para oito itens o nosso portfólio de agentes Asaclean”, adianta.

Plástico Moderno, Sequência registra a saída de material sujo até a limpeza total da linha
Sequência registra a saída de material sujo até a limpeza total da linha

As diferentes versões, explica Cualhete, têm menos a ver com o tipo de resina do que com a temperatura e o processo de transformação: em conjunto, abrangem resinas trabalhadas em uma faixa de temperatura que varia entre 160 e 420ºC, tanto para injeção quanto em sopro e extrusão.

“No Japão, a Asahi Kasei já fornece aproximadamente vinte tipos diferentes de agentes de purga, desenvolvidos para conferir economia às paradas e set ups de processos mais específicos”, complementa o especialista da Pigatto.

Agentes de purga, ele ressalta, são interessantes também quando se muda de uma resina para outra que exige temperatura diferente de moldagem, bem como nas paradas longas:

“Por exemplo, nos finais de semana, quando os materiais ficam parados dentro das máquinas. Os agentes selam o equipamento, evitando a carbonização desses materiais no interior do sistema canhão/rosca, agilizando muito o reinício do processo”, detalha.

Os agentes de purga, argumenta Cualhete, não são elaborados para entrar contato direto com alimentos, pois são totalmente retirados durante o processo de limpeza.

“Mas temos certificações para mostrar que nossos produtos atendem às regulamentações europeias e de outros países para esse tipo de utilização”, ressalta Cualhete.

“Em algumas aplicações, como as transformações de PC e polissulfonas, feitas a altíssimas temperaturas, o agente de purga é hoje mandatório, sem ele perde-se muito tempo nas paradas e nos set ups”, acrescenta.

Expansores, aglomerantes, cargas – Grãos constituem a forma de apresentação também dos agentes da linha Purgex, que combinam expansores fabricados nos Estados Unidos pela Neutrex e aqui combinados com resinas por uma empresa com o mesmo nome dos agentes (a Neutrex, além de fornecer os expansores, também desenvolve os agentes de purga nos quais eles são utilizados).

Inseridos nas máquinas, esses agentes se expandem para atingir todas as áreas a serem limpas.

Plástico Moderno, Nonno Filho conta com apoio da Neutrex para desenvolvimentos
Nonno Filho conta com apoio da Neutrex para desenvolvimentos

“Temos casos de redução de cerca 20% dos custos diretos e indiretos das trocas com o uso de nossos produtos”, afirma Renato Nonno Filho, gerente da Purgex.

Esses agentes são oferecidos em cinco opções. “O que diferencia uma de outra é basicamente a quantidade do agente expansor, que pode ser maior ou menor, e assim limpar mais ou menos profundamente”, destaca Nonno Filho,

“O processo de expansão leva cerca de cinco minutos, e depois há a purga com arraste dos detritos”, complementa o executivo da Purgex, sediada em Mairiporã-SP.

O PEAD é a resina mais utilizada nos agentes Purgex. Um deles – o Purgex 456CQ – utiliza o IG58, polietilieno de alta densidade desenvolvido pela Braskem especialmente para moldagem por injeção em moldes de cavidades múltiplas e ciclo rápido, com características de fluidez elevada, boa rigidez e resistência ao impacto.

“Colaboramos com a Neutrex no desenvolvimento desse agente de purga, próprio para a limpeza de máquinas que têm saídas de câmera quente com diâmetros inferiores a um milímetro”, afirma o profissional da Purgex.

A Kalay, em parceria com a empresa suíça Ultra System, disponibiliza ao mercado da América Latina os aditivos de seus agentes de purga.

Comercializa esses agentes com a marca UltraPlast, que abrange itens específicos para PET, poliolefinas e diversos plásticos de engenharia – todos na forma de grânulos –, além de uma versão líquida de uso generalizado.

“Estudos mostram que esses agentes reduzem entre 50% e 70% os tempos de troca e o scrap”, afirma Luiz Antonio Jardim, vendedor técnico-comercial da Kalay.

Ele não revela a composição dos ativos da linha UltraPlast, apenas informa que eles contêm “diversos aditivos, como agentes expansores e agentes aglomerantes, entre outros, e trabalham com reação química e mecânica”.

Os agentes Ultraplast, destaca Jardim, têm certificação do FDA, da Anvisa e do Mercosul, atestando seu uso na produção de itens que terão contato direto com alimentos. A tecnologia UltraPlast não requer nenhum tempo de reação, começando a limpeza assim que inserida na máquina.

“São indicados inclusive para moldes de câmeras quentes de 0,1 mm”, ressalta o profissional da Kalay, empresa sediada em Pinhais-PR e que também comercializa outros aditivos, além de produzir concentrados de cor para PET.

Plástico Moderno, Agentes de Purga - Tecnologia de limpeza acelera trocas de cores e materiais com qualidade

Outros fabricantes de masterbatches produzem também agentes de purga, muitas vezes integrando uma resina compatível com maioria dos processos – importante lembrar que as resinas desses agentes não permanecerão no processo produtivo propriamente dito – com um ativo capaz de acentuar um processo físico de limpeza física: por exemplo, uma carga mineral.

É o caso da Procolor, que disponibiliza três deles: CPD 0010, para resinas ABS, poliamidas, PET, PSGP e PSHI (as duas últimas, respectivamente, poliestireno cristal e alto impacto); CPD 0036 e CPD 0155, ambos para PEBD, PEAD e PP.

“As indicações para resinas diferentes têm a ver com as temperaturas dos processos, mas também com a possibilidade de posterior reaproveitamento dos resíduos”, ressalta Elisangela Melo, gerente nacional de vendas da Procolor.

Produzidos por extrusão e fornecidos em grãos, os agentes da Procolor combinam resina com uma carga mineral que arrasta os resíduos.

“O CPD 0155 tem ainda um aditivo – uma espécie de óleo – que permite seu acesso a paredes nas quais os outros não chegam, agindo não apenas no canhão e no cilindro, mas também na matriz”, diz Elisangela.

Segundo ela, os agentes de purga da Procolor podem reduzir os tempos de troca em algo entre duas e quatro vezes. “Os maiores ganhos ocorrem nas trocas de cores escuras”, ressalta Elisangela.

Embora alguns casos talvez não justifiquem seu emprego – entre eles, a troca de um processo com plástico transparente para outro no qual esse insumo é preto –, na grande maioria das ocasiões os agentes de purga geram benefícios palpáveis, referenda Francielo Fardo, diretor-superintendente da Colorfix, fabricante de masterbatches que também produz agentes de purga comercializados com a marca Purgfix.

Plástico Moderno, Fardo: clientes devem fazer testes para avaliar resultados
Fardo: clientes devem fazer testes para avaliar resultados

“Podemos produzir agentes mais específicos, por exemplo, com resinas que suportem processos com temperaturas mais elevadas, como aqueles que trabalham com poliamidas. Mas em 98% dos casos o produto é o mesmo”, destaca Fardo.

Também fornecido em graus e produzido por extrusão, o Purgfix integra o portfólio da Colorfix há mais de quinze anos e é composto basicamente por uma resina e um aditivo que promove o arrasto.

“Existem diversos gêneros de agentes de purga, cada um deles com seu próprio procedimento de uso e sua atuação. Cabe ao transformador testar em seu processo as diferentes opções, e avaliar qual lhe trará melhor resultado”, recomenda Fardo.

Demanda em alta – No Japão, afirma Cualhete, da Pigatto, quase 100% dos transformadores já usam agentes de purga, e nos Estados Unidos eles já somam mais de 70%; no Brasil, porém, esse índice ainda está em 5%. “Aqui as empresas dão muita atenção ao custo dos ciclos, não calculam os custos do set up das máquinas nem os custos das paradas, que também são relevantes”, observa.

“Mas vem crescendo o uso de agentes de purga também no Brasil, onde já temos mais de setecentos usuários ativos do Asaclean”, acrescenta o profissional da Pigatto, empresa sediada em Curitiba-PR, cujo portfólio inclui, além dos agentes de purga, também selantes estruturais e chapas de plásticos de engenharia, entre outros itens.

No mercado brasileiro, relata Cualhete, muitos transformadores ainda realizam a limpeza com a simples passagem de resina, ou então com material moído, água, e mesmo milho de pipoca, que, inserido na máquina estoura quando aquecido, criando uma pressão de arraste. “Trabalhamos com uma grande empresa, agora usuária do Asaclean, que usava milho de pipoca na limpeza, e isso estava atraindo ratos atrás dos resíduos das cascas desse milho que permaneciam no interior das máquinas”, comenta.

Também Nonno Filho, da Purgex, percebe o aumento na quantidade usuários brasileiros de agentes de purga. “No começo, as empresas daqui os achavam caros, mas começam a ver que agentes de purga podem ser interessantes: por exemplo, quando começam a aparecer produtos com pintas pretas, ou quando trabalham com máquinas mais antigas, nas quais surgem folgas que acumulam materiais que somente a resina não consegue limpar”, ressalta.

E Giammattei, da Freedom, conta que os agentes Easypurge têm presença mais expressiva nos segmentos do sopro e da injeção, cujas máquinas apresentam mais dificuldades para a limpeza. No sopro, especificamente, essas dificuldades geralmente são maiores, especialmente se a sopradora trabalhar com acumulador, no qual se deposita muita resina e pigmentos (mais comum em máquinas maiores, destinadas, por exemplo, à produção de bombonas). “Há uma empresa que levava cerca de oito horas para limpar uma sopradora com acumulador e com meu produto esse tempo se reduziu para 2,5 horas”, destaca profissional da Freedom, empresa que também distribui masterbatches e outros gêneros de aditivos, além dos agentes de purga.

Por sua vez, Fardo, da Colorfix, observa que muitas empresas transformadoras não despendem o tempo necessário em testes capazes de realmente mostrar se é ou não vantajoso o uso de um agente de purga. “No entanto é fundamental a realização de testes para parametrização e avaliação dos ganhos, ou para ver se não há ganho algum”, recomenda.

Para Elisangela, da Procolor, no Brasil os agentes de purga são mais comuns no conjunto – ainda minoritário – de transformadores que acompanham seus processos com indicadores mais detalhados e precisos.

Plástico Moderno, Elisangela: temperatura do processo determina insumos
Elisangela: temperatura do processo determina insumos

“Na injeção, principalmente – em setores como a fabricação de brinquedos, autopeças, tampas –, há maior disseminação desses agentes”, ela particulariza.

Na Kalay, afirma Jardim, a venda de agentes de purga cresce de maneira contínua desde o ingresso da empresa nesse mercado, há cerca de quatro anos. “Vendemos a linha UltraPlast em toda a América Latina para clientes dos mais variados setores, de produtores de utilidades domésticas às indústrias farmacêutica e automobilística, entre outras”, finaliza.

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