Máquinas e Equipamentos

Tecnologia avança para manufatura aditiva com polímeros sintéticos – 3D

Jose Paulo Sant Anna
20 de julho de 2018
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    No espaço – Entre as fabricantes de matérias-primas interessadas em atender o mercado de manufatura aditiva se encontra a brasileira Braskem. Para esse mercado, a empresa conta em seu portfólio com um case muito especial. Um grade da sua linha de polietileno verde, produzidos a partir da cana de açúcar, está sendo usado há mais de um ano na Estação Espacial Internacional da Nasa (National Air Space Administration). Com essa matéria-prima, uma impressora 3D instalada na estação confecciona peças de reposição e ferramentas usadas no dia a dia dos astronautas, estratégia adotada para proporcionar maior autonomia às missões espaciais.

    O desenvolvimento consumiu mais de um ano de esforços em parceria entre a Braskem e a Made in Space, fabricante da impressora. O feito é inédito, pela primeira vez estão sendo impressas peças em ambiente com gravidade zero. A estratégia prevê o envio de e-mails dos computadores da agência espacial com o design digital das peças a serem impressas. O PE verde foi escolhido por ser de fonte renovável e reunir características como flexibilidade, resistência química e reciclabilidade.

    Na superfície terrestre, a Braskem está focada no desenvolvimento de polímeros específicos e de tecnologia proprietária. “As novas resinas terão o potencial de aplicação de diversos mercados e aplicações, como o automobilístico, embalagens, setor de calçados, próteses e até mesmo o uso doméstico, entre outros”, informa Di Pintor.

    De acordo com o pesquisador, em breve, uma nova geração de filamentos para impressoras deve chegar ao mercado. Por enquanto, se encontra disponível o primeiro filamento de polipropileno da série, desenvolvido no ano passado em parceria com a fabricante de equipamentos Arburg. “A resina apresenta como principais características excelente processabilidade e ótima estabilidade dimensional”. Ela é indicada para usos que requeiram ‘efeito dobradiça’, como fixadores de cabos automotivos; estabilidade dimensional, casos de tampas e engrenagens; ou que necessitem manter água, como embalagens e copos.

    Além disso, a empresa avança no desenvolvimento de resinas na forma de pó para a tecnologia powder bed fusion, pela qual se aplica um laser para gerar a sinterização das partículas para criar objetos sólidos por adição de camadas.

    Plástico Moderno, Vides: filamentos de qualidade dão origem a peças funcionais

    Vides: filamentos de qualidade dão origem a peças funcionais

    Poliésteres, poliamidas… – Derivados da linha tradicional de poliésteres elastoméricos da DuPont, os filamentos para impressão 3D da multinacional são disponibilizados em dois níveis de dureza (eles são comercializados com as marcas Hytrel 3D4000FL com dureza Shore D de 40 e Hytrel 3D4100 com dureza Shore D de 60).

    “Com eles, os clientes poderão confeccionar peças funcionais flexíveis que combinem resiliência, calor e resistência a produtos químicos, mecanicamente robustos e duráveis. As peças finais são comparáveis às obtidas em moldagens por injeção”, afirma Thiago Vides, líder de vendas para a América Latina. De acordo com o executivo.

    Esses dois produtos são exemplos da preocupação da companhia com esse nicho de mercado. “O mercado de impressão 3D está estimado em bilhões de dólares, com significativo crescimento ano a ano. Ao permitir a produção de peças funcionais como protótipos, ferramentas e produções de pequenos e grandes volumes, nós esperamos ser um dos principais fornecedores neste segmento”.

    Para esse mercado a empresa também comercializa os filamentos para impressão Zytel 3D1000FL, indicado para a confecção de peças tenazes e rígidas. “Além da resistência mecânico-química superior, as peças impressas com Zytel apresentam altas temperaturas de deflexão ao calor, baixa deformação, baixa sensibilidade à umidade e excelente aparência superficial”.

    Entre as aplicações indicadas, se encontram peças de automotivas, de eletrodomésticos, solados de calçados, palmilhas ortopédicas, componentes náuticos e aeronáuticos e protótipos para a indústria. “Nossos materiais já estão disponíveis para compra na América do Norte, Europa, Oriente Médio, África e China. Em breve estarão disponíveis na América do Sul”.

    Plástico Moderno, Linha de filamentos da DuPont supre diversas aplicações

    Linha de filamentos da DuPont supre diversas aplicações

    A Basf também acompanha com atenção e investe no desenvolvimento de materiais para esse mercado. A expectativa da multinacional é de evolução de 20% ao ano para esse nicho de mercado por um bom período. “Devido à nossa estreita colaboração com os fabricantes de equipamentos originais, por exemplo, no setor automotivo, sabemos que muitos clientes estão bastante interessados em aplicar a nova tecnologia aos processos em escala industrial”, diz Rony Sato, gerente de inovação e tecnologia para a América do Sul.

    Plástico Moderno, Sato: clientes buscam novos materiais para elaborar em 3D peças de uso industrial

    Sato: clientes buscam novos materiais para elaborar em 3D peças de uso industrial

    A multinacional vende materiais e formulações, além de serviços para diversas indústrias e aplicações. “As solicitações mais comuns dos clientes incluem o desenvolvimento de soluções para pequenas produções em série, protótipos funcionais e peças sobressalentes”.

    Um exemplo: há mais de um ano a Basf vende pós Ultrasint PA6 LM para sinterização a laser com ponto de fusão de 193ºC. As peças feitas com esse produto apresentam maior resistência e estabilidade térmica dimensional em relação às fabricadas usando os pós PA12 tradicionais. A multinacional também está trabalhando no desenvolvimento no campo de fotopolímeros para atender as necessidades da indústria aeroespacial e automotiva.

    “Os clientes das Basf 3D Printing Solutions são empresas que querem usar a impressão 3D para produção industrial. Nossa atuação no segmento, por enquanto, está concentrada na Alemanha, mas os clientes brasileiros podem ter acesso às soluções por intermédio das equipes locais”, informa.



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