Máquinas e Equipamentos

Tecnologia avança para manufatura aditiva com polímeros sintéticos – 3D

Jose Paulo Sant Anna
20 de julho de 2018
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    Novos mercados para esse processo de transformação começam a ganhar corpo. Podemos citar a revolução que está ocorrendo no campo da odontologia, para o qual a Stratasys desenvolveu linha de equipamentos específicos. “Temos um mercado funcionando, vendemos impressoras para modelos de dentes ou maxilares para escolas, com as quais alunos podem se especializar em cirurgias. Também vendemos para dentistas que podem planejar e produzir em seus próprios consultórios aparelhos alinhadores a partir de moldes feitos com os pacientes”.

    Esse mercado deverá crescer em progressão geométrica quando surgirem materiais biocompatíveis, que possam ser usados como próteses finais. Fabricantes de impressoras, como a própria Stratasys, e grandes nomes da indústria química, como a Solvay, são exemplos de empresas que estão investindo na pesquisa e desenvolvimento de polímeros que no futuro poderão ser aproveitados em próteses dentárias.

    Amaral Neto lembra outra possibilidade de uso no campo da saúde. “Uma loja especializada em fones de ouvido pode fazer aparelhos de acordo com a cavidade auricular de seus clientes. Não existirão mais os tamanhos P, M e G, o aparelho do ouvido esquerdo pode ser diferente do direito. Eles serão fabricados de acordo com as características dos usuários”. Esses não são casos isolados. Cada vez mais as fábricas de calçados, roupas, automóveis e muitos outros produtos procuram desenvolver soluções particularizadas de acordo com as necessidades ou preferências dos consumidores.

    Enquanto a manufatura aditiva nas indústrias se encontra em processo incipiente, o uso industrial da impressão 3D como apoio para o desenvolvimento de peças ganha velocidade. A Stratasys conta com ampla linha de produtos para esse nicho, dotados com duas tecnologias distintas. Uma delas, chamada de FDM, funciona a partir do modelamento por deposição de material fundido. Em outras palavras, as informações fornecidas por desenhos tridimensionais presentes no computador conduzem as operações de fundição de “fios” de plástico, material que é depositado pela máquina por um bico em uma câmara até que o protótipo atinja o formato idealizado. As máquinas trabalham com vários tipos de matérias-primas. “Já estamos usando poliamida reforçada com 35% de fibra de vidro”, exemplifica.

    A outra técnica, chamada de Polyjet, a empresa adquiriu em 2012, após se fundir com a israelense Objet. A modelagem nas máquinas oferecidas com esse perfil ocorre a partir de cartuchos de tinta e é indicada para o desenvolvimento de embalagens, mock-ups para campanhas publicitárias e até cavidades de moldes de injeção para a produção de pequenos lotes de peças.

    As vendas da SKA para a indústria plástica no Brasil têm sofrido as consequências da crise econômica nos últimos dois anos. “O brasileiro não tem no sangue a vontade de criar”, lamenta Amaral Neto. Com as dificuldades econômicas, essa característica se acirra. “As empresas param de investir em coisas novas”.

    Dupla extrusão – Reconhecida pela revista eletrônica alemã All3DP como detentora da melhor tecnologia de impressão 3D no ano passado, a Ultimaker3 é uma impressora desktop capaz de trabalhar com dois filamentos ao mesmo tempo, o que possibilita peças com maior resolução e detalhes. Fabricada pela holandesa Ultimaker, a impressora é revendida no Brasil com exclusividade pela Wishbox, empresa no mercado há quatro anos e voltada para a distribuição no Brasil de equipamentos com tecnologias para processos de inovação.

    Plástico Moderno, Impressora 3D de bancada fabricada pela holandesa Ultimaker

    Impressora 3D de bancada fabricada pela holandesa Ultimaker

    “Ampliar a capacidade de criação de protótipos, modelos e objetos em geral por meio do conceito de dupla extrusão, tecnologia que combina o uso de duas matérias-primas simultâneas durante a operação, garante a produção dos mais diversos tipos de objetos com alta qualidade e detalhamento”, garante o diretor Tiago Marin. O modelo transforma PLA, ABS, CPE, PA e também o PVA, material normalmente usado nos suportes das peças por ser solúvel em água.

    Marin não se queixa dos negócios. Desde que sua empresa passou a revender os produtos para impressão 3D, as vendas crescem de forma significativa. “O baixo custo dos equipamentos desktop quando comparado com os modelos industriais existentes no mercado com recursos semelhantes é um diferencial positivo. Hoje as usuárias têm condição de ter as máquinas em seus escritórios”.

    No campo das impressoras 3D, a empresa também representa no mercado nacional os equipamentos desktops das empresas norte-americanas Makerbot, especializada em modelos com a tecnologia FDM, e Formlabs, fornecedora de equipamentos que operam pela solidificação por laser de resinas líquidas.



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