Embalagens

Tampas plásticas – Demanda cresce, mas exige tecnologia avançada

Jose Paulo Sant Anna
11 de outubro de 2020
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    “Entre nossos clientes se encontram muitos fabricantes de cosméticos, bebidas e alimentos, produtos para higiene e limpeza, óleos automotivos e produtos farmacêuticos, entre outros”, informa Valter Quintino, gerente comercial e de desenvolvimento de embalagem. Na lista se encontram nomes como Avon, O Boticário, Unilever, Johnson’s, P&G e outras marcas conhecidas.

    O gerente destaca a complexidade presente na produção de tampas, qualquer que seja a embalagem em que será utilizada. “Produzimos tampas para alguns produtos, como detergentes ou desinfetantes, cuja tiragem chega a um milhão de unidades por dia”. As de menor tiragem muitas vezes exigem tecnologia ainda mais avançada. Quintino cita como exemplo o caso de alguns cosméticos e produtos de higiene pessoal em que aparência e funcionalidade são características essenciais para conquistar os consumidores.

    Para esses nichos, muitas tampas contam com sistemas de fechamento complexos ou são fabricadas por meio de injeção bicolor. “Um de nossos diferenciais é contar com tecnologia para produzir tampas fliptop que já saem fechadas dos moldes. Quando as tampas saem abertas exigem a realização de outra operação, o que aumenta o custo do transformador”.

    A empresa oferece assistência aos clientes no desenvolvimento do design da peça até sua fabricação. Para a construção dos moldes, sejam eles de sopro ou injeção dos materiais utilizados, a empresa conta com a colaboração da Moltec, ferramentaria que pertence ao mesmo grupo empresarial.

    Matérias-primas – As gigantes do mundo químico fornecedoras de matérias-primas plásticas não economizam em pesquisa e desenvolvimento para o mercado de tampas de embalagens injetadas. Entre elas se encontra a brasileira Braskem, que possui em seu portfólio ampla gama de formulações, em especial de polietileno e polipropileno, indicadas para várias aplicações.

    Juliana Molari, engenheira de aplicação, explica que a empresa divide esse nicho de mercado em quatro grupos na hora de estudar soluções inovadoras. São eles os de bebidas, alimentos, home e personal care, e embalagens industriais. Cada um desses grupos requer materiais com características particulares que proporcionam às peças os desejados graus de estabilidade dimensional, resistência mecânica, acabamento superficial, brilho e transparência, entre outras.

    O principal objetivo desse esforço é procurar atender as grandes tendências internacionais. Uma demanda que engloba a quase totalidade dos tipos de tampas é a redução de peso. Não por acaso. A redução de um grama de resina em uma tampinha de refrigerante, por exemplo, pode significar grande economia de matéria-prima quando pensamos na produção de milhões de peças.

    Em paralelo, cada uma dessas quatro categorias apresenta novos desafios. “No mercado de bebidas, uma cobrança já forte na Europa e que deve chegar aos demais mercados mundiais em curto prazo é a produção de frascos com tampas acopladas e do mesmo material, de modo a facilitar a operação de reciclagem subsequente”, explica Juliana. Para a indústria de alimentos, a demanda é por tampas com propriedades de barreira. “É o caso das tampas que dispensem o uso de selos de alumínio”.

    Nas categorias home e personal care, Juliana aponta a cobrança pela eliminação de materiais estirênicos, presentes em algumas aplicações. A ideia é tentar substituí-los pelo polipropileno, quando for possível. Ainda nessa categoria também há a expectativa do surgimento de embalagens monomateriais, para facilitar o processo de reciclagem, e o crescimento do uso de tampas cada vez mais transparentes. “No campo de embalagens industriais, as tampas de bombonas requerem materiais cada vez mais rígidos, com maior resistência ao impacto e às baixas temperaturas”.

    Uma novidade está sendo lançada pela empresa para atender a tendência global de redução de peso das tampas de bebidas. “Estamos apresentando novo grade que permite a diminuição da espessura das paredes e alia processabilidade a resistência mecânica”. Esse material deve estar disponível ao mercado a partir do mês de agosto.

    “A área de tampas plásticas é estratégica para nossa empresa”, resume Juan Fernandez, gerente de marketing para o setor de embalagens rígidas e tampas da Dow na América Latina. Segundo o gerente, a empresa se preocupa em acompanhar as tendências de mercado e as necessidades de seus consumidores e parceiros. Ela oferece ampla gama de resinas, adesivos, especialidades e revestimentos. “Uma das preocupações é trabalhar em parceria com os clientes desde o projeto do design das peças, de forma que sejam selecionados os materiais mais adequados para que elas cumpram os ciclos de vida projetados e depois sejam recicladas com sucesso”.

    Fernandez mostra dados de um estudo realizado pela Euromonitor International em 2017. De acordo com o trabalho, o mercado latino-americano consumia na época, em média, 432 mil t/ano em matérias-primas para a produção de tampas e fechamento de embalagens. Do total desse consumo, 80% correspondia ao uso de termoplásticos (a divisão apontava algo em torno de 48% de PP e 52% de PE) e 20% a uma combinação de metal, cortiça e borracha.

    “O total de PE consumido equivale a cerca de 180 mil t/ ano, a maior parte formada por aplicações de polietileno de alta densidade (PEAD)”. Do total de PE consumido na América Latina para a fabricação de tampas, aproximadamente 66% eram para o segmento de bebidas, 11% para alimentos, 12% para cuidados pessoais e domésticos e 10% para outros tipos.

    Para tampas, a Dow comercializa PEAD de grau organoléptico com as marcas Evercap e Continuum. “Um exemplo de produto é o Continuum DMDC-1250, que oferece desempenho ideal para tampas de bebidas carbonatadas”. De acordo com a empresa, o produto apresenta resistência superior às trincas por estresse, o que permite a produção de tampas mais leves, com ótima estanqueidade e vida útil mais longa.

    Ainda esse ano, a Dow lançará novas resinas especializadas para esse mercado. Entre elas, soluções adequadas para a fabricação de recipientes monomateriais (tampa e garrafa). “Também estamos lançando um novo PEAD para água e outros para bebidas com processos de pasteurização e /ou esterilização”.



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