Tampas plásticas – Demanda cresce, mas exige tecnologia avançada

Plástico Moderno - Tampas plásticas - Demanda cresce, mas exige tecnologia avançada ©QD Foto: Divulgação

O nicho de tampas plásticas injetadas para embalagens é de grande importância para a indústria da transformação do plástico. Trata-se de segmento bastante pulverizado, presente nas indústrias de bebidas e alimentos, higiene e limpeza, cuidados pessoais, óleos automotivos e produtos de uso industrial, entre outras. De acordo com dados da Associação Brasileira de Embalagem (Abre), em 2019, a indústria de embalagens plásticas movimentou em torno de R$ 32,7 bilhões no país, cerca de 41% do volume total de negócios do setor. A entidade não informa o quanto as tampas representam desse total.

Para Gustavo Alvarez, CEO da América Tampas e Coordenador da Câmara Setorial dos Fabricantes de Tampas Plásticas (Cofatamplas) da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), as empresas do setor foram afetadas pela pandemia de maneira desigual. As que abastecem os mercados de alimentos, higiene pessoal, limpeza e saúde tiveram suas vendas movimentadas de maneira positiva durante as primeiras semanas da quarentena.

“Entre os produtos que tiveram aumento de demanda, podemos citar o álcool em gel. Não houve falta de produto por falta de tampas, as empresas fornecedoras se ajustaram e atenderam o mercado”. Outros tipos de tampas, no entanto, tiveram as vendas afetadas de forma negativa. Ainda com a economia sob o impacto da Covid 19, fica difícil fazer previsões sobre como os negócios dos transformadores especializados decorrerão nos próximos meses.

Qualquer que seja o formato e para quais produtos serão destinadas, as tampas todas têm em comum o fato de, para serem fabricadas, utilizarem tecnologia de ponta. No caso de tampas de garrafa de bebidas carbonatadas, por exemplo, a precisão dimensional do molde é fundamental para garantir o fechamento ideal das garrafas de modo a aguentar a pressão proporcionada pelos gases das bebidas.

Cases complexos não faltam. As tampas de xampus muitas vezes possuem fechos fliptop, designs arrojados e não raro são injetadas em duas cores. As tampas de óleo comestível contam com lacres de difícil fabricação. As de potes de sorvetes apresentam paredes muito finas. Quase sempre, as tampas são produzidas em tiragens muito elevadas, na casa dos milhões de peças. Para isso, são usados moldes com o máximo possível de cavidades (no caso de refrigerantes e água são comuns os moldes de 48 e 96 cavidades). As máquinas precisam ser projetadas para trabalhar em ciclos de poucos segundos.

A exigência tecnológica restringe a participação das empresas em todos os elos da cadeia de produção. Os transformadores quase sempre são empresas de grande porte. Grandes fabricantes de matérias primas investem em pesquisa e desenvolvimento para enriquecer seu portfólio de produtos. O mesmo vale para os fabricantes de injetoras e demais periféricos. Especial atenção vai para os construtores dos moldes, altamente especializados.

“A tampa carrega em si toda a responsabilidade da melhor experiência entre consumidor e produto final”, resume Alvarez. O dirigente garante que o Brasil conta com parque industrial de porte, formado por empresas com tecnologia própria ou que trabalham com tecnologia de terceiros. “Produzimos no Brasil tampas com a mesma qualidade de qualquer outra região de primeiro mundo, porém adequadas à realidade brasileira”.

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Especialistas – Em sua grande maioria, os transformadores que trabalham nesse segmento são especializados na fabricação de tampas ou de embalagens plásticas completas. Por trabalharem em projetos que exigem altas tiragens, em geral são empresas de porte, muitas delas multinacionais com plantas industriais instaladas em vários países, entre os quais o Brasil. Em alguns casos, os próprios fabricantes dos produtos finais verticalizam suas plantas industriais.

O mercado nacional também conta com empresas totalmente brasileiras. É o caso da Igaratiba, inaugurada há mais de trinta anos e com fábrica no município de Elias Fausto-SP. A empresa é fabricante de embalagens plásticas pelos processos de injeção e sopro de PET e outros materiais. A produção de tampas possui grande importância para a operacionalidade da empresa.

“Entre nossos clientes se encontram muitos fabricantes de cosméticos, bebidas e alimentos, produtos para higiene e limpeza, óleos automotivos e produtos farmacêuticos, entre outros”, informa Valter Quintino, gerente comercial e de desenvolvimento de embalagem. Na lista se encontram nomes como Avon, O Boticário, Unilever, Johnson’s, P&G e outras marcas conhecidas.

O gerente destaca a complexidade presente na produção de tampas, qualquer que seja a embalagem em que será utilizada. “Produzimos tampas para alguns produtos, como detergentes ou desinfetantes, cuja tiragem chega a um milhão de unidades por dia”. As de menor tiragem muitas vezes exigem tecnologia ainda mais avançada. Quintino cita como exemplo o caso de alguns cosméticos e produtos de higiene pessoal em que aparência e funcionalidade são características essenciais para conquistar os consumidores.

Para esses nichos, muitas tampas contam com sistemas de fechamento complexos ou são fabricadas por meio de injeção bicolor. “Um de nossos diferenciais é contar com tecnologia para produzir tampas fliptop que já saem fechadas dos moldes. Quando as tampas saem abertas exigem a realização de outra operação, o que aumenta o custo do transformador”.

A empresa oferece assistência aos clientes no desenvolvimento do design da peça até sua fabricação. Para a construção dos moldes, sejam eles de sopro ou injeção dos materiais utilizados, a empresa conta com a colaboração da Moltec, ferramentaria que pertence ao mesmo grupo empresarial.

Matérias-primas – As gigantes do mundo químico fornecedoras de matérias-primas plásticas não economizam em pesquisa e desenvolvimento para o mercado de tampas de embalagens injetadas. Entre elas se encontra a brasileira Braskem, que possui em seu portfólio ampla gama de formulações, em especial de polietileno e polipropileno, indicadas para várias aplicações.

Juliana Molari, engenheira de aplicação, explica que a empresa divide esse nicho de mercado em quatro grupos na hora de estudar soluções inovadoras. São eles os de bebidas, alimentos, home e personal care, e embalagens industriais. Cada um desses grupos requer materiais com características particulares que proporcionam às peças os desejados graus de estabilidade dimensional, resistência mecânica, acabamento superficial, brilho e transparência, entre outras.

O principal objetivo desse esforço é procurar atender as grandes tendências internacionais. Uma demanda que engloba a quase totalidade dos tipos de tampas é a redução de peso. Não por acaso. A redução de um grama de resina em uma tampinha de refrigerante, por exemplo, pode significar grande economia de matéria-prima quando pensamos na produção de milhões de peças.

Em paralelo, cada uma dessas quatro categorias apresenta novos desafios. “No mercado de bebidas, uma cobrança já forte na Europa e que deve chegar aos demais mercados mundiais em curto prazo é a produção de frascos com tampas acopladas e do mesmo material, de modo a facilitar a operação de reciclagem subsequente”, explica Juliana. Para a indústria de alimentos, a demanda é por tampas com propriedades de barreira. “É o caso das tampas que dispensem o uso de selos de alumínio”.

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Nas categorias home e personal care, Juliana aponta a cobrança pela eliminação de materiais estirênicos, presentes em algumas aplicações. A ideia é tentar substituí-los pelo polipropileno, quando for possível. Ainda nessa categoria também há a expectativa do surgimento de embalagens monomateriais, para facilitar o processo de reciclagem, e o crescimento do uso de tampas cada vez mais transparentes. “No campo de embalagens industriais, as tampas de bombonas requerem materiais cada vez mais rígidos, com maior resistência ao impacto e às baixas temperaturas”.

Uma novidade está sendo lançada pela empresa para atender a tendência global de redução de peso das tampas de bebidas. “Estamos apresentando novo grade que permite a diminuição da espessura das paredes e alia processabilidade a resistência mecânica”. Esse material deve estar disponível ao mercado a partir do mês de agosto.

“A área de tampas plásticas é estratégica para nossa empresa”, resume Juan Fernandez, gerente de marketing para o setor de embalagens rígidas e tampas da Dow na América Latina. Segundo o gerente, a empresa se preocupa em acompanhar as tendências de mercado e as necessidades de seus consumidores e parceiros. Ela oferece ampla gama de resinas, adesivos, especialidades e revestimentos. “Uma das preocupações é trabalhar em parceria com os clientes desde o projeto do design das peças, de forma que sejam selecionados os materiais mais adequados para que elas cumpram os ciclos de vida projetados e depois sejam recicladas com sucesso”.

Fernandez mostra dados de um estudo realizado pela Euromonitor International em 2017. De acordo com o trabalho, o mercado latino-americano consumia na época, em média, 432 mil t/ano em matérias-primas para a produção de tampas e fechamento de embalagens. Do total desse consumo, 80% correspondia ao uso de termoplásticos (a divisão apontava algo em torno de 48% de PP e 52% de PE) e 20% a uma combinação de metal, cortiça e borracha.

“O total de PE consumido equivale a cerca de 180 mil t/ ano, a maior parte formada por aplicações de polietileno de alta densidade (PEAD)”. Do total de PE consumido na América Latina para a fabricação de tampas, aproximadamente 66% eram para o segmento de bebidas, 11% para alimentos, 12% para cuidados pessoais e domésticos e 10% para outros tipos.

Para tampas, a Dow comercializa PEAD de grau organoléptico com as marcas Evercap e Continuum. “Um exemplo de produto é o Continuum DMDC-1250, que oferece desempenho ideal para tampas de bebidas carbonatadas”. De acordo com a empresa, o produto apresenta resistência superior às trincas por estresse, o que permite a produção de tampas mais leves, com ótima estanqueidade e vida útil mais longa.

Ainda esse ano, a Dow lançará novas resinas especializadas para esse mercado. Entre elas, soluções adequadas para a fabricação de recipientes monomateriais (tampa e garrafa). “Também estamos lançando um novo PEAD para água e outros para bebidas com processos de pasteurização e /ou esterilização”.

Injetoras – Os fabricantes de injetoras já viveram dias melhores. As vendas despencaram a partir de março, muitos clientes desistiram ou postergaram os investimentos previstos para a ampliação ou renovação de suas linhas industriais. Nesse cenário difícil, o setor de embalagens é apontado como um dos, senão o que mais tem realizado consultas e fechado negócios. E a fabricação de tampas é responsável por boa parcela das aquisições ocorridas desde o início da crise.

A concorrência é dura e os fornecedores precisam oferecer injetoras com tecnologia adequada às exigências dessa aplicação. A brasileira Romi é uma das fabricantes de equipamentos que possuem grande interesse nesse mercado. Tem bons motivos para isso. Além do mercado de injeção, ela produz sopradoras. Dessa forma, tem a oportunidade de oferecer conjuntos completos para a produção de frascos, garrafas e tampas, o que pode ser considerado uma vantagem competitiva junto aos clientes interessados em fechar pacotes para implementar novas linhas de produção.

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Machado: locação de injetoras é saída para preservar o caixa

Glauco Machado, gerente de vendas de máquinas para plásticos, reconhece a importância do segmento e recomenda, conforme o tipo de tampa a ser produzida, os modelos das três linhas de injetoras comercializadas pela empresa, as máquinas EN (com acionamento de servo bombas), EL (com servo motores e totalmente elétricas) e ES (servo motores e injeção hidráulica por acumuladores de pressão híbrida). “As máquinas injetoras modernas, equipadas com alta tecnologia, geram muito mais competitividade para a indústria de transformação por meio da alta produtividade, excelente precisão, baixo consumo de energia e conectividade”.

Machado explica que o ano de 2020 dava indícios de recuperação econômica. “A partir de meados de março o volume de negócios sofreu redução temporária”. Ele se mostra otimista em relação ao futuro. “Recentemente houve uma recuperação importante na entrada de pedidos”.

A Romi tem buscado novas alternativas de negócios, como, por exemplo, a locação de máquinas. “Pensamos em maneiras de atender os nossos clientes em um momento de fluxo de caixa incerto, em que eles querem produzir, mas estão com medo de ficarem descapitalizados, ou precisam atuar em projetos pontuais ou por períodos pré-determinados”.

O mercado de tampas é um dos principais clientes da fabricante de injetoras Sumitomo Demag, multinacional com estrutura de comercialização de máquinas e assistência técnica no Brasil. “Nossos equipamentos estão presentes em várias fábricas desse segmento no Brasil”, informa Christoph Rieker, gerente geral.

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As vendas atuais para esse nicho de mercado não chegam a entusiasmar. “Com a pandemia, houve uma retração nas vendas como um todo”. Alguns nichos do segmento sofreram menos, caso das empresas fornecedoras de tampas para embalagens de álcool gel e sabonetes líquidos, por exemplo. “Com ou sem crise há sempre alguma movimentação entre os fabricantes de alimentos e bebidas”.

As máquinas recomendadas pela multinacional variam de acordo com os tipos de tampas a serem produzidas. “Os clientes são de grande porte e cada um possui um expertise”. Para essa e outras aplicações que exijam produção de milhões de peças, Rieker recomenda as máquinas híbridas El-Exis. “A linha foi projetada para ciclos muito agressivos, abaixo de dois segundos”. De acordo com a empresa, esse desempenho é possível graças a uma combinação única de acionamentos elétricos e hidráulicos que realizam movimentos rápidos, harmônicos e constantes.

Quando a produção de tampas ocorre em ciclos superiores a cinco segundos, Riecker revela que os clientes também têm a opção de investirem na linha de injetoras elétricas IntElect. “Elas não têm a mesma velocidade das híbridas, mas nos casos de ciclos maiores oferecem vantagens, entre elas a economia de energia elétrica”. O gerente ressalta que as máquinas elétricas têm sido cada vez mais procuradas no mercado brasileiro por transformadores de peças as mais distintas.

Moldes – Existe um componente que é chave para o sucesso das linhas de produção das tampas injetadas. Trata-se do molde. Ele precisa ser projetado com tecnologia avançada, qualquer que seja a aplicação à qual a peça será destinada. Muitas empresas optam por importar moldes europeus, fabricados por ferramentarias avançadas. Também existem ferramentarias nacionais com esse know-how, ainda que em número limitado. Alguns transformadores, muitas vezes empresas multinacionais, contam com ferramentarias próprias.

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Tiergarten: parceiros globais colaboram nos moldes complexos

A ferramentaria nacional Btomec, de Joinville-SC, se apresenta como a líder na América Latina nesse nicho de mercado. De acordo como diretor Wiland Tiergarten, para projetar suas ferramentas a empresa mantém parceria tecnológica com empresas da França, Suécia, Alemanha e Estados Unidos, o que a permite desenvolver projetos os mais complexos.

“Com a pandemia, esfriou o número de encomendas de novos moldes. Mas tivemos um upgrade importante na manutenção e calibragem de moldes antigos”, revela o dirigente. Ele destaca a importância de alguns detalhes na hora da confecção desses moldes. “Tudo começa com um bom projeto, a escolha de materiais de qualidade e os tratamentos superficiais necessários para adequar esses materiais”.

Tiergarten também ressalta a necessidade de desenvolver projetos que atendam uma demanda hoje muito forte por parte dos clientes, a de fabricar tampas cada vez mais leves. “Se reduzirmos o peso de uma tampa de garrafa de 2 g para 1,5 g ajudamos muito a aumentar a rentabilidade do cliente”.

Outra ferramentaria nacional com destaque na área de embalagens, fabricante de moldes para sopro e injeção, é a paulistana Moltec, empresa do mesmo grupo da fabricante de embalagens Igaratiba. “A demanda continua existindo, as embalagens não pararam de ser consumidas com a pandemia. Nossas vendas se encontram estáveis”, informa Bruno Chagas, head de tecnologia em equipamentos para moldagem.

Chagas explica ser esse mercado destinado a ferramentarias especializadas. Para participar, as empresas precisam contar com estrutura adequada, tanto em mão de obra quanto em equipamentos de usinagem. “Nós atuamos nesse mercado há pelo menos 15 anos e fomos buscar know how nos Estados Unidos e na Europa para nos mantermos competitivos”. Tudo para atender encomendas de alto valor agregado. “Os clientes são de grande porte e muitas vezes fazem encomendas grandes, o que dificulta a participação de ferramentarias de pequeno porte”.

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