Plástico

Tampas – Demanda aquecida incentiva renovação do setor

Renata Pachione
11 de fevereiro de 2012
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    utilizados em garrafas de refrigerante e água mineral, fabricadas por meio do sistema de moldagem por compressão.

    Possível revés – O bom momento vivido pelo setor, no entanto, segundo alguns fabricantes de tampas, está comprometido. Eles temem perder a competitividade por conta do aumento da alíquota de importação dos moldes.

    No ano passado, a Câmara Setorial de Ferramentarias e Modelações (CSFM) da Abimaq conseguiu que a alíquota de importação dos moldes utilizados nos processos de moldagem por injeção ou compressão (NCM 8480.71.00) fosse aumentada pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), passando de 14% para 30%.

    A resolução, publicada no Diário Oficial da União no dia 18 de fevereiro, entrou em vigor no dia 1º de março de 2011. Mas o que para os ferramenteiros parece ser a solução ante a perda de competitividade da indústria nacional em relação aos moldes importados (sobretudo os asiáticos), para os fabricantes de tampas trata-se justamente do contrário. “Esse tema tem dominado a nossa agenda há cerca de um ano, porque nosso setor é diretamente afetado por essa decisão, negativamente”, aponta Gorgati, diretor da Quattro Industrial e vice-coordenador da Câmara Setorial dos Fabricantes de Tampas Plásticas (Cofatamplas), criada em 2009 pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).

    Ele alega que boa parte do mercado nacional continuará importando moldes e, consequentemente, vai ser obrigada a pagar mais por isso. No final, essa conta não vai fechar, segundo o diretor. E ser competitivo tem sido condição de sobrevivência. Gorgati teme a chamada “desindustrialização” do setor. Houve um período em que era o único fornecedor da Unilever para os seus cremes dentais da marca Close-up. No ano passado, a multinacional passou a trazer a peça pronta da Índia, além de comprar da Quattro. “Deixamos de vender uma parte importante da nossa produção”, comenta. Ele diz que, se tiver que repassar o aumento da alíquota dos moldes para seus produtos, ficará ainda mais enfraquecido perante a concorrência internacional.

    Segundo ele, as tampas de maior valor agregado necessitam de moldes de alta cavitação e demandam altos níveis de produtividade. “Existe um gap tecnológico muito grande entre a oferta dos ferramenteiros brasileiros e os estrangeiros. Quem produz tampas, precisa de moldes técnicos. Eu, por exemplo, só tenho moldes da Europa e da América do Norte, pois os nacionais não atendem aos padrões internacionais”, afirma.

    Gorgati cita o caso da sua produção de tampas cônicas convencionais para tubos laminados. O molde em questão é canadense e possui 72 cavidades. “Quando começamos a fabricar essas tampas o ciclo de produção era de oito segundos, enquanto a opção nacional levava o dobro desse tempo”, argumenta.

    Hoje, segundo a Câmara Setorial de Ferramentarias e Modelações (CSFM), da Abimaq, na voz de Alexandre Fix, presidente da entidade e também diretor da Polimold, a história não é bem assim. De acordo com ele, muitas foram as melhorias empregadas pelos ferramenteiros nacionais. Gustavo Alvarez, presidente da America Tampas, concorda com esse avanço. “Vimos que muitas ferramentarias estão melhorando o seu parque produtivo, contudo, para fabricar tampas de maior valor agregado, temos de buscar moldes no exterior”, argumenta Alvarez.

    Fix se compromete a mostrar a tecnologia embutida atualmente na produção nacional e, em parceria, julgar a capacidade local de fabricar ou não o molde. “Na maioria das vezes, é possível fazer esse acordo, pois em muitos casos o ferramenteiro consegue atender à exigência do fabricante de tampas”, argumenta. Porém, admite que, em algumas aplicações, ainda não dispõe de condições de atender às solicitações do transformador. Para esses casos, o caminho indicado, segundo ele, seria a obtenção do recurso disponibilizado pelo governo, o ex-tarifário.

    Esse recurso se refere a uma concessão tarifária para reduzir a alíquota de imposto de importação de bens de capital (BK) e bens de informática (BIT) para 2%. Cabe ao Comitê de Análise de Ex-tarifários (CAEx), instituído no âmbito do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), a verificação da inexistência de produção nacional dos bens pleiteados.

    “Podemos agir como intermediários, a fim de viabilizar a liberação do pleito”, explica Fix, referindo-se à intervenção da CSFM. Em outras palavras, a câmara se propõe a fazer um estudo técnico de cada caso e, caso seja confirmada a necessidade da importação, ela sugeriria o enquadramento ao ex-tarifário. Ou seja, há um caminho alternativo contra a redução da alíquota de importação.

    Essa questão não tem uma resposta fácil nem mesmo uma única interpretação, como se observa na fala de Alvarez, da America Tampas: “O aumento da alíquota é uma maneira muito simplista de tentar proteger o mercado de ferramentarias locais.” Em suma, o tema suscita uma discussão ampla e ela está aberta a todos os elos da cadeia produtiva do plástico, até porque, o que todos querem, no final das contas, é o aprimoramento do setor.

     



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