Sopro de PET – Bom desempenho da resina eleva as vendas das sopradoras e das máquinas integradas

O inverno começa mais tarde para o mercado de equipamentos direcionados à produção brasileira de embalagens de PET. Os fornecedores de máquinas de altíssima produtividade destinadas ao estiramento e sopro das pré-formas ainda sentem os efeitos positivos do consumo aquecido pelo alto verão. Reservados na divulgação de números, os fornecedores dessas sopradoras admitem um desempenho digno de comemoração para alimentar, em especial, o segmento das bebidas carbonatadas, o maior mercado das garrafas de PET. O momento também é dos melhores para o processo que agrega as etapas de injeção da pré-forma, estiramento e sopro em um único equipamento, mais utilizado na moldagem de frascos diferenciados e potes de boca larga. O avanço da resina sobre tradicionais redutos do vidro e outros materiais, até mesmo sobre outros polímeros, contribuiu para os bons negócios do setor.

Duas grandes multinacionais sobressaem na disputa pelo segmento de sopro das pré-formas: a francesa Sidel e a alemã Krones. O mesmo ocorre em relação às máquinas que executam da injeção da pré-forma ao seu sopro. Duas japonesas aparecem no topo do ranking: a Nissei ASB e a Aoki. No primeiro caso, além da corrida sem fim atrás da sopradora mais produtiva, as competidoras querem mostrar também quem fabrica a garrafa mais leve. A concorrência japonesa, por sua vez, se sustenta com maior ênfase em diferenciais tecnológicos. Todas, porém, perseguem um objetivo comum: a redução energética.

Motivo de muita polêmica, a recente permissão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o uso de PET reciclado na composição de embalagens que entram em contato com alimentos não deve gerar, a curto prazo, grande aumento de demanda de equipamentos. Os fornecedores da tecnologia aprovada pela agência asseguram conferir ao reciclado proveniente de lixões qualidade e pureza similares à resina virgem (ver PM de junho, nº 404, pág. 70, e reportagem nesta edição).

Plástico Moderno, Sopro de PET - Bom desempenho da resina eleva as vendas das sopradoras e das máquinas integradas
Maior modelo processa até 1.800 garrafas/h/molde

Só sopro – No país desde o início da década de 80, a Krones lançou mundialmente sua primeira sopradora em 1997 e rapidamente alcançou posição de destaque. “Somos líderes mundiais em vendas no mercado de máquinas de 8 a 40 cavidades”, assegura o diretor-comercial, Silvio Rotta. A gama de equipamentos compreende desde seis até 40 cavidades e a capacidade produtiva alcança, por hora, entre 1.500 e 1.800 garrafas em cada molde. Na avaliação dele, as de maior saída se encontram na faixa entre dez e 24 cavidades. Com principal foco na indústria de refrigerantes, as sopradoras constituem uma parte dos negócios da empresa, que envolvem até sistemas completos, do tipo turn-key.

Outro quesito perseguido pela indústria, o baixo consumo energético, constitui um dos maiores diferenciais das sopradoras da Krones, na avaliação do diretor-comercial. “É a máquina que oferece o menor consumo de energia elétrica e ar comprimido do mercado, comparando sopradoras com o mesmo nível de produtividade”, declara Rotta.

Ele destaca ainda o fato de as máquinas estarem aptas a operar com o conceito de garrafas short height (baixa altura), que, acredita, será lançado em breve no mercado. Uma das principais vantagens da nova embalagem será a economia de resina. “Os últimos modelos de sopradoras já contam com o recurso incorporado como padrão.”

Plástico Moderno, Silvio Rotta, diretor-comercial, Sopro de PET - Bom desempenho da resina eleva as vendas das sopradoras e das máquinas integradas
Rotta considera diferenciados seus serviços de pós-venda

Além da economia energética, as sopradoras Krones oferecem a quem opta por elas ainda outros benefícios, na avaliação do diretor. Entre esses, menciona a distribuição muito homogênea da resina da pré-forma; operação com reaproveitamento de ar nos estágios de sopro; painéis padronizados, sinônimo de utilização da mesma linguagem em toda a linha de equipamentos da marca; e diversos recursos de controle não disponíveis em outras máquinas do mercado. “Os serviços de pós-venda são fortes e diferenciados”, complementa Rotta. A empresa lançou no final do ano passado fornos modulares para adaptar os equipamentos ao sopro de garrafas retornáveis, cujas pré-formas de PET exigem maior aquecimento.

Na última edição da K, realizada na Alemanha no final de outubro do ano passado, uma disputa grama a grama envolveu fabricantes mundiais renomados, como a Krones e a Sidel, que desenvolvem para os clientes todo o ciclo produtivo das embalagens de PET – desde o design, projetos das pré-formas até o sopro. O foco da briga era mostrar quem produzia a garrafa mais leve do mundo – sinônimo de menor consumo de resina, com ganhos financeiros e ambientais.

Como tudo tem seus prós e contras, o aspecto desfavorável da embalagem peso-pena fica por conta da sua menor rigidez quando removida a tampa, razão pela qual é direcionada ao mercado de água não gasosa. No entanto, os fabricantes deixaram clara a intenção de investir no conceito da garrafa leve e ampliar seu uso a outros tipos de bebidas. A Krones conseguiu produzir frascos de meio litro com 8,8 gramas e a Sidel, com o mesmo tipo de embalagem, 9,9 gramas.

Plástico Moderno, Sopro de PET - Bom desempenho da resina eleva as vendas das sopradoras e das máquinas integradas
Garrafa ultraleve da Sidel pesa apenas 9,9 gramas

Tecnologia Flex – Comparada a uma garrafa de água convencional de mesma capacidade, que pesa entre 13 g e 16 g, a embalagem de 9,9 g representa um alívio de peso da ordem de 25% a 40% e a equivalente economia de resina de reciclagem no pós-consumo.

As garrafas ultraleves da Sidel, batizadas de NoBottle, contam a seu favor com uma tecnologia especialmente desenvolvida para sua produção: a FlexLine, que permite à embalagem retornar à forma original depois de manuseada pelo consumidor. O processo combina a flexibilidade do plástico com uma espécie de “memória” do formato sem a necessidade de nervuras, o que confere aos projetistas maior liberdade de criação e desenhos de embalagens.

Incluindo as etapas de rotulagem, empacotamento e paletização, a velocidade de produção da linha chega a 43.200 garrafas por hora. O coração da linha desenhada para moldar a NoBottle nessas condições é a máquina Combi (também presente em outras famílias fabricadas pela Sidel), que agrega as funções de sopro, enchimento e lacre em um só processo, dispensando o transporte de garrafas vazias da sopradora para a enchedora. Como principal vantagem, essa queima de etapa permite eliminar riscos de contaminação.

De acordo com informações do fabricante, a tecnologia FlexLine também prima pelo menor consumo de energia. Nas fases executadas pela Combi, que são as maiores consumidoras de energia em todo o ciclo produtivo, a economia chega a 32%. Um sistema de recuperação permite reutilizar 40% do ar. Além disso, o projeto foi desenhado para soprar até mesmo pré-formas que contenham em sua composição PET reciclado.

“A máquina Combi é o diferencial da Sidel. Quando entra no equipamento, a pré-forma não tem mais nenhum contato com a atmosfera externa e nem manuseio humano. O risco de contaminação é praticamente zero”, assegura o gerente de marketing, Tadeu Lorenzi. O fabricante também dispõe de equipamento que sopra e faz enchimento asséptico, de interesse para as indústrias de produtos perecíveis como sucos, entre outros.

Todos os projetos fornecidos pela empresa são encomendados sob medida. “São desenhados de acordo com as necessidades do cliente, assim, não temos um modelo mais procurado”, pondera Lorenzi. Sua perspectiva é de crescimento das vendas no segundo semestre, quando as engarrafadoras aproveitam o momento de baixa sazonal para executar reformas, manutenções e compra de novos equipamentos, que serão instalados no ano seguinte, novamente no período de baixa. “O mercado de sopro acompanha esse raciocínio”, explica o gerente de marketing da Sidel.

Além da prestação de serviços, ele destaca entre os diferenciais das máquinas da marca a garantia de qualidade das estruturas verticais e horizontais (nervuras) que sustentam a garrafa. “Esse é o forte da Sidel.” Lorenzi ainda ressalta a altíssima eficiência, acima de 95%. Além disso, os equipamentos requerem pouca manutenção. A família de sopradoras é capaz de produzir desde 3 mil até mais de 60 mil garrafas por hora. A título de exemplo, a SBO 30 pode soprar da ordem de 64 mil garrafas por hora.

Injeta e sopra – Diferentemente do setor de bebidas gasosas, no qual prevalece o uso de sistema produtivo de duplo estágio (injeção da pré-forma e sopro independentes), pela exigência de altíssima produtividade, muitas embalagens destinadas a outros mercados são concebidas em equipamentos de um estágio, que embutem tecnologia para injetar a pré-forma e soprar os frascos na seqüência do processo. Os principais endereços das máquinas integradas são os produtores de frascos cujos desenhos não permitem produção em dois estágios, não tenham disponibilidade de pré-formas no mercado, que processam desenhos de pré-formas específicas para o produto, ou com menor escala produtiva.

Plástico Moderno, Luciano Garutti, gerente de vendas da Aoki, Sopro de PET - Bom desempenho da resina eleva as vendas das sopradoras e das máquinas integradas
Garutti prevê crescimento acima de 20% sobre 2007

Por diversas razões, entre as quais leveza, segurança, transparência e propriedades de barreira, as embalagens de PET sustentam seu avanço sobre diversos materiais nas indústrias cosmética, farmacêutica, alimentícia (potes, frascos para sucos, bebidas energéticas, água sem gás etc.), e de higiene e limpeza, entre outras.

“O mercado está aquecido, os transformadores estão investindo em aumento de produção”, comemora o gerente de vendas da Aoki, Luciano Garutti. Um exemplo de mercado em expansão é o de higiene pessoal, puxado pelas embalagens para anti-sépticos bucais. Reticente quanto a números relativos a vendas, ele só revela suas expectativas de crescimento no ano: acima de 20% sobre 2007.

No país desde 1990, a fabricante japonesa começou as atividades com representação e hoje dispõe de uma filial em Diadema-SP, onde fabrica moldes, fato que o gerente considera um diferencial. “Mais de 80% dos moldes são produzidos no país pela própria Aoki”, ressalta Garutti. Ele acredita que porcentagem idêntica do mercado brasileiro de embalagens customizadas de PET sejam processadas em equipamentos Aoki. “O foco da empresa são os grandes transformadores”, diz.

Não existe, porém, nenhuma intenção de fabricar máquinas no Brasil. O gerente de vendas faz questão de destacar que são todas feitas no Japão e construídas com componentes igualmente originários desse país asiático. A matriz também é a responsável por todos os desenvolvimentos e lançamentos.

O menu da Aoki é bem extenso, informa Garutti. O mercado brasileiro demanda em particular quatro famílias: as linhas 100, 250, 350 e 500, números correspondentes à capacidade de injeção em cm³ (volume) por ciclo. De acordo com ele, a 250 é a mais versátil, a mais vendida no mundo e também a preferida no Brasil. “Possui maior versatilidade de produtos e atinge volume que mais se ajusta à demanda do mercado: sopra desde 5 ml até 5 litros.”

O gerente considera como diferencial nos equipamentos o sistema de condicionamento direto de temperatura, patenteado pela Aoki. “Quando a pré-forma sai da estação de injeção, segue para a de condicionamento, onde recebe calor por intermédio de resistência, que condiciona a temperatura da pré-forma antes do estiramento e sopro. O sistema aproveita o calor da fusão da resina e a pré-forma sai na temperatura ideal para ser estirada e soprada”, explica Garutti.

Plástico Moderno, Roberto Guazzelli, gerente regional de vendas, Sopro de PET - Bom desempenho da resina eleva as vendas das sopradoras e das máquinas integradas
Guazzelli comemora o melhor desempenho em seis anos

Entre as vantagens, ele menciona a redução no consumo de energia, a menor potência instalada e a obtenção de ciclos mais rápidos. Na avaliação dele, as máquinas são simples, confiáveis e operam com muita eficiência. O equipamento pode produzir desde 5 ml até 5 litros, e processar outras resinas além do PET, tais como polipropileno e policarbonato.

Menu completo – Com tecnologias semelhantes, o gerente regional de vendas, Roberto Guazzelli, considera a Nissei ASB a empresa com o portfólio mais completo do mercado: fabrica injetoras, sopradoras e máquinas integradas. Quanto aos negócios, apenas a alta da ordem de 20% no faturamento e no número de máquinas vendidas já bastaria para festejar. Como esses resultados devem marcar 2008 como o melhor em desempenho dos últimos seis anos, o gerente tem razões de sobra para comemorar em dobro.

Na avaliação de Guazzelli, atualmente o transformador opera com maior diversificação em sua linha produtiva. Por essa razão, os investimentos contemplam a flexibilidade. “Nessa hora, o equipamento integrado se mostra mais versátil”, pondera Guazzelli.

Carro-chefe, o modelo ASB 50 MB tem maior procura, na opinião do gerente, por oferecer uma ótima relação custo/benefício, troca rápida de molde e versatilidade. Com até seis cavidades de injeção e seis de sopro, produz desde 10 ml até 2,5 litros. “Na América do Sul, 30% das máquinas instaladas são desse modelo”, informa.

Plástico Moderno, Sopro de PET - Bom desempenho da resina eleva as vendas das sopradoras e das máquinas integradas
Destaque de vendas, a ASB 70 DPH produz frascos de boca larga

Também a ASB 70 DPH e a PF 8-4B se destacam nas vendas. A primeira é destinada em especial à produção de frascos de boca larga, mas é capaz de atender igualmente o mercado da ASB 50, para usuários que requeiram maior produtividade. A outra dispõe de variáveis que a habilitam a produzir frascos de até 10 litros.

A família de equipamentos integrados se desmembra em duas linhas: a ASB e a PF, esta última com sistema de reaquecimento por lâmpadas, que conferem melhor distribuição de material. “São conceitos de empregos diferentes: a velocidade de produção, a aplicação e o design da garrafa orientam o modelo mais adequado de máquina”, explica Guazzelli.

Para o gerente, um dos principais diferenciais dos equipamentos da Nissei refere-se à facilidade no controle de ajuste do processo por meio do condicionamento das pré-formas, o que permite soprar diferentes desenhos de frascos com uma mesma pré-forma.

O desafio da empresa será o de segurar o nível de expansão no mercado, mas a estratégia já foi definida: buscar novos nichos de atuação. Entre os principais mercados, os cosméticos têm mantido o ciclo de demanda em alta. Os outros, nem tanto. “Para manter o crescimento dos negócios planejamos investir em novas tecnologias e aplicações”, revela Guazzelli. Por novas tecnologias, ele se refere ao promissor nicho de cervejas.

A Aoki dispõe de equipamento que permite a pasteurização em túnel sem provocar alterações relevantes no processo de fabricação da cerveja. O processo, no entanto, ainda esbarra na questão econômica. Mas a empresa está buscando uma adequação para superar o obstáculo referente ao custo do frasco e torná-lo comercialmente viável.

Entre os últimos lançamentos, a empresa contemplou os usuários com um modelo totalmente elétrico batizado de 15 N, lançado na feira K. Como sua operação é livre de óleo, destina-se em especial às indústrias cosmética e médico-farmacêutica, muito exigentes quanto a contaminações.

O gerente promete mais novidades para o segundo semestre: uma injetora de pré-formas e uma sopradora. “Estão em fase de teste no Japão.” A sopradora de PET, de operação linear, dispõe de seis cavidades e complementa a atual linha, limitada até agora a quatro cavidades. A nova máquina poderá processar até 7.500 garrafas por hora.

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Indústria alemã presente no país há mais de quarenta anos e reconhecida por sua atuação no campo da termoformagem, a Himafe decidiu entrar no ramo do PET no mercado nacional há três anos. Fruto de uma parceria com a francesa Steca para transferência de tecnologia, a Himafe fabrica em suas instalações brasileiras, em São Paulo, injetoras para pré-formas e sopradoras.

O diretor-presidente, Erivaldo Bezerra, sugere a adoção de uma célula produtiva – uma injetora acoplada a três sopradoras –, o que permitiria ao transformador obter ganhos da ordem de 30% sobre as mesmas operações em separado. “As pré-formas chegam aquecidas na sopradora”, justifica. A empresa oferece cinco anos de garantia aos equipamentos.

A produção das pré-formas conta com um sistema de injeção de canal quente desenvolvido pela Steca que permite o controle de temperatura das cavidades do molde. Além disso, a injeção é controlada por sistema de agulha em cada bico injetor, o que evita desperdício de resina. Segundo informa o fabricante, o equipamento injeta até pré-formas com peso superior a 750 g.

No caso das sopradoras, o projeto modular constitui um diferencial. Versáteis, os equipamentos possibilitam a produção de variados formatos e volumes de garrafas. Além disso, a otimização e o ajuste fino dos módulos de aquecimento conferem às máquinas um baixo consumo de energia elétrica. Há cerca de seis meses, a linha passou por aperfeiçoamentos em seu sistema de aquecimento e de moldagem, propiciando melhor uniformidade da temperatura.

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