Sopro de peças técnicas: Indústria de automóveis investe no país e sinaliza alta nas vendas do setor

O sopro de peças técnicas se configura um universo bastante particular, como o próprio nome sugere. Pequeno, invariavelmente, trata-se de um mercado para poucos, mas que de uns tempos pra cá tem atraído cada vez mais consumidores. Grandes montadoras incluíram o Brasil na rota de seus investimentos e preveem a ampliação ou a construção de unidades fabris por aqui, o que deve estimular a demanda pelos produtos soprados, que vão muito além da frascaria.

Plástico Moderno, Soproval desenvolveu duto ressonador para o Up!, lançamento da alemã Volkswagen
Soproval desenvolveu duto ressonador para o Up!, lançamento da alemã Volkswagen

Sem dúvida alguma, o principal reduto desse tipo de produção é a indústria automotiva. Apesar de outros segmentos, como o hospitalar, o agroquímico, a construção civil e o alimentício, consumirem peças técnicas sopradas, os locais mais prováveis para encontrá-las são os automóveis. Os exemplos mais notórios ficam por conta dos tanques de combustível e dos dutos de ar, além dos reservatórios de água para para-brisa e para refrigeração.

“Uma peça técnica soprada é um produto oco, normalmente de formato irregular e diferente de uma embalagem normal. Essas peças são, muitas vezes, cheias de curvas e detalhes como presilhas e alças”, explica Newton Zanetti, diretor comercial da Pavan Zanetti. A gerente de marketing da Bekum do Brasil, Romi Kuhlemann, complementa esta definição de uma maneira bastante simples. “Peça técnica é tudo aquilo que foge da frascaria tradicional”, resume.

Outra maneira de visualizar esta categoria de produtos é sob a ótica do transformador. Neste elo da cadeia a definição do sopro técnico tem outro viés. Para Alex Valmir do Nascimento, gerente comercial e industrial da Soproval, pertencem a este segmento todos os produtos que demandam maior tempo de desenvolvimento, já que possuem características específicas, como resistência e precisão de medidas. Segundo Julcemar Dreher, supervisor de qualidade da Cipla, o alto grau de exigência dimensional do transformado, aliado à utilização de matérias-primas de alto desempenho, é determinante na caracterização da peça. “A necessidade de atendimento às características particulares de cada produto – muitos deles com geometrias complexas – torna este segmento ainda mais desafiador”, comenta Dreher.

Aliás, além dos desafios intrínsecos ao setor, este se desenha também, em alguns casos, pelos elevados custos de desenvolvimento e produção. “O que pode inviabilizar os custos do cliente”, acrescenta Vailton Carlos Bonfim, diretor comercial da Unipac. Dito isso, fica fácil entender por que a indústria de automóveis sobressai em termos de volume. Os investimentos são altos. “O mercado automotivo está cada vez mais absorvendo produtos e tecnologias direcionadas para redução de peso dos veículos, exigindo produtos de alto desempenho”, comenta Bonfim. Mas ele faz uma ressalva: a área hospitalar talvez seja a que mais exija peças dessa natureza. “Este segmento possui níveis de exigência ainda maiores”, compara.

Plástico Moderno, Romi atribui o aquecimento da demanda ao mercado automotivo
Romi atribui o aquecimento da demanda ao mercado automotivo

Nos autos – De qualquer maneira, são as montadoras estrangeiras (ver boxe) as responsáveis pelo aquecimento da demanda nacional do sopro de peças técnicas. “O segmento deve se consolidar nos próximos dois anos. Estão vindo muitas indústrias de automóveis para cá”, ratifica Romi. Não por acaso, na edição da Feiplastic de 2013, a Bekum destacou em sua apresentação um tanque de combustível de polietileno de alta densidade (PEAD) fabricado por sua sopradora BA-220. O artefato integrava o Fiat Cinquecento, novo modelo da montadora italiana. A ideia ali, além de mostrar o poderio tecnológico da máquina, era abrir o campo de atuação das sopradoras, evidenciando tudo aquilo que o processo pode desenvolver. “Muita gente não sabe que o sopro pode sair do tradicional”, observa.

A aposta no setor tem um porquê: a alta nas vendas. No momento, os modelos capazes de soprar este tipo de peça são os mais requisitados pelos clientes da Bekum do Brasil. “O país nunca consumiu tanto estas máquinas como agora”, comenta Romi. Ela atribui esse fenômeno à avalanche de montadoras de automóveis dispostas a ampliar e a iniciar sua produção por aqui e em países da América do Sul. Em tempo, a unidade brasileira da Bekum faz negócios com essa região.

As opções disponíveis pela fabricante alemã para atender a essa demanda são da linha BA. Trata-se dos modelos BA 220, BA 330 e BA 440. A diferença básica entre eles se refere somente à medida da peça soprada, sendo a 440 destinada a produtos maiores. Aliás, no Brasil, a sopradora mais vendida é justamente esta, enquanto, globalmente, o tamanho intermediário (BA 330) é o mais solicitado. A explicação passa pelo perfil de compra do transformador brasileiro. Aqui o industrial troca muito o molde, e a BA 440 permite que sejam sopradas peças menores também. “O equipamento é mais flexível. No Brasil, é necessário atender vários mercados com uma mesma máquina”, aponta Romi.

No entanto, o foco da empresa para este ano é outro. A fabricante vislumbra consolidar o lançamento da BA 25 D, apresentada pela primeira vez na edição da K de 2013. O modelo nada mais é do que uma nova versão da campeã em vendas da Bekum do Brasil, a BA 25. A novidade conta com estação dupla e é capaz de dobrar a produção da BA 25. Hidráulico, o modelo possui duas placas de fechamento que se movem horizontalmente em guias lineares e aceita moldes de até 800 quilos. Produzida no Brasil, a máquina foi projetada para atender o mercado mundial e é capaz de soprar galões desde vinte litros até trinta litros, o que, na concepção da Bekum, são peças técnicas.

Já há alguns anos, a sopradora de maior aceitação no mercado nacional tem sido a BA 25. Segundo a fabricante, o modelo é robusto, de fácil operação e de difícil depreciação. De estação simples, conta com válvulas proporcionais no fechamento do molde e é dotado de cabeçote com boa distribuição da parede, o que garante menos perda de material.

Não por coincidência, entre os anos de 2012 e 2013, a BA 25 foi um dos modelos mais vendidos pela fabricante no país, ao lado da BM 704 (para frascaria). Neste período a filial brasileira da Bekum bateu recordes, atingindo a marca de mais de trinta sopradoras comercializadas/ano – por tradição, na média, este volume é de vinte máquinas.

Tudo indica que esse volume crescerá ainda mais. Isso porque a BA 25 sopra a bombona arla, tendência anunciada para os próximos cinco anos. “Essa bombona é a sensação do momento; todos os fabricantes precisam ter uma máquina para soprá-la”, comenta Romi. Vale aqui dizer que este tipo de peça visa a atender à demanda de mercado gerada pela implantação da norma Proconve P7 (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores) – regulamentada pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente. O Arla 32 é um produto químico à base de ureia. Trata-se de um aditivo que, ao ser injetado no escape dos veículos a diesel, reduzirá quimicamente as emissões de gases provenientes do motor, liberando nitrogênio e vapor de água, que não são prejudiciais ao meio ambiente.

Embora seja vasto, o universo das peças técnicas restringe muito a participação dos fabricantes de sopradoras. Segundo Romi, no segmento, não existe concorrência para os desenvolvimentos da Bekum em âmbito local. “A máquina nacional não consegue produzir com a mesma tecnologia que nós. Competem conosco somente no ramo da frascaria”, diz. A saber, na Bekum, a produção de uma sopradora para aplicações técnicas, em média, demora entre dez e doze meses.

Em linhas gerais, a máquina deve ser robusta e contar com um cabeçote diferenciado, pois é este o acessório responsável pela precisão do processo, além de apresentar perfeição no corte (sem rebarba). Em outras palavras, estes são os recursos fundamentais para a eficiência da sopradora: cabeçote e controle de espessura confiáveis, molde especial, sistema de fechamento de alto padrão, e conjunto de extrusão adequado à matéria-prima a ser processada.

Plástico Moderno, Modelo HPZ 500 traz o que há de mais moderno na Pavan Zanetti
Modelo HPZ 500 traz o que há de mais moderno na Pavan Zanetti

Produção local – Sobre a competência das máquinas nacionais, a história não é bem assim. Ou melhor, há um outro lado. A tradicional fabricante de sopradoras de Piracicaba-SP, Pavan Zanetti, sai em favor dos produtores locais, e mostra o seu portfólio voltado para esta aplicação. A série mais atual para a fabricação de peças técnicas é a da sopradora por acumulação HPZ, com os modelos HPZ 200, HPZ 300 e HPZ 500. “Todas tiveram boa aceitação desde seu lançamento há quatro anos”, comenta o diretor comercial Newton Zanetti. O destaque é a HPZ 300, com tecnologia de sopro em 3D a vácuo, com moldes da Technical Blow Mould (TBM), ferramentaria de São Paulo. Segundo ele, com essa máquina foi possível fabricar dutos para o painel interno e para o motor do veículo, com curvas antes impossíveis de serem feitas sem uma quantidade imensa de sobras de processo. “A série HPZ é a mais moderna do portfólio”, diz.

Não se trata de um modelo comum. Para atender o segmento de peças técnicas, as sopradoras precisam permitir a incorporação de vários recursos, além de apresentar flexibilidade de software capaz de disponibilizar a padronização de alguns comandos e funções de acordo com cada molde. Normalmente, conforme explica Zanetti, são máquinas básicas de sopro por acumulação com alguns opcionais, como acionamento de gavetas para moldes, elementos para furação do produto direto dentro do molde, sistemas para trabalho em moldes 3D a vácuo e softwares específicos para esses trabalhos. Ele conta que uma questão crucial é o molde; este deve ser construído com tecnologia específica. Nascimento, da Soproval, vai além. Para ele, se a ferramenta for bem construída tecnicamente, funcionará como a grande responsável pela aceitação do produto transformado. “No fim, 50% de uma peça com qualidade depende do molde”, comenta.

Por conta da complexidade das peças e das exigências do setor, o fabricante precisa ter muito know-how e capacidade técnica apurada e comprovada. “É comum empresas solicitarem a adequação de suas máquinas para essa atividade e prestamos esse tipo de assessoria também”, comenta Zanetti.

Plástico Moderno, Modelo HPZ 500 traz o que há de mais moderno na Pavan Zanetti
Modelo HPZ 500 traz o que há de mais moderno na Pavan Zanetti

Na avaliação do diretor, o mercado consumidor de peças técnicas sopradas, no entanto, não engloba muitos consumidores, mas é para grandes companhias. “As exigências da indústria automotiva são severas”, diz. É preciso o aval de órgãos certificadores e qualidade comprovada na confecção das peças, além de garantia de produção just in time.

Ele sabe do que está falando. A Pavan Zanetti possui modelos para a produção de tanques de combustível, porém sem a tecnologia coex, mas oferece ao transformador máquinas com cabeçotes importados da fabricante alemã Müller. “Provavelmente o melhor do mundo nesse setor”, afirma o diretor. Para o segmento de monocamada, disponibiliza o modelo HPZ 500 e máquinas da série HDL por acumulação com capacidade de até 270 litros de volume para tanques automotivos – no caso de caminhões, o modelo é o HDL 220L.

Com a modernização promovida recentemente em seu parque fabril, a empresa conseguiu melhorar a área dedicada aos projetos especiais. A engenharia está sendo ampliada e a fábrica expandiu sua capacidade produtiva não somente para o setor de autopeças, mas também para máquinas destinadas à produção de embalagens plásticas. “Hoje temos maiores condições de atender a um pleito especial (que sempre aparece no caso de autopeças) de forma mais rápida e técnica”, conclui Zanetti.

Transformados – “A Soproval hoje utiliza somente máquinas nacionais no processo de sopro de peças técnicas”, afirma Alex Valmir do Nascimento, da Soproval. Para ele, os equipamentos disponíveis estão bem nivelados, a grande diferença está em quem os opera. Na empresa, localizada em Valinhos-SP, 10% do parque fabril é dedicado ao segmento de peças técnicas sopradas. Mas a ideia é ampliar esse percentual. “É um segmento que estamos retomando, e temos grandes perspectivas para os próximos anos”, anuncia. Hoje a área representa menos de 10% do faturamento.

No catálogo de produtos, os destaques ficam por conta do reservatório para uma linha de máquinas de lavar por pressão e de um duto ressonador, encomendado pela Volkswagen para o seu lançamento, o modelo Up!. “No decorrer deste ano deveremos lançar novos produtos destinados principalmente ao segmento automotivo”, afirma Nascimento.

O parque fabril da Cipla, de Joinville-SC, engloba máquinas nacionais e importadas. A avaliação de Julcemar Dreher, supervisor de qualidade da Cipla, é semelhante à de Nascimento. Para ele, o produtor local está apto a atender à demanda do setor, desde que o transformador especifique as características que a sopradora deve ter. De modo geral, independentemente do tipo de máquina, os componentes eletromecânicos devem ser confiáveis para permitir repetibilidade do processo, eliminando o máximo de variação possível. Na operação, o controle é fundamental.

Outro componente importante é o conjunto extrusor, que poderá exigir diferentes geometrias de rosca de acordo com a matéria-prima empregada. Por conta disso, é comum a confecção de máquinas dedicadas a determinado produto ou linha. “Além do know-how, a equipe técnica deve possuir domínio do processo e estar alinhada com o cliente”, comenta Aristides Marcial Cardoso, analista de materiais e processos da Cipla. Em tempo, a fabricante está há mais de 50 anos no mercado e possui certificação ISO TS-16949/2008.

Não por acaso, a Cipla tem uma estrutura dedicada a este segmento, que responde por um terço do seu faturamento. Para o mercado automotivo, a empresa produz vários itens, com destaque para os reservatórios dos sistemas de arrefecimento de veículos pesados, como os dos caminhões da Mercedes-Benz, e dutos para sistemas de admissão de ar de veículos leves e pesados de várias montadoras.

Foco na inovação – Não por acaso, a categoria de soluções técnicas sopradas foi responsável pelo surgimento da Unipac, hoje considerada uma das maiores empresas da transformação nacional. A fabricante produziu o primeiro pulverizador de plástico fabricado no país, no caso, pela Máquinas Agrícolas Jacto, substituindo o de metal. “O espírito inovador da empresa fez com que atuássemos em outros mercados”, diz Vailton Carlos Bonfim, diretor comercial da Unipac. Em tempo, a Unipac faz parte de um grupo composto por: Jacto Agrícola, JactoClean, Rodojacto, Ferramentaria Jacto, Fundição Jacto, Veículos Jacto, Mizumo e Sintegra Surgical Sciencies.

Em prol dessa postura visionária, a companhia se antecipou à tendência e há um ano produz os tanques para acondicionamento do Arla 32. “Neste segmento somos pioneiros no mercado nacional”, orgulha-se Bonfim. As peças atendem à norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) NBR ISO 22241 e, com base em seus requisitos, as embalagens passaram por criteriosos testes, como de queda, dimensional, empilhamento, compatibilidade com o aditivo e de segurança do veículo e do condutor.

O pioneirismo não é de hoje. Na década de 80, a empresa foi responsável pelo primeiro desenvolvimento e fabricação de tanques plásticos para caminhões e ônibus no Brasil (peças de 210 litros cilíndricas). A companhia fornece ainda tanques com capacidade de 100 litros a 590 litros, adequados para o uso de diesel. “No Brasil, é nosso o maior tanque de combustível produzido pelo processo de sopro para aplicação em caminhões”, acrescenta Bonfim.

Plástico Moderno, Unipac destaca bombona para acondicionar o Arla 32
Unipac destaca bombona para acondicionar o Arla 32

A lista de produtos da Unipac é ampla. São tanques de combustíveis, tanques para arla, dutos automobilísticos, bombonas coex para agroquímicos, e frascos coex para alimentação enteral. Hoje este processo é responsável por cerca de 50% do portfólio em peças sopradas. Fundada em 1976, a empresa conta com parques industriais instalados em São Paulo, nos municípios de Pompeia (matriz), Santa Bárbara d’Oeste (filial), Regente Feijó e Paulínia (unidades in house). Dedicadas à área de soluções técnicas, há diversas máquinas (nacionais e importadas) com tecnologia de ponta capazes de soprar até mil litros. “Também contamos com colaboradores qualificados para o desenvolvimento do produto, do processo, da qualidade e da operação”, conclui Bonfim. Aliás, na avaliação do diretor, para atuar neste segmento, o mais importante é investir nas pessoas. Ok, moldes representam um ponto crucial do negócio, como já dito, mas, para ele, antes da concepção ou da entrada em produção, há uma equipe composta de pesquisadores, engenheiros, técnicos, especialistas e operadores; e esses profissionais trabalham em sintonia para garantir toda a operacionalização, desde a entrada de matéria-prima até a saída do produto acabado.

Ferramentaria especial – Voltando aos moldes, seleto, o mercado de peças técnicas é ainda mais restrito neste campo. “No mundo há cerca de dez empresas do ramo”, comenta Manoel Paiva, diretor da Technical Blow Mould (TBM). Isso porque trata-se de um setor muito exigente, no qual certificações não são adereços, mas sim passaportes para atender às exigências do setor de autopeças, principal cliente das ferramentarias, consideradas especiais. Segundo Paiva, o molde é bastante difícil de ser confeccionado, e pressupõe muita experiência do fabricante. “Tenho quarenta anos no ramo”, argumenta. A saber, um molde para peça técnica emprega 120 dias de mão de obra, enquanto um comum despende metade desse tempo para ser feito.

Plástico Moderno, Paiva: molde para duto de ar embute tecnologia inédita
Paiva: molde para duto de ar embute tecnologia inédita

Um dos pormenores do segmento se refere ao fato de que cada autopeça tem suas próprias normas e rigorosos controles de qualidade. Aliás, a complexidade da ferramenta engloba muitas especificidades. A matéria-prima utilizada tem de ser certificada – no caso da TBM, 90% do material é alumínio especial (importado). Na fábrica, todas as máquinas de usinagem também são importadas.

Nos últimos três anos, a empresa investiu 2,5 milhões de reais. Entre suas ambições, está a de alcançar o mercado externo. Hoje as exportações giram em torno de apenas 2% da produção. A meta é chegar a 30%, em dois anos.

Mas para se consolidar ainda mais em território nacional, a TBM desenvolveu, com ineditismo para o país, o processo Blow Mould Vacuum and Vacuum Computerized System. Um de seus diferenciais está na aptidão do sistema para não deixar rebarba na peça. “A qualidade da aparência chega praticamente à perfeição”, comenta o diretor. O projeto neste primeiro momento serve à fabricação de dutos de ar limpo e de ar sujo. Mas o molde também pode atender a outras indústrias, como a linha branca e a área médica. “Com este tipo de molde é possível fazer qualquer perfil”, exemplifica.

O processo sobressai ainda por permitir a mínima variação de espessura e pelo baixo tempo de ciclo. Como a ideia é substituir a borracha injetada, vale uma comparação. Um duto plástico soprado neste tipo de molde demanda 35 segundos, enquanto a borracha injetada consome aproximadamente dez minutos, conforme estimativa de Paiva. Um dos pontos essenciais para alcançar essa eficiência está na perfeita sintonia entre o software da sopradora e o sistema de bomba a vácuo do molde.

Plástico Moderno, Paiva: molde para duto de ar embute tecnologia inédita
Paiva: molde para duto de ar embute tecnologia inédita

Também motivo de orgulho para Paiva é a construção de ferramentas para tanques de combustível com parison coextrudado com seis camadas (PE virgem, PE reciclado, adesivo, EVOH, adesivo e PE virgem). Trata-se, na sua avaliação, de uma grande tendência, pois esta tecnologia é utilizada para evitar a emissão de gases. “Só países menos desenvolvidos utilizam tanques monocamadas”, comenta. No catálogo de produtos, o carro-chefe são os moldes para tanques de combustível.

A TBM, além do molde, oferece a linha de acabamento: corta, estampa, fura, solda por hot plate e faz o teste de estanqueidade. “Tenho o controle de todo o processo”, comenta o diretor. O motivo? Ele explica: o mercado de peças técnicas é um mundo particular, a qualidade está acima de tudo, não pode existir erro de jeito nenhum. Até por este motivo, ele faz uma ressalva. Falar de qualidade não é balela ou um mero discurso dos profissionais do marketing. Ou seja, os rigorosos critérios impostos pelo mercado não são à toa e, portanto, para atuar na área é preciso ter muita seriedade e conhecimento. “Hoje vejo aventureiros por aí que acham que fazem moldes para peças técnicas. Só acham, mas não fazem”, afirma.

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O setor automotivo anunciou investimentos no Brasil de R$ 75,8 bilhões até 2017 para a construção de novas fábricas, ampliação e modernização das já existentes, segundo informou a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Com a saturação do mercado europeu, o país se tornou celeiro para as montadoras estrangeiras.

Marcas renomadas confirmaram recentemente a construção de fábricas e ampliações da sua produção para os próximos anos por aqui. A Honda acaba de anunciar o assentamento da pedra fundamental da sua segunda fábrica no país, em Itirapina-SP – a primeira está localizada em Sumaré-SP. Em dezembro do ano passado, a BMW apresentou o plano de construção da sua primeira unidade produtiva na América do Sul. Com capacidade para abastecer o mercado com 32 mil carros/ano, a planta da montadora alemã deverá ser inaugurada em outubro, em Santa Catarina.

Ainda em 2014 também estará pronta a fábrica da japonesa Nissan. Em fase final de construção, entrará em funcionamento, em Resende, no Rio de Janeiro, assim como a nova unidade produtiva da italiana Fiat, que deverá ser inaugurada até o final do ano em Goiana-PE.

A montadora alemã Audi também endossa esse movimento com a construção de uma fábrica em São José dos Pinhais-PR, prevista para entrar em operação no ano que vem. Entre os investidores pertencentes à esfera dos automóveis de primeira linha figuram ainda a Jaguar Land Rover – a inauguração da sua unidade produtiva está agendada para 2016, no Rio de Janeiro; e a Mercedes-Benz, com sua fábrica, onde irá produzir veículos de passeio em Iracemápolis-SP, a ser inaugurada daqui a dois anos.

O Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores (Inovar-Auto) tem sido considerado o principal propulsor dessa onda de investimentos. Em linhas gerais, o programa incentiva a fabricação de automóveis ao promover a desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em até 30%, para empresas que estimulem a inovação, a pesquisa e o desenvolvimento no país.

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