Sopro – Cadeia produtiva estimula reciclagem

Plástico Moderno - Cadeia produtiva estimula reciclagem ©QD Foto: iStockPhoto

Toda a indústria do plástico trabalha forte para perder a imagem de vilã que ganhou quando o assunto é defesa do meio ambiente. A reciclagem surge como saída para reverter o modo como o setor é visto e no mundo todo proprietários das grandes marcas de produtos dos mais variados segmentos assumem metas ambiciosas de redução de resíduos.

A indústria voltada ao sopro não foge à regra. A estimativa atual é que em todo o mundo a reciclagem do sopro atinge 22% das peças produzidas. Esse número varia em cada região. Na Europa, onde os consumidores são a cada dia mais exigentes, ele chega aos 46%. Nas Américas, se encontra na casa dos 21%. Ásia e Pacífico reciclam 13% dos soprados e na África e Oriente Médio o índice cai para 13%. Há muito o que evoluir.

Ronaldo Bollineli Gomes, engenheiro do serviço técnico de desenvolvimento da Braskem, aponta alguns dos principais desafios da reciclagem de soprados no Brasil. Não faltam obstáculos. Alguns são bem conhecidos: a legislação precisa ser aperfeiçoada, o país é continental e há dificuldades de logística, os consumidores precisam ser educados para se comportar de maneira adequada. Também é preciso aprimorar a coleta e efetuar a separação dos resíduos de maneira mais eficiente.

O compromisso da Braskem é de fazer com que 100% das embalagens de plástico produzidas com as matérias-primas fornecidas pela empresa sejam reutilizadas, recicladas ou recuperadas até 2040. Um dos itens importantes para se atingir a meta é o investimento no lançamento de grades mais fáceis de serem reciclados e/ou que aproveitem material pós-consumo em suas formulações. A empresa também possui linha de produtos verdes, obtidos a partir da cana-de-açúcar. Um destaque entre as resinas amigáveis da empresa é o DA 055 A, copolímero que conta com 70% de material pós consumo e 30% de material verde.

“O PET é o plástico mais reciclado em todo mundo e o Brasil é um dos líderes em diferentes aplicações para o PET reciclado”, informa Auri Marçon, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet). Para ele, essa tendência mostra que as empresas estão aderindo às preferências mundiais dos consumidores, que veem com bons olhos as empresas que colocam em suas estratégias conceitos de economia circular e de ESG, sigla adotada para os investimentos baseados em sustentabilidade. O presidente da associação destaca a importância dos recicladores. “Há 10 anos, tínhamos apenas três empresas recicladoras homologadas pela Anvisa para produção de PET pós-consumo com grau alimentício, e hoje são mais de dez. Os principais recicladores de PET são associados da Abipet e mantêm altíssimo nível de qualidade. Eles atendem as exigências de grandes multinacionais e marcas mundiais como Coca-Cola, Ambev, Unilever, Natura e outras, abastecendo-as com regularidade. Muitas vezes, exportam o produto final reciclado para outros países, inclusive atendendo exigências do FDA nos Estados Unidos”, finalizou.


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