Sopradoras – Setor encolhe e fabricantes de máquinas convencionais apostam no mercado de PET

Plástico Moderno, Sopradoras - Setor encolhe e fabricantes de máquinas convencionais apostam no mercado de PET

Quem procurou por máquinas sopradoras na 12ª edição da Brasilplast não precisou andar muito. Dava para contar nos dedos de uma das mãos o número de expositores desse segmento que marcaram presença, de 4 a 8 de maio, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo. E, surpreendentemente, uma das poucas novidades estava no estande da Romi, tradicional fabricante de injetoras.

 

O fato exemplifica o processo de reestruturação do setor de sopradoras, que começou há alguns anos, e que envolve a fusão e aquisição de empresas, a saída de outras, e a reorganização de grandes do ramo, como a Bekum, que até o ano passado era considerada a segunda maior, mas que ficou fora da exposição.

A Romi, que já havia adquirido a J.A.C., anunciou a compra da DigMotor e a entrada no mercado de sopro de PET. Tanto a Romi quanto a Pavan Zanetti, esta sim mais conhecida por suas sopradoras, mostraram-se otimistas com o potencial do mercado de embalagens de PET. A Kal Internacional, representante da norte-americana Jomar, também apresentou novo modelo para fabricação de frascos por injeção-sopro, o M-135. A nacional Pintarelli reformulou a linha para tornar-se mais competitiva nos nichos em que atua.

O PET, consagrado no envase de refrigerantes e águas minerais, avança a passos largos nos segmentos de cosméticos, higiene

Plástico Moderno, Sopradoras - Setor encolhe e fabricantes de máquinas convencionais apostam no mercado de PET
Linha para PET comporta quatro cavidades por molde e sopra até 6 litros

e limpeza e produtos alimentícios, entre outros, impulsionando o sopro de pré-formas e criando uma lacuna tecnológica para os médios e pequenos transformadores, que buscam alta produtividade em pequenas e médias escalas de produção. É nesse nicho que Pavan e Romi estão de olho.

O primeiro passo da Romi para consolidar-se no mercado de sopro ocorreu com a compra da J.A.C., em janeiro de 2008. Um ano depois, adquiriu a empresa DigMotor, de São Carlos-SP, e iniciou a produção da linha de sopradoras para pré-formas de PET, apresentadas na Brasilplast. Os investimentos fazem parte da estratégia de crescimento da Romi que angariou no mercado financeiro R$ 230 milhões para aquisições em diversas áreas.

Além de ampliar sua participação no Brasil, com a entrada em novos nichos, a Romi também prepara o seu processo de internacionalização, marcado pela aquisição da

Plástico Moderno, Fabio Seabra, diretor da unidade de máquinas para plásticos, Sopradoras - Setor encolhe e fabricantes de máquinas convencionais apostam no mercado de PET
Seabra realçou a excelente relação custo/benefício da nova máquina

italiana Sandretto.

De acordo com o diretor da unidade de máquinas para plásticos, Fabio Seabra, outras novidades são aguardadas, mas não revelou os mercados-alvo.

A linha Romi PET é composta por cinco modelos para uma, duas e quatro cavidades de sopro e produção de embalagens de 1,5 a 6 litros. Na avaliação de Seabra, a estratégia agrega três benefícios imediatos para o mercado brasileiro: a fabricação seriada e em escala industrial; o controle de todo o processo de manufatura da sopradora, desde o fundido até o produto final; e a estrutura de assistência técnica e pós-venda da Romi. “O resultado é uma máquina de excelente custo/benefício”, afirmou.

No estande, o modelo 230 produzia garrafas com capacidade para 1 litro de óleo comestível, com molde de uma cavidade. A capacidade estimada é de 2.500 garrafas/hora. “Trata-se de equipamento compacto em uma construção monobloco robusta e precisa, com alta produtividade, em processo 100% automático”, disse Seabra.

Entre as demais características, o diretor cita ainda o baixo nível de ruído, a alimentação automática e o aquecimento por meio de lâmpadas com irradiação de luz infravermelha. “Nosso foco é disputar o pequeno e médio produtor, oferecendo-lhes a estrutura Romi de pré e pós-venda, com atendimento individualizado e diferenciais importantes, como o financiamento.”

Convencional – No segmento de sopradoras, a empresa apresentou também a linha Romi JAC Compacta. Um dos destaques foi o modelo Romi 5TD com cabeçote duplo de 240 mm e extrusor de 90 mm para produção de galões de 5 litros de capacidade. “Permite a moldagem com até oito cavidades em cada estação de até 520 mm de largura”, explicou o gerente-comercial de sopradoras para plástico da Romi, Cristiano Cava.

De acordo com Cava, o modelo garante alta velocidade nos movimentos, controlados por meio de uma unidade hidráulica superdimensionada e de fácil acesso. “O controle geral da máquina é feito por meio de um CLP Moog e programador de parison de 128 pontos, resultando em um controle detalhado da peça a ser soprada, garantindo alta qualidade do produto final.”

Plástico Moderno, Newton Zanetti, diretor, Sopradoras - Setor encolhe e fabricantes de máquinas convencionais apostam no mercado de PET
Zanetti também destacou uma sopradora para o mercado de PET

A linha Compacta é composta por quatro modelos de estação simples e mais quatro versões de dupla estação, cujas capacidades volumétricas variam de 3 a 10 litros. Um dos destaques do estande da Pavan Zanetti foi a sopradora para pré-formas de PET, série PZX, equipada com CLP Mitsubishi, sistema pneumático da Festo e válvulas de sopro Norgreen. “Possui alimentador automático de pré-formas e sistema de aquecimento por seções verticais”, afirmou o diretor Newton Zanetti.

De acordo com informações do fabricante, o sistema de fechamento da unidade porta-molde é acionado por cilindro pneumático, com braçagens de cinco pontos. “Garante alta velocidade e grande força de fechamento.” A série é composta por modelos com capacidades variando de 500 ml até 10 litros, e produção de até 4 mil frascos por hora (500 ml), a exemplo do modelo JS 4000, em operação no estande.

Na avaliação de Zanetti, o custo do PET impulsionou a migração de diversos nichos de aplicação para a resina. “Isso ocorre há alguns anos, mas tende a se estabilizar”, avaliou. Segundo ele, a empresa possui mais de 30 máquinas em operação nesse segmento, a maior parte produzindo frascos para o envase de água mineral e produtos de higiene e limpeza. Para complementar a linha, a Pavan Zanetti também fornece injetora de pré-forma, por meio de parceria com um fabricante chinês.

Na Brasilplast, apresentou ainda as sopradoras da linha Bimatic. O modelo BMT 5.6 D/H, com mesa dupla e totalmente automatizada, soprou frasco de 500 ml para lubrificante com visor de nível com polietileno de alta densidade (PEAD). “Alcançou 2.400 frascos/hora, com quatro cavidades em cada estação”, ressaltou Zanetti.

A sopradora BMT 5.6 S/H, com mesa simples, operou com molde de uma cavidade e soprou, por hora, 240 bombonas. A peça com capacidade para 5 litros pesava 150 gramas e foi moldada de PEAD. Representando a linha de combate, com máquinas de automação mais simplificada e custo mais acessível, a Pavan expôs o modelo BMT 3.6 S, produzindo frascos de 500 ml. A peça soprada, também de PEAD, pesou 25 gramas.

Mercado – De acordo com Zanetti, as perspectivas apresentadas pela Brasilplast foram boas, embora o mercado ainda esteja abaixo do esperado. “Os três últimos meses de 2008 foram os piores. Embora existam sinais de recuperação, acho difícil alcançar os resultados do ano passado, quando o mercado registrou crescimento em torno de 5%”, avaliou.

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Fabricante assegura operação ágil e grande força de fechamento

A Pavan Zanetti também viu recuar a participação das exportações. A média passou de 30% da produção para 10%. As importações brasileiras de sopradoras ainda não preocupam. A indústria nacional absorve o maior volume da demanda, estimada entre 220 e 250 unidades/ano. Nas contas de Zanetti, em 2008 esse número não superou as 180 máquinas.

Sem arriscar os números de 2009, os especialistas do setor esperam a retomada das vendas e a gradativa recuperação dos investimentos ao longo do ano. “A crise internacional e a falta de crédito no mercado resultaram numa recuada geral desde outubro do ano passado, mas achamos que já há bons sinais para uma retomada ainda em 2009”, afirmou o sócio-gerente da Kal Internacional, Hans Lüters. A empresa, de Bragança Paulista-SP, representa a norte-americana Jomar no Brasil desde 1997.

O desempenho da Brasilplast também ficou além do estimado em virtude do panorama atual do mercado. “Inicialmente, estávamos com dúvidas, mas especialmente a qualidade das visitas nos surpreendeu. A quantidade, porém, foi menor em relação à edição anterior, em 2007. Estamos trabalhando em diversos projetos novos e alguns reativados do ano passado.”

A Jomar fabrica desde sopradoras convencionais por extrusão, com modelos entre 1 e 25 litros de capacidade, até as máquinas injection-blow (injeção-sopro) para produção de frascos farmacêuticos, roll-ons de uma peça só, potes cosméticos e outros. “Opera com todo tipo de termoplástico”, ressaltou.

O destaque ficou por conta da nova máquina de injeção-sopro híbrida, o modelo M-135, cujo principal apelo refere-se à redução no consumo de energia elétrica da ordem de 35%. “Isso é muito importante, se considerarmos que o modelo convencional já consumia aproximadamente 33% menos energia que um modelo similar da concorrência”, garantiu Lüters.

Os principais nichos de atuação da Jomar no Brasil são em embalagens para cosméticos e farmacêuticos. “Atendemos a uma pequena parte do mercado de PET, já que o processo de injeção-sopro opera muito bem com todos os termoplásticos.”

A Kal Internacional também divulgou na Brasilplast as impressoras serigráficas da Kammann para embalagens plásticas e de vidro, cilíndricas, ovais, planas e cônicas, como frascos, copos, potes, garrafas, bisnagas, tampas e similares. “São máquinas automáticas lineares e CNC, de uma até dez cores, com capacidades entre mil e 12 mil frascos por hora, trabalhando principalmente com tintas de cura UV.”

Plástico Moderno,Carlos Alberto Pintarelli, diretor, Sopradoras - Setor encolhe e fabricantes de máquinas convencionais apostam no mercado de PET
Pintarelli ressaltou em sua máquina o baixo consumo energético

Reduzir o consumo de energia elétrica também foi o objetivo da Pintarelli. Ao reestruturar sua linha de máquinas, a empresa buscou ainda melhorar a relação custo/benefício dos equipamentos, segundo informações do diretor Carlos Alberto Pintarelli. A empresa fabrica três séries de sopradoras, Starmak, Versátile e Soprática, com capacidades para até 8, 6 e 5 litros, respectivamente, desde 2005. “São linhas complementares com preços e construções diferenciados”, afirmou.

As duas primeiras possuem versões com mesa simples e dupla. A Soprática tem duas versões, ambas com mesa simples, e podem ser hidráulicas ou pneumáticas. Dedicado à produção de pequenos frascos, o novo modelo pneumático visa a reduzir o custo e o consumo de energia, além de facilitar e simplificar a manutenção.

Assim como a Soprática, a linha Versátile também estava no estande. O modelo possui cabeçote que permite fabricar frascos com capacidade para um litro, em três cavidades; dois litros em duas cavidades e bombonas de cinco litros em uma cavidade. “Trata-se de equipamento de baixo custo inicial que garante boa produtividade e baixo consumo de energia elétrica”, disse o diretor da área técnica, Sérgio Pintarelli.

As máquinas são projetadas com saída frontal ou lateral orientada; mesa de sopro montada sobre guias lineares, cabeçotes exclusivos no modelo 3.2.1, e acionamento da rosca por motor de alto rendimento e redutor do tipo pendular com acoplamento direto, com variação de velocidade por inversor de frequência e resistências elétricas isoladas.

Com capacidade para fabricar 25 sopradoras por ano, a Pintarelli está confiante na recuperação do setor. “Se alcançarmos os índices de 2008, ficaremos satisfeitos”, afirmou Carlos Alberto. Segundo ele, a Brasilplast prospectou novos negócios e, certamente, vai influenciar nos resultados comerciais de 2009.

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