Sopradoras – Novos desenvolvimentos incorporam sofisticação aos processos e ampliam aceitação dos moldadores

A transformação brasileira na área do sopro convencional absorve ao ano 220 máquinas, segundo estimativas do setor. Essa é a soma da produção das três mais importantes fabricantes nacionais: Pavan Zanetti, responsável por 130 sopradoras anuais; Bekum, 40; e as 50 restantes são da Indústrias Romi, que adquiriu a J.A.C. Metalúrgica Industrial, recentemente. Mas esse mercado vai além desses números; a tecnologia está cada vez mais sofisticada. Transformadores e fabricantes de máquinas têm falado a mesma língua, na medida em que se esmeram para o aumento da automação e da produtividade dos novos desenvolvimentos. As tendências anunciadas confirmam isso, pois seguem na direção dos modelos coex e das máquinas sem unidade hidráulica.

O consumo de polietileno de alta densidade (PEAD) e do polipropileno (PP) é um bom indicador para configurar o mercado do sopro convencional. O diretor da Techne Technipack Brasil, Valdemar Salles Filho, divulgou dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) e da petroquímica Braskem, segundo os quais o setor terá alguns motivos para apostar no seu avanço em volume, isso sem considerar, por enquanto, os efeitos do agravamento da crise mundial. As perspectivas apontam para o aumento do consumo aparente (soma da produção com as importações, menos as exportações) de PEAD de 805 mil t (previsão para este ano) para 833 mil t, em 2009. Em relação ao PP, também haverá incrementos: de 1.287 mil t para 1.336 mil t, no mesmo período de comparação.

Para se ter uma idéia do reflexo desses números no bolso tanto do fabricante de máquinas quanto do transformador, vale lembrar que o sopro representa 40% do mercado do PEAD; no PP, o índice é inferior, no caso, de 6%, pois a injeção lidera, absorvendo 33% da demanda dessa resina.

O sopro, como um todo, tem vivido um momento de importantes investimentos, voltados para o aumento de capacidade e a ampliação dos recursos aplicados às fábricas. Os novos desenvolvimentos têm incorporado melhorias no desempenho dos processos e dos transformados, com o objetivo de fabricar embalagens leves e ao mesmo tempo resistentes, além de tecnologia para elevar a produtividade e o controle sobre os resultados, sobretudo, com a adoção, cada vez maior, da automação, gerando processos mais limpos e menos agressivos ao ambiente.

Ecológico – O conceito de sustentabilidade propagado na indústria à exaustão tem eco no mercado de sopradoras de outras maneiras também. As resinas recicladas ganham espaço a cada dia, a ponto de 70% da produção da empresa de transformação Loop, de Limeira-SP, resultar desse tipo de material. A maior aceitação se dá em aplicações específicas, em geral, aquelas destinadas para embalagens de fluidos de freio e de lubrificantes. De acordo com o diretor de marketing e negócios da Loop, Daniel Antonio Pereira, nos últimos cinco anos, muitos consumidores da resina virgem migraram para o reciclado, em virtude da alta dos preços das petroquímicas e da profissionalização da indústria de recuperação, agora, com mais qualidade. Em média, para o cliente, a embalagem feita de resina reciclada sai pela metade do preço da 100% virgem.

O uso do material recuperado deverá crescer, e com ele a demanda pela tecnologia coex. Pelo menos essa é a aposta da fabricante de máquinas de origem alemã Bekum do Brasil, localizada em São Paulo. “Esse é o nosso mercado mais forte e é a próxima tendência do sopro”, avisou o gerente de vendas Wilson Salgueiro. Trata-se da fabricação de embalagens com mais de quatro camadas; variações ficam por conta dos tipos biex (duas camadas) e triex (três). A confiança da companhia está na procura por parte do setor automobilístico, na área de tanques de combustíveis. No exterior, exigem a co-extrusão para esta aplicação.

O aumento do uso do reciclado seria a segunda razão do sucesso dessa tecnologia. Em um futuro próximo, as portas do setor para as máquinas coex e suas variações estarão abertas, ou melhor, segundo Salgueiro, escancaradas, para embalagens com a estrutura sanduíche, na qual se utiliza uma camada de resina reciclada entre dois materiais virgens. Essa seria a bola da vez, em tempos de conscientização ecológica e alta sucessiva do preço das resinas. Por isso, a Bekum vem trabalhando ainda mais no cabeçote de suas máquinas coex (fabricado hoje na Alemanha), pois este deve necessariamente ser diferenciado para processar a estrutura.

Esse projeto não deverá esbarrar na falta de conhecimento técnico ou coisa que o valha. A preocupação recai no custo, ainda alto, por falta de escala. Há mais ou menos um ano e meio, o mercado começou a esboçar com mais afinco a intenção de consumir este tipo de máquina, mas a demanda nacional não instiga muitos transformadores a fazer investimentos na área.

A Loop é um exemplo; fabrica apenas embalagens do tipo monocamada. A escolha tem a ver com a idéia de Pereira de que os produtos coex se voltam para um mercado seleto, pois a máquina, em média, custa o dobro de uma mono. Mas não é só este o empecilho: ainda há a capacidade ociosa para essa tecnologia no Brasil, ou seja, a escassa procura não justificaria o investimento. Pereira entende também esse tipo de tecnologia sob outra ótica, segundo sua estimativa, a coex gasta 30% de energia a mais, se comparada a um modelo tradicional.

Na própria Loop, no entanto, há outras amostras de sua conscientização ecológica. A companhia fez uma parceria com a Petrobras e a empresa de geradores Stemac de forma que viabilizasse a utilização de geradores alimentados por biodiesel, no horário de pico de funcionamento da fábrica (entre 17 e 20 horas). “Com isso, saímos do ciclo do petróleo e ainda temos o apelo de energia renovável”, comentou o diretor de operações da Loop, José Odécio de Nadai.

A Soproval Embalagens Plásticas, de Valinhos-SP, também cumpre seu papel neste sentido. O seu diretor Sergio Monteiro mudou neste ano de instalações e priorizou a possibilidade de melhorar a qualidade dos produtos e de trazer para a fábrica um novo conceito de gestão, no caso, aos moldes do que é ambientalmente aceito. Por isso, na hora da compra, Monteiro afirmou que opta por uma máquina de menor impacto ao ambiente, mesmo se o seu preço for superior ao de outro modelo. Essa postura reflete outros quesitos dentro da companhia, como o reaproveitamento da água da chuva, o uso da energia solar e a retirada de garrafões quebrados, na fábrica do cliente, para a revenda e posterior recuperação.

Plástico Moderno, Valdemar Salles Filho, diretor da Techne Technipack Brasil, Sopradoras - Novos desenvolvimentos incorporam sofisticação aos processos e ampliam aceitação dos moldadores
Salles aposta na procura por modelos sem unidade hidráulica

Tendências – Se existe um certo consenso em relação aos projetos ecológicos, o mesmo não acontece no tipo de tecnologia aplicada às máquinas. Esse é o caso das sopradoras elétricas, ou seja, sem unidade hidráulica (por alguns chamadas de mecatrônicas). Na Loop, reconhece-se sua precisão e a alta velocidade do processo, além da economia de energia, porém sua aquisição não ocorreu, por causa do custo. “O preço ainda é alto, sobretudo porque falta escala e não há produção local”, comentou Nadal. Se depender da Bekum, esse cenário se manterá por algum tempo. Sem a pretensão de fabricar no país esse tipo de sopradora, a companhia prevê essa possibilidade para daqui a cerca de cinco anos. “No Brasil, podemos fornecer, mas por encomenda”, disse Salgueiro, em alusão às elétricas.

O mesmo pensamento não se dá na fabricante italiana de máquinas Techne. Segundo Salles, apesar das sopradoras hídráulicas absorverem 100% do mercado, existem fortes indícios da sua abertura para os modelos mecatrônicos. “Quem fabrica, e mesmo quem ainda não entrou nesse setor, aposta ou apostará em breve no tipo”, afirmou. Ele confia nas características dessa máquina, pois abarca algumas das principais exigências atuais do transformador: o mínimo consumo energético e a redução do custo de produção. A Techne lançou o modelo mecatrônico Advance (ADV), na feira alemã K, no ano passado. Estudo comparativo entre a máquina de seu portfólio, a System 6000 Twin, e a ADV2-5100 mostrou que a primeira gasta 0,473 kw/kg, enquanto a segunda, 0,325 kw/kg, ou seja, o modelo hidráulico consome 36% de energia a mais do que a outra.

Parte da fabricação nacional também se abriu para o conceito. A J.A.C. lançou, no ano passado, uma máquina totalmente elétrica e, agora, a Indústrias Romi deverá produzir uma nova linha completa deste tipo de sopradora. Para o diretor de comercialização de máquinas para plástico da Romi, Fabio Seabra, são várias as vantagens da tecnologia, como a baixa manutenção das máquinas, pois não há a contaminação do óleo ou a preocupação em verificar o estado de mangueiras e filtros e cilindros hidráulicos. “Os atuadores eletromecânicos têm outros benefícios ainda porque geram menos ruído e economizam energia elétrica, já que os motores são ligados somente quando recebem um sinal de comando”, completou Seabra.

O sopro busca mais produtividade, na opinião do diretor Newton Zanetti, da fabricante nacional de máquinas Pavan Zanetti. Esse é o xis da equação desse mercado, o que na prática representa máquinas com mais cavidades e menos gasto energético. Por isso, a fabricação do modelo elétrico também permeia os novos projetos da Pavan Zanetti, apesar de seu diretor admitir se tratar de uma tecnologia cara, por causa dos equipamentos, todos importados. “Está nos nossos planos atuar nesse segmento. Acordamos todo dia pensando em como desenvolver essa máquina”, reconheceu Zanetti. Ele antevê que o Brasil estará preparado para essa solução a médio e longo prazo, sendo a área farmacêutica uma das mais preparadas para desbravar o segmento.

Seabra, da Romi, pensa da mesma forma. Para ele, o princípio básico das sopradoras elétricas de substituir todos os atuadores hidráulicos por eletromecânicos traz vantagens importantes na produção de embalagens para produtos farmacêuticos ou hospitalares, pois não há contaminação por óleo na peça soprada.

O foco na qualificação das máquinas também embute propostas mais imediatistas, como a incorporação nas sopradoras do sistema linear no lugar do pendular, na medida em que o recurso reduz o desgaste da mesa, melhora o ciclo da máquina e automatiza a rebarbação. “As máquinas de sistema pendular estão desaparecendo”, comentou Pereira, diretor da Loop.

Tanto fabricante como transformador concordam ainda que os modelos estão mais automatizados, tornando o processo limpo. “O mercado de peças sopradas se encontra em constante ascensão”, disse Seabra. Para ele, os transformadores exigem máquinas mais produtivas e capazes de reduzir os custos de mão-de-obra. Por isso, as sopradoras Romi JAC são 100% automáticas e oferecem alta produtividade. Um exemplo fica por conta do modelo 8 TD, capaz de produzir 4,2 mil frascos de iogurte por hora.

A tecnologia para o sopro também está mais apurada. A Techne Technipack do Brasil conta com várias amostras, como o sistema Veltech, um recurso de ciclo rápido, com o qual é possível reduzi-lo entre 10% e 35%, dependendo do tipo de frasco. Algumas novidades recentes da Bekum, por sua vez, dão conta do sistema de fechamento proporcional para todas as máquinas, incorporação de CLP com touch screen, com possibilidade de acesso via internet, e extrusão contínua em coex/biex, com manipulação do parison. O fabricante apresenta ainda sistema de retirada e estampagem automático e expulsão proporcional de cabeçote por acumulação.

Na opinião do diretor da Soproval, o sopro no país tem melhorado de forma significativa. De acordo com ele, nos últimos cinco anos, as máquinas ganharam muito em precisão. “Antes, era mais ou menos, hoje é quase 100% preciso”, comentou Monteiro. No Brasil, o diretor cita como referência a Pavan Zanetti – em seu parque industrial, possui dezoito modelos da marca. Mas reconhece a superioridade da tecnologia internacional para algumas aplicações, fora do convencional. Não por acaso, há quatro anos, a empresa decidiu adquirir sopradoras estrangeiras; elas são de origem chinesa, italiana, alemã e japonesa. A última compra – ainda a ser entregue – é um modelo da China. “Em PET, por exemplo, não há máquina brasileira similar à italiana”, relatou. Os novos projetos estão em compasso de espera, dizem respeito à produção de tampas (injetadas), sobretudo, na linha PET.

Plástico Moderno, Wilson Salgueiro, gerente de vendas, Sopradoras - Novos desenvolvimentos incorporam sofisticação aos processos e ampliam aceitação dos moldadores
Salgueiro: demanda de máquinas de alto valor agregado cresceu

Bons ventos – Apesar da liderança no sopro convencional, a Pavan Zanetti não se acomodou na posição, a ponto de seu diretor pensar em trocar de endereço. A empresa continuará em Americana–SP, no entanto, até o final de 2010 em área com o dobro do tamanho da atual.

A transformação nacional também se mostra de portas abertas para a tecnologia estrangeira. “O primeiro semestre foi a engorda do boi”, afirmou Salgueiro, ao comentar suas vendas no período. Esse turbilhão ocorreu sobretudo por causa do mercado agroquímico, no qual a Bekum é bastante forte, com a oferta de máquinas altamente produtivas destinadas aos ramos de embalagens de cinco, dez e vinte litros, e para embalagens co-extrudadas. Em volume de máquina vendida, a companhia repetiu praticamente os índices do ano passado, porém a maior procura se deu por modelos de alto valor agregado. Só para o mercado agro foram vendidas dezoito máquinas, entre mercado externo e interno. “Esse segmento sustentou o faturamento, principalmente para aplicações em garrafões para defensivos agrícolas”, comentou Salgueiro. O carro-chefe do portfólio tem sido a sopradora BA 25, o que traduz a tendência de aumento do consumo de máquinas de alta produtividade. O modelo produz hoje 80 peças, por hora. A intenção é elevar para o dobro. “Esse projeto é específico para embalagem de 20 litros”, afirmou Salgueiro.

Para quem não fabrica por aqui os ventos também sopram a favor. A Techne Technipack do Brasil registrou em 2008 o melhor ano da sua história no país. Apesar de não revelar o volume de vendas, Salles Filho aposta no aquecimento do mercado doméstico. “A economia está estável há algum tempo e o transformador está confiante. Só não sabemos como será 2009, por conta do que está acontecendo no mundo”, comentou, referindo-se às especulações sobre os reflexos da crise norte-americana.

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Sopradora BA-25 é a mais comercializada do portfólio da Bekum

Dez anos de atuação no Brasil foi o mote para a Techne trazer toda a diretoria da Itália para um encontro em território nacional e comemorar esse ano de colheita. A companhia, com sede na Bologna, foi criada em 1985; desde então, a fabricação se voltou para máquinas de alta tecnologia e velozes. Até o momento, são 905 modelos comercializados em 61 países, dos quais 90 estão no país. Apesar de poder ser considerado um baixo volume, a Techne Technipack do Brasil se considera líder em tecnologia e responde por 20% do faturamento da matriz italiana. No país, possui máquinas de duas a seis camadas instaladas, além de um modelo de 32 cavidades, vendido, porém ainda sendo montado. “Ele produz mais ou menos 10 milhões de frascos de meio litro por mês; é quase uma fábrica”, afirmou Salles Filho.

Em 2002, um fato marcou a trajetória da Techne. A empresa interrompeu a produção de máquinas de pequeno porte, leia-se de uma ou duas cavidades, para se especializar em sopradoras para médias e altas produções. “Saímos desse nicho, pois a concorrência chinesa no segmento era muito forte”, disse o presidente da Techne Technipack Engineering Italy, Moreno Minghetti.

Na época, a estratégia suscitou controvérsias, pois no ano em questão houve uma redução significativa nas vendas de máquinas. A retomada ocorreu em 2004, quando se registrou aumento de faturamento. “O mercado tem se mostrado mais aberto para a alta tecnologia”, completou Minghetti. Prova disso está na divulgação da linha Advance. A máquina é completamente elétrica, com carro linear (patente internacional Advance Techne) e foi desenvolvida para atender a altíssimas produções, com utilização de longo curso, em sua figuração máxima, e está disponível nas versões de um, dois ou quatro carros, com cursos de 510 mm ou 700 mm.

Com o foco na produção de embalagens de PP e de PEAD, a empresa prevê como um dos filões a indústria de leite. Quase metade das vendas da matriz, nos últimos oito anos, se deu para a produção de embalagem de alimentos. O mercado de forma geral tem se animado com outras aplicações também. O aumento do poder aquisitivo da população injetou ânimo em setores como o das embalagens para produtos de higiene e limpeza, sobretudo água sanitária e alvejantes. No caso da Techne Technipack do Brasil, a área representa 36% do total das vendas, enquanto o setor de cosméticos absorve 20%, e o restante se divide entre defensivos agrícolas, peças técnicas, alimentos e químicos.

Cenário – Líder nacional na produção de injetoras, a Indústrias Romi também decidiu investir no mercado do sopro, com a compra, no início do ano, da J.A.C. Indústria Metalúrgica. A aquisição representou a estratégia de ampliar sua atuação no setor dos plásticos. A companhia incorporou a tecnologia, além de toda a estrutura comercial e industrial, assumindo a responsabilidade pelos clientes e funcionários da J.A.C. A fim de ganhar escala e simplificar a gestão, as operações da J.A.C. foram transferidas e aplicadas na unidade fabril de Santa Bárbara d´Oeste-SP, onde são produzidas as injetoras.

A companhia está em fase de desenvolvimento do modelo Romi JAC Maxtec 100L. Destinada à fabricação de tanques de combustível da linha automotiva, com automação completa, a sopradora trará benefícios ainda guardados a sete chaves. “Para esse segmento, já colocamos no mercado máquinas com novos dispositivos que permitem realizar o acabamento total das peças sem contato manual”, comentou Seabra.

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Monteiro anunciou investimentos em sua fábrica

Somando-se à onda dos investimentos, a Loop injetou em sua fábrica cerca de 10 milhões, para renovação de seu parque industrial. Mas apesar da euforia de tempos atrás, a crise norte-americana já atormenta a transformação brasileira. Um mês dessa turbulência dos EUA foi o bastante para a Loop reduzir em 50% seu faturamento. “O setor de embalagem soprada é o primeiro a sentir os problemas da economia; somos um ótimo termômetro”, afirmou Pereira. Até então, a empresa tinha bons motivos para investir. Nos últimos três anos, cresceu, em média, 36% ao ano. Em 2008, a expectativa era de avançar mais de 40%, no entanto, por conta dessas questões macroeconômicas deverá repetir o índice anterior. Mas nem por isso a companhia se abateu, pois garantiu suas vendas, com novos clientes. Isso porque muitos envasadores substituíram as importações pela produção local, na observação do diretor.

Para Monteiro, o principal empecilho do mercado hoje se refere à oscilação do preço das resinas. A dificuldade do transformador de repassar o aumento enxuga os lucros e espreme as margens. A Soproval inaugurou em fevereiro último sua nova planta, porém não estima colher os frutos do investimento a curto prazo. A idéia é crescer, em 2008, entre 8% e 12% sobre o ano passado. Apesar de 2007 também não ser um bom ano de referência, Monteiro está confiante na retomada do mercado. A empresa, em média, aumenta suas vendas na ordem de 18% ao ano, e é justamente esse patamar pretendido para 2009.

Os altos índices registrados pela indústria de automóveis impulsionaram os negócios da empresa de transformação Loop. Com foco nesse segmento, desde seu início, em 1997, nos últimos anos, ela tem tido motivo de sobra para se manter firme no mercado. A companhia até tentou participar de outros setores, como o de água. Em 1998 começou a produzir garrafões de policarbonato (PC), no entanto, em virtude da informalidade desse segmento na época e da tradição do Brasil de consumir a embalagem feita de PP, o projeto não vingou. “O mercado não reconheceu os benefícios do PC, com duração cinco vezes maior do que o PP”, afirmou Pereira. Sendo assim, optou pelo setor de automóveis, no qual mantém a liderança em algumas aplicações, como a de embalagens para fluidos de freio (frascos de 200 e 500 ml). Hoje também atende a outros segmentos, como o agroquímico, químico e de saúde animal. Mais de 70% da produção da Loop se destina ao setor automobilístico.

O trunfo da Soproval, por sua vez, está em focar os mercados de higiene pessoal, cosméticos e farmacêuticos e, por isso, a empresa segue na construção de uma sala limpa para atender às exigências dessas áreas. “Estamos fechando um negócio com um grande laboratório”, Monteiro comentou, sem revelar nomes. A indústria de cosméticos, por exemplo, é uma das que mais cresce no Brasil hoje. No entanto, muitas companhias operam com o sistema in house. Mas ainda assim existe uma fatia de mercado para conquistar. A Soproval pretende aumentar em três vezes sua atual capacidade produtiva, o que só depende da demanda. O prédio conta com 12 mil m² ante 4,5 mil m² do endereço anterior.

Além do aumento da receita, a Soproval aposta que a experiência elevará a qualificação de seus produtos, pois terão de estar em conformidade com normas bastante severas. “A legislação em cosméticos chega a ser mais rígida do que a de alimentos”, afirmou Monteiro. A bola da vez nessa área serão os frascos para xampu e sabonete líquido de PP, PEAD e politereftalato de etileno (PET). “O que o mercado pede hoje é o PET”, antecipou. O objetivo da empresa é começar nesse setor com as resinas mais tradicionais no sopro e depois partir com mais força com o PET. Essa resina tem crescido em redutos tradicionais do vidro e de outros materiais, inclusive polímeros (ver PM, de julho, nº 405, pág. 11).

A Soproval opera com tecnologia de sopro convencional. A recusa à injeção-sopro tem a ver com a restrição à troca do molde. “No sistema convencional, faço a pré-forma em diversas opções de tamanho, ou seja, tenho mais flexibilidade”, argumentou Monteiro. A empresa, aliás, faz pré-formas para terceiros. Os setores atendidos estão pulverizados, entre as linhas de água, químicos e de peças técnicas. Hoje a empresa transforma 400 toneladas de resinas/mês, porém sua capacidade é de 1.000 toneladas no mesmo período.

Por um diferencial – Estar próximo ao cliente, independentemente de sua área de atuação, tem sido a escolha das companhias. “No sopro não se vende o equipamento e sim os serviços associados”, explicou Zanetti. Para ele, ao contrário do processo de injeção, no qual comercializa-se o produto acabado, no caso das sopradoras, o que conta bastante é o estreitamento da relação entre vendedor e comprador. Salgueiro, da Bekum, faz questão de enfatizar que a assistência técnica de suas máquinas se dá localmente. A confiança necessária entre o fabricante de máquinas e o transformador também se vê entre este e o seu cliente, o envasador. A Loop adota um modelo de gestão focado no seu consumidor, como diferencial. “Fazemos algo sob medida, sobretudo no pós-venda”, comentou Pereira.

A transformação se vê às voltas da necessidade de oferecer inovações. Por isso, as embalagens sopradas precisam oferecer algo além da proteção do produto; até no caso do setor de automóveis, elas precisam de um design diferenciado. Além de funcional, o frasco precisa ter uma aparência atraente. De acordo com Pereira, a área de fluido para freio tem como padrão o frasco cilíndrico, tipo bujão, no entanto, há cinco anos, foi-lhe encomendado um projeto para dar mais valor agregado à peça.

Plástico Moderno, Newton Zanetti, diretor, Sopradoras - Novos desenvolvimentos incorporam sofisticação aos processos e ampliam aceitação dos moldadores
Zanetti firmou parcerias para elevar as vendas

Outro fenômeno apontado dá conta do enxugamento do setor, vide o caso da Romi e a J.A.C. Para Monteiro, da Soproval, assim como ocorreu na petroquímica brasileira, os transformadores devem se fundir uns aos outros, como uma estratégia para sobreviver.

Para a fabricante líder no mercado nacional de sopradoras, a Pavan Zanetti, em unidades vendidas, 2008 deve recuar cerca de 5% em relação ao ano passado. Apesar de não representar, necessariamente, baixa no faturamento, o diretor Newton Zanetti está pouco confiante. “Acho que terá reflexo em faturamento e não será positivo”, afirmou. A companhia, porém, adotou um caminho para burlar os percalços impostos pela trajetória do mercado do sopro convencional: ampliar seu portfólio, com parcerias.

A empresa chinesa Aoli Machinery se associou à fabricante nacional para vender máquinas de dois estágios com estiramento para PET, há dois anos. “Pode ser uma idéia oportunista, até pode ser, mas não poderíamos fazer diferente. Muitos vão fabricar lá na China, não tínhamos condições de fazer isso, o que fazemos é trazer a máquina para cá e adaptá-la, e aqui contamos com a tradição da Pavan Zanetti para fazer a distribuição”, comentou o diretor. Ele cogitou a possibilidade de produzir essas máquinas no Brasil, no entanto, o custo tornou a iniciativa inviável. Acordo entre a fabricante nacional e a chinesa também funciona como uma estratégia para a Pavan compensar as perdas do sopro convencional perante o mercado de PET, cada vez maior. A participação nesse segmento se dá entre o médio e o pequeno transformador. As sopradoras de dois estágios com estiramento para PET da série AL são: a AL 2000, para frascos de até 1,5 litros, e a AL 3000, para frascos de até 2 litros. As duas se voltam para aplicações nos setores de garrafas de água mineral, embalagens para óleo, álcool, bebida carbonatada e produtos cosméticos e farmacêuticos, entre outros.

Plástico Moderno, Sopradoras - Novos desenvolvimentos incorporam sofisticação aos processos e ampliam aceitação dos moldadores
A BMT 3.6 D tem sido um grande sucesso da família Bimatic

As vendas de máquinas para processar o PET representam 10% da produção da Pavan Zanetti, cujo principal mercado é o sopro convencional. Também com a pretensão de resgatar fatias do mercado, mas da injeção, a empresa se uniu a outra fábrica chinesa, a Tederic Machinery, dessa vez, para recrutar ex-clientes de injetoras.

“O consumo brasileiro de embalagem soprada vem crescendo pouco”, apontou Zanetti. Além disso, as máquinas estão cada vez mais produtivas. Essa alta produção inviabiliza o aumento de modelos vendidos. De acordo com o diretor, a tecnologia aplicada hoje dobrou a produtividade das máquinas. Esse é o caso da própria série Bimatic, da Pavan Zanetti. Entre as novidades da empresa está a BMT 14, com 28 cavidades, para frascos de até 5 litros. Outro destaque fica por conta da BMT 20 D/H, para frascos de até 30 litros. A máquina, de acordo com Zanetti, reduz o consumo energético em 30%, se comparada a um modelo similar. A sopradora BMT 3.6 D é hoje uma das mais vendidas dessa família, que ganhou recentemente a BMT 5.6 S/H.

Um novo cenário se abre para o sopro. Na opinião de Salles Filho, no passado, o investimento em uma máquina estava relacionado ao valor agregado do produto acabado. Hoje não é necessário que o transformado abarque essa característica, pois até o de baixo valor precisa de escala. Está aí a necessidade de alta produção. Apesar dessas perspectivas irem ao encontro das propostas da Techne Technipack do Brasil, a possibilidade de a companhia produzir por aqui está descartada, pois o custo de fabricação em território nacional ainda não justifica o investimento. A empresa produz em média 50 máquinas por ano, ou seja, falta demanda para comportar uma unidade produtiva por aqui. A idéia da filial brasileira é reforçar sua presença no setor de peças técnicas. Nesse sentido, aliás, está em negociação com uma empresa da construção civil, para a venda de máquina para este tipo de atuação.

A Romi se mostra bastante empolgada com o sopro. Neste ano, a empresa pretende ampliar a comercialização da antiga J.A.C., na época, de 35 máquinas anuais para 50. “Para 2009, estamos trabalhando para elevar ainda mais essa capacidade em busca da liderança de mercado”, avisou Seabra. Ao comparar as vendas dos três primeiros trimestres de 2008 com o ano anterior, a companhia registrou crescimento de cerca de 25%.

Exportação – Falar da transformação nacional e do mercado externo não faz muito sentido, afinal, transportar o ar, como o mercado diz, em alusão às embalagens sopradas, é bastante caro. Abordar o tema exportação em época de real valorizado também é chover no molhado para as empresas com fabricação local de máquinas. Na Bekum, as exportações, no primeiro semestre, caíram à metade, se comparadas ao mesmo período de 2007. Acostumada a comercializar ao mercado externo 25% da produção, hoje a Pavan Zanetti atinge índices inferiores a 10%. “O dólar ideal para exportar é a 2,20 reais”, comentou Zanetti. Enquanto a macroeconomia não coopera, as expectativas do fabricante recaem no mercado doméstico, em particular, nos setores de higiene pessoal e limpeza e cosméticos.

O câmbio parece ser mesmo o principal vilão. No caso do sopro, a concorrência asiática não interfere muito nos negócios da fabricação nacional de máquinas, pelo menos, por enquanto. O mercado traz consigo algumas peculiaridades. As sopradoras, por exemplo, precisam operar 24 horas por dia, para serem rentáveis. Para Pereira, depois de parada, uma máquina demora cerca de três horas para restabelecer o processo, o que significa perda de dinheiro. “Não podemos comprar uma máquina de origem duvidosa”, comentou o diretor. Outro motivo diz respeito às próprias características do sopro. Segundo Nadai, as sopradoras não podem ser muito padronizadas, cada projeto embute propriedades únicas. Os dois diretores da Loop admitem que só comprariam a tecnologia asiática se esta fosse usada de forma secundária, ou seja, se não fosse uma máquina à qual sua produção dependesse.

De acordo com Salgueiro, ao expor a resina às condições climáticas do país, há influências de umidade do ar, entre outras variáveis. Sendo assim, a configuração de uma sopradora tem de respeitar diversas características, o que torna fundamental a proximidade entre o fabricante de máquinas e o transformador. Para ele, levará cerca de três anos para a indústria da China entrar no Brasil com força no sopro. Na opinião de Seabra, da Romi, outro ponto contra as sopradoras chinesas se refere ao processo, no caso, muito instável. “Dizemos que as máquinas são muito temperamentais”, brincou o diretor.

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