Sopradoras – Fabricantes quebram paradigma para garantir competitividade e criam novo cenário para o setor

A 12ª Brasilplast refletirá nos corredores do Anhembi-SP os novos rumos da indústria de sopradoras. Quem espera ver mais do mesmo, irá se decepcionar. Paradigmas foram quebrados, levando por terra algumas tradições características do setor. No sopro convencional, como faz há anos, a Pavan Zanetti lá estará, no entanto, sob uma configuração diferente: mostrará parcerias com empresas estrangeiras e sua aptidão para as pré-formas de PET. Uma baixa importante se trata da Bekum do Brasil, considerada, até o ano passado, a segunda maior do setor em máquinas vendidas no país. A companhia não participará desta edição, pois passa por um processo de reorganização do grupo. Mas, em contrapartida, a J.A.C. Metalúrgica Industrial agora vem com uma roupagem mais sofisticada, a cargo da gigante da injeção Indústrias Romi, hoje também interessada no mercado de sopro de PET. Os modelos asiáticos, por sua vez, aportarão com mais força, na tentativa de convencer o visitante a valorizar o desempenho dos equipamentos, sem considerar apenas sua procedência.

O último trimestre do ano passado foi bastante árduo para a indústria, de forma geral, e o setor não passou incólume a isso. No entanto, na Romi, de Santa Bárbara D´Oeste-SP, tenta-se olhar somente para frente. De acordo com o diretor de comercialização de máquinas para plástico, Fabio Seabra, o passado ficou para trás. “O grande desafio está em 2009, o mercado ainda não se recuperou, temos de mostrar nossas virtudes e confiança no setor”, comentou. Na avaliação de Hans Lüters, da Kal Internacional, responsável pela representação, no Brasil, das máquinas da marca norte-americana Jomar, os projetos começaram a minguar em outubro do ano passado e desde então a recuperação está sendo aguardada. Apesar desse cenário pouco entusiástico, as expectativas são otimistas. “Há uma boa quantidade de novos projetos não somente no Brasil, mas também em outros países da América Latina”, anunciou Lüters.

Para o gerente-comercial da Meggaplástico, Marcelo Pruaño, os bens de capital, obviamente, sentem os reflexos da crise, no entanto, ele percebe maior impacto em produtos de varejo. Na sua avaliação, no ano passado, houve uma acomodação entre a oferta e a demanda, no mercado de embalagens sopradas, mas sem efeitos negativos na venda de máquinas voltadas para peças técnicas. A empresa, de São Paulo, registrou aumento de 30% nas vendas, em 2008, na área do sopro, comparado ao ano anterior.

Plástico Moderno, Sérgio Pintarelli, diretor-técnico da Pintarelli Industrial, Sopradoras - Fabricantes quebram paradigma para garantir competitividade e criam novo cenário para o setor
Pintarelli confia na recuperação do mercado

Em 2007, o mercado se preparava para a 11ª Brasilplast, em meio à calmaria. O ano anterior para os fabricantes de sopradoras havia sido regular e o evento, assim sendo, apenas consolidou um período de bons resultados. Nesta nova edição, o cenário é completamente outro, mas mesmo assim ninguém admite estagnação no setor. Pelo contrário, os fabricantes apostam na lenta e gradual retomada dos investimentos. “Nosso planejamento indica um índice de crescimento de vendas, em 2009, menor do que o registrado em 2008, mas trabalhamos com perspectiva de crescimento”, argumentou o diretor-técnico Sérgio Pintarelli, da Pintarelli Industrial, de Blumenau-SC. A empresa não fugiu à regra e também sentiu redução nos negócios em outubro do ano passado, porém se pautou na conta: equipamento diferenciado e preço competitivo mais carteira antiga de clientes igual a saldo no azul.

A transformação brasileira na área de sopro convencional absorve, em média, entre 220 e 250 máquinas, ao ano, segundo estimativas dos fabricantes. O diretor da Pavan Zanetti, Newton Zanetti, projeta que em 2008 foram comercializadas no máximo 200 máquinas de extrusão contínua ou por acumulação. Para ele, caso as vendas continuem no ritmo dos últimos meses, esse volume será ainda menor neste ano. “Teremos uma redução, que será preocupante”, anunciou.

O dado embute ainda outra questão: uma quantidade significativa de modelos está obsoleta. Muitas sopradoras do parque industrial transformador têm mais de dez anos, quer dizer, são fortes candidatas à substituição por exemplares mais produtivos, com custo de operação mais baixo e alto índice de automação. Ou seja, potencial para renovação existe, o que falta é um cenário propício para os fabricantes emplacarem seus novos desenvolvimentos. Lüters endossa o coro. Segundo ele, apesar de avanços significativos – há pouco tempo, conforme comentou, o Brasil consumia entre 160 e 180 máquinas por ano –, o volume deveria ter crescido muito mais, por causa do alto índice de sopradoras antigas.

Considerada líder no mercado nacional de sopradoras convencionais, a Pavan Zanetti, de Americana-SP, acredita que o evento poderá ser uma forte e eficiente ferramenta para abrandar os efeitos da crise. “Achamos que 2009 será de baixas vendas, como se prenuncia. Mas esperamos com essa feira enfrentar e reduzir essa queda”, completou Zanetti. Em relação ao volume de vendas, a diminuição foi grande na fábrica de Americana e preocupa o industrial. Sem revelar dados exatos, o diretor disse que um problema atual é a falta de capital de giro, o que impede novos investimentos. Outro empecilho apontado por ele se refere aos financiamentos, cada vez menores. Na opinião do diretor, os agentes financeiros têm se mostrado seletivos e receosos quanto à inadimplência, paralisando, em certa medida, a liberação de verba para a compra das máquinas.

Porém, enquanto a reação do mercado não vem, a Pavan Zanetti faz a sua parte. Nesta edição da Brasilplast estará em um estande de 300 metros quadrados, o maior entre as participações da fabricante em feiras do setor. Além disso, reservou vários modelos para estarem expostos, na tentativa de contemplar as exigências de uma variada gama de visitantes. Eles poderão ver três sopradoras convencionais, para PEAD, da série Bimatic – a BMT 10.0 D/H, de dupla estação de sopro, com cabeçote quádruplo, totalmente automatizada; a BMT 5.6 S/H, uma estação de sopro, para bombonas de 5 litros e também automatizada; e a BMT 3.6S, essa é básica, com uma estação de sopro, para um menor investimento inicial –, além de uma sopradora de pré-forma, e uma injetora, modelo TRX 188. “Vamos demonstrar nossos equipamentos mais modernos e com automatização plena, mas não esqueceremos os clientes tradicionais, que necessitam de custo baixo”, explicou Zanetti.

Como se destacar – De alguma forma, os fabricantes acreditam que essa turbulência tornou o mercado mais exigente e, portanto, incitou a competitividade. Sendo assim, a Brasilplast passa a figurar ainda como uma oportunidade dos industriais mostrarem melhorias no desempenho dos processos, com mais controle sobre os resultados, sobretudo com a adoção mais intensa da automação. Uma das propostas da Pintarelli Industrial está relacionada a esse último quesito. Em 2007, lançou uma linha de extrusão contínua totalmente automatizada com periféricos fornecidos pela Blufer Tecnoplast. Todas as máquinas sob a batuta da Pintarelli Industrial são projetadas com saída frontal ou lateral orientada; mesa de sopro montada em guias cilíndricas, em cromo duro ou guias lineares; cabeçotes exclusivos no sistema 3.2.1, e acionamento da rosca por motor de alto rendimento e redutor do tipo pendular com acoplamento direto, com variação de velocidade por inversor de frequência e resistências elétricas isoladas. “O grau de automatização é o que tem sido pouco explorado pelos fabricantes nacionais e este é o ponto forte da Pintarelli Industrial”, explicou seu diretor. De Santa Catarina, a Blufer produz periféricos voltados ao processamento de plásticos por sopro há mais de dez anos. Tem como foco desenvolver, fabricar e instalar sistemas completos automatizando todas as operações pós-sopro, da manipulação até a embalagem das peças sopradas.

Apesar da importância óbvia da tecnologia embutida nos modelos, o mercado investe em quesitos que vão além da máquina. “No sopro não se vende o equipamento e sim os serviços associados”, explicou Zanetti. Para ele, ao contrário do processo de injeção, no qual se comercializa o produto transformado, no caso das sopradoras, o que conta bastante é o estreitamento da relação do fabricante com o cliente. Nesse sentido, a Brasilplast adota outro benefício adicional, pois os contatos com os visitantes os deixam ainda mais próximos. Seabra, da Romi, aliás, disse gostar de andar com os compradores em potencial pela feira e comparar cada processo, apostando no diferencial de sua marca.

Os fabricantes de sopradoras falam a mesma língua nesse sentido. De acordo com Seabra, o cliente precisa de um parceiro e não somente de um fornecedor. Talvez esse seja um caminho para se desvencilhar dos percalços da economia. “Temos o foco do cliente e não no cliente”, anunciou. Essa proposta se reflete no portfólio da empresa, que mescla o sopro convencional com o de pré-formas de PET. Além disso, a companhia tem uma política de inovação para produtos aplicada em todas as suas linhas. “Os modelos da Romi JAC são 100% automáticos e com alta produtividade, o que permite ao transformador um custo de fabricação cada vez menor para produzir as embalagens”, afirmou Seabra. Não por acaso, um destaque no evento será uma sopradora capaz de contemplar esses quesitos. Trata-se da Compacta 5td, modelo que opera com alta velocidade nos movimentos, controlados por meio de uma unidade hidráulica superdimensionada, um CLP Moog e um programador de parison de 128 pontos que mantêm o controle geral da operação. Trata-se de uma máquina capaz de produzir até mil galões de 5 litros, por hora.

Plástico Moderno, Newton Zanetti, diretor da Pavan Zanetti, Sopradoras - Fabricantes quebram paradigma para garantir competitividade e criam novo cenário para o setor
Zanetti: aumentou a demanda de sopradoras para processar PET

A Pavan Zanetti segue essa tendência de inovação e confirma sua flexibilidade, indo além do tradicional. Quem está acostumado a ver a empresa somente com sopradoras convencionais, terá a possibilidade de conhecer de perto os novos rumos da fabricante. Há dois anos, associou-se à empresa chinesa Aoli Machinery para vender máquinas de dois estágios com estiramento para PET. A parceria, de alguma maneira, também funciona como uma estratégia para a companhia compensar as perdas do sopro convencional perante o mercado de PET, cada vez maiores. As vendas de máquinas para processar o PET representam cerca de 10% da produção da Pavan Zanetti. “Nossa estratégia é a diversificação, já que o setor apresenta hoje essa opção do PET”, disse o diretor. Para ele, a comercialização das máquinas da Aoli tem sido um sucesso, a ponto de ampliar a linha com a nova máquina de pré-formas, para até dois litros, que estará em funcionamento na feira. O modelo JS 4000 produz até 4 mil frascos, por hora, no volume de 500 ml.

Muitos investimentos, não por acaso, se voltaram para o sopro de PET. A Romi comprou a linha completa de sopradoras para pré-formas de PET da Digmotor Equipamentos Eletromecânicos Digitais. Como esse segmento não era coberto pela empresa, por uma decisão estratégica, foi feito um acordo de cessão de direitos e de transferência de tecnologia. Por isso, quem visitar o estande verá essa nova faceta da Romi, com a Sopradora 230 PET. Para sopro de pré-formas com alta produção de frascos e garrafas, a máquina permite moldes de até duas cavidades de até 3 litros cada e conta com processo 100% automático. Durante a feira, a máquina estará em operação, produzindo garrafas de 1 litro de óleo comestível. Estima-se a fabricação de 2.500 peças por hora. De acordo com o diretor, esse é um primeiro passo no segmento, no caso, mais focado no pequeno envasador. No futuro, aí sim irá concorrer com as máquinas de injeção-sopro. “Por enquanto, vamos só soprar a pré-forma”, anunciou. Em tempo, algumas das principais companhias do ramo de injeção-sopro, como Krones, Nissei ASB e Sidel, não participarão da 12ª Brasilplast.

A Romi também aproveitará a visibilidade do maior evento do plástico na região para ratificar que incorporou a tecnologia e toda a estrutura comercial e industrial da J.A.C., desde o ano passado. No entanto, o interesse principal será mesmo fazer negócios, a ponto de o estande ter sido projetado e equipado com vinte salas para esse fim. “A feira terá um papel importante de mostrar a confiança da indústria no mercado e esta precisa investir e provar seu crescimento, tanto para o brasileiro como para o estrangeiro”, atestou o diretor.

É consenso: ninguém pode prever com precisão quanto a feira irá movimentar. Cada um tem sua própria percepção. Com a experiência de quem participa do evento desde 1997, a Pintarelli Industrial aposta que, até maio, os efeitos da crise mundial estarão amenizados e equacionados. “Na época, a retomada de crescimento estará em andamento e permitirá a realização de bons negócios na feira”, comentou seu diretor. Por conta dessa postura, reservou para o evento o lançamento da máquina Sopratica. Trata-se de uma nova série, complementando as duas linhas já tradicionais: a Stamarq e a Versátile. A escolha se dá por um modelo de pequeno porte, para transformar PP, PEBD e PEAD em embalagens de até 4 litros. “O principal atrativo é sua simplicidade e excelente relação custo/benefício”, ressaltou Pintarelli.

Plástico Moderno, Hans Lüters, da Kal Internacional, responsável pela representação, no Brasil, Sopradoras - Fabricantes quebram paradigma para garantir competitividade e criam novo cenário para o setor
Lüters aposta em modelos com mais automatização

A Jomar, por sua vez, expõe na Brasilplast desde 1993, mas Lüters não está tão confiante como o fabricante nacional. “Não estou esperando grandes novidades no quesito tecnológico”, disse. Apesar de não prever muita inovação na 12ª Brasilplast, para ele, o momento atual exige alguns aprimoramentos dos fabricantes, como a redução de custos e da mão-de-obra aplicada aos processos. “Devemos investir em equipamentos com maior automatização. Tirando somente o ‘s’, podemos mudar a ‘crise no Brasil’ para ‘crie no Brasil’. Devemos preparar o mercado para os negócios nos próximos anos”, afirmou.

Entre as tendências, ao que tudo indica, a tecnologia coex anunciada no passado ficou no ideário da indústria e não terá força na Brasilplast deste ano. Uma das principais entusiastas do conceito, a fabricante de máquinas de origem alemã Bekum do Brasil, estará de fora desta edição, talvez como prenúncio de que o projeto desse tipo de máquina demande mais tempo para se maturar. A Pintarelli buscou parceiros para desenvolver equipamentos para o mercado de embalagens coextrudadas, no entanto, ainda vê como prematuro sua entrada no segmento. De acordo com Pintarelli, essa tecnologia pode se aproveitar de uma brecha do setor e poderá crescer em participação nos segmentos dos frascos de grandes volumes e peças técnicas, pela facilidade de aproveitamento do material reciclado. Na análise de Seabra, da Romi, apesar de não descartar atuar nesse setor no futuro, a aplicação aparece de uma necessidade e, por enquanto, esta ainda não sustenta investimentos. “A Romi é aberta a todas as possibilidades”, ressaltou.

Alemã perde o fôlego – A Bekum do Brasil é um caso à parte, neste cenário da indústria nacional do sopro. Ausente desta edição da Brasilplast, a unidade vive um momento muito diferente do das edições anteriores: em 2005, comemorava 30 anos de permanência em território brasileiro e, hoje, amarga a redução da produção local. Em 20 de janeiro deste ano, a empresa dispensou cerca de sessenta funcionários, como resultado de uma reorganização do grupo alemão. Segundo os funcionários da Bekum do Brasil, Rosário Campanela, coordenadora de vendas, e Paulo Viana, engenheiro de vendas, após darem os primeiros passos dentro da nova estrutura, prevê-se comercializar os modelos que mais aceitação tiveram no mercado, como a BA25, além de fomentar as vendas das máquinas alemãs e manter uma área destinada à venda de peças e serviços de assistência técnica. No momento, a unidade encontra-se em recuperação judicial, ou seja, passa por um período de reestruturação. Por outro lado, de acordo com a advogada Anneliese Moritz do escritório Felsberg e Associados, o Sindicado dos Metalúrgicos pleiteia a reintegração dos funcionários e, por enquanto, devido à ação do sindicato, não há previsão de quando voltará a operar normalmente.

De alguma forma, Zanetti não se surpreenderá com a ausência do estande da Bekum do Brasil, no evento. Ele levantou a hipótese de que novidades quanto à composição das empresas, como fusões e saída de algumas outras do mercado, poderiam acontecer. “Isso ocorrerá em razão da crise e das oportunidades que surgem nessa área”, comentou. Essa nova configuração do setor abre uma lacuna para a Romi, hoje, detentora da terceira posição, entre as maiores do sopro, em vendas de máquinas, atrás da Pavan Zanetti e da própria Bekum do Brasil, subir nesse ranking, mais rápido do que estimava. Desde o começo de 2008, quando essa importante fabricante de injetoras adquiriu a J.A.C., os esforços vieram no sentido de incorporar mais tecnologia às sopradoras e ampliar a participação de mercado. “Vamos chegar a ser os primeiros no sopro”, projetou Seabra, no final de 2008.

Plástico Moderno, Marcelo Pruaño, gerente-comercial, Sopradoras - Fabricantes quebram paradigma para garantir competitividade e criam novo cenário para o setor
Pruaño: segmento de embalagens técnicas saiu incólume à crise

Novo cenário – A concorrência, no entanto, tem um grupo de peso, cada vez mais forte: o dos modelos asiáticos. A Meggaplastico, do grupo Megga, pretende quebrar os paradigmas desse mercado. O seu gerente-comercial, Marcelo Pruaño, quer mostrar que as máquinas devem ser vistas muito além de sua procedência, seja para o bem ou para o mal. Em outras palavras, a intenção é convencer o visitante que o título alemão não implica soberania, necessariamente, nem o contrário seria verdadeiro, no caso dos modelos chineses, por exemplo.

Pruaño disse que o estigma de que máquinas de origem asiática não são boas caiu por terra há uns dez anos. Em seu portfólio conta com a marca chinesa Invex, nesse caso, por exemplo, ele ressaltou que é tudo produzido com alta qualidade por lá, no entanto, por causa da escala, consegue-se aplicar um preço competitivo no Brasil, apesar dos impostos de importação. Muitos oportunistas, segundo ele, só trazem para o país equipamentos de segunda linha, mais baratos, porém a sobrevivência tem sido de produtos com tecnologia e qualidade. “O cliente busca um preço acessível, mas, sobretudo, tecnologia”, argumentou. Sua aposta é de que há um filtro capaz de selecionar quem está estruturado e apto a atender às exigências da transformação nacional.

Mas nem só de tecnologia se faz esse tipo de venda. A companhia se propõe também a oferecer financiamento público e assistência técnica profissional. “Não podemos especificar o mercado de acordo com a origem da máquina, mas sim pela necessidade do cliente. Ou seja, não vendo o que a máquina é e sim o que ela faz”, insistiu. A empresa começou no mercado plástico com modelos para a injeção, mas Pruaño está confiante de que a procura maior, na feira, será pelo sopro. Essa previsão tem um porquê: a demanda por sopradoras não sofreu queda, na companhia. Essa área representa 15% das vendas da Meggaplastico e deve continuar assim em 2009.

A empresa atua em duas frentes: no sopro convencional, com a linha Invex, e no estiramento sopro, com a Chumpower (de Taiwan). “O PET estará forte na Brasilplast, porque é uma grande tendência de mercado”, diagnosticou Pruaño. Por isso, mostrará na feira a série CPSB. Trata-se de uma máquina automática e para altas produções. É capaz de fabricar 6.500 frascos de até 200 ml por hora. A ideia é emplacar o modelo em aplicações nas quais o plástico possa substituir o vidro, como nos setores de higiene pessoal e perfumaria.

Esses dois segmentos, aliás, não vão muito bem, no momento. Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas, em 2008, houve retração nos principais mercados consumidores de embalagens em relação ao ano anterior, como o de alimentos, bebidas, produtos de limpeza, cosméticos e perfumaria. Somente a indústria farmacêutica não apresentou redução de faturamento em relação ao ano anterior. No entanto, o cenário inspira confiança. Muitos industriais acreditam na recuperação, sobretudo das áreas de cosméticos e de perfumaria. “Aposto no bom desenvolvimento desses dois setores, já que vivem principalmente de inovações”, comentou Lüters.

Apesar de a Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet) não possuir dados específicos sobre a penetração da resina no setor de cosméticos o seu uso é cada vez maior. Outro ponto salutar se refere à reciclabilidade do PET – trata-se do termoplástico mais reciclado no país. No entanto, apesar da importância dessa característica, o fator determinante ainda é o aspecto final da embalagem conferido graças às suas propriedades. Em tempo: a Associação Brasileira de Embalagem (Abre) estima que o mercado de embalagem plástica em 2009 absorverá 461 mil t de PET.

Na Brasilplast anterior, o avanço do PET em alguns segmentos específicos impulsionou as vendas de injeção-sopro. A Pavan Zanetti trabalha com essa possibilidade, mas ainda acredita no potencial do PEAD, nesses setores. “Sabemos que o PET tem crescido além do previsto, por causa do preço da resina e da utilização crescente do reciclado, e até mesmo por conta da liberação do uso da resina em áreas antes proibidas”, comentou Zanetti.

A venda de máquinas estrangeiras no país, como já sabido, sofre com os altos custos de importação. No entanto, algumas tecnologias específicas tentam burlar essa dificuldade por causa de sua escassez entre os fabricantes nacionais. Esse é o caso da injeção-sopro clássica, sem estiramento, que ainda ocupa um espaço reduzido no sopro brasileiro. De acordo com Lüters, em países onde há menor concorrência nacional e reduzido custo de importação, existe geralmente uma preferência pela injeção-sopro, até para embalagens que no Brasil são fabricadas utilizando-se sopro convencional.

Ele creditou essa predileção às características dessa tecnologia, que vêm ao encontro das exigências atuais do transformador, como a fabricação sem rebarbas, a possibilidade do uso de moldes de até 30 cavidades, menores tolerâncias no gargalo, nas paredes e nas dimensões em geral, melhor custo/benefício, sobretudo na produção de frascos menores de 250 ml, e automatização do processo em quase 100%.

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