Sopradoras – Empolgados com a retomada dos negócios, os fabricantes exibiram equipamentos mais automatizados e produtivos

Plástico Moderno, Sopradoras - Empolgados com a retomada dos negócios, os fabricantes exibiram equipamentos mais automatizados e produtivos
Empresa nacional lança primeira sopradora elétrica

Um evento para lá de proveitoso. Essa é a opinião unânime dos principais nomes do mercado de sopradoras sobre os resultados obtidos na Brasilplast. Ao participarem de feiras do gênero, os expositores sempre anseiam aproveitar a oportunidade para realizar contatos que no futuro resultem em vendas. A edição de 2007, no entanto, superou essa expectativa para alguns. Além de um relacionamento altamente satisfatório com os clientes, algumas fornecedoras dessas máquinas conseguiram fechar volume expressivo de negócios na própria feira. O fato não é comum, uma vez que a aquisição de equipamentos é uma operação complicada, envolve demoradas negociações e delicadas operações de financiamento.

Um dos dados positivos da Brasilplast se deveu à significativa presença de visitantes com poder de decisão de compra. Na opinião dos entrevistados, tal fato ocorreu graças ao otimismo provocado pelo atual momento da economia. Todos creditam o clima positivo da exposição à expectativa de crescimento. Depois de amargar um período de retração de vendas, as empresas fornecedoras de sopradoras viram seus negócios reaquecerem a partir do último trimestre do ano passado. Nos primeiros meses de 2007, a procura continuou em alta quando comparada com o mesmo período do ano passado.

Os visitantes puderam conhecer de perto vários lançamentos feitos pelos fabricantes nacionais. As novidades vão ao encontro da demanda do mercado por máquinas com maior capacidade de produção e elevada automação. As importadoras também marcaram presença, mostrando em seus estandes as armas que possuem para atrair os potenciais clientes.

Entre os interessados em adquirir equipamentos, merecem destaque os representantes do setor de embalagens, beneficiados nos últimos meses pelo aquecimento do consumo – em especial os ligados aos setores de bebidas, higiene e limpeza, cosméticos e farmacêutico. Os compradores de máquinas para peças técnicas também compareceram em bom número, entre eles, profissionais da indústria de autopeças interessados em adequar suas linhas de produção ao ótimo momento pelo qual passam as montadoras.

Vale lembrar que o mercado brasileiro de sopradoras pode ser dividido em três categorias: o nicho de máquinas mais simples e funcionais, dominado pelas empresas nacionais; o de elevada tecnologia e desempenho, onde se incluem muitos equipamentos voltados para o nicho de sopro do PET e que se concentra nas mãos dos importadores; e o de máquinas intermediárias, segmento cuja procura vem crescendo e onde se acirra a disputa dos fabricantes locais com os importadores.

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Zanetti aproveita o bom momento de vendas de PET

Conversas e negócios – Entre os entrevistados, nenhuma dúvida: quem participou da Brasilplast não tem do que se queixar, entre eles, Newton Zanetti, diretor-comercial da Pavan Zanetti, localizada em Americana-SP, e que está completando quarenta anos em 2007. A empresa é a líder em unidades de máquinas vendidas no mercado brasileiro.

O dirigente prefere manter em sigilo o número de equipamentos comercializados na feira, mas não esconde a satisfação com os resultados. “Esta edição foi melhor do que a de 2005.  Houve boas vendas e volume satisfatório de orçamentos e propostas”, afirma o diretor. Para Zanetti, o desafio da empresa agora é concretizar as negociações iniciadas no evento.

A tarefa não pode ser considerada das mais fáceis, mas a perspectiva é otimista. “O mercado este ano está bem melhor do que o de 2006”, diz.

Além de lançar novos modelos, a Pavan Zanetti aproveitou a ocasião para reforçar a divulgação das máquinas injetoras e sopradoras voltadas para o mercado de PET da chinesa Tederic Machinery, marca que passou a representar no Brasil há um ano. “O preço do PET está competitivo, faz com que a matéria-prima ganhe espaço no mercado de embalagens. A procura por esse tipo de máquina está muito boa”, revela.  A fabricante nacional já tem um protótipo pronto de equipamento para esse nicho de mercado. Mas o custo de produção do modelo no Brasil ainda não está competitivo, fato agravado pelo dólar desvalorizado. “Estamos esperando o momento certo para lançar nossa linha”, diz o dirigente, sem dar pistas sobre quando isso ocorrerá.

Plástico Moderno, Cristiano Cava, gerente-comercial da JAC, Sopradoras - Empolgados com a retomada dos negócios, os fabricantes exibiram equipamentos mais automatizados e produtivos
Cava celebra carteira cheia nos próximos quatro meses

Uwe Margraf, diretor-geral da Bekum, multinacional alemã com fábrica na capital paulista e tradicional participante do segmento, também não fala sobre o número de máquinas vendidas durante a exposição, mas demonstra satisfação com os resultados. “A feira superou as nossas expectativas, foi a melhor dos últimos tempos. Além de boas negociações, conseguimos vender vários equipamentos, fechamos negócios de valores altos”, resume.

A Bekum no Brasil atua de maneira forte como exportadora. A maioria das vendas feitas na exposição, porém, atendeu clientes brasileiros. “Esse ano houve número menor de visitantes estrangeiros”, revela Margraf. O fato é atribuído ao fortalecimento do real ocorrido nos últimos tempos, o que tem mudado o perfil de atuação da multinacional. “Há uns três anos, exportávamos 50% das máquinas fabricadas no Brasil, hoje esse número não chega a 30%”, informa. O aquecimento do mercado interno tem ajudado a compensar essa queda.

“Nossas vendas estão estáveis”, resume.
“O evento foi celebrado com muitos negócios concretizados e grande aceitação do público em relação a nossas máquinas e equipamentos.

Além de fazermos novos contatos, reencontramos velhos amigos e clientes”, orgulha-se Cristiano Cava, gerente-comercial da JAC, também de Americana-SP. Conhecida fabricante de sopradoras, a JAC aproveitou a feira para oficializar sua entrada no mercado de injetoras.

As vendas dos dois equipamentos feitas durante a exposição entusiasmaram o executivo da JAC. “A participação foi tão positiva que para atender aos compromissos assumidos durante o evento a fábrica da empresa terá de trabalhar em regime duro durante quatro meses”, conta. Sem falar no início de um trabalho comercial que promete se estender por bom tempo.

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A BMT 5.6 D/H (esq.), de duas estações, opera até 5 litros, e a BMT 10.0S/H, com uma estação, até 10 litros
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Modelo BM304 DL sopra moldes de múltiplas cavidades

“A feira foi muito positiva”, resume Pedro Damianovic, diretor-comercial da Digmotor, empresa localizada no município de São Carlos-SP e que começou a fabricar sopradoras de pré-formas de PET há cinco anos. A empresa foi criada em 1990 e também produz bobinadeiras e máquinas de marcação por laser.

Os contatos feitos no evento devem ajudar bastante a empresa a atingir a meta de elevar o número de sopradoras vendidas, de doze no ano passado para dezoito em 2007. Na mesma toada dos fabricantes nacionais, os importadores também enaltecem os resultados obtidos.

“A nossa participação foi muito proveitosa, a Brasilplast sempre tem grande importância para os nossos negócios. A quantidade de visitantes não foi grande, mas a qualidade foi muito boa”, revela Hans Lüters, sócio-gerente da Kammann América Latina, representante de várias empresas internacionais fabricantes de máquinas para o setor plástico.

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A BA 25 produz bombonas de PEAD de até 35 litros

Uma das marcas com as quais a Kammann trabalha é a Jomar, que produz vários modelos de sopradoras. “Durante o evento, vendemos um equipamento injection-blow da Jomar”, revela o dirigente.De acordo com Lüters, apesar de ainda pequeno, o nicho de máquinas injection-blow tem mostrado ótimo potencial, em especial nos segmentos de frascos médicos e farmacêuticos.

“Somos líderes desse mercado no Brasil”, orgulha-se. A importadora Meggaplástico também fechou bons negócios durante a exposição, informa Luís Guerra, gerente-comercial da empresa. “O resultado nos leva a acreditar em crescimento significativo do mercado neste ano”, prevê. Guerra estima que os contatos realizados devam render de 30 a 45 dias de trabalho para o departamento comercial. A ordem é transformar os relacionamentos feitos em vendas.  No campo das sopradoras, a atração da empresa foi o modelo Invex FT 70R, fabricado em Taiwan.

A Amber do Brasil, importadora de máquinas asiáticas de moldagem de termoplásticos, divulgou a sopradora modelo HBA 100, com dupla estação, dirigida para a produção de bombonas de 30 litros, confeccionadas em PEAD. A máquina é fabricada pela Hwa Chin, de origem taiwanesa. A empresa também comercializa outros modelos. “Estamos vivendo um bom momento nos negócios e a nossa participação na feira foi muito boa”, resume Dino Garofalo, gerente de vendas da Amber. Para ele, o sucesso se deve ao desempenho das máquinas da Hwa Chin. “Elas têm ótima tecnologia, permitem elevada produtividade com índice de refugo muito reduzido”, garante.

Atrações – Modernas máquinas foram expostas aos visitantes da Brasilplast. Quem passou pelo estande de 200 metros quadrados montado pela Pavan Zanetti pôde conferir dois novos modelos das linhas tradicionais da empresa. Um deles foi o da série Bimatic, o BMT 5.6D/H. A máquina é dotada com duas estações de sopro, rosca de 70 mm (com proporção L/D de 1:24), motor 40 cv com inversor de freqüência, rebarbação automática, saídas laterais e programador digital de espessura de 100 pontos. O modelo tem capacidade para moldes de até cinco litros, ou para moldes duplos de dois litros, quádruplos de um litro e quíntuplos de 500 ml.

Também da série Bimatic, foi apresentada a nova versão do modelo BMT 10.0S/H. O equipamento possui uma estação de sopro, rosca de 70 mm (com proporção L/D de 1:20), motor 30 cv com inversor de freqüência, rebarbação automática, saída lateral e programador digital de espessura de 100 pontos. Com força de fechamento de até 15 toneladas, possui capacidade de sopro de peças com até dez litros. “As duas máquinas foram totalmente renovadas e apresentam maior capacidade de produção e produtividade em relação aos modelos anteriores”, revela Zanetti.

De acordo com Margraf, da Bekum, dois modelos apresentados pela empresa geraram bastante interesse entre os visitantes. Um deles foi o BM304 DL, máquina de dupla estação com capacidade de soprar itens de até 5 litros. A máquina foi lançada em meados do ano passado e é indicada para aplicações onde se exigem moldes de múltiplas cavidades, como os de embalagens para detergentes, água sanitária, cosméticos e produtos lácteos. “Foram vendidos quatro equipamentos do modelo na feira”, revela o dirigente.
Outra atração da Bekum foi o modelo BA25, de simples estação e capacidade para soprar artigos de até 35 litros.  A máquina é adequada para a produção de bombonas de PEAD de 20 litros, muito usadas por transformadores que atendem a agroindústria e os produtores de óleos lubrificantes. Também pode ser usada na produção de garrafões de água de PP, PC e PVC e diversos artigos soprados para a indústria automotiva.  A versão em exposição pode atingir produção de 205 peças de 20 litros por hora.  A estampagem de rebarbas de fundo e das alças é automática.

Na Brasilplast, a Bekum também divulgou seu know-how de co-extrusão ou multicamada, que permite a obtenção de paredes com até sete camadas. A tecnologia reduz significativamente o consumo de materiais mais nobres, como o EVOH, o que resulta na redução do custo das embalagens. “A Bekum é a única fabricante nacional de sopradoras por extrusão contínua que realmente domina o processo de co-extrusão”, garante Margraf. Esse tipo de equipamento tem sido bastante procurado por fabricantes de embalagens de produtos alimentícios, cosméticos e farmacêuticos, assim como em embalagens industriais e em aplicações na indústria automotiva.

A grande novidade apresentada pela JAC na linha de sopradoras foi o lançamento da linha Electric Evolution. São máquinas 100% elétricas, inéditas no mercado nacional. “Dotados com sistemas de acionamento desenvolvidos em parceria com a Moog, os modelos da série são extremamente rápidos, precisos, com nível de ruído baixíssimo e exigem pouca manutenção”, informa Cava. As máquinas são indicadas para transformadores de embalagens voltadas para os segmentos farmacêutico e hospitalar. Também no estande da JAC, os visitantes puderam conferir os novos recursos do modelo Compacta 5t, sopradora de seis litros que produz frascos de até 500 ml em moldes multicavidades ou embalagens de 2 litros em moldes com até três cavidades.

A Digmotor divulgou na feira seus quatro modelos para sopro de PET, voltados para moldes com uma, duas ou quatro cavidades. De acordo com Damianovic, as máquinas têm tecnologia avançada, que em nada deixam a dever para as fabricadas na Europa. “Elas têm controle apurado de todos os parâmetros do processo, sistemas de aquecimento por meio de infravermelhos e trabalham totalmente isentas de óleo”, revela.
Com essas características, as sopradoras Digmotor conseguem transformar pré-formas feitas 100% com PET reciclado, sinônimo de grande economia na produção de vários tipos de embalagens. “Nossos clientes ficam tão satisfeitos com nossos equipamentos que quem compra a primeira máquina acaba comprando mais unidades”, orgulha-se. A empresa prepara o lançamento de um modelo de duas cavidades, previsto para chegar ao mercado até julho. “Não deu tempo de aprontar o projeto para a Brasilplast. O que posso adiantar é que a máquina será mais rápida e não custará mais por isso”, revela.

No time dos importadores, a Kammann divulgou a linha completa de sopradoras da marca Jomar, formada por unidades convencionais por extrusão, com modelos entre 1 litro e 25 litros de capacidade, até as máquinas deinjection-blow voltadas para a produção de frascos farmacêuticos, roll-ons de uma peça só, potes cosméticos e outras embalagens com volumes entre 2 ml e 250 ml. As máquinas operam com todos os tipos de matérias-primas. “Não houve nenhum lançamento, a Jomar está preparando uma nova máquina para a K, que ocorrerá na Alemanha em outubro”, diz Lüters.

A sopradora taiwanesa Invex FT 70R, apresentada pela Meggaplástico, tem capacidade para a produção de frascos ou bombonas de até 5 litros. Ela é dotada de deslocamento horizontal sobre guias lineares, projetadas para proporcionar movimentos ágeis e de alta rigidez. Para garantir a precisão dos movimentos são utilizadas réguas transdutoras lineares. O fechamento das mesas adota o sistema de travamento das duas placas por haste hidráulica.

A extrusora com L/D de 30 é refrigerada por meio de ventiladores para garantir melhor eficiência da temperatura e tem a rotação do seu motor AC controlada por inversor de freqüência, com conseqüente economia de energia e menor nível de ruído. De acordo com Guerra, hoje em dia os usuários estão demonstrando maior preocupação em economizar energia e o equipamento apresenta essa característica.

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