Sopradoras: Embalagens impulsionam as vendas de máquinas

Desempenho das embalagens também impulsiona o desenvolvimento

As vendas de máquinas têm forte ligação com o humor da economia, os fornecedores dependem muito de como andam os negócios dos segmentos econômicos para os quais destinam seus produtos.

O caso dos fabricantes de sopradoras não foge à regra.

Cada empresa informa ter desempenho condicionado pela evolução das vendas de seus clientes.

Por isso, alguns fornecedores do equipamento se mostram satisfeitos com o momento atual, outros nem tanto.

Os principais compradores são os fabricantes de embalagens, sejam eles responsáveis pela oferta do produto final a partir de produção verticalizada ou de transformadores especializados.

Os mercados mais atendidos são os de bebidas, produtos alimentícios, para higiene e limpeza e de cuidados pessoais.

Também são vendidos, em número menor, equipamentos para a produção de utensílios domésticos, peças técnicas e outros itens.

Como a indústria de embalagens tem sido uma das que atravessaram o período da pandemia com menor sofrimento, a procura por sopradoras tem sido de razoável para boa nos últimos dois anos.

O ano passado foi considerado bem positivo.

Esse ano, a inflação elevada e a queda do poder aquisitivo da população provocaram a retração do consumo de vários produtos e reduziram o interesse de transformadores em investir na compra de novos equipamentos.

Os juros estratosféricos para as empresas interessadas em financiar a compra de máquinas atrapalham muito.

O mesmo acontece com a realização das eleições, fonte de incerteza entre os empresários, mesmo os que contam com capital próprio para investir na compra dos equipamentos.

Não existem dados oficiais sobre a evolução da procura pelas sopradoras.

Mas as empresas do ramo acompanham de forma mais ou menos próxima os indicadores de outros representantes ligados ao ramo dos equipamentos.

De acordo com estudo feito pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), no primeiro semestre o setor registrou receita líquida de R$ 150,5 bilhões, com queda de 3,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

Levando-se em consideração os resultados dos últimos doze meses, a receita atingiu R$ 316,9 bilhões, com aumento de 2,2% em relação aos doze meses anteriores.

Em 2021, o setor apresentou crescimento superior a 21%, expressivo e obtido após o ano em que o surgimento da pandemia afetou fortemente toda a economia.

O resultado do primeiro semestre veio na contramão das expectativas e alterou as previsões para esse ano.

Em janeiro, a Abimaq apostava em crescimento de 6% no faturamento dos seus associados em 2022. Agora, a expectativa caiu para um crescimento de 3,8%.

Ainda otimista, a previsão se concentra em especial no desempenho positivo dos setores agrícola e de construção civil.

As perspectivas para o setor de máquinas para bens de consumo, segmento em que se incluem as voltadas para a transformação do plástico – entre elas as sopradoras –, apresentaram desempenho negativo em relação à média no primeiro semestre e a evolução para os próximos meses é vista com pessimismo.

Algumas marcas brasileiras têm forte participação no mercado, nomes como Pavan Zanetti, Romi e Multipet.

Também participam marcas europeias, caso, por exemplo, da italiana SMI.

No caso das sopradoras, as empresas asiáticas não têm participação importante no mercado, como ocorre no caso das injetoras, por exemplo.

Em termos de tecnologia, ainda prevalecem as vendas das máquinas tradicionais, dotadas com componentes hidráulicos usados para realizar os movimentos.

Tem crescido a procura por soluções híbridas, com alguns movimentos acionados por componentes elétricos, e por modelos totalmente elétricos. Ganho de produtividade, operação mais limpa e economia de energia explicam o aumento do interesse.

As embalagens e o PET – Um indicador muito importante para os fabricantes de sopradoras é o desempenho do mercado de embalagens, seu principal cliente.

Números de estudo apresentado em março pela FGV para a Associação Brasileira de Embalagens (ABRE) estimam que em 2022 ocorra ligeira queda na produção setorial, algo entre 1% e 2%.

A produção física do setor apresentou contração de 3% no ano passado quando comparado ao resultado de 2020 – no caso do plástico, a queda atingiu 7,6%.

Apesar da retração, a receita gerada pelo setor foi bastante positiva.

O valor bruto da produção física de embalagens ficou próximo dos R$ 110,9 bilhões em 2021, com aumento de 31,1% em relação ao ano anterior.

Os plásticos representaram a maior participação nesse valor, corresponderam a 37,1% do total.

Quando se fala em sopro de embalagens plásticas, a evolução do uso do PET merece citação especial. A resina ganhou muita participação no mercado nas últimas décadas.

As primeiras garrafas PET no Brasil foram sopradas no final de 1988 e eram destinadas ao segmento de refrigerantes.

Com propriedades como total transparência e brilho, barreira a gases, elevada possibilidade de reciclagem e facilidade de ser moldada em diferentes geometrias, durante o transcorrer dos anos, além de dominar o gigantesco mercado de refrigerantes, o PET passou a ser utilizado em várias outras aplicações, entre as quais podemos citar os mercados de água mineral e óleo comestível, onde ganhou espaço de outros materiais.

O sopro do PET apresenta condições distintas das do sopro de outros plásticos.

É a única matéria-prima que prevê, antes da realização dos ciclos, a colocação nas máquinas de pré-formas fabricadas pelo processo de injeção.

Essa característica alterou de forma importante o portfólio de marcas tradicionais de sopradoras, que ao longo dos anos passaram a incorporar em suas linhas modelos específicos para a operação.

Foi o que ocorreu, por exemplo, com a Pavan Zanetti, fabricante tradicional.

A empresa desenvolveu linha específica para o uso do PET e hoje essas máquinas ocupam lugar de destaque no faturamento da empresa.

Também surgiram marcas especializadas na produção de máquinas voltadas para a transformação dessa resina, caso da Multipet, por exemplo.

Tudo bem – A Romi, fabricante de máquinas para a indústria do plástico e para usinagem de metais, além de contar com divisões de fornecimento de fundidos e usinados, conta com ampla linha de sopradoras, portfólio que atende de forma abrangente as necessidades dos clientes.

Sopradoras: Desempenho das embalagens impulsiona as vendas de máquinas ©QD Foto: Divulgação
Maurício Lanzelotti Lopes, diretor de comercialização da Romi

“O mercado do plástico no qual atuamos continua aquecido e crescente, os números do primeiro semestre apontam que teremos um 2022 melhor que 2021”, informa Maurício Lanzelotti Lopes, diretor de comercialização.

A empresa não fornece informações exclusivas sobre a venda de cada tipo de equipamento que comercializa.

Em comunicado ao mercado, informa que a entrada de pedidos de máquinas no segundo trimestre de 2022 atingiu a cifra de R$ 480,3 milhões, com crescimento de 35,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

No primeiro trimestre, os pedidos somaram R$ 285,3 milhões, com evolução de 29,2% quando comparado com o de 2021.

“O ano de 2022 continuou indicando um ambiente favorável para a realização de investimentos, conforme podemos notar nos índices de confiança do empresariado e na utilização da capacidade instalada.

Essa recuperação no volume de negócios pode ser notada em todas as unidades, tanto nos negócios para o mercado doméstico, quanto nas exportações”, avalia Luiz Cassiano Rosolen, diretor-presidente.

De acordo com Lopes, o mercado de embalagens continua sendo a grande locomotiva das vendas de sopradoras.

“Porém, vemos um aumento na procura por máquinas para o mercado de peças técnicas, automotivas e utilidades domésticas”, ressalta.

As máquinas voltadas para embalagem mais procuradas são os modelos C 5TS e C 5TD, voltadas para a produção de frascos de 20 ml a 5 litros.

Sopradoras: Desempenho das embalagens impulsiona as vendas de máquinas ©QD Foto: Divulgação
Sopradora da linha MX, da Romi

“Elas apresentam força de fechamento que permite a operação de rebarba automática dos frascos, inclusive os com alça, e recursos tecnológicos de alto controle de espessura de parede, o que viabiliza a redução de peso sem comprometer a qualidade e desempenho das embalagens”.

O diretor destaca outras características dessas máquinas, como a possibilidade de customização conforme produção desejada e elevado índice de automação.

Para os clientes que buscam equipamentos para o sopro de embalagens 20 a 200 litros a empresa oferece a linha MX.

Um mercado bastante promissor, na opinião do diretor de comercialização, é o de máquinas com acionamento elétrico.

“Existe uma tendência de as maquinas hidráulicas passarem a ser elétricas, visando produtividade, ganho energético e garantindo área de molde limpa e livre de contaminantes”.

A empresa lançou em 2019, durante a última edição presencial da feira Plástico Brasil, o modelo C 15D.

Ele conta com dupla estação de moldagem, força de fechamento com 25 toneladas e sistema de extrusão contínua, voltado para a obtenção de grandes volumes de produção.

A máquina também possui cabeçotes de troca rápida de cores, programador de parison elétrico de até 512 pontos, esteira reunidora de peças e motor acoplado diretamente na extrusora, o que traz ganhos no desempenho e reduz o consumo de energia, além de sistema de extração traseira, que requer um espaço físico reduzido.

Lançamentos – A Multipet se apresenta como primeira empresa genuinamente brasileira especializada na fabricação de sopradoras para a resina PET.

Ela surgiu há 25 anos no mercado, em paralelo com o forte crescimento do uso da resina, e oferece opções de máquinas para transformar embalagens de 50 ml a 20 litros.

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Multipet lançou a família de sopradoras VBlow em junho

Outra característica da empresa é a de produzir, desde 2003, apenas modelos elétricos.

“Quando comparamos a demanda deste ano com a do ano passado, temos um decréscimo na criação de novos negócios, algo entre 20% a 25%”, explica Thiago Cavalcante, diretor executivo.

Para ele, os principais fatores para a retração são a elevação do custo do dinheiro, o cenário de incertezas gerado pelo desempenho da economia e a realização das eleições. Como atenuante, ele ressalta que a base de comparação é elevada.

“O ano passado foi o melhor dos últimos cinco anos”.

Uma estratégia tem sido a de procurar maior atuação no mercado externo.

A Mutipet recentemente fechou parceria com a empresa Simko, da Argentina, que além da representação comercial atuará com serviço de pós-venda na Argentina, Chile, Uruguai e Bolívia.

O projeto prevê aumentar o alcance dos negócios para toda a América Latina, forma de fortalecer a demanda por novos negócios e incrementar a qualidade dos equipamentos pelo fato de a empresa ficar exposta a mercados mais competitivos.

Em sua maioria, a clientela da Multipet é formada por empresas que verticalizam a fabricação de embalagens de seus produtos, entre os quais merecem destaque as de bebidas carbonatadas, água mineral e produtos para higiene e limpeza.

“Essas empresas em geral são de médio porte e investem para expandir suas capacidades de produção. Elas respondem por em torno de 80% de nossas vendas”.

Cavalcante ressalta que existem alguns mercados que, apesar de pequenos, vem crescendo a um ritmo maior que os demais.

“São os casos das cervejas artesanais e sucos frescos”.

A demanda por equipamentos da empresa está sendo puxada pelos modelos com maior capacidade nominal de produção e dotados com avanços tecnológicos.

“Cerca de 80% da nossa carteira de pedidos é formada pelas máquinas das séries Multipet8000 e Multipet10000, capazes de entregar, respectivamente, 8 mil e 10 mil garrafas de 500 ml por hora”.

De acordo com Cavalcante, esses equipamentos contam com sistema de aquecimento contínuo e controle de ventilação que propiciam, além de estabilidade e controle do processo, maior desempenho em processos mais exigentes, casos do sopro de embalagens de baixa gramatura e pré-formas com alto índice de material reciclado.

Na Fispal, feira sobre tecnologia para a indústria de alimentos, realizada em junho em São Paulo, a Multipet apresentou três lançamentos.

Um deles foi o da família de sopradoras VBlow, apresentada em modelos com oito, seis ou quatro cavidades.

O modelo vem fazendo sucesso, garante o diretor.

“Já temos uma alta procura pelas sopradoras da familia VBlow, que em sua configuração de oito cavidades tem capacidade de sopro de até 18 mil garrafas por hora”.

A disponibilidade de entrega do equipamento está prevista a partir do segundo trimestre de 2023.

Outra novidade é a sopradora ESA3-SE, nova versão da primeira sopradora elétrica automática da empresa, com capacidade de soprar até 6 mil garrafas de 500 ml por hora em três cavidades.

A Multipet lançou também a MCloud, ferramenta de monitoramento e manutenção online dos equipamentos.

“Alinhada com a indústria 4.0, essa ferramenta, com a ajuda de inteligência artificial, será capaz de fornecer diagnósticos mais precisos sobre o funcionamento dos equipamentos, além de agir de forma preventiva para evitar interrupções de funcionamento”.

Made in Italy – A italiana SMI oferece ao mercado máquinas rotativas de sopro para PET em diversos modelos, de 2 a 16 cavidades, com capacidades de produção que variam de 3 mil a 40 mil garrafas por hora.

A empresa atua no Brasil desde 1998, contando com escritório comercial próprio e estrutura de pós-venda com serviços de atendimento técnico e fornecimento de peças de reposição, além de dispor de showroom com máquinas em demonstração.

A disponibilidade de entrega de vários modelos é imediata.

Sopradoras: Desempenho das embalagens impulsiona as vendas de máquinas ©QD Foto: Divulgação
Alan Gios, responsável pelo marketing da SMI Brasil

“Todas as máquinas são produzidas na matriz italiana e podem ser importadas via filial brasileira ou diretamente”, explica Alan Gios, responsável pelo marketing da SMI Brasil.

De acordo com Gios, a busca por equipamentos de alta eficiência, desempenho e tecnologia está aquecida no mercado brasileiro.

“O segmento que vem apresentando maior procura por maquinas e soluções de automação em nosso mercado, sem dúvida, é o de alimentos e bebidas”.

Os clientes têm apresentado grande interesse por sopradoras de média capacidade, ou seja, máquinas de 4 a 10 cavidades, com produção de até 25 mil garrafas/hora.

A nova série de sopradoras SMI – EBS-KL Ergon foi desenvolvida justamente para atender a demanda deste público especifico.

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Equipamento SMI EBS-KL tem configuração compacta

“Com design ergonômico e reduzido footprint, a série KL apresenta modelos que vão de 4 a 10 cavidades em estruturas ultracompactas, integrando os módulos de aquecimento de pré-formas e carrossel de sopro em um único chassis”.

O executivo acrescenta que todos os equipamentos da marca contam com elementos que permitem recuperação de ar de alta pressão, trocas rápidas de formatos e moldes, preciso controle de temperatura, e ajustes automáticos controlados eletronicamente.

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