Sopradoras – Aumento da procura por modelos de injeção-sopro compromete as vendas das máquinas convencionais no mercado brasileiro

Plástico Moderno, Sopradoras - Aumento da procura por modelos de injeção-sopro compromete as vendas das máquinas convencionais no mercado brasileiro

O avanço do polietileno tereftalato (PET) nos segmentos de cosméticos, farmacêuticos e produtos alimentícios, tradicionais redutos do vidro e de commodities termoplásticas, impulsionou as vendas das máquinas de injeção-sopro (injection-blow) e dificultou a expansão das sopradoras convencionais no mercado interno. Nos últimos anos, a demanda também foi pressionada pela evolução tecnológica. Sopradoras, cada vez mais produtivas e econômicas, substituem duas ou mais obsoletas. “A produção e o consumo não crescem com a mesma velocidade dos ganhos produtivos dos novos equipamentos”, afirma o diretor-comercial da Pavan Zanetti, Newton Zanetti.

Plástico Moderno, Newton Zanetti, diretor-comercial da Pavan Zanetti, Sopradoras - Aumento da procura por modelos de injeção-sopro compromete as vendas das máquinas convencionais no mercado brasileiro
Zanetti: exportações estão em baixa desde 2004

Com isso, a demanda brasileira de sopradoras convencionais permanece entre 150 e 180 unidades/ano, conforme estimativas de especialistas do setor, com base em informações do próprio mercado. “Acompanhamos a escalada do PET principalmente sobre o polipropileno, além do PVC e dos polietilenos.

Alguns segmentos migraram em virtude do preço, competitivo em relação às demais commodities.” Segundo Zanetti, o quilo do PET chega a custar R$ 1,00 a menos que o do PP. “Embora a diferença em relação ao polietileno de alta densidade seja menor, vemos com preocupação a escalada de alta dos custos das resinas convencionais.”

Na avaliação de Zanetti, as aplicações mais atingidas foram as embalagens de água mineral, detergentes, vinagres, desinfetantes e sucos. “Os cosméticos têm sofrido assédio, e alguns segmentos devem migrar em breve. É uma situação preocupante. Não vejo outra solução que não passe pelo rebaixamento de custo dessas resinas.”
Porém, como fabricante de sopradoras, a Pavan Zanetti garante estar atenta à situação. “Temos projetos em andamento para atender a esse crescente mercado, visando produções médias de 3 mil frascos por hora até 2 mil ml. As novidades ainda não serão apresentadas na Brasilplast 2007, mas virão em breve”, garante.

Ação e reação – Há um ano a Pavan Zanetti importa injetoras da chinesa Tederic Machinery. As máquinas são indicadas para diversas aplicações, incluindo a produção de pré-formas de PET. “Notamos o interesse de pequenos transformadores em fabricar sua própria pré-forma para não depender dos grandes fabricantes.”Na maioria dos casos são empresas com pequena escala, até mesmo de modelos especiais de pré-formas.

Plástico Moderno, Uwe Margraf, diretor-geral da Bekum do Brasil, Sopradoras - Aumento da procura por modelos de injeção-sopro compromete as vendas das máquinas convencionais no mercado brasileiro
Margraf: lançamentos privilegiam custo otimizado

“Por não conseguirem custos competitivos optam por fabricar.” A importação não inclui os moldes. “Indicamos fabricantes nacionais.” As injetoras têm até 500 toneladas de força de fechamento. A Pavan é responsável pela assistência técnica e mantém estoque de peças de reposição.

O diretor-geral da Bekum do Brasil, Uwe Margraf, também observa a expansão do PET. “Está substituindo o sopro tradicional”, diz. Por isso, acredita que na Brasilplast o foco dos fabricantes de sopradoras será mostrar as aplicações onde cada processo agrega vantagens, seja em relação à extrusão contínua, injeção-sopro ou em tecnologias especiais. “O Brasil ainda tem mercados embrionários que no exterior são consolidados.”

Na avaliação de Margraf, a exposição deverá destacar o empenho dos fabricantes em reduzir o preço dos equipamentos e o custo do produto transformado. Para alcançar esses objetivos, buscam a economia de energia elétrica e o aumento da capacidade das máquinas. “É preciso garantir maior produtividade com custo otimizado. Nosso objetivo não é vender com base no preço do equipamento e sim no da embalagem final, ou seja, temos de oferecer a melhor relação custo/benefício”, diz. De acordo com ele, os clientes que fazem esse tipo de conta se surpreendem com o resultado. Dentre os mercados potenciais, Margraf cita o sopro asséptico e a co-extrusão de múltiplas camadas. Embora a Bekum fabrique equipamentos para injeção-sopro na Alemanha, o foco da empresa no Brasil são os processos contínuos, incluindo o asséptico e a co-extrusão.

Na co-extrusão, dois ou mais tipos de plásticos formam um conjunto de até sete camadas, agregando as propriedades específicas de cada uma das resinas utilizadas e ampliando o uso das embalagens. “O processo oferece soluções técnicas e econômicas para os mais altos requisitos de diversos segmentos como alimentício, cosméticos, agroquímicos, automobilístico, farmacêutico e medicinal.”Na indústria alimentícia, uma das aplicações mais difundidas são os frascos de leite longa-vida e sucos, com três e seis camadas, respectivamente, cuja vida útil alcança até doze meses. “Essas embalagens, em combinação com o PP, permitem o envase de alimentos a quente.”
Para as indústrias voltadas a altas produções, Margraf destaca o uso de sopradoras com múltiplas cavidades, elevada força de fechamento, gargalo calibrado e automação integrada com pós-resfriamento, estampagem hidráulica e saída orientada.
A combinação do sopro asséptico com a tecnologia de co-extrusão minimiza a contaminação por bactérias e ao mesmo tempo aumenta a vida útil dos produtos. “São tecnologias extremamente eficientes e pouco empregadas no Brasil.”
Até o momento, a co-extrusão está mais difundida no mercado de bombonas para o acondicionamento de agroquímicos. “Tem muito espaço para crescer em alimentos e cosméticos, entre outros”, afirma o gerente-comercial da Uniloy Milacron, Hercules Piazzo.

Carona no PET – Fora do mercado convencional, a Uniloy Milacron comemora o avanço da injeção-sopro e das exportações. Ressalta ainda ocrescimento do mercado de tanques de combustíveis. “A capacidade de produção das máquinas varia de frascos de 2 ml a tanques de mil litros.”

As vendas no Brasil atendem principalmente os segmentos de injeção-sopro de até 100 ml e sopro com cabeçote acumulador acima de 200 litros. Diversas empresas atuam no mercado de injeção-sopro e injeção-estiramento-sopro no Brasil, como a Nissei ASB, Aoki, Krones e Kammann, entre outras (confira as principais novidades da Brasilplast nesta edição).

De acordo com as empresas do setor, a concorrência acirrada e o dólar desvalorizado em relação ao real vão definir o cenário da Brasilplast 2007, favorecendo as importações e limitando as exportações. Mesmo assim, os fabricantes estão otimistas. “Os resultados do primeiro trimestre se equiparam aos volumes registrados no mesmo período de 2004. Estamos confiantes de que o desempenho vai se manter favorável até o fim do ano”, diz Zanetti.

Porém, ele não aposta numa reedição de 2005, um dos melhores anos para os fabricantes de sopradoras. Já a Uniloy Milacron acredita que vai alcançar os resultados daquele período, de carona no avanço da injeção-sopro e também nos segmentos de grande porte com a tecnologia de cabeçote acumulador. “O faturamento da filial brasileira deve chegar a 2,5 milhões de euros”, diz Piazzo.Enquanto os importadores se beneficiam com a desvalorização do dólar, os exportadores lamentam a desaceleração no ritmo de crescimento das vendas. “A Bekum do Brasil se preparou ao longo dos anos para entrar no mercado externo, se adequou às normas de segurança americanas e européias, divulgou a produção brasileira nas demais filiais e ganhou participação. O câmbio prejudicou esse trabalho”, lamenta Margraf. Dessa opinião compartilha Zanetti. “Está difícil impor metas para as exportações, que estão baixas desde 2004. Caso o câmbio se mantenha nesses patamares, a situação não vai melhorar em 2007.”

Plástico Moderno, Cristiano Cava, gerente-comercial da JAC, Sopradoras - Aumento da procura por modelos de injeção-sopro compromete as vendas das máquinas convencionais no mercado brasileiro
Cava: tendência é de produzir mais em menos tempo

Perfil – O mercado brasileiro de sopradoras pode ser classificado em três categorias: a de alta tecnologia e desempenho, dominada pelas marcas importadas; a das máquinas de combate, mais simples e funcionais, reduto dos fabricantes locais; e a intermediária, onde se acirra a disputa dos modelos nacionais com os importados.

Segundo os empresários do setor, o mercado intermediário está em expansão. Nos últimos anos, o transformador brasileiro passou a investir em sistemas completos de sopro e a exigir soluções de automação com o objetivo de obter melhor custo/benefício da máquina. Transformadores de médio porte, com atuação em produtos populares, de grande escala e baixo custo final, como os segmentos de higiene e limpeza, cosméticos e farmacêuticos, estão à frente dessa mudança.

A tendência ampliou o mercado das sopradoras importadas, cujos fabricantes já trabalham dessa forma há algum tempo, e forçou a adequação das marcas nacionais. O Brasil conta com pelo menos cinco fabricantes locais de sopradoras por extrusão contínua, dentre eles se destacam a Bekum, a JAC e a Pavan Zanetti.

Na avaliação do gerente-comercial da JAC, Cristiano Cava, o mercado de embalagens está cada vez mais exigente, forçando a verticalização do processo de produção. “Os transformadores buscam tecnologias avançadas para automatizar a fabricação, simplificar a mão-de-obra e produzir mais em menos tempo.”

Dentro desse contexto, os fabricantes de sopradoras trabalham para encontrar soluções mais eficazes. “Os novos desenvolvimentos têm por objetivo aumentar o número de cavidades, a velocidade dos movimentos e a precisão e a estabilidade de processo, além de reduzir o ciclo, produzindo embalagens totalmente acabadas e de qualidade”, afirma Cava. Zanetti também considera alto o atual estágio da tecnologia do sopro nacional. “Os equipamentos utilizam recursos modernos tanto na parte eletrônica quanto na hidráulica e pneumática.”

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