Sistemas de câmara quente registram demanda firme

Redução de defeitos e de resíduos atrai mais clientes para as câmaras quentes

“Fantástico”

Os negócios andam bastante favoráveis para a Yudo, empresa de origem sul-coreana com fábrica no Brasil. “Apesar das vicissitudes, as vendas do ano passado estiveram muito aquecidas, crescemos 50%”, comemora o diretor João Paulo Lourenço.

O otimismo se estende para o ano de 2021. “Estamos prevendo crescer 25%, muitos projetos dos clientes devem ser lançados nesse e no próximo ano”.

A empresa, quando chegou ao Brasil, contava com a indústria automobilística como carro chefe de seus negócios. Com os percalços enfrentados pelas montadoras nos últimos anos, diversificou seu campo de atuação. “Conseguimos muitos clientes novos”.

Entre as áreas destacadas, as indústrias de linha branca e de eletrodomésticos.

Em 2020, houve forte avanço no segmento de embalagens, estão surgindo muitos pedidos para moldes de múltiplas cavidades”. A torcida é para a pandemia não atrapalhar o cenário.

T-System, da Yudo, sistema tem comando elétrico nas válvulas ©QD Foto: Divulgação
T-System, da Yudo, tem comando elétrico nas válvulas

Uma dificuldade da empresa se concentra junto aos seus fornecedores.

No início do segundo semestre do ano passado, enfrentou períodos de atrasos nas entregas de matérias-primas. O problema diminuiu, mas surgiu outro. O preço dos insumos tem sofrido aumentos significativos.

“Nosso custo de produção aumentou de 10% a 12% e não conseguimos repassar essa diferença para os clientes. Estamos trabalhando com lucratividade reduzida”.

Um diferencial da empresa se encontra na tecnologia de seus sistemas valvulados cujos êmbolos são movidos por comandos elétricos.

De acordo com Lourenço, a tecnologia, por meio de ajuste simples de velocidade, tempo de abertura e curso de válvula, resolve problemas de marcas de fluxo, mistura de cadeia polimérica e a redução da taxa de cisalhamento, entre outras vantagens.

Uma novidade recente foi o lançamento do Yudata, produto que acoplado aos moldes fornece em tempo real toda a informação possível sobre o processo de injeção, molde e câmara quente.

É um produto indicado para a adoção da tecnologia ?.?.

“De um simples celular, o usuário obtém dados sobre consumo energético, temperatura da câmara quente, pressão, temperatura do molde, vazão da água, número de peças injetadas, entre muitas outras informações”.

Wilson Teixeira: Tecnoserv produção nacional se tornou mais competitiva ©QD Foto: Divulgação
Teixeira: produção nacional se tornou mais competitiva

Copo meio cheio – As vendas de câmaras quentes da Tecnoserv cresceram exatos 29,46% no ano passado.

O número parece ser bom motivo para comemorações. Mas há um senão.

“O mercado está bom e ruim. Bom porque a procura está bastante aquecida. Ruim porque os preços das matérias-primas, indexados ao dólar, estão crescendo muito”,

resume o diretor técnico Wilson Teixeira.

A empresa fabrica a grande maioria das câmaras que comercializa e mantém um acordo de transferência de tecnologia com a marca mundial Mastip no caso de alguns modelos.

O diretor explica de que forma o cenário econômico influencia no desempenho da empresa. “Os clientes estão descapitalizados, pedem prazos de 30 a 120 dias para pagar as encomendas.

Estou vendendo um quilo de mercadoria e quando recebo só consigo comprar meio quilo. Está muito difícil repassar os custos”.

Como tudo tem seu lado bom, o real desvalorizado tem facilitado as exportações.

A empresa, que já realizava negócios com China, Europa e Estados Unidos, passou a atender clientes em outros países. “Hoje estamos atingindo o México, Portugal, França e vários países da América do Sul”.

Sistema de câmaras quentes fabricado pela Tecnoserv ©QD Foto: Divulgação
Sistema de câmaras quentes fabricado pela Tecnoserv

Outro aspecto positivo, na opinião de Teixeira, tem sido o ganho de competitividade das ferramentarias nacionais perante as asiáticas. “Hoje muitos clientes temem realizar compras em dólar”.

A Tecnoserv oferece vários modelos de câmaras quentes, convencionais ou valvulados, para injeção horizontal ou vertical. No caso dos valvulados, os movimentos dos êmbolos são movidos por sistemas pneumáticos. Elas trabalham em moldes que processam todos os tipos de materiais, inclusive os que utilizam altos teores de cargas.

“Hoje existem aplicações de polipropileno com até 65% de fibra de vidro”.

A demanda tem sido forte para o mercado de embalagens. “Temos várias encomendas de moldes com 32, 48 e 64 cavidades”.

Um nicho que está crescendo é o de câmaras quentes para stackmolds. “Essa tecnologia está caindo no gosto de quem produz volumes elevados de peças”.

Consulta Rápida por Fornecedores – Sistemas de Câmara Quente:

Esperança e apreensão

Câmaras quentes com Flexflow, da HRS Flow ©QD Foto: Divulgação
Câmaras quentes com Flexflow, da HRS Flow

“O ano de 2020 foi positivo, as vendas fecharam dentro do budget projetado. Esse ano estamos muito apreensivos com o agravamento da pandemia. A doença não está controlada e não se sabe quando as coisas vão voltar à normalidade”, explica Luiz Carvalho, diretor geral para a América do Sul da marca de origem italiana HRS Flow, com fábricas na Itália, Estados Unidos e China e escritório de engenharia, assistência técnica e manutenção no Brasil.

A empresa é importante fornecedora da indústria automobilística, apesar de nos últimos anos ter adotado a estratégia de diversificar sua atuação.

Um exemplo se encontra no nicho de moldes de múltiplas cavidades.

Luiz Carvalho - Sistemas de Camara Quente - HRS Flow promete apresentar inovações ainda neste ano ©QD Foto: Divulgação
Luiz Carvalho – promete apresentar inovações ainda neste ano – HRS Flow

“Essa diversificação, por enquanto, tem alcançado mais sucesso em outras partes do mundo.

Na Europa, de quatro ou cinco anos para cá, conseguimos baixar a dependência automobilística”.

Por isso, o quadro atual vivido pelas montadoras no Brasil não é confortável. “Ainda estamos avaliando o impacto da saída da Ford.

Para efeito de número de projetos, pode ser relevante”.

Para fazer frente à elevação dos custos gerada pelo dólar e também pelo preço do aço e outros insumos, a empresa tem se esforçado para, a partir de um trabalho integrado de suas equipes montadas em diferentes países, criar soluções tecnológicas diferenciadas.

“Competirmos apenas com o preço é difícil, trabalhamos para a fidelização dos clientes a partir da qualidade dos produtos oferecidos”.

Um exemplo se encontra nas câmaras quentes dotadas com o sistema Flexflow, cujos movimentos são controlados por servocontrole.

“A tecnologia assegura o controle preciso e flexível da pressão e do fluxo do material. Ela é indicada para muitas aplicações e proporciona a produção de peças com melhor qualidade de superfície, permite o uso de máquinas com menor força de fechamento e outras vantagens”.

A HRS Flow promete fazer uma série de lançamentos de novos produtos esse ano. Um já anunciado é a família SA, indicada para a produção de peças de menor porte para a indústria automobilística. “Ela pode ser usada na produção de interruptores, por exemplo”. As outras novidades por enquanto são mantidas em sigilo.

Preço do Aço preocupa

A inflação dos insumos tem sido motivo de queda de rentabilidade para os fornecedores de câmaras quentes.

O insumo mais importante para o setor é o aço, cujo aumento de preço tem sido motivo de reclamações não só das empresas do setor, mas de todos os usuários da matéria-prima. José Velloso, presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), outro segmento bastante castigado por essa tendência, faz um resumo da situação.

“Se nós fizermos uma média entre dezembro de 2019 a dezembro de 2020, as siderúrgicas aumentaram o preço do aço em 45% a 65%, dependendo do tipo de produto. Nas distribuidoras, o aumento foi de 85% a 105% em apenas um ano”.

A chegada de 2021 não alterou o cenário. “Esse ano, até fevereiro, as siderúrgicas já aumentaram, em média, 30%”. Velloso lembra que o fenômeno começou pouco após a pandemia chegar ao Brasil. “As siderúrgicas desligaram os altos fornos pouco antes da pandemia, prevendo redução no consumo. Houve pequena queda em março de 2020 e uma queda maior em abril.

Em maio, o mercado começou a se aquecer e as siderúrgicas passaram a aproveitar a situação de maior demanda e pouca produção”. Ele promete intensificar o diálogo com as siderúrgicas para tentar encontrar uma solução.

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