Sistemas de câmara quente registram demanda firme

Redução de defeitos e de resíduos atrai mais clientes para as câmaras quentes

As vendas dos sistemas de câmaras quentes, vão muito bem, obrigado. As condições inusitadas pelas quais passa o país após a chegada da pandemia não atrapalharam os negócios dos fornecedores desses componentes dos moldes de injeção de plásticos no ano passado.

E as perspectivas para esse ano são boas, desde, é lógico, que as consequências geradas pela Covid-19 sejam amenizadas nos próximos meses. O sucesso da campanha de vacinação é visto como essencial para a manutenção dos bons resultados.

Entre as principais empresas do ramo podemos citar a Polimold, HRS Flow, Yudo e Tecnoserv. Eles informam que a demanda positiva atinge clientes de vários segmentos da economia. O destaque fica por conta do setor de embalagens.

Também são apontados como bons compradores no momento as indústrias de eletrodomésticos e eletroeletrônicos, componentes para saúde e outras.

A indústria automobilística

A indústria automobilística, que em 2020 iniciou o ano com vários projetos sendo tirados da gaveta, se retraiu no segundo semestre com a redução na venda de veículos e o baque sofrido com o encerramento das atividades industriais da Ford no Brasil. É o segmento em que se concentra a maior incerteza em relação a futuros lançamentos.

A desvalorização do real colabora com a exportação das câmaras quentes, filão de negócios a cada dia mais interessante. Sobre o quanto o câmbio proporciona de aumento de competitividade das ferramentarias brasileiras frente às asiáticas, as opiniões se dividem.

Alguns apontam que o temor dos clientes em fazer dívidas em dólar tem ajudado. Outros avaliam que mesmo com o dólar nas alturas os preços dos moldes asiáticos ainda são difíceis de serem acompanhados pelos brasileiros.

Nem tudo tem sido um mar de rosas para o setor. Todos os fornecedores reclamam muito dos preços dos insumos, que subiram de forma expressiva a partir do segundo semestre do ano passado e têm provocado redução importante das margens de lucro.

Com o atual clima da economia, está difícil repassar aos clientes o aumento dos custos de produção. Um aspecto bastante sensível nesse sentido tem sido o preço do aço, matéria-prima essencial para a construção das câmaras quentes (veja box adiante).

Cenário econômico à parte, um aspecto colabora muito com o bom desempenho das vendas.

Trata-se das vantagens proporcionadas pelo uso dos sistemas de câmaras quente.

Elas permitem a produção de peças sem os indesejáveis “galhos”, o que proporciona economia de matéria prima, eliminação da operação de moagem dos resíduos e reduz o uso de material reciclado nas linhas de produção.

As máquinas podem trabalhar com menor pressão de injeção e ciclos mais curtos, com economia de energia e fica mais fácil automatizar as linhas de produção. Há melhora do aspecto visual das peças e caem problemas como contrações e surgimento de linhas de emenda.

Em um mercado a cada dia mais competitivo, o índice de utilização das câmaras quentes nos moldes cresceu de maneira significativa nos últimos anos. No início do século, o investimento inicial necessário para a sua instalação fazia as empresas desistirem delas. Hoje ficaram raros os moldes projetados sem a presença do componente.

Consulta Rápida por Fornecedores – Sistemas de Câmara Quente:

Tecnologia dos Sistemas de Câmara Quente

Os sistemas de câmaras quentes são formados por manifolds, bicos e resistências elétricas, conjunto de componentes que operam com o auxílio externo de controladores de temperatura.

O projeto e construção desses sistemas exigem tecnologia sofisticada, em especial nas peças a serem injetadas dotadas com características diferenciadas.

São os casos, das que demandam acabamento superficial primoroso, dimensões com margens de precisão rigorosas ou grandes volumes de produção, entre outras propriedades.

O coração do sistema é o manifold. Projetado caso a caso, ele tem como função principal distribuir e conduzir o material plástico que vem do canhão da máquina injetora até as cavidades do molde.

Eles são aquecidos por resistências elétricas reguladas por controladores de temperatura para garantir que o material plástico se mantenha nas condições ideais até a finalização do preenchimento do molde.

Uma tendência vem se sobressaindo nos últimos anos, em especial para alguns tipos de peças. São as câmaras quentes chamadas de valvuladas. Elas apresentam uma característica diferenciada em relação às tradicionais.

Nos modelos normais, a vazão do plástico nos bicos de entrada do material nas cavidades dos moldes é constante.

Valvulados

Nos valvulados, nos bicos por onde sai o material usado na fabricação das peças são instaladas agulhas móveis, capazes de controlar a vazão da resina que preencherá o molde.

Os movimentos das agulhas são coordenados por êmbolos acionados por meio de circuitos pneumáticos, hidráulicos ou comandos elétricos.

Os sistemas valvulados surgiram com a necessidade de eliminação ou redução do vestígio no ponto de injeção nas peças em que se exige estética perfeita. Com o desenvolvimento da tecnologia, além da questão da aparência, foram percebidos outros ganhos e surgiram novas possibilidades de uso.

De quebra, os preços dos primeiros modelos valvulados, muito elevados, com o aumento da escala de produção se tornaram mais acessíveis.

Em algumas aplicações, os valvulados são quase imprescindíveis. A fabricação de peças de grande porte, como painéis de automóveis ou para-choques, nas quais a aparência precisa ser desprovida de defeitos é um caso.

Os moldes que produzem peças com massas muito diferentes, caso dos potes injetados ao mesmo tempo com suas tampas, é outro exemplo. Eles também são muito úteis na produção de peças com paredes finas produzidas em ciclos rápidos, como tampas, potes de embalagens, talheres e copos descartáveis.

A possibilidade de contar com maior diâmetro de entrada do material também pode ser valiosa em embalagens fabricadas com a tecnologia in mold label, pois reduz o tempo de injeção e diminui a possibilidade dos bicos por onde passam os materiais danificarem etiquetas e deixarem marcas nas embalagens.

O controle da vazão também se mostra quase indispensável em peças feitas com matérias-primas enriquecidas com grandes quantidades de fibras.

A todo vapor

“O mercado em 2020 estava extremamente comprador. Vendemos bem, precisamos adquirir novos equipamentos de usinagem para fazermos frente às encomendas”, revela Alexandre Fix, presidente da Polimold, empresa nacional fabricante de câmaras quentes.

O sucesso não se deu apenas no mercado interno, houve um incremento de negócios também nas exportações. “Tivemos um grande aumento de vendas para o mercado norte-americano; a Europa também contribuiu, mas em menor escala”.

O diretor informa que as perspectivas para 2021 continuam positivas. “Estamos com uma carteira de pedidos grande”. Mas demonstra preocupação com os estragos que possam vir a ser causados pelo descontrole da pandemia. “Estou apavorado com o que vem acontecendo este ano”.

Outra preocupação é com a elevação dos preços dos insumos necessários para fabricar os produtos.

Agenor Gualberto, gerente técnico da Polimold, faz um resumo do cenário vivido pela empresa nos últimos tempos.

Ele lembra que, depois de um primeiro semestre um tanto retraído, houve reviravolta a partir de agosto.

Agenor Gualberto - Polimold - equipamentos novos comprados para suprir demanda ©QD Foto: Divulgação
Agenor Gualberto – Polimold

“Aumentaram muito os pedidos, foi quando precisamos adquirir os novos equipamentos”.

A empresa comprou centros de usinagem, fresadoras e tornos com tecnologia de última geração.

No período de agosto a outubro, 60% das encomendas vieram da indústria automobilística.

“Eles resolveram dar andamento em projetos que estavam parados. Foram encomendadas, por exemplo, câmaras quentes para moldes de painéis de porta, consoles e outros muito sofisticados”.

Nos últimos meses do ano e até agora, o setor de embalagens passou a ganhar espaço em detrimento da indústria automobilística, que freou alguns investimentos.

“Hoje, 80% das encomendas são de moldes de múltiplas cavidades, muitos das quais para fabricantes de tampas”.

Sistema Infinity Poliflex, da Polimold, é indicado para peças técnicas ©QD Foto: Divulgação
Sistema Infinity Poliflex, da Polimold, é indicado para peças técnicas

A Polimold comercializa as câmaras quentes com a marca Infinity, dividida em dois subgrupos, Poliflex e Multiplic, ambos com modelos convencionais ou valvulados com êmbolos acionados por sistemas pneumáticos ou hidráulicos.

As Infinity Poliflex são indicadas para peças técnicas, casos de muitas fabricadas para a indústria automobilística. A Infinity Multiplic é voltada para o nicho de moldes de múltiplas cavidades.

“Fantástico”

Os negócios andam bastante favoráveis para a Yudo, empresa de origem sul-coreana com fábrica no Brasil. “Apesar das vicissitudes, as vendas do ano passado estiveram muito aquecidas, crescemos 50%”, comemora o diretor João Paulo Lourenço.

O otimismo se estende para o ano de 2021. “Estamos prevendo crescer 25%, muitos projetos dos clientes devem ser lançados nesse e no próximo ano”.

A empresa, quando chegou ao Brasil, contava com a indústria automobilística como carro chefe de seus negócios. Com os percalços enfrentados pelas montadoras nos últimos anos, diversificou seu campo de atuação. “Conseguimos muitos clientes novos”.

Entre as áreas destacadas, as indústrias de linha branca e de eletrodomésticos.

Em 2020, houve forte avanço no segmento de embalagens, estão surgindo muitos pedidos para moldes de múltiplas cavidades”. A torcida é para a pandemia não atrapalhar o cenário.

T-System, da Yudo, sistema tem comando elétrico nas válvulas ©QD Foto: Divulgação
T-System, da Yudo, tem comando elétrico nas válvulas

Uma dificuldade da empresa se concentra junto aos seus fornecedores.

No início do segundo semestre do ano passado, enfrentou períodos de atrasos nas entregas de matérias-primas. O problema diminuiu, mas surgiu outro. O preço dos insumos tem sofrido aumentos significativos.

“Nosso custo de produção aumentou de 10% a 12% e não conseguimos repassar essa diferença para os clientes. Estamos trabalhando com lucratividade reduzida”.

Um diferencial da empresa se encontra na tecnologia de seus sistemas valvulados cujos êmbolos são movidos por comandos elétricos.

De acordo com Lourenço, a tecnologia, por meio de ajuste simples de velocidade, tempo de abertura e curso de válvula, resolve problemas de marcas de fluxo, mistura de cadeia polimérica e a redução da taxa de cisalhamento, entre outras vantagens.

Uma novidade recente foi o lançamento do Yudata, produto que acoplado aos moldes fornece em tempo real toda a informação possível sobre o processo de injeção, molde e câmara quente.

É um produto indicado para a adoção da tecnologia ?.?.

“De um simples celular, o usuário obtém dados sobre consumo energético, temperatura da câmara quente, pressão, temperatura do molde, vazão da água, número de peças injetadas, entre muitas outras informações”.

Wilson Teixeira: Tecnoserv produção nacional se tornou mais competitiva ©QD Foto: Divulgação
Teixeira: produção nacional se tornou mais competitiva

Copo meio cheio – As vendas de câmaras quentes da Tecnoserv cresceram exatos 29,46% no ano passado.

O número parece ser bom motivo para comemorações. Mas há um senão.

“O mercado está bom e ruim. Bom porque a procura está bastante aquecida. Ruim porque os preços das matérias-primas, indexados ao dólar, estão crescendo muito”,

resume o diretor técnico Wilson Teixeira.

A empresa fabrica a grande maioria das câmaras que comercializa e mantém um acordo de transferência de tecnologia com a marca mundial Mastip no caso de alguns modelos.

O diretor explica de que forma o cenário econômico influencia no desempenho da empresa. “Os clientes estão descapitalizados, pedem prazos de 30 a 120 dias para pagar as encomendas.

Estou vendendo um quilo de mercadoria e quando recebo só consigo comprar meio quilo. Está muito difícil repassar os custos”.

Como tudo tem seu lado bom, o real desvalorizado tem facilitado as exportações.

A empresa, que já realizava negócios com China, Europa e Estados Unidos, passou a atender clientes em outros países. “Hoje estamos atingindo o México, Portugal, França e vários países da América do Sul”.

Sistema de câmaras quentes fabricado pela Tecnoserv ©QD Foto: Divulgação
Sistema de câmaras quentes fabricado pela Tecnoserv

Outro aspecto positivo, na opinião de Teixeira, tem sido o ganho de competitividade das ferramentarias nacionais perante as asiáticas. “Hoje muitos clientes temem realizar compras em dólar”.

A Tecnoserv oferece vários modelos de câmaras quentes, convencionais ou valvulados, para injeção horizontal ou vertical. No caso dos valvulados, os movimentos dos êmbolos são movidos por sistemas pneumáticos. Elas trabalham em moldes que processam todos os tipos de materiais, inclusive os que utilizam altos teores de cargas.

“Hoje existem aplicações de polipropileno com até 65% de fibra de vidro”.

A demanda tem sido forte para o mercado de embalagens. “Temos várias encomendas de moldes com 32, 48 e 64 cavidades”.

Um nicho que está crescendo é o de câmaras quentes para stackmolds. “Essa tecnologia está caindo no gosto de quem produz volumes elevados de peças”.

Consulta Rápida por Fornecedores – Sistemas de Câmara Quente:

Esperança e apreensão

Câmaras quentes com Flexflow, da HRS Flow ©QD Foto: Divulgação
Câmaras quentes com Flexflow, da HRS Flow

“O ano de 2020 foi positivo, as vendas fecharam dentro do budget projetado. Esse ano estamos muito apreensivos com o agravamento da pandemia. A doença não está controlada e não se sabe quando as coisas vão voltar à normalidade”, explica Luiz Carvalho, diretor geral para a América do Sul da marca de origem italiana HRS Flow, com fábricas na Itália, Estados Unidos e China e escritório de engenharia, assistência técnica e manutenção no Brasil.

A empresa é importante fornecedora da indústria automobilística, apesar de nos últimos anos ter adotado a estratégia de diversificar sua atuação.

Um exemplo se encontra no nicho de moldes de múltiplas cavidades.

Luiz Carvalho - Sistemas de Camara Quente - HRS Flow promete apresentar inovações ainda neste ano ©QD Foto: Divulgação
Luiz Carvalho – promete apresentar inovações ainda neste ano – HRS Flow

“Essa diversificação, por enquanto, tem alcançado mais sucesso em outras partes do mundo.

Na Europa, de quatro ou cinco anos para cá, conseguimos baixar a dependência automobilística”.

Por isso, o quadro atual vivido pelas montadoras no Brasil não é confortável. “Ainda estamos avaliando o impacto da saída da Ford.

Para efeito de número de projetos, pode ser relevante”.

Para fazer frente à elevação dos custos gerada pelo dólar e também pelo preço do aço e outros insumos, a empresa tem se esforçado para, a partir de um trabalho integrado de suas equipes montadas em diferentes países, criar soluções tecnológicas diferenciadas.

“Competirmos apenas com o preço é difícil, trabalhamos para a fidelização dos clientes a partir da qualidade dos produtos oferecidos”.

Um exemplo se encontra nas câmaras quentes dotadas com o sistema Flexflow, cujos movimentos são controlados por servocontrole.

“A tecnologia assegura o controle preciso e flexível da pressão e do fluxo do material. Ela é indicada para muitas aplicações e proporciona a produção de peças com melhor qualidade de superfície, permite o uso de máquinas com menor força de fechamento e outras vantagens”.

A HRS Flow promete fazer uma série de lançamentos de novos produtos esse ano. Um já anunciado é a família SA, indicada para a produção de peças de menor porte para a indústria automobilística. “Ela pode ser usada na produção de interruptores, por exemplo”. As outras novidades por enquanto são mantidas em sigilo.

Preço do Aço preocupa

A inflação dos insumos tem sido motivo de queda de rentabilidade para os fornecedores de câmaras quentes.

O insumo mais importante para o setor é o aço, cujo aumento de preço tem sido motivo de reclamações não só das empresas do setor, mas de todos os usuários da matéria-prima. José Velloso, presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), outro segmento bastante castigado por essa tendência, faz um resumo da situação.

“Se nós fizermos uma média entre dezembro de 2019 a dezembro de 2020, as siderúrgicas aumentaram o preço do aço em 45% a 65%, dependendo do tipo de produto. Nas distribuidoras, o aumento foi de 85% a 105% em apenas um ano”.

A chegada de 2021 não alterou o cenário. “Esse ano, até fevereiro, as siderúrgicas já aumentaram, em média, 30%”. Velloso lembra que o fenômeno começou pouco após a pandemia chegar ao Brasil. “As siderúrgicas desligaram os altos fornos pouco antes da pandemia, prevendo redução no consumo. Houve pequena queda em março de 2020 e uma queda maior em abril.

Em maio, o mercado começou a se aquecer e as siderúrgicas passaram a aproveitar a situação de maior demanda e pouca produção”. Ele promete intensificar o diálogo com as siderúrgicas para tentar encontrar uma solução.

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