Plástico

Siresp – Petroquímica avança para um ciclo mundial de altíssima competitividade

Maria Aparecida de Sino Reto
17 de janeiro de 2008
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    O retorno à rota alcoolquímica deve provocar algumas reflexões na sociedade. Será preciso contornar alguns reveses gerados pelo impulso à produção canavial, como lidar com o deslocamento de culturas, da agropecuária, entre os transtornos. “O Brasil se transformou no maior exportador de carne do mundo e isso voltou a ser um bom negócio, então a cana desloca o produtor de gado; também se tornou o país mais competitivo do mundo em papel e celulose, que tem um programa de investimento muito forte a médio e longo prazos”, pondera. O Brasil deve se preparar para uma reviravolta na sua área rural, com alta acentuada nos preços da terra, mudanças nos hábitos e costumes e alterações no sistema e na qualidade de vida do meio rural. As cidades interioranas não dispõem de infra-estrutura suficiente para atender a esse novo movimento social. “Nós não estamos preparados para essa grande mudança no interior do Brasil; o país não tem um projeto de curto, médio e longo prazos para tratar dessas dificuldades”, alerta Roriz.

    Aceno à distribuição – Tomadas as grandes decisões e findos os principais movimentos do rearranjo da petroquímica brasileira, o ano de 2008 não reserva grandes surpresas na segunda geração. O momento agora é dos ajustes. Entre essas lapidações, se encaixam os braços comerciais das indústrias produtoras de resinas – os distribuidores, que assumem o temor de uma piora nas condições de atuação e sobrevivência no mercado.

    Composto por grande número de empresas e concorrência acirrada, é fato que o varejo precisa se reestruturar para ganhar musculatura competitiva. No final do ano passado, o empresário Wilson Cataldi deu o pontapé inicial no processo ao anunciar a fusão de suas três empresas (Piramidal, Ruttino e Polimarketing) em um só ativo: a Piramidal (ver PM 398, dezembro de 2007, pág. 60). Enquanto o segmento distribuidor vê sua sobrevivência ameaçada pelo fato de terem sobrado apenas dois grupos na liderança da segunda geração, Roriz aponta aspectos positivos desse novo quadro: “Acho que duas empresas grandes vão olhar para as grandes contas, focar em grandes negócios e desenvolver grandes projetos. Muitos clientes, considerados médios para as petroquímicas até então existentes, serão pequenos para esses dois conglomerados.”

    Existe espaço para a distribuição, porém, ele alerta para a necessidade de o mercado se profissionalizar cada vez mais, ganhar escala, buscar acesso a crédito para dispor de capital de giro barato e operar com custos de logística e armazenagem menores, a fim de se candidatar a distribuir os produtos desses conglomerados. O presidente do Siresp atenta o setor para o fortalecimento da concorrência externa no cenário doméstico, favorecida pela alta competitividade e valorização do real. “A importação de resinas representa hoje uma parcela significativa do mercado.”

    Plástico Moderno, Siresp - Petroquímica avança para um ciclo mundial de altíssima competitividade

    Alta animadora – Projeções da Comissão Setorial de Resinas Termoplásticas da Associação Brasileira da Indústria Química (Coplast/Abiquim) para o desempenho de 2007 apontam um crescimento de quase 10% no consumo doméstico das resinas commodities (os vários tipos de polietileno, PP, PS, PVC e EVA), somadas as vendas internas, as vendas VIPE (internas para exportação) e as importações. O estudo estima que, no período de janeiro a dezembro de 2007, esse volume seja de 4,4 milhões de toneladas, contra 4,0 milhões no mesmo período do ano anterior. É interessante observar o crescimento das importações em 2007, com a expansão considerável de 22,16% sobre 2006. A quantidade de resinas importadas no ano passado deve beirar 700 mil toneladas. Na contrapartida, as vendas internas, que consideram apenas os produtos de fabricação nacional, cresceram 7,43% no período analisado. A segunda geração brasileira internou 3,5 milhões de t, em 2007, e 3,3 milhões de t, em 2006.

    Após um persistente baixo consumo registrado nos últimos anos, o PVC se reergueu junto com seu principal mercado, a construção civil, e deve fechar 2007 com motivos para comemorar um dos melhores resultados do mercado das commodities. Considerada a soma das vendas internas, as vendas VIPE e as importações, o mercado brasileiro absorveu 14,63% mais PVC. Foram cerca de 858 mil toneladas, em 2007, contra 748 mil, em 2006.

    Também o polipropileno, por sua versatilidade, mantém firme posição entre as resinas com maiores índices de crescimento. Sobre a mesma base comparativa, a commodity superou 1,2 milhão de toneladas e avançou 10,80% sobre 2006. As perspectivas são igualmente muito boas para o EVA, que ao longo dos últimos anos registra taxas significativas de crescimento. O volume é baixo, cerca de 60 mil toneladas, em 2007, mas a alta prevista sobre 2006 é de 19,12%.



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