Siresp – Petroquímica avança para um ciclo mundial de altíssima competitividade

Plástico Moderno, José Ricardo Roriz Coelho, presidente do Siresp, Siresp - Petroquímica avança para um ciclo mundial de altíssima competitividade
Roriz prevê maior demanda de resinas, mas pressão nos custos de insumos preocupa

Ano de grande movimento na primeira e na segunda gerações petroquímicas, 2007 ficou marcado pelo rearranjo e consolidação desses setores, concretização ocorrida em momento dos mais oportunos, na avaliação de José Ricardo Roriz Coelho, presidente do Siresp – Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas. Sua opinião se fundamenta no fato de a indústria petroquímica mundial acenar um novo ciclo estratégico de atuação, no qual os competidores americanos e europeus se reestruturaram antes, para enfrentar a nova realidade competitiva mundial, com a entrada agressiva e eminente de grande volume de produção do Oriente Médio, além da Ásia. A indústria brasileira se contextualizou no panorama global, que será de alta concorrência nos próximos anos.

“De começo, vai ter um rearranjo na oferta da petroquímica mundial, que vai afetar a competitividade, então, quem não aproveitar as oportunidades e não se precaver contra as ameaças que essa mudança vai causar, possivelmente, estará fora do mapa da petroquímica mundial”, alerta Roriz.

O desfecho da consolidação brasileira resultou na formação de dois conglomerados de grande porte,com a oferta de produtos diferenciados e fábricas de escala mundial, ambos tendo como sócia a Petrobras. Essa participação da estatal é importante no processo, na avaliação do presidente do Siresp, que não vê uma reestatização do setor petroquímico. “A melhor alternativa, hoje, é essa.” Embora minoritária, a participação da Petrobras nos dois grupos da segunda geração representa uma fonte assegurada de insumos petroquímicos e alta capacidade de investimento. A integração do refino confere vantagens competitivas às petroquímicas.

Consumidora das resinas, a indústria de transformação não esconde seu receio sobre essa concentração nas mãos de apenas dois grupos. O principal temor incide na possibilidade de tolher ainda mais a capacidade de negociação dos transformadores. Na verdade, a maior parte deles não tem acesso direto às petroquímicas. Compram pequenos e médios volumes de termoplásticos, se abastecendo na distribuição ou revenda.

O presidente do Siresp contemporiza. Ele acredita que as duas produtoras de resina tenham a sensibilidade de olhar a carência da cadeia do plástico a fim de mantê-la competitiva como um todo. Isso significa trabalhar junto com as empresas da terceira geração, desenvolver com elas projetos para impulsionar o consumo de plásticos no país, e proporcionar aos transformadores acesso nos mercados internacionais de maneira competitiva. “Caso isso não ocorra, certamente, nós seremos exportadores de resinas e importadores de produtos transformados.” Na opinião de Roriz, a transformação brasileira passa também por momento decisivo e precisa acelerar o processo de mudanças e reestruturação. Ele ressalta que essa indústria continua fragmentada, com baixa escala produtiva e investimento tecnológico reduzido. Porém reconhece o acesso a crédito difícil e caro, a incidência de uma carga tributária extremamente excessiva, e os custos de logística superiores aos dos países produtores de transformados que competem com o brasileiro.

A esses aspectos se soma a questão da valorização do real, que impõe aos transformadores brasileiros uma competição desfavorável em países onde tais fatores estruturais não oneram tanto as empresas, como acontece no Brasil. “E aí eu pergunto: Estamos preparados para concorrer com produtos transformados asiáticos? Senão, para quem é que vamos vender as resinas termoplásticas? Para os transformadores brasileiros? Ou seremos obrigados a exportar para aqueles países onde oferecem melhores condições de competitividade para a indústria de transformação?”

Quadro sombrio – Se o desempenho em 2007 deixou rastros positivos, lastreados em uma facilidade maior ao crédito, que impulsionou o consumo em diversos segmentos, como o automotivo, os de linha branca e marrom, e a construção civil, muitas incertezas rondam o início de 2008. O ano desponta com o cenário internacional receoso de uma eventual recessão na maior economia do mundo – o mercado americano –, e o impacto que teria sobre os países emergentes, em especial o Brasil. “Tivemos no ano passado um crescimento bastante representativo e a dúvida é se poderíamos repetir, ou mesmo crescer mais, tendo em vista esse cenário internacional que se apresenta um pouco nebuloso”, avalia Roriz.

Mesmo assim, ele vê grande possibilidade de os setores que sobressaíram no ano passado seguirem de vento em popa também em 2008. O presidente do Siresp ainda prevê a entrada de outros segmentos nessa trilha de crescimento, como a agricultura, que promete colheita farta: “a safra será de mais de 135 milhões de toneladas de grãos”, comemora. Ademais, grandes investimentos levados a cabo pela indústria, na produção de etanol, de papel e celulose, mineração, siderurgia e cimento, acenam novos impulsos às economias regionais. “A conseqüência de tudo isso é uma demanda maior, que vai puxar o consumo de termoplásticos”, argumenta.

No entanto, os altos custos da nafta e outros insumos atrelados ao petróleo, que bateu na casa dos US$ 100 o barril, atormentam toda a cadeia do plástico. Disposto a incitar a reflexão no setor, o presidente do Siresp lança algumas questões: “Como fazer para manter o crescimento? Para sustentar o desenvolvimento de novas aplicações, com os preços das matérias-primas tão altos? Será que materiais sucedâneos, tendo em vista esses novos patamares de preço das resinas, voltarão a ser tão competitivos como o plástico tem sido nas duas últimas décadas?” Nesse contexto, despontam as produções de polietileno e policloreto de vinila com etileno proveniente do etanol, obtido pela rota alcoolquímica, como alternativa à nafta. A Dow, a Braskem e a Solvay anunciaram projetos do gênero. Mas mesmo esse caminho produtivo tem lá seu viés, como o fornecimento contínuo por longo prazo de insumos em quantidade suficiente, uma vez que a prioridade é a produção de combustível. “O que o tempo vai demonstrar é até que ponto essas resinas serão competitivas e, se forem, qual vai ser a parcela do mercado convencional que elas irão conquistar.” Para ele, existem mercados onde os consumidores até mostram disposição para pagar mais caro pelo produto.

O retorno à rota alcoolquímica deve provocar algumas reflexões na sociedade. Será preciso contornar alguns reveses gerados pelo impulso à produção canavial, como lidar com o deslocamento de culturas, da agropecuária, entre os transtornos. “O Brasil se transformou no maior exportador de carne do mundo e isso voltou a ser um bom negócio, então a cana desloca o produtor de gado; também se tornou o país mais competitivo do mundo em papel e celulose, que tem um programa de investimento muito forte a médio e longo prazos”, pondera. O Brasil deve se preparar para uma reviravolta na sua área rural, com alta acentuada nos preços da terra, mudanças nos hábitos e costumes e alterações no sistema e na qualidade de vida do meio rural. As cidades interioranas não dispõem de infra-estrutura suficiente para atender a esse novo movimento social. “Nós não estamos preparados para essa grande mudança no interior do Brasil; o país não tem um projeto de curto, médio e longo prazos para tratar dessas dificuldades”, alerta Roriz.

Aceno à distribuição – Tomadas as grandes decisões e findos os principais movimentos do rearranjo da petroquímica brasileira, o ano de 2008 não reserva grandes surpresas na segunda geração. O momento agora é dos ajustes. Entre essas lapidações, se encaixam os braços comerciais das indústrias produtoras de resinas – os distribuidores, que assumem o temor de uma piora nas condições de atuação e sobrevivência no mercado.

Composto por grande número de empresas e concorrência acirrada, é fato que o varejo precisa se reestruturar para ganhar musculatura competitiva. No final do ano passado, o empresário Wilson Cataldi deu o pontapé inicial no processo ao anunciar a fusão de suas três empresas (Piramidal, Ruttino e Polimarketing) em um só ativo: a Piramidal (ver PM 398, dezembro de 2007, pág. 60). Enquanto o segmento distribuidor vê sua sobrevivência ameaçada pelo fato de terem sobrado apenas dois grupos na liderança da segunda geração, Roriz aponta aspectos positivos desse novo quadro: “Acho que duas empresas grandes vão olhar para as grandes contas, focar em grandes negócios e desenvolver grandes projetos. Muitos clientes, considerados médios para as petroquímicas até então existentes, serão pequenos para esses dois conglomerados.”

Existe espaço para a distribuição, porém, ele alerta para a necessidade de o mercado se profissionalizar cada vez mais, ganhar escala, buscar acesso a crédito para dispor de capital de giro barato e operar com custos de logística e armazenagem menores, a fim de se candidatar a distribuir os produtos desses conglomerados. O presidente do Siresp atenta o setor para o fortalecimento da concorrência externa no cenário doméstico, favorecida pela alta competitividade e valorização do real. “A importação de resinas representa hoje uma parcela significativa do mercado.”

Plástico Moderno, Siresp - Petroquímica avança para um ciclo mundial de altíssima competitividade

Alta animadora – Projeções da Comissão Setorial de Resinas Termoplásticas da Associação Brasileira da Indústria Química (Coplast/Abiquim) para o desempenho de 2007 apontam um crescimento de quase 10% no consumo doméstico das resinas commodities (os vários tipos de polietileno, PP, PS, PVC e EVA), somadas as vendas internas, as vendas VIPE (internas para exportação) e as importações. O estudo estima que, no período de janeiro a dezembro de 2007, esse volume seja de 4,4 milhões de toneladas, contra 4,0 milhões no mesmo período do ano anterior. É interessante observar o crescimento das importações em 2007, com a expansão considerável de 22,16% sobre 2006. A quantidade de resinas importadas no ano passado deve beirar 700 mil toneladas. Na contrapartida, as vendas internas, que consideram apenas os produtos de fabricação nacional, cresceram 7,43% no período analisado. A segunda geração brasileira internou 3,5 milhões de t, em 2007, e 3,3 milhões de t, em 2006.

Após um persistente baixo consumo registrado nos últimos anos, o PVC se reergueu junto com seu principal mercado, a construção civil, e deve fechar 2007 com motivos para comemorar um dos melhores resultados do mercado das commodities. Considerada a soma das vendas internas, as vendas VIPE e as importações, o mercado brasileiro absorveu 14,63% mais PVC. Foram cerca de 858 mil toneladas, em 2007, contra 748 mil, em 2006.

Também o polipropileno, por sua versatilidade, mantém firme posição entre as resinas com maiores índices de crescimento. Sobre a mesma base comparativa, a commodity superou 1,2 milhão de toneladas e avançou 10,80% sobre 2006. As perspectivas são igualmente muito boas para o EVA, que ao longo dos últimos anos registra taxas significativas de crescimento. O volume é baixo, cerca de 60 mil toneladas, em 2007, mas a alta prevista sobre 2006 é de 19,12%.

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