Plástico

Silicone – Versátil, polímero ainda esbarra em preço para crescer no país

Marcio Azevedo
26 de dezembro de 2008
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    Esse óleo praticamente não migra; tal propriedade é desejada pelos composteiros, uma vez que o fenômeno pode atrapalhar quem precisa colorir o produto final. A aplicação desse tipo de aditivo pode ser encarada de duas maneiras. Em concentrações de até 1%, há ganho para o processo, pois será necessário menor torque, menos energia, para a extrusão da mesma quantidade de composto, pois a lubrificação do canhão se torna mais eficiente. As peças finais se desprendem com maior agilidade do molde e a aparência superficial se torna mais brilhante. O outro enfoque se volta para aditivação de teores entre 1% e 5%, em que começam a se notabilizar os efeitos nos dotes mecânicos e superficiais, em particular no deslizamento (slip), na redução do coeficiente de fricção dinâmico (COF, de coefficient of friction), na elevação da resistência à abrasão, e na superior maciez ao toque.

    O óleo já é vendido no Brasil. O consumo cresce, puxado por produtores de compostos de polipropileno para a indústria automotiva e produtores de cabos de polietileno para fios e cabos. Mas o preço do silicone ainda é uma desvantagem, no contato inicial. “Os fabricantes de compostos com altos teores de carga são os primeiros a aprovar esse produto. Há vários outros aditivos mais baratos que podem ser utilizados; e o cliente testa todos eles primeiro, antes de optar pelo silicone”, relata o gerente.

    A indústria automotiva, agora, apenas a internacional, também está utilizando um outro polissiloxano, modificado, em aplicações de adesivos e selantes. O polímero elástico é isento de catalisador com base em estanho e, não contendo solventes, pouco contribui para a emissão de VOCs (volatile organic compounds, compostos orgânicos voláteis), uma exigência crescente para materiais de fabricação de automóveis. O produto pode substituir outros silicones ou poliuretano, e tem sido bem-aceito na fixação de vidros automotivos, e até na indústria aeronáutica.

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    O silício metálico é um dos insumos da produção de silicone

     

    A Wacker praticamente não produz borrachas e produtos para a indústria de plásticos no Brasil. No caso dos elastômeros, a empresa, por estratégia, e pela grande infra-estrutura necessária, concentra a produção na Alemanha, mundialmente. Os maiores volumes da fábrica brasileira são espumantes para a indústria de papel e celulose, aditivos para cosméticos e para clientes da área têxtil.

    Diversidade – Os principais fabricantes de derivados poliméricos do silício costumam dominar a produção de diversas criações oriundas dessa mesma química. Assim, a Bluestar Silicones, originada pela venda dos negócios da Rhodia no ramo para a China National Bluestar, atende clientes de vários setores, tendo vendas importantes, no Brasil, de emulsões amaciantes para aplicações têxteis, de antiespumantes para petróleo, de produtos para a indústria química em geral e para produtores de açúcar e álcool, e de isolantes elétricos de borrachas de silicone substituindo cerâmica. Os elastômeros, tradicionalmente, são muito utilizados também em cabos de velas, outros tipos de cabos e mangueiras; como resinas, são apreciados nas tecnologias de release coatings, como são denominados os revestimentos destinados à proteção de adesivos antes de seu uso, em rotulagem. São, grosso modo, alguns dos “grandes” mercados locais, para todos os produtores.

    Nessa diversidade, mesmo levando-se em conta que silicones são especialidades, os óleos acabam sendo relegados como produtos um pouco menos sofisticados, quase uma commodity em meio a tantos outros especiais. Não obstante, na indústria de plástico, onde esses polímeros são utilizados como desmoldantes, também ocorrem desenvolvimentos para qualificar os materiais. O silicone é preferido para essa aplicação pela sua inércia e resistência ao calor. O material não se degrada, não causa manchas ao molde ou às peças (exceto, se em excesso) e não origina depósitos. Óleos minerais podem ser considerados como alternativas mais baratas, mas pecam pela estabilidade térmica e inércia química menores, podendo manchar e sujar moldes e peças.

    Plástico Moderno, Israel Barreira Motta, Gerente de pesquisa e desenvolvimento da Bluester Silicones, Silicone - Versátil, polímero ainda esbarra em preço para crescer no país

    Motta: BlueStar pode auxiliar projetos para mudar desmoldante

     

    Segundo Israel Barreira Motta, gerente de pesquisa e desenvolvimento da Bluestar Silicones da filial brasileira, a empresa fornece emulsões de óleos de silicone para essa aplicação, na moldagem de termoplásticos, borracha, poliuretano e resinas termofixas. O polidimetilssiloxano é um dos materiais mais comuns utilizado nesse mister, mas há grande variedade de cadeias com diferentes grupos laterais e terminações. Na tecnologia menos complexa, o óleo é aplicado no molde manualmente após determinado número de ciclos, pois a retirada das peças reduz paulatinamente a substância das paredes metálicas.

    Porém, explica Motta, modificações realizadas nas cadeias de polissiloxanos, como a substituição de grupos terminais metílicos por agrupamentos Si-H, permitem que o novo óleo intensifique interações dipolo e a afinidade com o metal, formando um filme semipermanente na superfície interna do molde. Esse tipo de silicone permanece por muito mais ciclos na ferramenta, e se adapta a equipamentos com aplicação automática, necessários a linhas de produção com capacidade elevada. A capacidade de lubrificação, igualmente, é superior; portanto, além de diminuir a quantidade do desmoldante necessária, o número de peças retiradas para cada aplicação do óleo cresce.



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