Plástico

Silicone – Versátil, polímero ainda esbarra em preço para crescer no país

Marcio Azevedo
26 de dezembro de 2008
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    A outra família de produtos de borracha, a das líquidas (também chamadas LSR, ou liquid silicone rubber), é composta por materiais bicomponentes prontos para uso: um componente contendo o reticulante, e o outro, o catalisador (um hidrogenossiloxano e um complexo de platina, respectivamente). A consistência da LSR decorre das cadeias poliméricas menores e da proporção de cargas.

    Na linha de produção do cliente, são adicionados apenas os pigmentos. Todos os demais aditivos e cargas já vêm incorporados à matéria-prima bicomponente. Outra diferença importante recai nas máquinas que realizam o processamento da matéria-prima. Os componentes são alimentados por bombas dosadoras utilizando-se tambores ou baldes separados, e transportados para misturadores estáticos (paralelamente pode ocorrer a dosagem de pigmentos). Após essa mistura, acontece a injeção, semelhante à de uma borracha sólida.

    Plástico Moderno, Silicone - Versátil, polímero ainda esbarra em preço para crescer no país

    A poliuréia silicone, transparente, adapta-se à aplicação em filmes

     

    A necessidade por borrachas líquidas é um imperativo de linhas de elevada produtividade e larga escala, tanto pelas maiores velocidades de processamento e cura do material, quanto pelos altos custos dos equipamentos necessários ao seu processamento. Na forma líquida, o preenchimento do molde é mais rápido, e a cura pode se iniciar quase que imediatamente após a injeção. Nas HTVs, o ciclo de injeção é maior, assim como o tempo de cura.

    Uma das grandes aplicações para as LSRs são os selos de vedação utilizados na indústria automobilística. Revestimentos para aplicação em peças plásticas também são comuns.

    Termoplástico – Embora o mercado de peças moldadas de silicone seja dominado pelas borrachas termofixas, existem versões modificadas, com habilidades termoplásticas. A Wacker desenvolveu há alguns anos um silicone termoplástico elastomérico, com elevado valor agregado, porém ainda em fase de aprimoramento de aplicações com parceiros. Os grupos nitrogenados desse copolímero de polidimetilssiloxano com uréia criam atrações físicas do tipo ponte de hidrogênio entre suas cadeias, que são rompidas quando o material é aquecido, e que se regeneram no resfriamento, reversivelmente, como acontece com qualquer termoplástico.

    Plástico Moderno, André Rosa, Gerente de vendas da Wacker, Silicone - Versátil, polímero ainda esbarra em preço para crescer no país

    Silicone termoplástico é opção para quem já usa plástico, diz Ros

    A poliuréia silicone, como a denomina o gerente de vendas da Wacker brasileira, André Rosa, é monocomponente, não emprega catalisadores, e também não possui prazo de validade para utilização, preocupações de quem processa polímeros bicomponentes. O elastômero pode ser processado como resina convencional, por extrusão, injeção e sopro, oferecendo altíssima resistência à tração, mesmo sem adição de carga. A transparência é total, tornando o material adequado para a aplicação em filmes, pois  também pode ser pintado e impresso, mediante tratamento Corona, como os demais plásticos. Rosa explica que a alternativa às borrachas se encaixa no perfil de clientes que já processam termoplásticos e querem transformar silicones, pois eles poderiam utilizar os mesmos processos e equipamentos aos quais já estão habituados, e isso não é possível com os elastômeros de silicone convencionais.

    O pouco tempo de mercado do produto, e o preço compatível com o alto valor ainda dificultam sua comercialização. Segundo o gerente, a Wacker já disponibiliza o copolímero comercialmente, e algumas vendas são realizadas no mercado internacional – no Brasil, não. Pelas aplicações em estudo, ele informa que podem ser moldadas peças inteiras de silicone termoplástico, ou combinações com outras resinas, agregando a elas propriedades do copolissiloxano (resistência à temperatura, brilho, resistência mecânica   e melhores propriedades de filme). Uma das possibilidades, desencadeada por conversas com clientes com presença local, são tubos de PVC, em aplicações médicas, substituídos por tubos elastoméricos termoplásticos.

    Outro pensamento é o emprego do novo polímero como aditivo de processo, em teores entre 10% e 30%, para modificar resinas convencionais. O objetivo é evitar o uso de desmoldante, pela incorporação da característica de antiaderência à resina original. Filmes de polietileno também podem se beneficiar da ação do aditivo, bem como fibras. Esse é um caso específico da indústria têxtil, quando, na produção de fraldas, usa-se papel siliconado como contraparte de adesivos, para que eles não adiram ao poliéster utilizado na confecção da fralda. Se um dos próprios componentes desse polímero já contiver silicone, Rosa acredita que podem se tornar desnecessários os papéis siliconados.

    Outros aditivos – Polímeros de silicone distintos dos elastômeros, os óleos também são empregados na indústria do plástico na etapa de aditivação. Para essa aplicação, diz o gerente de vendas, é utilizado um tipo de altíssima viscosidade adicionado de sílica, a fim de se ter uma consistência mais adequada a produtores de compostos termoplásticos, pois o manuseio de fluidos de baixa viscosidade seria mais difícil, assim como sua dosagem.



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