Plástico

20 de janeiro de 2013

Perspectivas 2013 – Siresp/Abiquim – Setor de resinas prevê maior crescimento e mais desafios

Publicado por: Flavio Barbosa e Luciano Guidolin
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    O ano de 2012 se apresentou desafiador para a indústria plástica brasileira. Com a continuidade da crise internacional, o excedente de produtos gerado mundialmente teve como principais destinos oportunistas os mercados emergentes, entre os quais o Brasil. Paralelamente, países desenvolvidos continuaram a executar políticas de desvalorização de suas moedas, o que adicionou obstáculos à capacidade brasileira de atuar no mercado de exportação global.

    Plástico, Setor de resinas prevê maior crescimento e mais desafios

    Embora os resultados estatísticos da produção do setor plástico brasileiro ainda não tenham sido consolidados e publicados, espera-se que a demanda brasileira por resinas plásticas tenha apresentado crescimento entre 1% e 2%, em linha com a evolução do Produto Interno Bruto (PIB). Este resultado representa um desempenho abaixo do potencial de crescimento do setor e de seu histórico de incremento superior ao PIB.

    Plástico, Setor de resinas prevê maior crescimento e mais desafios

    Flávio Barbosa é presidente do Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas (SIRESP)

    Entre os que mais se destacaram na demanda interna estão os setores automobilístico e o de bens duráveis, que, apoiados por política de incentivo governamental de redução de IPI e redução nas taxas de juros, ampliaram sua demanda por matérias-primas plásticas. Da mesma forma, a construção civil permanece como um setor com forte crescimento de demanda por produtos plásticos, estimulando e sendo estimulada pelo surgimento de produtos inovadores. Por outro lado, setores ligados ao consumo de embalagens plásticas flexíveis foram afetados pela ausência de crescimento do consumo nacional e enfrentaram competição com importação de embalagens e de produtos finais, de várias naturezas, já com suas embalagens.

    O ano de 2012 trouxe também a possibilidade de melhores perspectivas para o setor. A indústria plástica continuou investindo em modernização de suas instalações e em pesquisa e inovação, voltadas para a redução dos custos de produção e para o fornecimento de novos produtos com melhor desempenho para a indústria de transformação. Como destaque, em 2012 foi inaugurada nova fábrica de PVC em Alagoas com capacidade de produção de 200 mil toneladas/ano, após vários anos sem aumentos significativos de capacidade de produção no segmento.

    O governo, que em 2011 lançou o Plano Brasil Maior, demonstrou intenção de fazer com que o crescimento do mercado doméstico seja ocupado pela produção nacional e sinalizou como prioridade o fortalecimento da indústria brasileira. Aprovada em 2012, a PRS 13/2012 propõe a partir de 1º de janeiro de 2013 acabar com a “guerra dos portos”, mecanismo por meio do qual produtos importados se beneficiavam de uma carga menor de impostos que seus similares nacionais. Implementando a Resolução do Mercosul 39/11, definiu-se uma lista de 100 produtos cujos volumes de importação cresceram desproporcionalmente nos últimos anos para terem, em caráter temporário, suas alíquotas de importação majoradas. Entre os produtos, demonstrando uma visão de cadeia, foram incluídos alguns produtos químicos e petroquímicos, entre eles o polietileno, e transformados plásticos, entre eles laminados de PVC, filmes de polietileno, filmes BOPP e utilidades domésticas.

    Plástico, Setor de resinas prevê maior crescimento e mais desafios

    Luciano Guidolin é coordenador da Comissão de Resinas Termoplásticas (ABIQUIM)

    Na frente do aumento da competitividade horizontal da indústria brasileira, foi reduzida a tributação incidente sobre a mão de obra de diversos segmentos da economia, entre eles o de transformação plástica, foram propostas medidas na direção de incentivar investimentos em infraestrutura (portos, aeroportos e ferrovias) e foi recentemente aprovada redução nas tarifas de energia elétrica brasileira, que se encontram entre as mais altas do mundo.

    Para 2013 as expectativas são mais otimistas. Com os efeitos das medidas governamentais e a melhoria do cenário internacional, espera-se que o crescimento econômico brasileiro seja retomado em taxa superior a 3%, o que se traduzirá na maior demanda por produtos plásticos. Enquanto os segmentos ligados à construção civil e bens duráveis deverão continuar a apresentar crescimento acima da média nacional, prevê-se que os demais segmentos fornecedores de embalagens para os setores alimentícios, agrícola e industrial voltem a apresentar desempenho positivo, possibilitando que a demanda de produtos plásticos no Brasil cresça acima de 4%. Adicionalmente, o fim da “guerra dos portos” e uma política cambial que evite a sobrevalorização do real podem permitir que produtores brasileiros tenham mais equilíbrio na competição com produtos importados e na agenda de exportação.

    Para avanço na competitividade da cadeia petroquímica e plástica, foi encaminhado um conjunto de propostas resultantes do trabalho do Conselho de Competitividade da Indústria Química, desdobramento do Plano Brasil Maior, que contou com a participação das indústrias petroquímicas e de transformação, além do governo e trabalhadores. Essas propostas visam à desoneração de impostos, incentivos à inovação e investimentos e melhor equalização tributária dos transformados plásticos com produtos concorrentes e serão fundamentais para a continuidade dos investimentos no setor.

    Para a superação dos desafios de 2013 será fundamental que a cadeia petroquímica e plástica trabalhe em cooperação para buscar competitividade e inovação. Somente com o fortalecimento de todos os elos da cadeia serão asseguradas as bases para a perpetuidade dos nossos negócios. É nesta direção que os associados do Siresp e da Abiquim concentrarão seus esforços em 2013.



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