Setor de Autopeças: Carros elétricos exigem novos polímeros

Plástico no automóvel: Começo da produção local de carros elétricos exige novas alternativas em polímeros

A produção de veículos pelas montadoras instaladas no Brasil está morna em 2023, resultado que se reflete nas vendas dos transformadores especializados em autopeças feitas de plástico e dos fornecedores de matérias-primas. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), a expectativa é de que os transformadores do setor de autopeças gerem negócios em 2023 próximos aos do ano passado, durante o qual a produção automotiva consumiu em torno de 415 mil t de plásticos, 6,2% do total da produção da indústria de resinas no Brasil, gerando faturamento na casa dos R$ 7,2 bilhões.

Para a maioria das gigantes da indústria química responsáveis pela produção das resinas a perspectiva é a mesma, de vendas estáveis esse ano no Brasil. Todas investem elevadas quantias na pesquisa e desenvolvimento de formulações inovadoras, que permitam aplicações as mais variadas dentro dos veículos. Novidades chegam ao mercado a todo momento, trazidas por empresas como Braskem, Solvay, Basf, Dow, Covestro, Radici, UBE, entre outras.

A indústria automotiva nacional produziu de janeiro a outubro 1,95 milhão de automóveis, com queda de 0,6% em relação ao mesmo período do ano passado, informa a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automores (Anfavea). O resultado da produção não reflete o total de emplacamentos de automóveis realizados no país, que esse ano ficou na casa de 1,84 milhão, com crescimento de 9,7%.

Uma das explicações para a disparidade se encontra no aumento expressivo das importações – nos dez primeiros meses do ano, 271,3 mil modelos estrangeiros entraram no país. Outro resultado que prejudicou o desempenho das fábricas foi a queda das exportações de automóveis. Esse ano foram direcionadas ao mercado externo 354,2 mil unidades, número 12,8% menor do que o de 2022.

Projeções do escritório paulista do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças-SP) mostram que, em valores absolutos, o faturamento do setor pode chegar a R$ 238,2 bilhões em 2023, uma evolução de 1,9% sobre o ano passado.

Plástico no automóvel: Carros elétricos exigem novos polímeros ©QD Foto: Divulgação
Sahad: indústria de autopeças quer suprir novas montadoras

“É importante destacar que o crescimento está nos segmentos de reposição e exportação, o fornecimento para montadoras deve ser menor que em 2022”, explica o presidente Cláudio Sahad – as montadoras respondem por cerca de 60% do total faturado pelo setor.

“No ano que vem, a previsão é de crescimento nominal de 4%. Os investimentos das empresas do setor, que sofreram redução este ano, podem crescer 2,1% em 2024, totalizando cerca de R$ 6 bilhões”.

O Sindipeças-SP engloba os fabricantes que trabalham com todos os tipos de materiais, ele não fornece informações específicas sobre peças plásticas.

Novos tempos

O atual perfil da indústria automobilística nacional promete se transformar nos próximos anos. As oscilações climáticas que alarmam autoridades mundo afora estão acelerando a procura por carros elétricos, menos poluentes do que os movidos por combustíveis. Nos países avançados, a produção desses automóveis já se encontra em ritmo acelerado. A tendência ainda se encontra em fase incipiente no Brasil, mas as montadoras locais começam a se adaptar aos novos tempos.

Nos últimos meses várias montadoras com plantas industriais no Brasil apresentaram planos de investimentos bilionários nos próximos meses, valores que com certeza devem incluir projetos de lançamentos de modelos elétricos ou híbridos plug in. Podemos citar Caoa (R$ 3 bilhões), Nissan (R$ 1,5 bilhões), Renault (R$ 2 bilhões) e Toyota (R$ 1,7 bilhões). A Toyota, inclusive, anunciou que promete fabricar em Sorocaba-SP a versão nacional do modelo Yaris Cross em 2024, carro movido por um conjunto híbrido flex plug in já produzido no Japão.

Além disso, a partir do próximo ano, o país vai contar com duas novas montadoras, ambas de origem chinesa e comprometidas com o mercado dos elétricos. São elas a GWM, instalada em local outrora ocupado pela Mercedes em Iracemápolis-SP, e a BYD, que comprou as antigas instalações da Ford em Camaçari-BA.

A GWM prevê iniciar as operações de sua fábrica no dia primeiro de maio do próximo ano. A empresa planeja investir R$ 10 bilhões em um período de dez anos no Brasil, com a apresentação e lançamento de vários modelos eletrificados, puros ou híbridos. A capacidade da fábrica deve alcançar o número de 100 mil unidades anuais, prevendo a exportação de veículos fabricados nessa planta industrial para outros países da América Latina.

A BYD fará uma reforma completa nas instalações deixadas pela Ford a partir de investimento calculado em R$ 3 bilhões. A planta terá capacidade inicial para a produção de 150 mil veículos por ano e tem início de operação previsto para entre o final do próximo ano e início de 2025. Os primeiros modelos a serem produzidos em Camaçari serão o BYD Dolphin, carro elétrico urbano que foi lançado no Brasil com boa receptividade no final de junho, e o BYD Song Plus, SUV híbrido plug in lançado por aqui no final do ano passado.

Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, considera positiva a chegada de novos fabricantes. “Nosso foco é a produção local, a geração de empregos, o aumento da competitividade, o avanço tecnológico e o adensamento da cadeia de fornecedores”. Ele acredita que os dois projetos incentivarão investimentos no país.

“Várias montadoras já presentes no Brasil pretendem investir em eletrificação, sem dúvida; já temos associadas produzindo caminhões e ônibus elétricos por aqui”, disse.

A chegada de novas fábricas também é avaliada de forma positiva por Sahad, do Sindipeças-SP. Ele diz que o setor está preparado para receber todas as rotas tecnológicas, e como tem feito ao longo de sua história, vai seguir o caminho escolhido pelas montadoras.

“É fundamental que o regramento seja transparente e não privilegie indistintamente as importações de veículos montados. Apoiamos a vinda dessas montadoras, desde que produzam seus veículos no Brasil e utilizem a cadeia local de fornecedores”.

Estudo feito pelo Boston Consulting Group (BCG) para a Anfavea em 2021 calcula que veículos leves eletrificados responderão por de 12% a 22% do mix de vendas em 2030 no país, e de 32% a 62% em 2035. Veículos pesados com novas tecnologias serão de 10% a 26% em 2030 e de 14% a 32% em 2035. Os motores flex e a diesel ainda serão maioria na frota em 2035, o que aumenta a importância dos biocombustíveis para reduzir emissões de CO2.

Para o país se tornar competitivo nesse cenário, mais de R$ 150 bilhões precisarão ser investidos nos próximos quinze anos em tecnologia e infraestrutura pela cadeia automotiva, produtores de combustíveis/energia e poder público.

Desafiador

Para Glayton Marques, engenheiro de aplicação da Braskem, o mercado automotivo enfrenta um ano desafiador. Apesar dos incentivos concedidos pelo governo para o setor, a alta taxa de juros e queda das exportações, principalmente pelo cenário instável dos países da América do Sul, vem resultando em vendas em 2023 muito alinhadas com as de 2022, mesmo sem os problemas de semicondutores que ocorreram no ano passado.

O engenheiro informa que a Braskem possui ampla gama de produtos para atender os rigorosos requisitos especificados pelas montadoras. “Temos materiais com altíssima rigidez que proporcionam excelente resistência ao impacto, outros que apresentam elevada resistência química aliada com resistência mecânica, para aplicações em peças como tanques de combustíveis, por exemplo, entre outras”. Há crescente demanda por produtos que otimizem balanço (rigidez e resistência ao impacto) aliado a características estéticas.

De acordo com Marques, as montadoras são prioritárias dentro da estratégia da Braskem e a companhia investe de forma contínua em inovação para atender esse mercado.

“Nos últimos anos, lançamos diferentes grades de polipropileno que aliam otimização de propriedades mecânicas, bem como proporcionam melhoria nos aspectos visuais”, informa. Quando o assunto é circularidade a empresa lançou produtos com a marca Wenew. “Eles são provenientes de reciclagem mecânica e apresentam redução da pegada de carbono quando comparados a materiais virgens similares”. Ele ressalta a importância da qualidade dos reciclados oferecidos. “É um segmento bastante técnico e que demanda alta qualidade dos produtos”.

Outra linha destacada é a dos biopolímeros I’m Green, de fonte renovável. “A Braskem ampliou sua capacidade de polietileno e EVA renováveis em 60 mil t/ano no Brasil. Além disso, anunciou projeto para avaliar um investimento na produção de polipropileno de origem renovável nos Estados Unidos”, afirmou.

A empresa também participa de vários projetos nos quais são utilizados plásticos combinados com outros materiais, como fibras sintéticas e naturais.

“Podemos citar compostos para substituição de peças e chapas metálicas nos veículos, que proporcionam não só a redução de peso do veículo com vantagens econômicas e de sustentabilidade, como melhoria na ergonomia para o usuário”.

Setor de autopeças: Polímeros especiais

“Com a inovação e a tecnologia dos automóveis cada dia mais latentes, a procura por materiais de elevado desempenho se faz muito necessária para que o produto final suporte todas as características técnicas que as montadoras precisam”, explica André Savioli, gerente de mercado automotivo e transportes da Solvay na América do Sul. A companhia é especializada na oferta de polímeros especiais.

Entre as demandas, Savioli destaca as do segmento de automóveis mais tecnológicos, que requerem maior quantidade de sensores e conectores em seus componentes. Ele também aponta as peças voltadas para os motores menores turboalimentados, que geram mais calor no compartimento do motor. Esses tipos de peças são bastante exigidas mecânica, elétrica e quimicamente.

Ele ressalta que os projetos de eletrificação no Brasil estão aquecendo a procura por polímeros específicos, voltados para peças que compõem os motores elétricos e os vários componentes periféricos ao motor.

“Além disso, temos os polímeros usados para a fabricação das baterias, ainda importadas. Entre eles a linha Solef PVDF (polifluoreto de vinilideno)”.

Os produtos/polímeros da empresa para esse nicho de mercado mais procurados no Brasil são os das linhas Amodel PPA (poliftalamida), Ryton PPS (sulfeto de polifenileno), e Tecnoflon FKM (elastômero de alta performance). “Temos notado crescente necessidade de alguns plásticos com elevado desempenho técnico e custos mais elevados. Entre eles, as linhas Ketaspire PEEK (polieteretercetona) e Veradel PPSU (polifenilsulfona)”.

Lançamentos recentes da Solvay são as séries Amodel Bios, material que possui bases poliméricas de fontes renováveis, e Amodel Supreme, desenvolvido para suportar temperaturas muito elevadas e melhores que um PPA convencional.

Plástico no automóvel: Carros elétricos exigem novos polímeros ©QD Foto: Divulgação
Savioli: carros modernos usam mais sensores e conectores

“Esses dois novos produtos estão atraindo um alto nível de interesse entre projetistas de sistemas de propulsão eletrônica, incluindo motores elétricos, eletrônica de potência e bombas eletrônicas de refrigeração”.

Feito extraordinário

Embora o mercado automotivo nacional não tenha apresentado sinais de recuperação, com expectativa de volumes de produção de 2023 no mesmo nível dos realizados em 2022, os plásticos de engenharia da Basf no mercado sul-americano devem apresentar crescimento perto de dois dígitos. “É um feito absolutamente extraordinário frente às condições adversas de mercado”, comemora Gentil Boscolo, head de plásticos de engenharia para a América do Sul.

A maior procura dos clientes se concentra nas poliamidas (PA 6 e PA 6.6) carregadas com fibra de vidro. “Tem sido crescente a demanda por resinas com propriedades térmicas ainda mais elevadas e temos um portfólio de produtos capaz de atender a essas novas demandas técnicas”. Boscolo informa que estão sendo desenvolvidos novos grades voltados para atender diferentes expectativas dos clientes e que, em breve, chegarão ao mercado. “A Basf investe constantemente no desenvolvimento de materiais de engenharia para atender aos mais distintos mercados”.

Uma das estratégias da Basf é, à medida que a eletrificação veicular ganhar espaço na região, estar preparada para atender pedidos de novas resinas, fenômeno já presente em locais onde a transição para os veículos elétricos se encontra mais avançada. “Estamos falando de materiais com maior exigência de propriedades físicas, sobretudo relacionadas aos requisitos elétricos”. A busca por redução de peso nos automóveis segue como importante direcionador dos investimentos. “Toda oportunidade de substituição de metais por resinas de plásticos de engenharia continuará tendo seu lugar ao sol”.

Outra preocupação se encontra no maior aproveitamento de plásticos reciclados. “A mudança mais significativa que temos percebido é que agora a busca por sustentabilidade nos parece ser mais legítima do ponto de vista da estratégia, e não mais apenas por buscar materiais reciclados com foco na redução de custos”. O profissional destaca uma linha sustentável e circular, lançada há pouco tempo pela Basf. Ela é formada pelas formulações Ultramid A3WG6 RC, Ultramid B3WG6 RC e Ultramid B3WG6 RC3. “Esses materiais contam com conteúdo reciclado”.

Estabilidade

“As vendas da Covestro esse ano estão estáveis, alinhadas com a produção de carros prevista pela Anfavea”, informa Alexandre Macedo, representante técnico-comercial do segmento de mobilidade da Covestro Latam. Ele explica que o setor de mobilidade passa por verdadeira revolução, há forte cobrança por plásticos de alta qualidade.

Plástico no automóvel: Carros elétricos exigem novos polímeros ©QD Foto: Divulgação
Macedo: setor automotivo passa por uma revolução tecnológica

“Oferecemos uma série de produtos para aplicações para o interior e exterior dos veículos que atendem especificações para sistemas de iluminação, sistemas de armazenamento de energia e assentos, entre outros”.

Um dos desafios é desenvolver materiais para baterias. “De veículos e ônibus elétricos a bicicletas e até aviões, os sistemas de armazenamento de energia têm papel crucial na mobilidade do futuro. As linhas de produtos Makrolon, Bayblend e Makroblend garantem adaptabilidade a todos os processos de transformação, resistência ao calor e estabilidade dimensional”.

Outra demanda das montadoras tem sido a busca de grades com conteúdo reciclado em sua formulação, assim como materiais de fonte renovável. “Em 2021, a Covestro celebrou a entrega do primeiro policarbonato climaticamente neutro, marcando um importante desdobramento na transição de seu portfólio de produtos para matérias-primas alternativas”.

Duas são as séries de produtos mais comercializadas no mercado nacional. Uma é a Bayblend (ABS PC), “material com elevada resistência mecânica, ao calor e com boas características de pintura”. É indicado para spoilers e grades dianteiras, entre outras aplicações. Outra família é a Makrolon (PC) clear, “com boa resistência mecânica, transparência e bastante usada na fabricação de lentes de farol”.

Plástico no automóvel: Carros elétricos exigem novos polímeros ©QD Foto: Divulgação
Makrolon TC 2K, da Covestro, suporta condições críticas

Setor de autopeças: Elastômeros

Por motivos de confidencialidade, a Dow não divulga dados de vendas e produção. A empresa reconhece, no entanto, o papel fundamental da indústria automotiva no mercado nacional e o impacto positivo que ela representa nos seus negócios. Por meio de sua plataforma MobilityScience, opera com a indústria de mobilidade com diferentes portfólios de produtos químicos. O destaque vai para as linhas de elastômeros Nordel e Engage.

A borracha sintética Nordel é utilizada como parte da formulação de compostos para aplicações em dois segmentos específicos, o de vedação de portas e janelas e o de itens instalados sob o capô, caso de mangueiras, correias e cintas. “Trata-se de um polímero EPDM (dieno de etileno-propileno) que possibilita mais eficiência e produtividade para toda cadeia, com o benefício de atender a demanda do mercado por alta qualidade em estética, conforto e segurança”, explica Henrique Martins, gerente de marketing para embalagens e especialidades plásticas.

A linha Engage é formada por elastômeros de poliolefina (POE), definido pela empresa como um produto inovador que serve como uma “ponte” entre a borracha e o plástico. “O produto é único e trouxe novas possibilidades ao design de materiais, possibilitando a produção de peças resistentes e sólidas, porém flexíveis”. Na indústria automobilística, a família é utilizada em aplicações de painéis internos (painéis de controle e de instrumentos), painéis externos (para-choques) e tampas de airbag.

O nosso mais recente lançamento é a série Engage 11000, que permite maior redução de peso das peças plásticas feitas de termoplásticos poliolefínicos”. De acordo com Martins, a novidade permite a produção de peças com paredes mais finas.

Apelo ecológico

A Radici conta em seu portfólio com vários grades de polímeros de engenharia à base de poliamidas. “Atualmente quase 45% das nossas vendas são para o setor automotivo, nosso segmento número um”, informa Luis Baruque, gerente de marketing e desenvolvimento automotivo para a América do Sul.

Como tendência, o profissional conta que as montadoras têm solicitado cada vez mais produtos biodegradáveis ou com conteúdo reciclado, em função da busca por sustentabilidade e baixa pegada de carbono. “Lançamos na última feira K’ a linha Renycle, obtido através de PA 6 e PA 6.6 de fontes pós-industrial e pós-consumo”.

O aumento da produção de veículos elétricos mundo afora, outra consequência da estratégia das montadoras para atender o atual apelo ecológico, também está na ordem do dia da empresa.

Plástico no automóvel: Carros elétricos exigem novos polímeros ©QD Foto: Divulgação
Baruque: poliamida tem largo emprego nos carros elétricos

“Nos carros elétricos a poliamida é muito utilizada principalmente em aplicações onde existe a necessidade de produtos antichama”.

Outra preocupação tem sido com a oferta de produtos que permitam a substituição de peças metálicas, forma de tornar os automóveis mais leves e econômicos. O uso de cargas tem sido uma saída interessante para essa demanda. “Nos últimos anos desenvolvemos produtos com alto percentual de fibra de vidro, chegando até 60% em determinadas ocasiões”.

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Transição

Com forte presença em automóveis e caminhões com motores de combustão interna, a japonesa UBE vem investindo nos últimos tempos na pesquisa e desenvolvimento de veículos elétricos a bateria ou que se utilizam de células de combustível. A multinacional acaba de abrir um novo centro global de P&D em Osaka e reforçou as atividades de P&D em suas unidades de produção na Tailândia e na Europa. A empresa oferece ampla gama de plásticos de engenharia, polietileno, borrachas sintéticas e outros produtos utilizados nas montadoras.

“A mudança de paradigma anda de mãos dadas com mudanças nos requisitos e, consequentemente, nas especificações”, explica Frank Hormann, diretor da unidade de negócios de polímeros de performance na Europa. Nos novos tempos, exemplifica, as propriedades de retardamento de chama e de isolamento elétrico estão muito mais em foco do que estavam nos veículos movidos a combustíveis, nos quais a resistência térmica e química são mais relevantes.

Entre as demandas inovadoras se encontram aplicações de filmes separadores baterias de íons de lítio, barramentos de ônibus, resfriamento de baterias, bem como módulos de tanques de hidrogênio feitos por moldagem por injeção, em combinação com soldagem, ou feitos por moldagem à extrusão e sopro. Também cresce a procura por compostos que incluem conteúdo reciclável.

“Essa procura por vezes é mais motivada pela expectativa de se ter uma solução mais econômica em comparação com as alternativas de matéria-prima virgem de primeira qualidade”.

Para ele, a indústria ainda está em curva de aprendizagem para entender que materiais reciclados com especificações restritas são dispendiosos, apresentam muitas vezes níveis de preços mais elevados.

“Só quando começarmos a pagar pela emissão de CO2 à luz dos efeitos do aquecimento global é que valorizaremos uma menor pegada de carbono”.

Setor de autopeças: Mais PVDF para as baterias

A Solvay e a Orbia criaram uma joint venture para a construção de uma fábrica de fluoreto de polivinilideno (PVDF) de grau de suspensão, usado como aglutinante de íons de lítio e revestimento separador em baterias de veículos elétricos. A unidade ficará em Augusta, na Geórgia (EUA) e tem partida programada para 2026. A parceria garante o fornecimento pela Orbia dos materiais fluorados necessários para a Solvay fabricar o polímero, empregando sua tecnologia de processos e conhecimento do mercado global.

Ao combinar os polímeros avançados Solef PVDF da Solvay e os ativos de matéria-prima e experiência produtiva da Orbia, a joint venture poderá oferecer polímeros de PVDF para a produção de bateriais que permitirão maior autonomia aos veículos elétricos, prolongando a vida útil da bateria e melhorando a sua segurança.

As projeções de mercado indicam que mais da metade dos veículos vendidos nos EUA em 2030 sejam eletrificados e a nova fábrica de PVDF ofertará material para produzir mais de 5 milhões de baterias por ano. Por se tratar de uma área inovadora, com lacunas na cadeia produtiva local, a o projeto contará com uma subvenção de US$ 178 milhões, concedida pelo Escritório de Fabricação e Cadeias de Fornecimento de Energia do Departamento de Energia dos EUA, atendendo à lei de Investimentos e Empregos em Infraestrutura daquele país.

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