Semiacabados: Expansão na demanda anima o mercado e atrai mais investimentos

Plástico Moderno, Semiacabados: Expansão na demanda anima o mercado e atrai mais investimentosEmbora a injeção seja um dos processos mais tradicionais para a fabricação de peças técnicas, um nicho de mercado avança sem alarde: a utilização de semiacabados plásticos, como chapas, tubos e tarugos, na produção desses itens, por usinagem. A moldagem de semiacabados e a produção de peças oriundas deles representam filões interessantes e em crescimento na indústria brasileira de plástico, com estímulos a investimentos em expansão.

Duas empresas de peso no ramo, a Quadrant Solidur e a Ensinger, programam aportes nesse sentido. Nos próximos meses, o grupo suíço Quadrant irá concluir a aquisição de 100% da brasileira Solidur, parceiras em uma joint venture ativa desde junho de 2010, com planos de construir uma nova unidade fabril. A empresa brasileira, situada em São Paulo, começou sua história em 1990, como revendedora de semiacabados. A solicitação dos clientes por peças motivou investimentos em maquinaria (tornos, fresadoras, centros de usinagem) para a ampliação do negócio com uma área de usinagem de peças técnicas.

Plástico Moderno, Fernandes: foco da Solidur é a usinagem de peças técnicas oriundas de semiacabados
Fernandes: foco da Solidur é a usinagem de peças técnicas oriundas de semiacabados

Antes da parceria, a Solidur já distribuía semiacabados da Quadrant. O acordo para operação conjunta, conta o diretor industrial Marcello Oliver Fernandes, ampliou o acesso a produtos da multinacional, particularmente aos materiais de alto desempenho, e contribuiu para internacionalizar a Solidur. “A Quadrant possui fábrica em 21 países”, informa. A incorporação da empresa brasileira, detalha Fernandes, é parte dos aportes programados pelo grupo suíço para o país, incluindo a construção de uma nova unidade prevista para produzir semiacabados. “A aquisição da Solidur possibilitará o investimento na nova planta, que trará crescimento para o negócio, em espaço e maquinário.” Ele esclarece que o foco da Quadrant é a transformação de resinas em semiacabados. Já o carro-chefe da Solidur são as peças técnicas.

Não à toa, a Quadrant responde por 70% dos semiacabados, somados os distribuídos e os utilizados na confecção de peças técnicas, da joint venture. Particularmente, quando se trata de material de alto desempenho, Fernandes destaca que todo o fornecimento provém da fabricante suíça.

Os produtos de polietileno de ultra-alto peso molecular representam um filão à parte, equivalente a cerca de 60% a 65% do volume. Por suas propriedades como resistência ao desgaste e à abrasão, elevada resistência ao impacto e baixo coeficiente de atrito, encontram fartas aplicações nas indústrias alimentícias e de celulose e papel, principalmente.

Fisiologicamente inerte e com excelente resistência contra radiação gama e raios X, também é muito usado em implantes médicos. A propósito, a Quadrant dispõe de uma família de semiacabados específica para utilizações na área médica, transformados em linha de produção dedicada e com características diferenciadas para produtos assépticos (sala limpa etc.). Essa área de atuação carrega a marca Meditech e representa 10% do faturamento da Quadrant Solidur.

Plástico Moderno, Peças técnicas usinadas oriundas de semiacabados
Peças técnicas usinadas oriundas de semiacabados

Principal negócio da joint venture, a usinagem de peças equivale a 60% do faturamento. A distribuição, então foco no início das atividades, encolheu para atuais 10%. Os 20% restantes são representados pela área de revestimentos (chapas), destinados a revestir equipamentos usados nos setores de mineração e químico.

Embora a demanda de semiacabados produzidos com polímeros de alto desempenho apresente crescimento contínuo, Fernandes lamenta a utilização ainda pífia desses materiais no mercado brasileiro. Os de engenharia ainda são mais comuns, como náilons e poliacetais. A nova fábrica de semiacabados da Quadrant no país embute a pretensão de impelir alguma mudança nesse paradigma. A empresa possui um amplo portfólio de semiacabados. Os fabricados com resinas commodities (PE, PP e PVC) se agrupam nos materiais de resistência a temperaturas medianas (inferiores a 80oC). Plásticos de engenharia, a exemplo das poliamidas e dos poliacetais, entre outros, são indicados para operação sob temperaturas entre 80oC e 160oC. Os semiacabados de materiais mais nobres são elaborados com as resinas de alto e altíssimo desempenho, situadas no topo da pirâmide classificatória dos polímeros (entre outras, polissulfona, polieterimida, poliéter-éter-cetona, poliamida-imida, poli-imida), capazes de suportar acima de 160oC.

Plástico Moderno, Peças técnicas usinadas oriundas de semiacabados
Peças técnicas usinadas oriundas de semiacabados

A capacidade instalada da Quadrant Solidur para usinar peças técnicas (80% do volume derivado de chapas) alcança da ordem de 180 toneladas anuais, com predomínio do PE de ultra-alto peso molecular. Ao todo, informa Fernandes, são dez equipamentos, divididos entre centros de usinagem e tornos CNC. “Utilizando técnicas próprias de usinagem, hoje conseguimos atingir tolerâncias centesimais e em alguns produtos tolerâncias milesimais”, ressalta o diretor.

Em volume, Fernandes aponta o segmento de mineração como um grande consumidor. “Mas é pontual, não existem projetos mensais”, explica. Já entre os principais mercados de consumo, de demanda frequente, ele menciona as indústrias de alimentos e bebidas e a de celulose e papel.

Muitos setores lamentaram o desempenho negativo no ano passado, e os fornecedores de semiacabados não constituem exceção. O diretor da Quadrant Solidur corrobora as queixas do setor. A empresa estagnou em 2012. Mas as previsões de Fernandes para este ano são animadoras, com perspectivas de crescimento da ordem de 15%.

Plástico Moderno, Peças técnicas usinadas oriundas de semiacabados
Peças técnicas usinadas oriundas de semiacabados

A indústria nacional progrediu muito e executa um bom trabalho no ramo, mas, na opinião de Fernandes, o mercado brasileiro ainda carece de um grande player com capacidade para atender à demanda de produtos semiacabados de plásticos de engenharia e polímeros de alta performance. “Este é o espaço que a Quadrant pretende buscar nos próximos anos e se tornar a maior empresa de plásticos de engenharia no Brasil”, ambiciona.

Disposição para crescer – No prazo de um a dois anos, a Ensinger, empresa de origem alemã, planeja ampliar sua capacidade de extrusão de semiacabados como tarugos, chapas e tubos, das atuais 80 toneladas mensais para entre 100 e 110 toneladas. A esse volume em expansão, o gerente de vendas Augusto Nienow acresce cerca de 40 toneladas mensais de semiacabados oriundos de uma planta de fundição de náilon.

O grupo, uma rede mundial de empresas espalhadas por diversos países, descende de um pequeno negócio familiar iniciado nos anos 60. Presente há 16 anos no país, dos quais 12 operando uma unidade produtiva situada em São Leopoldo-RS, a Ensinger ainda conta com um parque de injeção e de usinagem de peças técnicas, de capacidades variáveis de acordo com o mix de peças, como informa o gerente.

Bem otimista para este ano, Nienow prevê crescimento da empresa tanto pela conquista de novos mercados como por uma expansão prospectada nos nichos já assistidos. “Estamos bastante confiantes em atingir os nossos objetivos para 2013: alcançar as metas de vendas, aumentar o market share, e conquistar novos desenvolvimentos e novos mercados.”

Plástico Moderno, Ensinger: produtos de náilon e prototipagem de peças para futura injeção
Ensinger: produtos de náilon e prototipagem de peças para futura injeção

A empresa abastece diversos setores, entre os quais o de alimentos, de carga, aeroespacial, médico e outros. Do volume total de semiacabados produzidos, uma pequena parcela fica dentro de casa; e é repassada para o setor de usinagem de peças. Nas contas do gerente, essa fatia é da ordem de 10% a 15%.

A lista de materiais disponíveis é farta, com ampla variedade de plásticos, resinas commodities, de engenharia e de alto desempenho, agregando aos produtos semi ou acabados propriedades de deslizamento, baixa abrasão, resistência a temperaturas elevadas de operação, estabilidade dimensional e resistência química, entre outras propriedades. Mesmo diante de tanta diversidade, o gerente relata que as resinas commodities e de engenharia, tais como polietilenos, polipropilenos, náilons e acetais, respondem pela maior fatia da produção.

Entre inúmeras aplicações possíveis para esses produtos, Nienow menciona exemplos como engrenagens, buchas de deslize para eixos de variados tamanhos, peças de deslize em geral, roletes, anéis e vedações de compressores, sedes de válvulas, peças para bombas de sucção, roldanas e polias, e ainda, aplicações de maiores exigências, como as requisitadas pela indústria médica, a exemplo de cabos para ferramentais cirúrgicos, estojos para instrumentos cirúrgicos e outros.

Hoje, quem mais consome semiacabados, informa o gerente, são as empresas que ainda conservam em sua estrutura linhas de usinagem, ou seja, compram os semiacabados e usinam internamente as peças que precisam. Uma parcela menor é constituída por indústrias com um perfil de montadoras dos seus produtos. “Ou seja, aquelas que adquirem as peças finais de terceiros, usinadas ou injetadas, e somente as montam na sua linha.”

Plástico Moderno, Ensinger: produtos de náilon e prototipagem de peças para futura injeção
Ensinger: produtos de náilon e prototipagem de peças para futura injeção

Os semiacabados derivados do processo de extrusão da Ensinger são ofertados em medidas diversas. Tarugos, por exemplo, menciona o gerente, variam de 6 mm até 200 mm de diâmetro, enquanto as chapas diversificam entre 1 mm e 100 mm de espessura. Na linha de náilon fundido, são produzidos tarugos de 40 mm até 500 mm de diâmetro, chapas de 10 mm até 250 mm de espessura e tubos de até 1.000 mm de diâmetro externo.

A companhia emprega na fábrica brasileira tecnologia idêntica à das unidades alemãs e norte-americanas do grupo, para produzir tanto semiacabados como peças técnicas pelo processo de fundição (cast) do náilon (náilon 6, natural e aditivado/modificado em ampla diversidade de formulações).

No processo de fundição, a polimerização do náilon 6 acontece dentro dos próprios moldes, onde a polimerização e a plastificação ocorrem simultaneamente. O know-how alemão, segundo informações da empresa, envolve uma compacta planta química, a polimerização in situ da caprolactama, em um processo com controles de temperatura, pressão, massa e fluxo dignos de uma petroquímica.

Essa tecnologia, explica Nienow, é vantajosa para peças grandes. “Permite a fabricação de peças de forma mais rápida do que outros processos, como a extrusão, por exemplo, e também possibilita a fundição customizada em formas especiais, o que reduz a necessidade de usinagem e de desperdício de material, tornando o produto mais barato e competitivo perante outros processos”, assegura.

A fundição customizada (custom casting), como explica o gerente, “é normalmente utilizada quando existe uma quantidade grande de itens a serem fabricados, na maioria das vezes peças técnicas, as quais justificariam o investimento em um ferramental específico e poupariam muito tempo de usinagem e material desperdiçado”. Para a produção de poucas peças, e sem frequência, ele indica a usinagem com algum semiacabado.

Peças usinadas ou injetadas? – “Um exemplo bastante típico que envolve os dois tipos de processos para o mesmo fim é o da prototipagem para peças que se pretende injetar. Os protótipos em pequena quantidade são usinados para teste, pois inicialmente não se tem a certeza da sua funcionalidade; e, após aprovados, se preenchidos os requisitos para injeção, desenvolve-se a confecção do molde e a injeção das mesmas”, explica Nienow.

A escala de produção (necessariamente alta para legitimar os elevados custos dos moldes de injeção) e o desenho da peça determinam o processo mais apropriado. O gerente aponta a usinagem como a melhor opção nos casos de lotes de peças sem volumes que justifiquem o investimento no molde. Também é mais indicada para peças de paredes muito espessas, ou ainda, quando a geometria ou as tolerâncias dimensionais não permitem a injeção.

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