Economia

Sem informação técnica, todos padecem – Plastivida

Miguel Bahiense Neto
15 de setembro de 2020
    -(reset)+

    Plástico Moderno ©QD - Foto: iStockPhoto

    Ao longo dos anos à frente dos trabalhos de promoção dos benefícios dos plásticos, das boas práticas de uso e descarte do produto pós-consumo e, principalmente, da informação técnica e científica, uma coisa fica cada vez mais evidente: quando se ignora a informação, perde-se no benefício à população, na economia e na proteção ao meio ambiente.

    Nos deparamos com diversos exemplos, ao longo do tempo, que mostram claramente que quando a decisão é baseada no modismo ou no achismo o resultado em médio e longo prazo acaba sendo catastrófico do ponto de vista econômico, técnico e, principalmente, do ponto de vista ambiental.

    Nos anos 90, as montadoras alardearam a substituição do PVC nos veículos, apontando críticas infundadas ao produto e ignorando tecnicamente a sua eficiência. Diversas associações de classe, em seus respectivos países, atuaram junto às montadoras para desmistificar as críticas feitas pelos ambientalistas ao uso do PVC em veículos e para alertar sobre os futuros problemas que viriam com a substituição. Quando os substitutos começaram a ser usados nos carros, a questão técnica ficou evidente e, mais ainda, a econômica.

    Plástico Moderno - Miguel Bahiense é graduado em Engª Química (UFRJ), pós-graduado em Comunicação Empresarial (FAAP/SP) e é presidente da Plastivida – Instituto Socioambiental dos Plásticos.

    Miguel Bahiense é graduado em Engª Química (UFRJ), pós-graduado em Comunicação Empresarial (FAAP/SP) e é presidente da Plastivida – Instituto Socioambiental dos Plásticos.

    Outro exemplo é a questão das sacolas plásticas, apontadas como as grandes vilãs do meio ambiente a partir dos anos 2000. As campanhas por educação ambiental e por sacolas plásticas de boa qualidade, fabricadas dentro de normas, que poderiam ser usadas sem desperdício, tanto para carregar as compras, quanto para o descarte dos resíduos, perderam espaço para campanhas de banimento. Esse movimento era liderado pelos supermercados, visando o benefício econômico, por ambientalistas e até pelo mundo da moda! O resultado foi direto para o bolso do consumidor: o aumento de gastos que ele passou a ter comprando sacolinhas, ecobags e sacos para o descarte do lixo doméstico (que antes era descartado nas sacolas plásticas gratuitas) foi calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe, da FEA-USP) em 146,1%, ficando próximo aos gastos com itens como arroz e feijão. O meio ambiente também perdeu sem as sacolas gratuitas para o descarte do lixo.

    As campanhas voltadas à sustentabilidade têm grande impacto, pois é obvio que existe apelo quando se trata da proteção do Planeta. O problema é quando não se baseiam na informação técnica. Na Copa do Mundo da Rússia, em 2018, não eram permitidos os chamados copos plásticos de uso único nos estádios. Porém a Fifa disponibilizava um copo especial, feito com dois tipos de plásticos, além de um circuito elétrico com lâmpada de LED e uma bateria para acioná-lo. O suvenir contava, então, com plástico, papelão, metal, e vidro. Por mais que um ou outro copo fosse guardado como lembrança, os que eram descartados não puderam ser coletados e reciclados pela falta do ecodesign. O meio ambiente e a Economia Circular ganhariam se os copos usados fossem os de plástico, sendo abastecidos continuamente durante as partidas (refilling), acompanhados de uma campanha de educação ambiental voltada à coleta seletiva e à reciclagem. Imagine o impacto de uma campanha dessas em um evento desse porte!

    O exemplo mais recente vem dos fabricantes de celular, que optaram pela substituição do PVC nos fios e cabos dos carregadores. Sem levar em conta as características de flexibilidade e resistência do PVC, essenciais para garantir a durabilidade desses componentes, hoje os fabricantes vendem mais carregadores, em função da falta de durabilidade dos produtos sem PVC, que celulares. Hoje, os fabricantes anunciam que vão deixar de “dar” os carregadores na compra dos celulares, onerando o consumidor por uma questão técnica. Todos perdem.

    Disseminar a informação é só uma parte do nosso trabalho. Travamos cotidianamente uma batalha contra os achismos e modismos que agridem a imagem dos plásticos, sem embasamento, e causam danos à economia, à população e ao meio ambiente. Acreditamos que o desenvolvimento sustentável se dá com a mudança da relação da sociedade com os plásticos e é pelo diálogo que buscamos avançar nessa causa.

    Plástico Moderno -

    PLASTIVIDA

    Plastivida – Desde a sua invenção, os plásticos são um avanço para a sociedade. Mas além das suas funções e vantagens inquestionáveis, estamos aqui para iniciar uma nova fase da relação dos plásticos com a sociedade. Uma relação mais racional no consumo e mais responsável no descarte; para o nosso bem e o bem do planeta.
    Mais informações: http://www.plastivida.org.br/



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *