Economia

Seca: Setor faz adaptações em processos para superar escassez de água

Jose Paulo Sant Anna
14 de maio de 2015
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    Preocupadas – Muitos transformadores já adotaram ou estudam diferentes soluções, como construção de reservatórios com grande capacidade, perfuração de poços, a adoção de circuitos hídricos fechados sempre que possível ou a substituição de equipamentos para alternativas capazes de promover economia de água. Na hora do desespero, uma saída é apelar para os caminhões pipa.

    Cada caso é um caso. Existem as que estão em situação confortável e outras nem tanto. Para quem precisa agir, a hora é de sacrifícios. Apesar do momento de economia desaquecida, quando não é fácil colocar a mão no bolso para realizar procedimentos que não raro exigem recursos elevados. Alguns exemplos ajudam a esclarecer a situação.

    No mercado desde 1957, a Plásticos Regina se especializou na fabricação de embalagens plásticas injetadas em 1992. A empresa tem abastecimento de água proveniente do Alto Tietê, outro reservatório com risco de esvaziamento. Desde outubro, convive com regime de fornecimento de quatro dias com água para um sem. “Temos um reservatório de porte, dimensionado para evitar os problemas enfrentados até hoje. Não há como negar que estamos preocupados com o agravamento da crise”, explica Bruno Dedomenici, diretor industrial. Para enfrentar a situação, o dirigente estuda algumas alternativas.

    “Estamos fazendo contas na ponta do lápis para escolher o investimento indicado para obter retorno dentro do prazo adequado”, explicou. A maior preocupação se concentra na economia da água de resfriamento, maior dor de cabeça das empresas transformadoras. “O sistema de resfriamento representa 90% de nosso consumo de água”. A empresa, para essa operação, conta com torre de resfriamento, equipamento que apresenta perdas consideráveis por evaporação. Caso a situação se agrave, uma das saídas é adquirir equipamentos que trabalham com circuitos fechados de água para realizar a operação.

    A BCF Plásticos, localizada no bairro da Mooca, em São Paulo, atua há mais de quarenta nos no mercado e fabrica portas sanfonadas de PVC, entre outros produtos. Atua basicamente com linhas de extrusão. “Começamos a pensar na economia de água antes da atual crise hídrica, nos preocupávamos em reduzir os custos industriais”, explica Marco Antonio Capozzielli, diretor administrativo. A situação, agora é de expectativa para o que vai ocorrer. A empresa está na região abastecida pelo sistema Cantareira. Por enquanto, não sofre com o problema. “Nossa empresa está na área central da cidade, preservada até agora de revezamentos mais drásticos”, considerou.

    Entre as ações adotadas, a BCF implementou o reúso da água. “Atualmente temos quatro circuitos de água distintos, dois completamente fechados com temperatura de 6 a 10ºC e índice de reposição baixíssimo, pois não ocorre a evaporação, um semiaberto com pouca reposição e um aberto compartilhado de torres de refrigeração no qual depositamos a maior parte de nossa atenção”, ressaltou.

    Outra iniciativa foi controlar eletronicamente caixas e bombas, que permite a compensação automática do gasto, além do controle diário da quantidade e qualidade da água. O sistema sinaliza qualquer alteração de rotina. Em paralelo, houve a troca de todas as torneiras e válvulas por equipamentos mais econômicos e a adoção de sistemas de captação da água de chuva. “O nosso consumo mensal de água para a fabricação dos produtos da empresa caiu 50%, hoje está em torno de 35 m³ por mês, numa relação de 0,26 m³ de água por tonelada de PVC processado”, informou.

    Também com sede em Mauá, a Permatti é abastecida pelas águas da represa Billings, que se encontra em melhores condições de disponibilidade volumétrica. Há mais de 25 anos no mercado, ela fabrica produtos derivados do PVC, entre eles portas sanfonadas, canaletas, telhas, chapas e outros. Utiliza os processos de extrusão e laminação. “Até agora não estamos passando por dificuldades”, diz Ailton Perlati, diretor. A empresa tem a vantagem de consumir volume pequeno de água e trabalhar bastante com circuitos hidráulicos fechados. Eventuais cortes no consumo são compensados com a compra de água de caminhões pipas. “Isso ocorre a cada um ou dois meses”, relatou.

    Nem por isso a crise deixa de preocupar o dirigente. Ele está ressabiado com a notícia divulgada recentemente de que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) começou a construir dutos para transferir água da represa Billings para o Sistema Alto Tietê. “Não sei o quanto isso pode afetar nosso abastecimento”, diz. Um das iniciativas em cogitação é a construção de um tanque subterrâneo para armazenar a água da chuva proveniente do telhado.



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