Rotomoldagem – Setor aposta em crescimento na área de saneamento básico

Depois de triunfar no mercado de caixas-d’água, os polietilenos rotomoldados se preparam para avançar em aplicações no setor de saneamento básico. O alvo da conquista, na realidade, já vem sendo trabalhado pela participação de rotomoldados em projetos de recuperação e expansão de redes de esgoto, em fase experimental em municípios de São Paulo, Santa Catarina e do Espírito Santo.

Faz algum tempo que os polietilenos rotomoldados atóxicos e de alta resistência mecânica conseguem levar à derrocada outros materiais, como o amianto, condenado no passado pelo uso em caixas-d’água por suas características cancerígenas, e os termofixos, vez por outra substituídos por suas deficiências de reciclabilidade.

A adequação pontual dos polietilenos rotomoldados às mais diversas aplicações envolvendo peças ocas e o mais baixo custo do investimento em unidades de produção são os grandes responsáveis por sua ascensão ao longo dos últimos anos no mercado brasileiro, principalmente nos setores de peças e componentes para a produção agrícola e para a construção civil.

Plástico Moderno, Luis Oscar Passos de Barros, Gerente de contas da Braskem, Rotomoldagem - Setor aposta em crescimento na área de saneamento básico
Barros estima em 90% o mercado da rotomoldagem em caixas-d’água

A escalada de crescimento dos polietilenos rotomoldados – estimada entre 10% e 12% ao ano – está longe de se dar por cumprida e pode avançar bem mais com uma soma de esforços que já estão sendo implementados, envolvendo petroquímicas, distribuidores, órgãos de normalização e de certificação da qualidade, além, é claro, de ter de contar com o empenho dos rotomoldadores.

“Em cinco anos, aproximadamente, conseguimos mudar o perfil do setor de caixas-d’água no Brasil, por intermédio da implementação do projeto “Cem por Cento Polietileno”, abrindo um mercado completamente novo para a introdução de polietilenos rotomoldados, que praticamente tomaram conta desse setor, respondendo atualmente por mais de 90% desse mercado e pelo consumo de cerca de 45 mil toneladas/ano”, considerou o engenheiro de materiais Luis Oscar Passos de Barros, gerente de contas da Braskem, responsável pelo mercado de rotomoldagem na companhia.

A nova meta da petroquímica, contudo, é avançar sobre o setor de saneamento básico, num primeiro momento concentrando-se no desenvolvimento de projeto e de mercado, a fim de convencer potenciais usuários a adotar uma nova concepção de dispositivo rotomoldado para vistoria, inspeção e manutenção de redes de esgoto já instaladas e em expansão, setor no qual o déficit brasileiro é de mais de 50% em relação às necessidades da população.

Durante os últimos anos, os maiores volumes de rotomoldados foram destinados a cobrir as demandas por caixas-d’água com capacidades para acondicionar de 350 litros até mil litros, e também de tanques em diversos tamanhos e formatos, comportando até mil litros ou 2 mil litros, incluindo peças técnicas para diferentes aplicações, como componentes para máquinas e equipamentos de uso agrícola.

Atualmente, porém, os novos desenvolvimentos em rotomoldagem têm sob sua mira peças como poços de visita para saneamento e grandes reservatórios para acondicionar água potável, com capacidade superior a 5 mil litros, prevendo novas demandas em condomínios residenciais e industriais.

Além de comprovar características fundamentais, como estabilidade térmica, resistência ao impacto, estanqueidade e segurança para uso, os poços de visita rotomoldados de polietileno também oferecem, segundo destacou Barros, maior agilidade às obras, vistorias e manutenções das redes, que, não contando com dispositivos plásticos, têm de construir poços de visita e de inspeção de alvenaria ou de concreto nos próprios canteiros, demandando muitas horas e até dias de serviço.

Desenvolvidos para uso em obras de infraestrutura e de saneamento, os poços de inspeção de polietileno são mais práticos e permitem inspecionar e introduzir equipamentos para a desobstrução e a limpeza de redes muito mais rapidamente, enquanto os poços de visita, formados por estruturas cilíndricas, também permitem às equipes adentrar em seu interior facilmente, agilizando, assim, a manutenção e a construção de novas redes.

Nos dois casos, os rotomoldados são compostos por estruturas aterradas no subsolo e que devem suportar grandes pressões. Para os poços de visita rotomoldados, estão sendo seguidas especificações do setor de saneamento, exigindo que as peças apresentem diâmetros internos de 1 metro, e alturas variáveis entre 2 metros e 4 metros, estando previstos comprimentos até 4 metros, profundidade limite em geral constante dessas instalações. Outro detalhe importante é que os poços de visita também devem permitir a conexão de tubos e conexões corrugadas de polietileno para as necessárias interligações entre os ramais prediais e as redes coletoras de esgotos, também seguindo recomendações e especificações das companhias de saneamento básico.

A espessura de parede dos poços de visita rotomoldados é um dado mantido sob sigilo técnico, mas Barros garante tratar-se de uma estrutura muito leve, fácil de instalar e de movimentar, isenta de percolação e ainda contemplada pela alta durabilidade do material, que terá condições de suportar até cinquenta anos enterrado no subsolo.

Sob todos esses aspectos, e pelas avaliações das cerca de 400 estruturas já instaladas, a Braskem pôde comprovar que os poços de visita rotomoldados de polietileno ganham em produtividade e em competitividade em relação às soluções convencionais.

“Estamos trabalhando em conjunto com nossos clientes no desenvolvimento desses novos mercados para os polietilenos rotomoldados, e para os quais prevemos crescimento gigantesco nos próximos anos, considerando, por exemplo, que cada unidade de poço de visita deve ser instalada a uma distância entre 80 metros e 100 metros da outra, contando-se, portanto, com a necessidade de instalação de um poço de visita praticamente para cada quarteirão”, calculou Barros.

Segundo as avaliações do especialista da Braskem, portanto, o mercado dos polietilenos rotomoldados pode dobrar nos próximos cinco anos, prevendo-se a introdução em grande escala de poços de visitas nas obras e de outros componentes para saneamento básico, incluindo nessa expectativa também a comercialização de grandes reservatórios para água destinados a instalações residenciais, comerciais e industriais.

Nova geração de resinas – A rotomoldagem de peças técnicas estruturais, capazes de resistir a condições mais severas e adversas de uso, impôs novos desafios aos manufaturados rotomoldados. “Comprovamos por meio de estudos de campo que os poços de visita são cem por cento estanques e resistentes às cargas dinâmicas do solo, e que não estão sujeitos a infiltrações, constituindo por todas essas qualidades e vantagens uma tecnologia já predominante na Europa, e uma tendência que começa a ser adotada na Ásia, Índia, Israel, Colômbia, Uruguai, e outros países”, afirmou o gerente da Braskem.

Com os poços de visita rotomoldados de polietileno, Barros espera poder repetir o sucesso das caixas-d’água e das tubulações plásticas de PVC que, por suas vantagens técnicas e facilidades de instalação, substituíram as manilhas cerâmicas no passado.

Comparativamente, os estudos realizados pela Braskem comprovaram que a solução de polietileno tem custo equivalente ao da instalação de concreto, não encarecendo, portanto, em nenhum centavo as obras de saneamento previstas pelos governos municipais.

Grande parte da alta resistência estrutural das peças que estão sendo rotomoldadas atualmente pode ser atribuída à nova resina de polietileno de média densidade linear, desenvolvida em base hexeno, uma inovação ao portfólio de resinas da Braskem.

“A nova resina ML 3601U confere desempenho diferenciado aos rotomoldados e oferece melhores propriedades mecânicas a peças que devem suportar pressões maiores, resistir a grandes impactos e a agentes químicos”, acrescentou Barros.

Lançada há pouco mais de um ano, a nova geração de resinas em base hexeno foi concebida para aplicações mais críticas, de alto desempenho e durabilidade, como poços de visita, fossas sépticas, cisternas e tanques comportando grandes volumes de água ou de produtos químicos.

Trata-se da primeira resina em base hexeno, “um comonômero que reage com o eteno, enquanto as resinas convencionais de polietileno para rotomoldagem de caixas-d’água e brinquedos, por exemplo, são copolímeros cujo monômero é um buteno que reage com o eteno”, explicou Barros.

Segundo ele, a nova resina também propicia balanço otimizado entre rigidez e resistência ao impacto, até mesmo em baixas temperaturas, e superior desempenho mecânico e elevada resistência ao stress cracking – as fissuras externas e internas que podem surgir por tensões e sofrer aceleração por condições do ambiente no qual o produto ficará em uso –, requisitos imprescindíveis ao processamento de muitos manufaturados técnicos.

Tendências – A perspectiva de que o mercado brasileiro de rotomoldagem possa crescer, principalmente com as novas soluções de polietileno mais práticas e seguras, e que poderiam agilizar as obras de saneamento básico e da construção civil, das quais o país é carente, também é animadora para a Dow Química.

“Já estamos comprovando a aceitação de nossas resinas em aplicações de cisternas, fossas sépticas e tanques, entre outras peças técnicas, em virtude de suas propriedades e de sua alta resistência”, informou o engenheiro de desenvolvimento Carlos Eduardo Jabur, da Dow Brasil.

Lançadas há pouco mais de dois anos no mercado global, e fabricadas em unidades da América do Norte, as novas resinas de segunda geração, todas fabricadas em base hexeno, são consideradas especialidades e já vêm contando com estoques locais.

Ao todo, por enquanto, quatro resinas estão sendo comercializadas localmente – Dow DNDA 1650, DNDA 3135, DNDA 3152 e DNDA 317 –, mas esse número poderá crescer, de acordo com lançamentos previstos para a Brasilplast.

A resina DNDA 1650 é um polietileno de média densidade linear, sem aditivação, e foi concebida para a rotomoldagem de peças e artefatos em geral. O DNDA 3135 é um polietileno de média densidade (PEMD), idealizado para aplicações em caixas-d’água comportando volumes até 5 mil litros, tanques para combustíveis, cisternas, componentes para máquinas agrícolas e peças técnicas em geral. O DNDA 3152 é um PEMD multipropósito, para aplicações em brinquedos e peças agrícolas. Já o DNDA 3170 é um PEMD para peças aparentes, e proporciona alta qualidade no acabamento, sendo recomendada também para peças técnicas em geral e para brinquedos.

As resinas DNDA 3135 e 3152 são apropriadas para a rotomoldagem de tetos para tratores, tanques para combustíveis, tanques para pulverização de químicos, componentes para colheitadeiras e também para cisternas enterradas que irão contar com forte penetração em estádios, prédios e residências. Outra aplicação que vem sendo prospectada para essas resinas está direcionada aos contentores para produtos químicos, do tipo IBC, comportando até 200 litros.

Já a resina DNDA 3170, além de atender os setores de brinquedos e peças técnicas, também vem sendo bastante comercializada na Europa para aplicações em móveis, uma nova tendência para a utilização dos polietilenos rotomoldados, segundo observou Jabur.

Desafios globais – Preocupada em facilitar o acesso ao mercado brasileiro de rotomoldagem a resinas mais avançadas, homologadas e já consagradas em mercados internacionais, a Ico Polymers do Brasil também vem oferecendo amplo portfólio de novidades aos rotomoldadores, além de prestar serviços de micronização.

Plástico Moderno, Marco Antonio de Lima Nunes, Diretor da C6 Tecnologia, Rotomoldagem - Setor aposta em crescimento na área de saneamento básico
Para Nunes, a rotomoldagem brasileira ainda precisa de amadurecimento técnico

Deste ano em diante, a presença da Ico Polymers no país deverá ser incrementada no setor de distribuição de resinas, segundo o diretor-geral Paulo Palhares, tendo em vista ter passado ao controle acionário da A. Schulman, grupo norte-americano dedicado a quatro grandes áreas de negócios, envolvendo masterbatches, compostos, distribuição de resinas micronizadas, e blendas, materiais muito utilizados em rotomoldagem.

“Em abril de 2010, a Ico Polymers se juntou ao grupo A. Schulman, um gigante norte-americano no fornecimento de resinas, compostos plásticos de alta performance e masterbatches e, dessa forma, a rotomoldagem no Brasil passará a ter acesso a linhas ainda mais completas de produtos, representados por especialidades da A. Schulman, como as linhas Schulink, Polyaxis e Superlinear, e produtos já amplamente difundidos da linha Icorene”, comentou Palhares.

Para o consultor Marco Antonio de Lima Nunes, diretor da C6 Tecnologia, as novas tecnologias que estão surgindo terão cada vez mais um papel muito importante na evolução do processo, e irão contribuir para que a rotomoldagem brasileira alcance novo patamar de amadurecimento e possa investir mais na profissionalização de seus recursos humanos para poder enfrentar os desafios técnicos que estão sendo impostos por exigências globais, levadas a cabo no país por muitas subsidiárias.

“Os usuários de rotomoldados dos setores industrial e agrícola estão cada vez mais exigentes em relação aos requisitos que devem ser apresentados pelos manufaturados e cada vez menos admitem falhas na rotomoldagem de peças e componentes técnicos, mesmo porque se espelham em produções realizadas em mercados maduros, que adotam parâmetros globais de qualidade que devem ser preservados por todas as unidades das companhias com presença global”, considerou o consultor.

Segundo ele, isso ocorre, por exemplo, em grandes montadoras agrícolas que, vez por outra, enfrentam dificuldades de ordem técnica para nacionalizar peças e componentes rotomoldados, principalmente ocasionadas pela escassez de pessoal especializado para trabalhar no desenvolvimento dos projetos.

“A rotomoldagem brasileira cresceu em tamanho, mas ainda requer maior amadurecimento técnico, como ocorre nos Estados Unidos e Europa, onde o processo avançou muito e os rotomoldadores contam com pessoal especializado para solucionar problemas técnicos, encontrando apoio de entidades, como as associações de rotomoldadores”, afirmou Nunes.

A cada dia a situação pode ficar ainda mais complicada pela necessidade de cumprimento dos requisitos de normas incidindo sobre a fabricação de rotomoldados e cujo cumprimento será obrigatório para a obtenção de certificações.

Como coordenador de normas para o setor de rotomoldagem no Instituto Nacional do Plástico, o INP, organismo de normalização setorial, vinculado à Associação Brasileira de Normas Técnicas, Nunes lembra que, só nos últimos três anos, foram aprovadas oito normas regulamentando a produção de rotomoldados, como tanques, caixas-d’água e componentes para sinalização viária.

“Somente na área de tanques, já contamos com três normas para acondicionar água potável, produtos químicos e, recentemente, aprovamos projeto de norma para tanques destinados a acondicionar combustíveis líquidos, que também deverá se transformar em norma da ABNT ainda neste ano, no qual deveremos dar início aos estudos para a elaboração de projeto de norma para tanques aterrados”, afirmou o consultor.

Além dos requisitos técnicos a cumprir no que se refere às propriedades e ao desempenho, os rotomoldados contemplados por normas terão de passar por ensaios para atestar a sua adequação e qualidade para as aplicações às quais se destinam.

Assim, fica fácil prever que os níveis de resistência mecânica exigidos aos rotomoldados para aplicações de alta durabilidade, por exemplo, serão cada vez mais rigorosos e que os projetos deverão contemplar inúmeros detalhes, como cálculos corretos para se determinar espessuras de parede, necessidade de introdução de respiros e de válvulas de segurança, comprovações quanto aos níveis de permeabilidade, entre tantos outros requisitos a cumprir, que também poderão recair sobre a responsabilidade dos rotomoldadores, que terão de estar tecnicamente bem preparados para fabricar produtos com qualidade certificada.

Por isso, segundo Nunes, tanto os requisitos dos usuários globais como as normas voltadas à comprovação da qualidade vão exigir a evolução do setor, até para que possam ser consolidadas várias novas aplicações que estão sendo desenvolvidas, cabendo às empresas maiores cuidados no desenvolvimento dos projetos, na seleção de materiais e maquinários, e na promoção de adequações necessárias ao cumprimento das normas para a obtenção de certificações.
“Os rotomoldadores em geral, e principalmente aqueles dedicados à produção de peças técnicas, terão de acompanhar mais de perto a evolução do setor e investir em profissionalização, compreendendo, por exemplo, que não é possível fazer uso de um mesmo polietileno fabricado há vinte anos para produzir lixeiras e tanques, indiscriminadamente, ou que é primordial saber fazer uso correto de pigmentos, para não comprometer a resistência mecânica dos produtos finais”, citou Nunes.

Segundo o consultor, os rotomoldadores que não atentarem para os níveis atuais de exigência técnica poderão enfrentar dificuldades para fabricar componentes e peças e obter sucesso em novos projetos voltados a tanques para combustíveis, painéis para ônibus e caminhões, tetos, para-lamas, carenagens, direcionadores de ar, entre muitos outros rotomoldados.

[toggle_simple title=”ABNT aprova norma para tanques” width=”Width of toggle box”]

O último projeto de norma aprovado e que será encaminhado à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) aborda os tanques rotomoldados de polietileno. Tais tanques são estacionários, ou seja, não se destinam ao transporte e poderão comportar volumes desde mil litros até 10 mil litros, mas somente podem armazenar combustíveis líquidos das classes II e III, não se aplicando, portanto, aos líquidos inflamáveis da classe I, como gasolina e etanol.

O projeto de norma contempla muitos requisitos necessários à fabricação desses produtos, especificando os métodos de ensaio aos quais deverão ser submetidos os materiais, bem como as propriedades físicas e de desempenho necessárias para esse tipo de tanque de estocagem. Os tanques para combustíveis dessas classes normalmente devem apresentar conformidade com as normas europeias ECE 34.

A ABNT já editou duas outras normas relativas a tanques rotomoldados: a NBR 15682 e a NBR 15762. A primeira trata de tanques estacionários em PE para acondicionar águas. A segunda versa sobre tanques estacionários para acondicionar substâncias químicas líquidas. Há outra norma da ABNT específica para reservatórios poliolefínicos para acondicionar água potável (NBR 14799) e duas outras para cones para sinalização viária (NBR 15071) e cilindros canalizadores de tráfego (NBR 15692). Cofres de carga também já contam com norma, a NBR 15589, bem como as câmaras de contenção e dispositivos associados para armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis (NBR 15118).

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