Rotomoldagem : Equipamentos evoluem

Mas sofrem com demanda instável

Os fornecedores de equipamentos de rotomoldagem estão esperançosos de que ocorra retomada da economia mais vigorosa nos próximos meses.

Nos últimos anos, as vendas não entusiasmaram.

O setor foi prejudicado pelo fraco desempenho da economia desde a segunda metade da década passada, problema agravado no ano passado com a chegada da pandemia.

A empresa catarinense Rotoline nasceu no ano de 2000 na cidade de Chapecó.

Hoje produz várias séries e modelos e tem suas máquinas vendidas nos cinco continentes.

Em 2013, inaugurou uma unidade na cidade de Kent, no estado de Ohio, USA.

De acordo com Raphaeli De Luccas, diretor comercial, o mercado, de maneira geral, vive momento de instabilidade e a empresa trabalha para amenizar o máximo possível os efeitos colaterais que derivam desta situação.

Plástico Moderno - Rotomoldagem - Equipamentos evoluem, mas sofrem com demanda instável ©QD Foto: Divulgação
Raphaeli De Luccas, diretor comercial da Rotoline

“Em 2020, por três meses consecutivos tivemos queda busca por máquinas de rotomoldagem. Não efetuamos nenhuma venda nesse período”, explica o diretor.

“As empresas congelaram seus investimentos”. O mercado voltou a se aquecer, de maneira especial nos últimos dois semestres. “De 2020 para 2021, tivemos um aumento de 51,5% na produção das máquinas. Desse total, cerca de 32% são para clientes brasileiros”.

As perspectivas são positivas. “A produção e entrega de máquinas já está fechada até o mês de março. A previsão é de um aumento de 33% nas vendas, quando comparadas ao mesmo período de 2021”.

A Rotoline atende transformadores dos mais variados tipos de peças. “Entre os produtos fabricados pelos nossos clientes estão caixas d’água, lixeiras, brinquedos, tanques, vasos para plantas, pallets, peças para automóveis, peças agrícolas entre outros setores da indústria plástica”.

A grande novidade da empresa da empresa, lançada em setembro, durante a feira Rotoplas 2021, em Chicago (EUA), é o modelo Sphere Oven SO 1.60. “Essa é a primeira máquina de rotomoldagem com forno esférico no mercado mundial”, destaca De Luccas.

Com foco na fabricação de pequenas peças, ela pode ser totalmente automatizada, desde a pesagem do material até a abertura, fechamento e alimentação dos moldes. Esse é um diferencial importante.

“Peças pequenas exigem muita atenção na sua fabricação, pois precisam de quantidades muito específicas e precisas de matéria-prima, além de demandarem processo operacional bastante trabalhoso.

Com a nova máquina tudo isso é feito de forma automática, com maior precisão e economia de tempo e material”. Outra característica destacada é a possibilidade de uso de até quatro cores diferentes na produção de peças.

“Há também grande economia de espaço na fábrica, pois não se consome espaço para a instalação de balança, equipamentos para coleta de matérias-primas e outros”.

Outras linhas são oferecidas. O modelo Shuttle, até hoje no mercado, funciona com um forno central e dois carros que podem ser operados individualmente na produção de produtos diferentes. A Carrossel é ideal para produção sequencial e em escala.

A série Open Flame trabalha com o sistema de chama aberta e é indicada para a produção de peças cilíndricas. Por sua vez, a LAB tem por objetivo o uso em laboratório, para operações como a realização de testes com peças pequenas.

Outra fabricante do equipamento, a norte-americana Ferry, foi fundada em 1927. No Brasil, a marca distribui seus produtos desde a década de 80. Hoje é representada com exclusividade por aqui pela Strategos Consultoria e Representação.

“A demanda do mercado para máquinas de rotomoldagem vem sendo prejudicada desde 2017”, explica Celedónio De Sousa Santos, diretor da Strategos. Um fator em especial que vem atrapalhando a empresa nos últimos meses é a deterioração do valor do real frente ao dólar, que encarece as importações.

Santos, no entanto, se mostra otimista em relação ao biênio 2022/23. “Acreditamos que serão observadas vendas cada vez mais robustas”.

A empresa conta em seu portfólio com modelos de máquinas tipo carrossel (com braços independentes ou braços fixos), shuttle, rocking oven e para laboratórios. Também produz máquinas especiais, projetadas de acordo com as especificações desejadas pelos clientes. O diretor destaca algumas características do modelo RotoSpeed de braços independentes.

“Ele oferece a maior flexibilidade operacional, pois um braço pode mover-se sem afetar o processo dos demais”. A máquina tem cinco estações, um forno, uma estação intermediária usada como pós aquecimento ou pré-arrefecimento, uma câmara de arrefecimento e duas estações para carga e desmoldagem das ferramentas.

A Ferry também comercializa equipamentos periféricos. Entre eles, plataformas automáticas destinadas a maximizar a produtividade operacional nas estações de serviço dos moldes, sistemas automáticos de carga de resinas pulverizadas e misturadores-turbo para preparação das resinas.

Micronizadores – O polietileno micronizado enriquecido de aditivos é a matéria-prima predominante no processo de transformação por rotomoldagem. A micronização tem por finalidade deixar a resina em partículas muito pequenas, até 500 micrômetros de diâmetro.

Para se chegar a esse resultado, torna-se essencial o uso de micronizadores. Esses equipamentos em geral são adquiridos por transformadores de grande porte ou por prestadores de serviços, sejam eles fornecedores de compostos ou empresas que executam a operação para terceiros.

Uma das empresas que atuam nessa área é o Grupo Pallmann, nascido na Alemanha em 1903 e com atuação no mercado nacional desde 1982. A empresa produz máquinas e sistemas completos para trituração, preparação, moagem, micronização, aglomeração e reciclagem de plásticos e madeiras, além de atuar nos ramos de reciclagem e desenvolvimento de processos. No Brasil a empresa também presta serviços, entre eles os de micronização.

“Para as empresas de rotomoldagem, oferecemos moinhos granuladores para peças que fugiram dos padrões desejados ou aparas e micronizadores para materiais virgens ou recuperados”, explica Marcelo Moura de Araújo, gerente comercial da empresa no Brasil.

Os micronizadores para operações com polietileno são os da linha PKM, oferecidos em diferentes tamanhos, com capacidades que vão de 150 a 600 kg/h. A Pallmann também tem modelos para outros tipos de resinas, como PVC, polipropileno e EVA. “Esses materiais são pouco utilizados nas linhas desse processo de transformação”, ressalta.

O gerente comercial informa que a procura por micronizadores tem sido positiva, a despeito das dificuldades proporcionadas pela instabilidade da economia. “As vendas estão em patamar estável”. Ele credita o resultado ao momento positivo vivido pelos segmentos onde se encontram os principais clientes, caso dos fabricantes de caixas d’água e de itens voltados para o setor agrícola.

A prestação de serviços também não é motivo de queixas. “Somos bastante procurados por empresas que não têm interesse em adquirir o equipamento ou apresentam aumento momentâneo de demanda”.

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