Máquinas e Equipamentos

Rotomoldagem – Determinados a expandir o mercado de atuação, os processadores apostam nos polímeros especiais

Rose de Moraes
16 de fevereiro de 2008
    -(reset)+

    Plástico Moderno, Danilo B. Cunha, engenheiro de produto da Caterpillar Brasil, Rotomoldagem - determinados a expandir o mercado de atuação, os processadores apostam nos polímeros especiais

    Cunha: componentes de máquinas tendem a empregar mais plástico

    Esse não é o caso, porém, de muitas dezenas de componentes rotomoldados há mais tempo com o uso de polietilenos lineares, como dutos de ar, reservatórios de fluidos e componentes de painéis de controle existentes nas cabines das máquinas. “Os componentes rotomoldados têm integrado as versões mais modernas das máquinas e essa é uma tendência mundial de utilização cada vez maior de componentes não-metálicos na concepção de máquinas”, informou Cunha.

    Para se ter uma idéia da importância dessa tecnologia para esse setor, o engenheiro considerou que a rotomoldagem já ocupa o segundo lugar entre os processos mais representativos voltados à fabricação de componentes não-metálicos na companhia, empatando com a injeção, e só perdendo para as aplicações em PRFV, pois em 80% dos casos, tecnicamente, ainda não foi possível promover substituições, como nos componentes utilizados nos compartimentos de motores.

    Exemplo australiano – Com consumo anual per capita de 6,8 kg de polietileno, a Austrália se tornou território firme e fértil para o desenvolvimento da rotomoldagem. Maior referência internacional em volume de polietilenos rotomoldados – são 140 mil toneladas/ano, para atender pouco mais de 22 milhões de habitantes –, os australianos se contrapõem, por enquanto, aos brasileiros, que somam 190 milhões e consomem apenas 150 gramas/habitante de resinas para rotomoldagem. Quanto à qualidade dos materiais, os comentários também não poderiam ser melhores. A Austrália rotomolda tanto que a petroquímica local não consegue dar conta da demanda interna e tem de importar resinas. Construindo fama, a Austrália recebe centenas de visitantes rotomoldadores, oriundos de todas as partes, técnicos e especialistas interessados em se aprofundar no manejo dessa tecnologia e comprovar a durabilidade dos materiais lá rotomoldados que, mesmo expostos às intempéries, alcançam vida útil superior a trinta anos.

    “O Brasil ainda está longe de alcançar os números australianos, mas avança cada vez mais em vários setores, principalmente em caixas-d´água, componentes agrícolas e componentes para máquinas”, afirmou Alexandre Castro, gerente de contas da unidade poliolefinas da Braskem. Especialista nesse setor, ele também confirmou o mais recente crescimento de rotomoldados em aplicações para substituir metais.

    Convicto de que a rotomoldagem irá crescer no Brasil nos próximos anos, ele chefia uma equipe formada por profissionais empenhados em desenvolver novas aplicações, prestar apoio e serviços de assistência técnica aos clientes e ainda contribuir para desenvolver mercados emergentes como o da construção civil.

    Esse grupo empreendeu algumas visitas à Austrália para acompanhar desenvolvimentos consolidados naquele país, como cisternas de 20 mil litros até 25 mil litros, incluindo tanques para acondicionar volumes até 45 mil litros.

    Segundo Castro, só o setor de fabricação de caixas-d´água rotomoldadas no Brasil consome em torno de 60% das 30 mil toneladas de polietilenos produzidas ao ano destinadas a esse processo e deve aproximar-se cada vez mais, segundo a expectativa dos técnicos, da realidade encontrada no Chile ou no México, onde o crescimento dos polietilenos foi rápido e já detém 100% do mercado de caixas-d´água rotomoldadas.

    Plástico Moderno, Alexandre Castro, gerente de contas da unidade poliolefinas da Braskem, Rotomoldagem - determinados a expandir o mercado de atuação, os processadores apostam nos polímeros especiais

    Castro promete para breve uma resina mais resistente ao stress-cracking

    Outro bom motivo para acreditar na evolução da rotomoldagem brasileira é a retomada do setor agrícola, que poderá alcançar níveis de produção de safras comparáveis aos de 2003 e 2004, aumentando, portanto, a necessidade de fabricação de maior número de caixas de sementes, caixas para colheitadeiras, componentes para máquinas agrícolas, entre outros produtos nos quais a rotomoldagem já se consolidou.

    “O que percebemos no mercado agrícola é a vontade muito grande dos fabricantes e usuários de substituir metais por polietilenos rotomoldados em vários produtos, como silos agrícolas, partes estruturais de máquinas e bancos”, comentou Castro.

    Uma das grandes novidades da Braskem para o mercado de rotomoldagem ainda está por vir, mas é prometida ainda para este ano. “Estamos finalizando os testes com uma nova resina de polietileno de média densidade linear (PEMDL), na unidade de Camaçari, na Bahia, que deverá apresentar característica de resistência ao stress-cracking muito superior à das resinas atuais, não rompendo, por exemplo, ao impacto a baixas temperaturas (-29ºC)”, afirmou. Esse nível de exigência, segundo ele, consta das normas americanas da ASTM e também fará parte da futura norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Com essa nova resina, poderiam ser rotomoldados tanques com capacidade acima de 2 mil litros. Também seriam atendidas as exigências técnicas para a produção de tanques de grandes dimensões, cisternas, tanques para químicos, tanques para fossas sépticas, peças para instalação aérea ou subterrânea, e ainda poderiam ser fabricados tanques para acondicionar 45 mil litros, tal qual os existentes na Austrália.

    “Também estamos concentrando novos estudos em aplicações voltadas à rotomoldagem com o nosso polímero verde. De origem alcoolquímica, e tendo como fonte uma matéria-prima renovável, como o etanol, derivado da cana-de-açúcar, não teríamos limitações técnicas e conseguiríamos obter as mesmas propriedades dos polietilenos de origem petroquímica”, considerou Castro.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *