Roscas – Tipo universal tende a perder mercado para os perfis dedicados

Para muitos fabricantes, rosca universal é utopia. Para alguns usuários, ainda representa um recurso bastante utilizado, mas que gradativamente tende a perder espaço para perfis dedicados, principalmente nos médios e grandes transformadores de plásticos. “Uma rosca pode trabalhar com mais de um material, mas não atenderá com máxima eficiência às condições necessárias para o processamento de todas as resinas”, afirma o diretor da Indústria de Máquinas Miotto, de São Bernardo do Campo-SP, Enrico Miotto.

As cinco décadas de experiência na fabricação desse tipo de acessório sustentam a opinião do empresário, compartilhada por outros especialistas do setor. “Alterar a velocidade da rosca, mudar o perfil da temperatura e colocar várias telas no filtro são alguns artifícios utilizados. Porém, hoje, a maioria dos transformadores sabe que a rosca universal é uma utopia”, diz.

As roscas têm a incumbência de transportar, plastificar, misturar e homogeneizar o plástico, sem comprometer as características químicas e físicas dos materiais a fim de obter produtos de alta qualidade. Mas podem ir além e melhorar o desempenho de extrusoras, injetoras e sopradoras, aumentando a produção e agilizando o set-up, entre outros recursos. Para isso, precisam estar em boas condições, com desenho correto e confeccionadas com os materiais apropriados para as resinas a serem processadas.

Não raro, muitos transformadores deixam de ser rigorosos com esses aspectos da produção com o objetivo de conseguir uma aparente redução de custos. Porém, ao evitar o investimento em roscas especiais, acumulam prejuízos no consumo de energia elétrica e de termoplásticos. Podem ainda reduzir a produtividade e prejudicar a qualidade do produto final.

O diretor da By Engenharia, de São Paulo, Antonio Azevedo Alves, também se manifesta contrário à cultura da rosca universal que, segundo ele, ainda existe no mercado brasileiro. A empresa representa a Xaloy Incorporated, dos Estados Unidos. “Acessórios especiais são mais usados no mercado de extrusão. O pessoal da injeção aceita melhor as soluções de materiais para maior durabilidade do que as voltadas para o desenho de rosca”, afirma.
De acordo com Alves, a rosca sempre terá um desempenho melhor em uma resina específica. Mas, torna-se viável quando o cliente opera muito tempo com o mesmo tipo de formulação.

No caso da aquisição de máquinas novas, o transformador paga apenas a diferença do valor para substituir a rosca convencional por um modelo especial. Na avaliação dos fabricantes de máquinas, de roscas e resinas, trata-se de um investimento que vale a pena em virtude dos benefícios agregados à produção.

Roscas universais possuem passo constante e filete simples. “Alertamos o mercado de que esses parâmetros não bastam. Produtividade, desempenho e qualidade dependem do perfil e geometria da rosca que podem atender a famílias de materiais”, defende o gerente-comercial da Multi-União, de Nova Odessa-SP, Silvio Vieira.

Plástico Moderno, Enrico Miotto, diretor da Indústria de Máquinas Miotto, Roscas - Tipo universal tende a perder mercado para os perfis dedicados
Para Miotto, roscas para máquinas co-rotantes são velozes e de alta produção

Projetos – O design dos perfis é extremamente importante para o projeto. Os perfis possuem filetes responsáveis pelo desempenho das etapas de fusão, homogeneização e transporte das resinas. Sendo assim, existem modelos adequados a cada tipo de resina, aditivo e carga.

Basicamente, há três tipos de design adaptados às máquinas monorroscas: standard ou universal, dupla-barreira e especial. O primeiro tem filetes simples, dispostos em um perfil que trabalha com diversos materiais. As roscas dupla-barreira, como o nome já diz, têm filetes duplos que permitem a separação da resina fundida daquela que permanece sólida.

Já os projetos especiais combinam filetes duplos, nos dois primeiros terços da rosca, com o perfil misturador posicionado no terço final, sendo mais indicados para resinas com elevadas porcentagens de cargas e aditivos.
As máquinas dupla-roscas, empregadas em grandes volumes de produção, são equipadas com roscas contra-rotantes, que giram em sentido contrário; ou co-rotantes, cuja rotação ocorre no mesmo sentido. As primeiras atendem principalmente o mercado de PVC; as co-rotantes, a transformação de resinas de engenharia.

Outros fatores que contribuem para o desempenho das roscas são os misturadores de pinos, de canais retos ou helicoidais, de barreiras e duplo-filete, entre outros.

Na análise de Miotto, as dupla-roscas co-rotantes são os melhores modelos para a preparação de blendas, incorporação de compostos, fibras de vidros etc.

“São roscas de alta produção e velocidade”, diz Miotto. A fabricação em módulos, com diversos desenhos, modelos e finalidades, facilita a mudança da geometria. “Permite ainda várias entradas para alimentação de aditivos ou saídas para degasagem.”

A Miotto fabrica, com tecnologia nacional, vários tipos de roscas, desde mono, duplas paralelas ou cônicas às co-rotantes e contra-rotantes. “Desenvolvemos e executamos projetos da geometria dos perfis. Os testes ocorrem em nosso laboratório”, afirma Miotto. Segundo ele, as roscas têm vários tipos de relações LxD, sendo que recentes aumentos no comprimento melhoram consideravelmente a produtividade e a qualidade de plastificação dos termoplásticos.

De acordo com Miotto, as melhorias nas linhas de produtos são contínuas, com o objetivo de aperfeiçoar o tratamento dos materiais, oferecer revestimentos adequados a cada tipo de resina, além de geometrias que beneficiem a produção, diminuam o desgaste ou necessitem de menor potência do motor. “Trata-se de desafio contínuo, que inclui ainda o uso de misturadores, barreiras, duplos e triplos filetes, passos variáveis, roscas com resfriamento ou aquecimento controlados.”

Da totalidade das vendas da Miotto, 50% segue para o mercado de extrusão, 40% para a injeção e 10% para o sopro. A mesma proporção ocorre no faturamento da By Engenharia, representante da Xaloy Inc., empresa americana que desenvolveu o processo de bimetálicos em 1931, e há algumas décadas está presente no mercado brasileiro.
Por causa do histórico de aquisições de outras companhias, a Xaloy Inc. fabrica variada gama de acessórios como camisas e roscas bimetálicas, ponteiras, bicos valvulados e filtrantes para injeção, troca-telas, bombas de engrenagens, cilindros para calandras, entre outros.

A linha de roscas atende o segmento de extrusão mono e dupla-rosca contra-rotante, além da injeção e sopro de diversas configurações e modelos, incluindo os de alto desempenho patenteados como: Fusion Screw, Multi Melt e Efficient Screw, lançados recentemente. A linha emprega diversos tipos de misturadores disponíveis no mercado, além dos patenteados pela Xaloy Inc.

Os mais novos lançamentos incluem materiais especiais para roscas e ponteiras, não-bimetálicos para o processamento de PA com fibra e baquelite, especialmente para roscas com diâmetros de até 50 mm. “Conseguimos resultados espetaculares em termos de durabilidade nas roscas e ponteiras. Outro destaque são as ponteiras com desenhos especiais que facilitam o fluxo e auxiliam na redução do desgaste”, afirma Alves.
De acordo com ele, o mercado está mais aquecido em 2007, com crescimento da ordem de 27%. “Como trabalhamos com peças importadas, a desvalorização cambial do dólar facilita as vendas. Conquistamos vários clientes novos, principalmente empresas multinacionais.”

Da produção da Multi-União, 50% atende o segmento de extrusão e os 50% restantes se dividem igualmente entre injeção e sopro. Fazem parte da linha, as roscas com perfis especiais. “Otimizam a produção, pois melhoram a plastificação e homogeneização, além de reduzir o consumo de energia elétrica ao conciliar o perfil da rosca com a menor potência do motor de acionamento”, garante Vieira.

Plástico Moderno, Antonio Azevedo Alves, diretor da By Engenharia, de São Paulo, Roscas - Tipo universal tende a perder mercado para os perfis dedicados
Alves: ponteira com desenho especial ajuda a reduzir desgaste

Manutenção – Os fabricantes do setor também apontam falhas nas manutenções periódicas ou na recuperação ou substituição das roscas desgastadas. “A grande maioria dos processadores, principalmente os menores, trabalham com o conjunto canhão e rosca muito desgastado ou com desenhos defasados ou não apropriados. Procuram a solução mais barata e não a mais viável tecnicamente”, lamenta Alves.

A By não atua no segmento de recuperação. “Fornecemos conjuntos confeccionados com materiais especiais de grande durabilidade. Como a vida útil é elevada, nesse meio tempo, existe sempre o desenvolvimento de novos desenhos e materiais. Assim o cliente se mantém atualizado”, diz.

Porém o mercado de recuperação é muito importante e necessário. “Deve-se avaliar tecnicamente muito bem cada caso a fim de se atingir o objetivo e assegurar a qualidade do produto.

A recuperação altera a geometria da rosca e, eventualmente, não irá ocorrer a plastificação desejada”, explica Miotto.A liga bimetálica empregada na recuperação é outra questão relevante, na avaliação de Vieira, da Multi-União. “Em virtude do material empregado, a durabilidade da rosca recuperada pode ser superior em relação ao projeto original.”Na avaliação dos especialistas, qualquer que seja a aplicação, alguns sinais revelam ser inevitável fazer a recuperação ou troca do acessório. O primeiro é a queda na produtividade, com a redução da produção avaliada por kg/hora ou metros/minuto. Outro indício é a necessidade de elevar a temperatura do canhão que envolve a rosca com auxílio de resistências elétricas para melhorar a plastificação do material, ou de aumentar a rotação da rosca.

Plástico Moderno, Silvio Vieira, gerente-comercial da Multi-União, de Nova Odessa-SP, Roscas - Tipo universal tende a perder mercado para os perfis dedicados
Vieira prevê aumento do faturamento neste ano

“Normalmente o transformador produz mensalmente os mesmos itens, e deve ter um controle de parâmetros de desempenho, tais como rotação da rosca, velocidade da linha, vazão, e outros”, explica Miotto. Tais parâmetros devem ser comparados no mínimo a cada trimestre. Com isso, registra-se qualquer alteração.

De acordo com Miotto, as roscas podem apresentar corrosão por ataque químico; desgastes prematuros por materiais altamente abrasivos, como a fibra de vidro; desplacamento de alguma aplicação superficial; e engripamento que pode ser provocado por empenamento, por tolerâncias dimensionais não adequadas ou pela presença de objetos metálicos junto à matéria-prima.

Na avaliação de Vieira, o alto grau de cargas empregadas nas resinas, muitas vezes com o objetivo de reduzir o custo final, aumenta a abrasão. “Hoje em dia, os termoplásticos estão mais abrasivos, o que exige maior atenção na especificação dos materiais e projeto das roscas”, diz. Essa característica determinou ainda a substituição do processo de nitretação no acabamento da superfície da rosca pela aplicação de ligas bimetálicas, que tornam o componente mais resistente.

Reciclagem – Além do aquecimento do mercado nacional, os fabricantes do setor ressaltam a expansão das vendas para o segmento de reciclagem. A By fornece roscas especiais com degasagem múltipla para reciclados de alta produção, roscas de alto desempenho para extrusão de PEAD e para injeção de PET a partir de flake.

A Multi-União lançou recentemente extrusora monorrosca com corte a seco na cabeça com capacidade desde 300 kg/hora a 1.500 kg/hora.

O equipamento substituiu a extrusora com corte convencional, e garante maior uniformidade do granulado entre outras vantagens, segundo o fabricante. “O sistema de alimentação forçada dispensa o aglutinador nos transformadores que recuperam aparas, reduzindo o consumo de energia elétrica”, explica Vieira.
A nova extrusora ampliou a participação de mercado da Multi-União. “Em 2006, as vendas de extrusoras convencionais representavam 15% do faturamento da empresa. Este ano, a participação saltou para 30%.” Vieira comemora também os bons resultados globais. “Estimamos crescer 40% em 2007.” Construção civil e autopeças apresentaram os melhores desempenhos.

A Wortex, de Campinas-SP, tem forte atuação no mercado de reciclagem com extrusoras cujas capacidades variam de 10 a 2.000 kg/hora, destinadas a diversos tipos de termoplásticos, incluindo ABS, PP, poliamidas e blendas com cargas minerais, fibra de vidro e outros. De acordo com informações do fabricante, possui sistema de degasagem a vácuo, processo de injeção a gás e troca-telas hidráulicos e manuais, entre outras características.

A empresa oferece ainda o kit de extrusão que pode ser montado no equipamento já existente no transformador. Fabricado sob encomenda e projetado para as necessidades específicas de cada cliente, o kit tem rosca e cilindro (nitretados ou bimetálicos), redutor com caixa de rolamentos, base conforme projeto e conjunto de aquecimento e de resfriamento com ventiladores. Todos os projetos são desenvolvidos no centro tecnológico.

Entre os produtos, destaca-se uma variada gama de roscas e cilindros (mono e duplos) e acessórios para injeção, extrusão e sopro. Os diâmetros variam de 25 mm a 400 mm; os comprimentos vão até 8.000 mm. O uso de ligas bimetálicas garante ainda longa durabilidade, alta precisão de alinhamento e de concentricidade e máxima resistência à abrasão e corrosão, conforme informações do departamento de marketing.

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