Roscas e Cilindros: Indústria pode potencializar a rentabilidade das máquinas com adoção de conjuntos especiais

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Em tempos de margens apertadas e instabilidade econômica, os industriais não podem errar e, por isso, a adequação dos projetos a cada tipo de aplicação se torna ainda mais imprescindível ao transformador. Complexos, os perfis e as geometrias das roscas exigem uma análise técnica criteriosa. Trata-se de um item que não pode ser negligenciado, afinal, do conjunto de plastificação dependem a qualidade do produto acabado e a rentabilidade da linha de produção.

Universo particular – A diversidade de polímeros e de compostos empregados nos vários processos de transformação gera a necessidade de projetos específicos. Cada tipo de resina ou mistura exige um desenho de rosca próprio, de modo que permita o máximo rendimento da operação. Por este motivo, a possibilidade de processar com uma rosca universal não é aceita pelos fabricantes de máquinas, apesar de uma mesma peça ter condições de operar com mais de um material. O problema é que, segundo alguns especialistas, dessa forma, não se obtém a máxima eficiência de processamento. “Pode processar até três materiais, mas recomendamos que se utilize sempre uma rosca específica para cada material”, ratifica o diretor da Indústria de Máquinas Miotto, Enrico Miotto.

A rosca universal ainda é muito utilizada pelos transformadores, porém com o passar dos anos deverá ser chutada para escanteio. “As exigências de mercado estão nos levando para roscas mais específicas com alto rendimento”, diagnosticou Luciano Miotto, diretor da LGMT Equipamentos Industriais. O tema é adverso.

No entanto, quando o assunto são os novos caminhos adotados pelo setor, as definições são mais claras. Muitos apontam como tendência o aumento da demanda por roscas de barreira e com misturadores e por roscas bimetálicas, mais nobres e de alta resistência, para processar, por exemplo, PA, PP e PVC, com fibras de vidro e cargas minerais.

Plástico Moderno, De Filippis aposta em projetos específicos para cada aplicação
De Filippis aposta em projetos específicos para cada aplicação

“A demanda por roscas especiais tende a crescer”, vislumbra Paolo De Filippis, diretor da Wortex. Esta previsão não é à toa. Os fabricantes de roscas e cilindros apontam: o mercado precisa melhorar a qualidade dos equipamentos, e este aprimoramento passa necessariamente pela aquisição de peças adequadas a cada projeto. Até porque, além de evitar prejuízos, um conjunto de plastificação bem projetado – leia-se, neste caso, com uma rosca específica ao material a ser processado – pode aumentar a produtividade das máquinas.

Um exemplo da LGMT dá conta de que uma extrusora Ø 60 mm, operando com uma vazão de 50/60 kg/h, por meio de um sistema convencional, pode, se as roscas forem devidamente desenhadas para esta aplicação, dobrar esta produção. Vale destacar ainda que o sucesso do conjunto de plastificação está diretamente ligado ao aço utilizado e ao seu tratamento térmico e aos revestimentos, que são identificados após a análise da aplicação à qual o conjunto vai se submeter.

Para Antonio Azevedo Alves, sócio-diretor da BY Engenharia, o mercado nacional absorve poucas inovações, no entanto, tem consumido mais roscas de barreira, o que representa um avanço qualitativo da demanda. “O transformador busca maiores produções e melhor qualidade da massa fundida”, comenta. Nos últimos anos, ele acompanhou o crescimento dos pedidos por produtos mais nobres e de alta resistência, sobretudo entre os clientes do mercado de injeção, no caso, a indústria automobilística. O caminho é esse mesmo. Segundo ele, a indústria tende a consolidar os conjuntos de alto desempenho e mais durabilidade por conta da ânsia do transformador de reduzir os custos operacionais e aumentar sua produtividade.

Essa visão tem eco entre os fabricantes nacionais. “Com o passar do tempo, o transformador ficou mais exigente, solicitando geometrias e tratamentos que melhorassem a qualidade do produto transformado e, ao mesmo tempo, que alongassem a vida útil do conjunto de plastificação, principalmente quando se fala de materiais com cargas que são altamente abrasivas”, explica Luciano Miotto.

Mas é notório, nem todos estão dispostos a pagar mais por uma rosca específica a cada tipo de material. Aliás, vale lembrar que o transformador brasileiro é muito sensível ao preço. Conforme comentam os fabricantes de equipamentos, muitas vezes, o cliente deixa de considerar o custo/benefício de uma peça, negligenciando a qualidade de sua aquisição, em prol de um preço mais baixo. Sendo assim, a indicação é um meio-termo: perfis de roscas adequados às famílias de materiais, e não a cada grade.

Variedade e capacidade para abastecer o mercado nacional não faltam. O setor traz referências na área, entre as quais estão fabricantes mais antigas, como a Wortex, de Campinas-SP, criada em 1976, e a Indústria de Máquinas Miotto, de São Bernardo do Campo-SP, fundada em 1961. Além de outras importantes companhias com fabricação local, como a piracicabana LGMT e a Matriz Industrial, de Curitiba-PR. Entre as importadoras, um nome forte é o da estadunidense Nordson-Xaloy, representada no Brasil pela BY Engenharia. Em tempo, a Nordson Corporation, empresa fundada em 1954, em Ohio (EUA), com faturamento anual de cerca de US$ 1,5 bilhão, adquiriu recentemente a Xaloy, cuja sede está localizada na Pensilvânia, também nos Estados Unidos.

Cada caso é um caso – A rota escolhida pela Wortex é justamente a da especialização. Segundo De Filippis, a empresa projeta roscas e cilindros para aplicações muito específicas, o que só é possível fazer com o amparo de uma competente equipe de engenharia e uma capacidade fabril de primeira linha. “A tecnologia usada é toda nossa, porém temos um padrão internacional”, garante o diretor. Ele conta que é preciso visualizar a demanda nas suas particularidades. Oferecer uma solução ao cliente se revela a estratégia para emplacar novos negócios, e não simplesmente um conceito teórico. “Não paramos na rosca, tentamos entender todo o processo”, aponta.

Uma fórmula não existe, pois efetivamente cada caso é um caso. De qualquer maneira, há caminhos por meio dos quais é possível elevar a eficiência das máquinas. “Os materiais requerem comprimentos mais longos de rosca”, comenta o diretor. Segundo ele, é possível dobrar a capacidade de produção de uma máquina, com L/Ds maiores. “O investimento se paga em produtividade em, no máximo, trinta dias”, avisa. A tríade da plastificação – tempo, temperatura e pressão – deve estar em equilíbrio (condição esta obtida com o desenho adequado da rosca), para também contribuir com os resultados positivamente.

Ano difícil – Em razão da importância das roscas e dos cilindros para a melhor eficiência dos processos de transformação, existiria uma demanda cativa e, portanto, as vendas desses conjuntos de plastificação iriam de vento em popa, certo? Errado. Pelo menos neste ano, os negócios foram bastante difíceis. Investimentos na reposição e até mesmo na recuperação dos conjuntos de plastificação foram escassos.

Para uma das principais empresas do ramo, a Equipamentos Universaloi, os negócios beiram o desânimo. O desempenho da companhia neste ano foi insatisfatório, na avaliação de Enrico Miotto. Não haverá crescimento. Nem mesmo o aquecimento da demanda de peças para o segmento de PVC (rígidos e flexíveis) deu um fôlego, e nem dará. As expectativas para o próximo ano estão longe de ser positivas. “Os grandes eventos programados para 2014 não somam nada para a nossa área”, argumenta.

A fabricante não apresentou novidades em seu portfólio, porém aprimorou o desempenho das roscas, melhorando sua geometria, com a proposta de produzir mais e melhor. A Universaloi destaca como um dos seus diferenciais a oferta de cilindros bimetálicos. Segundo a fabricante, não se trata, no entanto, de um simples tratamento térmico para aumento de dureza, mas, sim, da utilização de outra liga metálica, o que resulta em uma vida útil no mínimo três vezes superior à de uma peça convencional.

Em 1986, após um desmembramento, a Indústria de Máquinas Miotto criou a Equipamentos Universaloi, responsável desde então pela fabricação de roscas e cilindros da marca Universaloi, sob a assessoria técnica da Miotto.

Plástico Moderno, LGMT investe em produtos para reposição de importados
LGMT investe em produtos para reposição de importados

Na LGMT Equipamentos Industriais o enredo ruim deverá se repetir. O fim de 2013 não será dos melhores. A expectativa do diretor Luciano Miotto é a de encerrar o ano sem crescimento em relação a 2012. “Infelizmente vivemos um momento no qual grande parte dos empresários quer ter tecnologia, desenvolvimento e produtividade, porém não valoriza principalmente o fabricante nacional”, aponta. Nem a variedade de produtos assegurou mais negócios. Em relação às vendas, a injeção representou a maior parte do faturamento (50%); o restante se dividiu entre extrusão (35%) e sopro (15%).

Na avaliação do diretor, o mercado está sendo “inundado” (sic!) por máquinas importadas, mas, de alguma maneira, o fenômeno não representa um problema para a indústria nacional de equipamentos. Para ele, trata-se de uma oportunidade para sua empresa emplacar novos negócios, atuando na reposição dos conjuntos de plastificação. “Na grande maioria das vezes, não se justifica para o transformador importar este componente”, observa. Hoje, a maior parte dos negócios é para a construção das roscas e cilindros (60%), os 40% restantes se voltam para a recuperação.

Em setembro de 2008, a AWS Brasil, fabricante de periféricos e equipamentos para o setor de plásticos, com sede em Curitiba-PR, adquiriu a Matrix, fabricante e recuperadora de roscas e cilindros, sediada no mesmo município. Desta negociação, surgiu a Matriz Industrial, que atua ainda com cabeçotes e matrizes de extrusão, além de componentes e acessórios, como ponteiras, anéis de bloqueio e encosto, bicos e porta-bicos.

Apesar de relativamente nova no mercado, ou até mesmo por isso, a companhia irá encerrar 2013 em linha com suas expectativas. “O ano tem sido interessante para nós, e até o final dele teremos nossos objetivos concretizados”, comenta Camila Sapage, do departamento comercial. O seu maior mercado hoje é o de PVC, embora o de PET também traga bons resultados ao desempenho financeiro da companhia, que atualmente designa à fabricação e à recuperação dos conjuntos de plastificação a mesma importância.

No ano passado, a empresa consolidou as companhias do grupo Sapage. A ideia aqui era potencializar o seu negócio de roscas e cilindros, utilizando a força das outras fabricantes do grupo, composto também por: AWS, com atuação no mercado de máquinas extrusoras e coextrusoras, e periféricos; AWF, da área de pigmentos e aditivos; e a Recypack, que atende o segmento de reciclados e fitilhos.

Plástico Moderno, Universaloi mexeu na geometria das peças e melhorou desempenho
Universaloi mexeu na geometria das peças e melhorou desempenho

Avanço tímido – Apesar de considerar 2013 um ano inconstante, a Nordson-Xaloy, representada no Brasil pela BY Engenharia, irá crescer 12% (em vendas). Mais do que demonstrar que a estratégia da companhia teve êxito, o índice revela a disposição da indústria em adquirir roscas especiais para aplicações dedicadas – o tipo mais requisitado hoje por seus clientes. O portfólio não é dos mais convencionais; entre os destaques estão os cilindros e roscas bimetálicos. Não por acaso, um carro-chefe da marca são os conjuntos bimetálicos com revestimento de carbeto de tungstênio liga X-800. O segmento de injeção representa 65% das vendas da empresa; seguido pela extrusão, com 30%; e sopro, com os 5% restantes.

Com produções nos Estados Unidos desde 1929, a companhia inventou o processo de cilindros bimetálicos por centrifugação. Hoje possui fábricas nos Estados Unidos em: Pulaski (cilindros metálicos), Ohio (roscas de até 100 mm) e New Castle (roscas acima de 100 mm). Além de uma unidade fabril na Tailândia, onde produz cilindros e roscas de até 100 mm. A previsão é de encerrar 2013 com 8.500 roscas e 1.600 cilindros vendidos.

Marcado por muitas incertezas, 2013 deverá acabar sem que a Wortex registre crescimento. Talvez algo em torno de 10%, a saber quando fechar o balanço do ano. Mas, de qualquer maneira, as expectativas para 2014 são positivas. De Filippis projeta aumento nas vendas da ordem de 20% a 30%.

A companhia nasceu como fabricante de roscas e cilindros, e hoje se considera líder no segmento. O pioneirismo também marca sua história. Foi a primeira fabricante brasileira a introduzir no mercado nacional roscas com barreira. Também saiu na frente na aquisição de máquina programável para abertura de rosca e de solda por plasma. O portfólio conta com conjuntos de plastificação para injeção, extrusão, sopro e também termoformagem, borracha e alimentos.

Na Wortex, hoje, 30% do faturamento resulta das vendas de cilindros e roscas. Porém, mais do que números, a fabricante busca excelência em todas as suas áreas de atuação. Até por isso, separou sua produção. A empresa dividiu as unidades fabris de usinagem das suas máquinas da dos equipamentos (roscas e cilindros). Também mantém uma política de investimentos em tecnologia de ponta. De Filippis orgulha-se de possuir uma máquina (importada) para abrir rosca com seis eixos e outro modelo capaz de furar cilindro em até oito metros de comprimento. Não é à toa que nos últimos dois anos a empresa dobrou sua capacidade produtiva.

Plástico Moderno, Na Matriz, maior procura é por rosca para processar PVC
Na Matriz, maior procura é por rosca para processar PVC

Mas a ideia é crescer ainda mais. A Wortex acaba de firmar parceria com uma empresa italiana, a qual será abastecida com as roscas e cilindros da fabricante brasileira. Quando a nova fábrica estiver operando a 100%, a companhia deve dobrar seu faturamento.

Dentro de um programa de internacionalização, a Wortex estabeleceu uma joint venture com o grupo italiano Amut, empresa com presença em mercados como Europa, Ásia e América do Norte, com faturamento anual de 50 milhões de euros. Com a parceria, serão produzidas em Campinas-SP linhas de extrusão para tubos, perfis e folhas de embalagens e, posteriormente, equipamentos de termoformagem. As empresas também têm por objetivo atender à demanda do mercado de tratamento de resíduos urbanos e industriais.

A Wortex é uma empresa 100% brasileira e atua na fabricação de equipamentos para extrusão, reciclagem, acessórios, moinhos, roscas e cilindros. Seu principal negócio é o das recicladoras. “Mas projetos especiais, feitos sob encomenda para atender às necessidades específicas de nossos clientes têm também uma boa parcela em nosso resultado”, garante. Talvez esse seja mesmo o caminho: a especialização.

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