Robótica – Economia aquecida aumenta o interesse por automação

Para alguns setores da economia, em determinados momentos, dois e dois são cinco. É o caso atual dos fornecedores de robôs de três eixos, usados pelos transformadores especializados na injeção de plásticos para retirar as peças e, eventualmente, fazer outras operações, como cortar galhos. A fase atual apresenta uma série de conjunções favoráveis. O bom momento da economia é o principal fator da bonança. Os transformadores de produtos plásticos, pressionados por trabalhar com capacidades ociosas mínimas, investem pesado na compra de equipamentos para agilizar a produção e atender o forte ritmo de encomendas. A pressão pelo aumento da produtividade provoca outro efeito favorável, a renovação do parque industrial. E hoje, na maior parte das vezes, quem compra injetora quase sempre acopla um robô no novo equipamento.

Alguns dados reforçam a boa expectativa das empresas do ramo. De acordo com informações da japonesa Star Seiki, fabricante de robôs com escritório próprio de vendas no Brasil, o índice de automação das transformadoras de plástico no mercado nipônico se encontra entre 80% e 85%. Nos Estados Unidos e Europa, esse índice alcança 70%. No Brasil, onde operam de 30 mil a 35 mil máquinas, esse índice não chega a 15%. O potencial de crescimento, por aqui, é enorme.

Plástico Moderno, Robótica - Economia aquecida aumenta o interesse por automação
Mercado procura por modelos com maior custo/benefício

Outra boa notícia. Há dois ou três anos, as vendas do setor eram encaminhadas, em grande parte, para os fabricantes de autopeças. Por influência das montadoras, acostumadas com o uso de robôs em outros países, esses transformadores eram intimados a investir na automação. Hoje, o setor automotivo continua na liderança. Mas a procura se espalhou para praticamente todos os segmentos da economia, com destaque para os fabricantes de peças para os eletrodomésticos de linha branca, de linha marrom, eletroeletrônicos, utensílios domésticos e embalagens.

Os ventos favoráveis não param por aí. Há dois anos, os robôs mais procurados eram os conhecidos como “pegadores de galhos”. Ou seja, os dotados com movimentos feitos em três eixos movimentados com sistemas pneumáticos. Hoje, de acordo com os fornecedores, se intensificou a procura por modelos mais sofisticados, com três eixos movidos por meio de servomotores. Com maior valor agregado, eles permitem maior margem de manobra na programação das operações e proporcionam melhor relação custo/benefício.

Plástico Moderno, José Luiz Galvão Gomes, Diretor da Dal Maschio, Robótica - Economia aquecida aumenta o interesse por automação
Gomes: ter fábrica no Brasil é diferencial

Por essas e por outras, em 2010, os especializados na oferta de robôs esperam quebrar seus recordes de faturamento. Alguns conseguiram atingir números para lá de satisfatórios nos primeiros meses de 2010. A única fabricante nacional é a multinacional de origem italiana Dal Maschio, também conhecida por DM, com fábrica instalada em Diadema-SP. Seus principais concorrentes no Brasil são fabricantes mundiais com escritórios de representação próprios por aqui. Podemos citar, além da Star Seik, a austríaca Wittmann e a francesa Sepro.

Benefícios – Há dez anos, vender um robô no Brasil era uma operação bem mais complicada do que nos dias de hoje. Os transformadores não demonstravam muito entusiasmo pela ideia de adquirir essas máquinas. Os tempos mudaram. Hoje a indústria vê esses equipamentos como ótimo investimento. A mudança de cultura ocorre em paralelo com o desenvolvimento do uso. “Quem experimenta, dificilmente adquire nova injetora sem um robô para trabalhar acoplado”, garante José Luiz Galvão Gomes, diretor da Dal Maschio.

Os benefícios oferecidos pelos equipamentos estão a cada dia se tornando mais claros na mente dos usuários. Muitas são as melhoras por eles proporcionadas às linhas de produção. Em tempos de economia aquecida, resultam em significativa melhora dos índices de produtividade. “Eles têm condições de trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana”, ressalta Roberto Eiji Kimura, gerente-geral da Star Seiki. A possibilidade de obtenção de repetidos ciclos de produção, nos quais as peças são fabricadas sem alterações nas suas características, é outra vantagem incontestável.

Os robôs também são muito úteis no caso das peças com requerimento de ótima aparência. Eles reduzem a praticamente zero os índices de acidentes como quedas ou manuseio impróprio. “São muito indicados para linhas de produção com ciclos muito rápidos ou para peças de grande porte, caso de para-choques ou painéis de automóveis difíceis de serem transportados por seres humanos”, defende Reinaldo do Carmo Milito, diretor da Wittmann.

“Em algumas situações, o uso dos robôs é imprescindível”, garante Oscar da Silva, gerente de vendas e serviços da Sepro do Brasil. Um exemplo é o da fabricação de peças plásticas com insertos de outros materiais. O uso de operadores humanos para efetuar o trabalho, em determinados casos, beira o impossível. Capas de aparelhos celulares, por exemplo, são injetadas com insertos de metal com tamanhos de até um milímetro.

Outro caso no qual o equipamento é necessário é o da fabricação de embalagens projetadas pelo processo in mold label, pelo qual peças saem com imagens gravadas com a colocação de etiquetas nos moldes. O método vem ganhando espaço na indústria brasileira e a presença dos robôs se faz necessária, pois a operação utiliza forte descarga elétrica durante sua execução.

A sensação de que os robôs “roubam” empregos em um país onde as condições sociais são desiguais hoje não provoca polêmicas como no passado. Para os fornecedores, a competitividade exigida pela economia globalizada impele as empresas a adotarem soluções diferenciadas. Além disso, a automação nem sempre dispensa a presença dos trabalhadores. Os operários muitas vezes recebem as peças e efetuam operações como corte de canaletas ou controle de qualidade.

Recordes sucessivos – O ano de 2009 não foi bom por conta da crise econômica. Mas só no primeiro semestre de 2010, a Dal Maschio conseguiu repetir o faturamento de 2008, ano considerado dos melhores. “No primeiro semestre conseguimos vender noventa robôs, no ano passado inteiro vendemos em torno de cinquenta”, revela Gomes. As perspectivas para o segundo semestre de 2010 são ótimas. “Nossas vendas estão batendo recordes em cima de recordes. Esperamos fechar o ano com mais que o dobro das vendas de 2008”, comemora. A empresa está com a carteira tomada até outubro. “Os prazos de entrega estão em torno de sessenta a noventa dias. Conseguimos encaixar novos pedidos, temos boa flexibilidade de produção”, ressalta.

O desempenho é creditado ao momento positivo da economia. “Nos anos anteriores, um ou outro segmento se destacava. Hoje as vendas estão diversificadas, estamos atendendo as indústrias de autopeças, linha branca, móveis, embalagens, utilidades domésticas, vários setores”, revela. Outra característica dos negócios está ligada à renovação do parque fabril. “A maioria das vendas são voltadas para equipamentos novos, nossos clientes não compram mais injetoras sem robôs. De vez em quando, em torno de 5% dos casos, somos procurados para automatizar máquinas antigas”, diz. Entre os setores cuja demanda mais cresce, Gomes aponta os transformadores que se utilizam da tecnologia in mold label. “Também vem aumentando a procura pela automação de máquinas de ciclo rápido e de fabricantes de baldes plásticos para embalagens de tinta, antes feitas de metal”, informa.

A Dal Maschio foi criada na Itália em 1973 e chegou ao Brasil no início dos anos 90 mediante um contrato de representação feito com a fabricante de injetoras Semeraro. A parceira nacional deixou de existir e a marca italiana decidiu implantar uma fábrica por aqui. Gomes compara o mercado atual com o dos velhos tempos. “Antigamente era difícil convencer os clientes sobre a utilidade dos robôs.” Para o executivo, a compreensão dos clientes sobre o retorno dado pelo equipamento aumentou muito. “Hoje, um ou outro cliente ainda diz que automação é para multinacionais, às vezes é difícil fazer a primeira venda para uma empresa. Para quem já tem experiência, os robôs são vistos como essenciais, em especial nos momentos em que a economia está crescendo”, explica.

Para Gomes, o fato de ser a única empresa com fábrica no Brasil traz alguns diferenciais importantes. Um deles é a qualidade do serviço de pós-venda. “Temos vinte técnicos, qualquer problema é só o cliente telefonar e resolvemos tudo de forma rápida, às vezes pelo telefone”, afirma. Outra é a facilidade de personalizar os produtos oferecidos. “Temos condições de fabricar os robôs de forma que atendam às necessidades específicas dos clientes. De acordo com a linha de produção das peças, calculamos as variáveis mais adequadas, como velocidade dos movimentos, tamanho dos eixos e outras características”, diz.

Tal flexibilidade, de acordo com o diretor, melhora o retorno do investimento dos clientes. Para ele, às vezes compensa comprar um robô bem dimensionado para determinada linha de produção, mesmo se for necessário pagar mais por isso. “Um importado pode custar menos, mas nem sempre tem as medidas adequadas, pode causar gargalos na linha de produção e reduzir a velocidade dos ciclos das injetoras”, adverte.

Plástico Moderno, Kimura, da Star Seiki, Robótica - Economia aquecida aumenta o interesse por automação
Kimura: objetivos de quebrar recorde de vendas em 2010

Gomes ressalta o aumento da procura por equipamentos mais sofisticados, dotados com três eixos servomotorizados. E fala sobre o avanço tecnológico dos comandos. “Hoje temos dois tipos de comandos, os livremente programáveis e os pré-programados.” Os livremente programáveis podem ser ajustados passo a passo, adaptam-se a qualquer tipo de peça, e são indicados para usuários com expectativas de realizar ações diferenciadas, como a montagem de insertos, a aplicação de desmoldantes ou o corte de galhos. “São muito amigáveis, mas exigem a presença de mão de obra mais qualificada”, diz. Os pré-programados utilizam ajustes mais simples e atendem à produção de peças menos complexas.

Mercado comprador – “No final do ano passado, a demanda voltou a crescer. Agora vivemos um momento comprador, os negócios estão muito bons”, informa Kimura, da Star Seiki. As vendas aquecidas chegaram ao ápice no primeiro semestre. “Até junho vendemos cem robôs”, revela. A expectativa até o final do ano é das melhores. “Queremos vender mais de 200 máquinas em 2010”, avalia.

Criada no Japão em 1964, a empresa chegou ao Brasil no início dos anos 90 por meio de um contrato de representação firmado com a fabricante de injetoras Romi. Em 1997, abriu escritório próprio no Brasil. “Até 2005, atendíamos apenas grandes multinacionais, em especial as fabricantes de autopeças. Hoje somos procurados por pequenas e médias empresas, o leque de clientes abriu bastante”, comenta.

Para Kimura, um fato a favor da empresa é o da renovação do parque transformador. Nos modelos antigos é difícil instalar a automação. “Muitos clientes estão trocando as injetoras por máquinas de última geração. Os novos modelos, em especial os europeus, estão totalmente preparados para ‘conversar’ com os robôs”, diz. Um ponto ainda deixa a desejar: os moldes utilizados nem sempre estão aptos a trabalhar com extratores de elevada tecnologia. “Muitos moldes estão vindo da China e exigem algumas alterações. O cenário melhorou um pouco nos últimos tempos, mas ainda não está 100%”, julga.

A Star Seiki conta com linha completa de robôs, desde os mais simples, com eixos acionados por componentes pneumáticos, aos dotados com servomotores e a linha híbrida. Os modelos podem ser acoplados às injetoras de cinquenta a três mil toneladas de força de fechamento. No passado, os pneumáticos eram os mais vendidos. A procura se tornou mais sofisticada, os movidos com servomotores estão sendo procurados com maior intensidade. “Eles permitem mais opções de programação e apresentam maior durabilidade”, explica. Entre as unidades com servomotores, destaque para a linha GX, fabricada no Japão, e para a CZ, feita na China. “Os modelos chineses são um pouco mais simples”, informa.

Uma das estratégias comerciais da empresa é manter no Brasil um estoque de máquinas para pronta entrega. A receita se mostra muito interessante em tempos de mercado aquecido. O fato de não ter fábrica no Brasil não atrapalha a assistência técnica, garante o gerente-geral. “Proporcionar um bom trabalho de pós-venda, para nós, é importante. O transformador de plástico não pode ver sua linha de produção parada por causa de um problema proporcionado por robôs”, diz.

Ajustes – Para a Wittmann, depois de atravessar 2009 com vendas um tanto retraídas, os negócios começaram a reagir a partir do último mês de março. “Estamos em um momento excelente, vamos superar com grande facilidade os números do ano passado. Queremos ultrapassar os resultados de 2008, que foram excelentes, queremos bater nosso recorde”, informa Milito.

Plástico Moderno, Reinaldo do Carmo Milito, Diretor da Wittmann, Robótica - Economia aquecida aumenta o interesse por automação
Milito: compra da Battenfeld integra injetoras aos robôs

Vale lembrar alguns acontecimentos vividos pelo grupo austríaco. A Wittmann foi fundada em 1975, como produtora de reguladores de fluxo para máquinas da indústria plástica. Nos anos seguintes, diversificou a linha de produtos com outros periféricos. Tornou-se fabricante de robôs em 1985. Um fato importante ocorreu em 2008, quando a multinacional concretizou a compra de uma empresa alemã de renome, a fabricante de injetoras Battenfeld.

Com a aquisição, o grupo passou a privilegiar a oferta de soluções totalmente integradas para a injeção de plásticos. Nos projetos, encontram-se os robôs, entre os demais periféricos. Uma das vantagens, por exemplo, é a possibilidade de programação dos movimentos dos “braços” do equipamento no controle da injetora. “O controle integrado permite, por exemplo, gerenciar o funcionamento da máquina a distância, pela internet”, ressalta.

De acordo com Milito, a nova fase, com o passar do tempo, irá ajudar a empresa em determinadas transações. Ele ressalta, no entanto, a necessidade de alguns ajustes para atingir o entrosamento ideal do funcionamento das duas empresas no Brasil. “Muitos dos nossos representantes de vendas em determinadas regiões não eram da Battenfeld. Por outro lado, muitos representantes da Battenfeld trabalhavam com marcas concorrentes”, exemplifica.

Ajustes à parte, o diretor reconhece a fase mais madura vivida pelo mercado de automação. “A procura por soluções automatizadas continua em alta”, resume. Ele confirma o crescente interesse por modelos sofisticados. Uma boa notícia para a marca, cujos modelos são todos movidos por servomotores e livremente programáveis. Milito procura aproveitar o momento para desmistificar a imagem da Wittmann de oferecer produtos sofisticados, com custos inacessíveis. “Temos preços flexíveis e queremos mostrar para o mercado que competimos de igual para igual com as demais empresas. Alguns clientes acostumados com determinadas máquinas demonstram surpresa com as nossas ofertas”, comenta.

Desbravando mercado – Em 1973, nascia na França a Sepro, empresa voltada para a automação de processos de fabricação de chapas metálicas. Em 1982, a empresa lança seu primeiro modelo de robô voltado para a indústria de injeção de plásticos, área de atuação na qual se especializou. No Brasil, a primeira venda se concretizou em 1998, para fornecedoras de autopeças da fábrica de Curitiba-PR da montadora Renault. O escritório de representação foi montado em 2001, em Jundiaí-SP.

Plástico Moderno, Oscar da Silva, Gerente de vendas e serviços da Sepro do Brasil, Robótica - Economia aquecida aumenta o interesse por automação
Sepro vai concorrer com marcas já estabelecidas, diz Silva.

“A empresa começou a participar do mercado nacional para valer em 2007. Antes, atendíamos apenas clientes europeus que atuavam por aqui, fornecíamos peças de reposição e prestávamos serviços de assistência técnica”, informa da Silva. O momento promissor do mercado é a oportunidade para a marca enfrentar as principais concorrentes, estabelecidas há mais tempo por aqui. “O primeiro semestre foi excelente, tivemos faturamento 50% superior ao ano de 2009”, revela. O ano passado, é verdade, não foi dos melhores. “O ano de 2008 foi fantástico”, diz.

De acordo com Silva, o diferencial da Sepro reside na sofisticação dos robôs. O executivo diz que essa característica faz a marca sobressair nos países do Velho Continente. “Na Europa, a parte técnica é muito valorizada, os clientes preferem pagar mais caro e obter retorno maior do investimento nas linhas de produção”, explica.

Para ele, boa parte dos transformadores brasileiros ainda não dá o devido valor à qualidade das máquinas e compra por causa do preço. Mas o cenário está mudando. Da mesma forma que ocorre com os demais produtos tecnológicos, os preços dos robôs, nos últimos tempos, estão se tornando mais baixos. O real fortalecido perante outras moedas colabora.

Para o gerente, o cenário aumenta a chance de sucesso dos equipamentos da Sepro. A empresa oferece três séries de robôs. A Axess, dirigida às injetoras de 20 a mil toneladas de força de fechamento, é formada por modelos mais simples, apontados como ideais para os interessados em ter acesso à tecnologia oferecida pela empresa. A linha G4, voltada para injetoras de 20 a 5 mil toneladas de força de fechamento, é mais sofisticada. “Os robôs G4 são mais evoluídos e potentes, garantem ciclos muito repetitivos, grande velocidade e capacidade”, assegura. No final do ano passado, na feira realizada em Fakuma, na Alemanha, a empresa lançou a série S5. “A série S5 conta com tecnologia de última geração. Aos poucos, vai substituir a G4”, explica.

Algumas características dos equipamentos da marca explicam a excelência. Todos os modelos são dotados com eixos movimentados com servomotores. A linha Axess é equipada com os controles Touch 2 e as séries G4 e S5 com o Visual 2. “Os comandos eletrônicos são muito avançados e gerenciam em tempo real informações sobre produção, produtividade e número de peças a fabricar, entre outras. Eles são fáceis de trabalhar, o próprio operador pode comandar a operação”, informa. A robustez mecânica também é valorizada por da Silva. “Nossos robôs têm uma espécie de sensor que atua como sistema de amortecimento, que evita problemas durante a retirada da peça provocados pela variação da abertura da máquina”, exemplifica.

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