Robôs – Cultura da automação cresce entre usuários e anima fornecedores a enfrentar a crise

As vendas se encontravam em patamar para lá de satisfatório até o mês de outubro. A crise econômica internacional provocou um arrefecimento na demanda. Os principais fornecedores de robôs de três eixos, voltados para a automação das máquinas injetoras, da mesma forma que representantes de todos os demais segmentos da economia, não sabem ao certo o que vai acontecer.

 

Plástico Moderno, Roberto Eiji Kimura, Diretor da Star Seiki, Robôs - Cultura da automação cresce entre usuários e anima fornecedores a enfrentar a crise
Kimura: empresas japonesas ajudam as vendas

O quadro não está claro, mas existe pelo menos um bom motivo para se manter o otimismo. A percepção é unânime: os investimentos em automação parecem ser irreversíveis para os transformadores interessados em se manter competitivos no mercado. E o índice de automação da indústria brasileira ainda é bastante reduzido. O potencial do mercado é enorme e as vendas devem voltar em breve a um nível satisfatório, a não ser que ocorra uma catástrofe econômica nos próximos meses.

Das três principais fornecedoras de robôs – Dal Maschio, Star Seiki e Wittmann –, uma tem motivo extra para demonstrar maior otimismo. É a Dal Maschio, de origem italiana, única a manter fábrica no Brasil, localizada em Diadema, na Grande São Paulo. De acordo com o diretor José Luiz Galvão Gomes, esse fato dá para a empresa a vantagem de contar com maior liberdade do que as concorrentes quando o assunto é o valor do câmbio. A forte desvalorização do real nas últimas semanas proporciona maior competitividade aos robôs produzidos por aqui.

Os concorrentes, no entanto, também apresentam seus trunfos. A Star Seiki, com escritório de representação na capital paulista, aposta na consolidação no Brasil das montadoras japonesas e de suas respectivas fornecedoras de autopeças. Sem falar nos produtores de eletroeletrônicos japoneses que estão fazendo sucesso por aqui. “Marcas como Honda, Toyota, LG e Samsung dão preferência aos parceiros que mantêm no exterior. Nossa perspectiva é de crescimento das vendas em 2009”, afirma Roberto Eiji Kimura, diretor da empresa.

Plástico Moderno, Reinaldo Carmo Milito, Diretor, Robôs - Cultura da automação cresce entre usuários e anima fornecedores a enfrentar a crise
Milito: Wittmann quer agregar valor às vendas

 

O grupo austríaco Wittmann, especializado em equipamentos para automação de linhas de injeção de plástico, concretizou no primeiro semestre do ano passado a compra da fabricante alemã de injetoras Battenfeld. A aquisição é uma carta guardada na manga pela Wittmann. Para Reinaldo Carmo Milito, diretor do escritório de vendas de Campinas-SP, ela permite à empresa oferecer aos transformadores pacotes de equipamentos  completos para determinada operação. Por um lado, ganham os clientes, que podem montar uma célula de  produção consultando um único fornecedor. Por outro lado, ganha a Wittmann, que tem a possibilidade de agregar valor às suas vendas.

Números – Os fornecedores de robôs conseguiram resultados excepcionais no ano de 2007. Em 2008, o crescimento não foi significativo, mas o fato das vendas terem permanecido perto dos níveis do ano passado já contentou os representantes das empresas. A Dal Maschio, no ano passado, vendeu 95 unidades, contra 45 em 2006. “Esse ano esperamos crescer 10%, número por nós considerado excelente”, diz Gomes. Satisfeito com o resultado, o diretor explica que a forte oscilação no valor do dólar nas últimas semanas fez com que vários clientes antecipassem as compras. “Estamos com a carteira fechada até fevereiro. Por enquanto, a crise não tem nos incomodado”, comemora.

Plástico Moderno, José Luiz Galvão Gomes, Diretor, Robôs - Cultura da automação cresce entre usuários e anima fornecedores a enfrentar a crise
Gomes: carteira fechada até fevereiro

A Star Seiki, em 2007, havia crescido 50%. Ao todo, vendeu no ano passado 150 unidades de robôs. Com a crise mundial detonada em outubro, Kimura avalia que esse ano as vendas devem se estabilizar no mesmo patamar do ano passado. O número é considerado positivo. Caso sejam confirmados os investimentos previstos pelas empresas japonesas por aqui, a meta para 2009 é ambiciosa. “Queremos vender 200 unidades no próximo ano”, conta o gerente.

A Wittmann também pretende manter nesse ano o mesmo nível das vendas alcançado em 2007, apontado como o melhor de todos no Brasil, quando a empresa vendeu 75 robôs, contra 32 em 2006. “Esse ano estávamos superando os resultados do ano passado até outubro, mas a crise fez os nossos clientes diminuírem o ritmo das compras. Alguns projetos foram suspensos até que se definam com maior clareza os rumos da economia”, diz Milito.

Otimismo dos executivos à parte, há motivos para preocupações. Um deles é o desempenho das vendas de veículos. As três empresas admitem que nos últimos anos as montadoras e a indústria de autopeças foram os principais compradores de robôs. O resultado se deve ao fato da indústria automobilística ter apresentado desempenho excepcional no Brasil.

Com problemas de restrições de crédito aos consumidores, os números de novembro mostraram forte queda nas vendas de veículos. Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas no mês foram de 177.906 automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, número 25,66% inferior ao de outubro. Caso o desempenho do setor seja negativo nos próximos meses, esse é um fator que pode prejudicar os fornecedores de robôs.

Outros segmentos importantes podem ser afetados, como os das indústrias de eletroeletrônicos e de linha branca. Uma crise com a construção civil também pode prejudicar a venda de equipamentos. O mesmo raciocínio vale se uma retração atingir o setor de embalagens, em especial as de alimentos e cosméticos, também bons compradores de soluções de automação nos últimos anos. Para os fabricantes de embalagens, a automação protege as linhas de produção de impurezas, cuidado altamente desejado pelos clientes.

Cultura – Forte aliada dos fornecedores de robôs, a disseminação da cultura de automação entre os transformadores nacionais é uma arma capaz de garantir a expansão do mercado nos próximos anos. O sucesso alcançado nos últimos anos pelas empresas do ramo não é à toa. Com a utilização do equipamento, os ciclos se tornam repetitivos e asseguram peças injetadas dentro das características imaginadas, impossíveis de serem obtidas com trabalhadores manuais.

O índice de perdas se reduz bastante. No caso das peças que precisam de ótima aparência, os robôs impedem prejuízos causados por acidentes com quedas ou manuseio inapropriado. O mesmo ocorre com as peças de grande porte, como pára-choques e painéis de automóveis, difíceis de serem transportadas pelos seres humanos. Nas linhas de produção com ciclos muito rápidos, a automação permite que as máquinas operem sem parar, 24 horas por dia.

Em algumas operações, o uso de robôs é totalmente indispensável. São os casos, por exemplo, de peças de todos os portes que exigem a colocação de insertos. Ou dos fabricantes de embalagens que utilizam o processo in mold labeling, no qual as peças saem com imagens gravadas com a colocação de etiquetas nas cavidades dos moldes, operação muitas vezes realizada com descargas elétricas de até 20 mil volts, o que é impensável fazer sem o uso de equipamentos (veja matéria sobre in mold labeling nesta edição).

Com essas vantagens, empresas que já tiveram a experiência de comprar um robô se convencem facilmente a ampliar os investimentos na automação de suas plantas. Mais difícil é convencer quem ainda não conta com o equipamento a realizar a primeira compra. Para os fornecedores, esse é um grande desafio. “Temos tido receptividade entre os clientes que não utilizam o produto. Em 2007, 50% de nossos clientes eram empresas que não contavam com robôs. Esse ano, o número de novos clientes se encontra na faixa entre 20% e 30%”, diz Gomes.

Estima-se que no Brasil existam 30 mil injetoras em operação, as que contam com robôs não chegam a 10%. “Esse índice é muito inferior ao verificado nos países avançados, temos muito espaço para crescer”, comenta Kimura. Ao avaliar esse número, é preciso fazer algumas ressalvas. As injetoras instaladas por aqui são, na grande maioria, máquinas antigas, muitas delas incapazes de interagir com os comandos dos robôs por não terem controles eletrônicos compatíveis.

Um outro aspecto negativo para o uso mais intenso de robôs no mercado nacional se encontra na sensação de que o equipamento “rouba” empregos em um país onde as condições sociais são desiguais. Não é o que pensam os fornecedores. “Na maioria das vezes, os robôs são instalados em operações com condições de trabalho desumanas”, ressalta Milito. Para eles, nem sempre a presença do robô elimina um posto de trabalho. Conforme as características da linha de produção, operários podem receber as peças do robô e efetuar outras operações, como corte de canais ou controle de qualidade.

Outro problema se encontra nas ferramentas utilizadas pela indústria, muitas delas com projetos inadequados. Os moldes precisam ser projetados levando-se em conta o movimento feito pelos braços do robô durante a retirada das peças injetadas.

Diversidade – Os transformadores interessados em adquirir um robô encontram no mercado vasta gama de opções, com valores que variam entre o preço de um automóvel popular e centenas de milhares de reais. Os equipamentos são adequados para injetoras de todos os tamanhos e podem manipular peças com os mais distintos pesos, de algumas gramas a dezenas de quilos.

Eles são oferecidos com braços que se movem em três eixos de direção. Os mais simples são dotados com movimentos feitos em três eixos com sistemas pneumáticos, se limitam a retirar as peças das máquinas e a colocá-las em locais determinados. Os modelos intermediários contam com movimentos em dois eixos com sistemas pneumáticos e em um terceiro eixo feito por meio de mecanismo elétrico, com a ajuda de um servomotor. Esses robôs fazem o mesmo que os modelos mais simples e podem realizar alguma operação complementar.

Os modelos mais sofisticados são dotados com movimentos feitos por meio de servomotores nos três eixos. São mais precisos e permitem a programação de ações diferenciadas, realizadas de acordo com a necessidade do transformador. Os mais vendidos no Brasil são os modelos mais simples.

As armas de cada um – Cada fornecedora oferece diferentes tipos de robôs para atrair clientes. A Dal Maschio conta com cinco linhas básicas de equipamentos, a grande parte produzida no Brasil. “Importamos apenas alguns modelos mais sofisticados”, diz Gomes. Uma das atrações da empresa é o comando CNC que equipa os modelos mais sofisticados. Ele permite a programação de movimentos simultâneos de todos os eixos, reduzindo o tempo de ciclo de injeção das peças.

Para Gomes, por contar com fábrica local, a empresa tem flexibilidade bem maior do que a concorrência. “Temos a facilidade de atender rapidamente a qualquer necessidade dos clientes, estamos disponíveis para as mais variadas personalizações”, garante. Para exemplificar, ele cita o caso de um cliente que conta com pé-direito baixo em sua fábrica. “Fizemos um robô com características particulares, cujo eixo vertical se movimenta bem menos do que os eixos dos modelos tradicionais”, revela.

As linhas GX e CZ são os modelos mais procurados entre os oferecidos pela Star Seiki no Brasil. Os robôs GX são projetados e fabricados no Japão. Já a CZ, projetada no Japão, tem componentes fabricados na China e preços mais competitivos. “Os chineses apresentam ótima qualidade”, garante Kimura. Uma nova linha acaba de ser lançada pela empresa na feira IPF 2008, realizada em novembro no Japão. Sem falar sobre as características das máquinas, o gerente informa que essa linha talvez seja apresentada ao mercado brasileiro na próxima Brasilplast. “Estamos avaliando essa possibilidade”, diz.

O executivo da Star Seiki diz que o fato da empresa não ter fábrica no Brasil não representa um empecilho para o cliente. “Temos estoques de alguns dos modelos mais procurados, grande disponibilidade de peças de reposição e prestamos total assistência aos nossos clientes”, garante. As opções oferecidas também são bastante amplas. “Temos um catálogo de 500 páginas só com componentes para fazer as garras”, orgulha-se. Os transformadores que mais procuram a empresa contam com robôs na faixa entre 100 e 450 toneladas de força de fechamento.

A aquisição da Battenfeld reforçou a estratégia de marketing seguida pela Wittmann nos últimos anos: oferecer pacotes completos para a solução de problemas. Além de injetoras e robôs dos mais diversos portes, a empresa também comercializa equipamentos como sistemas de alimentação de máquinas, rotâmetros, controladores de temperatura, desumidificadores, moinhos e uma série de outros equipamentos. Uma característica desses componentes é a sofisticação, em média maior do que a de periféricos similares fabricados no Brasil.

No caso dos robôs, carro-chefe da empresa no Brasil, a Wittmann oferece diferenciais que podem ser úteis a clientes interessados em inovações. A série 600, por exemplo, pode ser construída com braço vertical ou eixo de extração feitos de fibra de carbono de baixo peso. Eles reduzem o tempo dos movimentos e garantem o máximo rendimento da injetora. Milito também destaca a estrutura de suporte técnico da empresa. “Nossa engenharia está capacitada a resolver problemas pelo telefone”, orgulha-se.

[toggle_simple title=”Modelos de seis eixos querem ganhar espaço” width=”Width of toggle box”]

O mercado de robôs para transformadores de plástico é dominado pelos modelos com movimentos em três eixos. Nesse cenário, fabricantes de robôs de seis eixos procuram conquistar maior espaço. Uma dessas empresas é a Stäubli, fornecedora de soluções de robótica para os mais diversos segmentos da economia. Para a indústria do plástico, a empresa oferece a série TX.

De acordo com Marcelo Magdalone da Silva, gerente-geral da empresa no Brasil, os robôs de seis eixos apresentam uma série de vantagens. “Eles permitem a execução de várias operações ao mesmo tempo, o que melhora a qualidade e agrega valor às peças produzidas”, defende. Um exemplo: enquanto um equipamento de três eixos retira a peça e a coloca em local predeterminado, um de seis pode realizar outras operações em paralelo, como eliminar rebarbas. “Nem sempre competimos com os de três eixos, existem operações que não exigem tanta sofisticação”, explica.

A engenheira de vendas Ana Claudia Aghazarian ressalta a grande flexibilidade oferecida pelo equipamento. “É muito fácil programar os movimentos dos robôs quando ocorre uma troca de moldes na máquina”, resume. Os robôs oferecidos são dos mais variados tamanhos, capazes de manusear peças de algumas gramas até algumas dezenas de quilos.

A Stäubli tem sede na Suíça e foi criada no ano de 1892. Ao todo, possui 3,3 mil funcionários espalhados em 25 países, além de marcar presença em outros 50 por meio de escritórios de representação. No Brasil, conta com escritório próprio desde 1996, localizado em São Paulo. A empresa também atua como fornecedora de equipamentos para a indústria têxtil e de conectores.

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