Robôs – Automação reduz perdas e aumenta produtividade com segurança

O aumento da presença dos robôs nas empresas de transformação de plástico tem sido constante e parece ser uma tendência irreversível

As muitas vantagens proporcionadas pelo equipamento estão se tornando imprescindíveis para manter as empresas com ritmo de produção dentro dos limites de produtividade exigidos nos dias de hoje. Participam desse segmento empresas como Dal Maschio, Star Seiki, Wittmann Battenfeld, Fanuc e ABB.

Isso não significa que os fabricantes de robôs deixem de sentir os efeitos negativos da crise econômica. Em 2016, os negócios ficaram aquém do esperado. No início do ano, a calmaria aparente no clima político e o controle da inflação ajudaram a um início de retomada. Com a volta da crise política ninguém se arrisca a dar palpites sobre o que vai ocorrer nos próximos meses.

Há insegurança sobre os rumos a serem tomados pela economia. Apesar da ausência de dados consolidados oficiais, a sensação unânime dos representantes do setor é de que as vendas caíram em ritmo menor do que o verificado por fornecedores de outros equipamentos.

A principal utilização do robô na indústria do plástico se encontra na retirada de peças das máquinas de injeção. A grande vantagem do uso dos robôs é a confiabilidade que eles transmitem ao exercerem determinadas funções.

Os usuários têm a certeza de que a operação programada será executada dentro dos parâmetros calculados. Os ciclos se tornam repetitivos e asseguram peças injetadas dentro das características imaginadas, impossíveis de serem obtidas com o trabalho manual.

O índice de perdas se reduz bastante – Robôs

No caso das peças que precisam de ótima aparência, os robôs impedem prejuízos causados por acidentes com quedas ou manuseio inapropriado. O mesmo ocorre com as peças de grande porte, como para-choques e painéis de automóveis, difíceis de serem transportadas pelos seres humanos.

Nas linhas de produção com ciclos muito rápidos, a automação permite que as máquinas operem sem parar, 24 horas por dia. Em algumas operações, eles são indispensáveis. Podemos citar os casos de peças de todos os portes que exigem a colocação de insertos. Idem para os fabricantes de embalagens que utilizam o processo in mold label, que exige a colocação de etiquetas nas cavidades dos moldes para que as peças saiam gravadas.

Existem modelos de robôs de simples a muitos sofisticados, com preços os mais variados. A indústria do plástico apresenta uma característica peculiar que ajuda os interessados em investir.

Os robôs cartesianos com movimentos na direção de três ou quatro eixos são adequados para atender a grande maioria das expectativas dos transformadores. Esses modelos estão entre os que exigem investimentos de menor porte. Existem os de seis eixos, mais caros, usados em aplicações de maior exigência.

Sob a ótica dos operadores das máquinas, a faca é de dois gumes. Por um lado, os robôs realizam tarefas pesadas, que podem gerar problemas de saúde e/ou acidentes para os trabalhadores. Por outro, é indiscutível que os robôs provocam a redução no quadro de funcionários necessários para tocar uma fábrica.

Um dilema enfrentado nos tempos atuais. Um problema comum no parque instalado brasileiro se encontra nos moldes utilizados nas máquinas de transformação. Eles precisam ser projetados levando-se em conta o movimento feito pelos braços do robô durante a retirada das peças, o que nem sempre ocorre.

Com a disseminação da cultura do uso do robô, no entanto, esse problema tende a ser minorado com o passar do tempo.

Muito bem, obrigado – Automação

Plástico Moderno, Gomes e modelo de rôbo: ter fabricação local é um trunfo para a Dal Maschio
Gomes e modelo de rôbo: ter fabricação local é um trunfo para a Dal Maschio

“O ano passado foi muito difícil, o mercado esteve bem recessivo.

Esse ano começou de maneira completamente diferente, as vendas apresentaram ótimo desempenho.

E a feira foi deixou boas perspectivas de negócios”, diz José Luiz Galvão Gomes, diretor da Dal Maschio.

“Enquanto outras empresas estão demitindo, nós estamos contratando”, emenda.

A Dal Maschio, de origem italiana, é especializada em robôs para a indústria do plástico e foi pioneira no setor a ter fábrica no Brasil. Em 2000 inaugurou uma planta em Diadema-SP e há quatro anos transferiu sua sede para São Bernardo do Campo-SP. Gomes credita os bons resultados a vários fatores.

No campo da economia, a situação política no começo do ano apresentou momentos de calmaria e a inflação caiu a níveis próximos do zero, o que disseminou confiança nos empresários interessados em automatizar suas fábricas, antes ressabiados em fazer investimentos. Ele torce para que a nova onda de escândalos políticos não atrapalhe.

As vantagens técnicas proporcionadas pela automação também colaboraram. O diretor aponta um dado para explicar a crescente importância dada ao uso dos robôs. “

Historicamente conseguimos obter a média de 30% a 35% de novos clientes todos os anos. Temos notado o aumento da demanda por parte de empresas de pequeno e médio porte, necessitadas de alcançar maiores índices de competitividade”.

Plástico Moderno, Modelo de rôbo: ter fabricação local é um trunfo para a Dal Maschio
Modelo de rôbo: ter fabricação local é um trunfo para a Dal Maschio

Outro aspecto positivo para a empresa é o fato de contar com fábrica no Brasil. “Isso nos dá mais flexibilidade. Conseguimos entender a necessidade e oferecer ao cliente de forma ágil a solução com a melhor relação custo/benefício”. As melhores condições de financiamento para os produtores locais também ajudam, assim como a segurança de investir em reais. Por aqui, a variação das taxas cambiais, sujeitas a picos em clima de instabilidade política, prejudica os importadores.

O carro-chefe da empresa é a série de robôs cartesianos DMG.

“Eles acabaram de ganhar novo comando numérico, dotado de mais recursos”, ressalta o diretor. A empresa atende transformadores ligados a todos os segmentos econômicos. “

Nos últimos tempos, o mais promissor tem sido o de embalagens, que está sofrendo menos com a crise econômica”. Entre os fabricantes de embalagens, tem sido grande a procura por robôs voltados para a colocação de etiquetas no processo in mold label.

 

Robôs – Indústria 4.0

Ainda esse ano, a Star Seiki, empresa japonesa especializada em robôs para a indústria do plástico, fará o lançamento mundial de um robô que se comunica com as redes de computador prestando informações sobre o planejamento da produção e outros tópicos.

Esse robô, já utilizado no Japão, foi projetado visando facilitar as empresas a se adaptarem à indústria 4.0, tema bastante discutido mundo afora neste momento. A novidade estará disponível no final do ano no Brasil, onde a empresa mantém escritório próprio de representação.

Enquanto a novidade não chega, a empresa vai tocando os negócios no mercado nacional. “Desde o segundo semestre do ano passado, as vendas vêm crescendo. Vários projetos estão sendo desengavetados”, informa Roberto Eiji Kimura, gerente geral.

A empresa participou das duas feiras de plástico realizadas em São Paulo nos meses de abril e maio. “Elas proporcionaram bons resultados, ajudaram a alavancar os negócios”.

De acordo com o dirigente, enquanto na Plástico Brasil houve maior presença de visitantes representando empresas de médio e grande porte, na Feiplastic o público predominante foi o de pequenos e médios transformadores.

“Temos clientes nos dois públicos. Hoje muitas empresas menores, com até 30 injetoras, trabalham em jornadas de 24 horas por dia, sete dias por semana, e elas necessitam de robôs”.

Para Kimura, quem hoje não investe em automação fica defasado e não consegue atender a demanda do mercado. “É uma tendência sem volta”.

Plástico Moderno, Robô cartesiano ESW 1200sII, fabricado pela Star Seiki
Robô cartesiano ESW 1200sII, fabricado pela Star Seiki

Apesar da forte crise vivida pela indústria automobilística, o setor de autopeças tem a reputação de ótimo cliente.

“Várias montadoras de origem asiática se instalaram no Brasil e elas já nos conhecem, dão preferência aos fornecedores equipados com nossos produtos”.

Outro mercado considerado bastante interessante nos últimos tempos é o formado pelos fabricantes de embalagens. “Mas existem segmentos que deram uma parada”, reconhece.

A linha de maior sucesso no mercado nacional é a ES, indicada para máquinas que atuam com ciclos de injeção entre oito e quinze segundos. Outras opções são a Top GX, que opera em ciclos de seis a doze segundos, e a ZX, dotada com modelos mais rápidos, para injetoras que operam com ciclos de até seis segundos.

Investimento obrigatório – “O mercado exige.

Plástico Moderno, Pedrassani: clientes buscam reduzir o custo de produção
Pedrassani: clientes buscam reduzir o custo de produção

Os transformadores de plástico são obrigados a investir em soluções que aumentem sua competitividade”, defende Marcos Pedrassani, gerente técnico da Wittmann Battenfeld.

Para ele, os clientes têm todo o interesse de adquirir equipamentos voltados para a redução do custo dos processos de fabricação, mas a crise tem atrapalhado.

A observação vale tanto para empresas de grande porte, já familiarizadas com a automação, quanto para as pequenas e médias, que geram bom número de novos clientes para a empresa todos os anos.

“Temos desenvolvido projetos que proporcionam benefícios e ganhos aos clientes, mas na hora de concretizar a operação o ambiente econômico posterga as vendas, os clientes ficam inseguros”, informa.

Depois de um ano difícil, 2017 começou promissor. “No início do ano fizemos negócios”. Com o estouro de nova crise política, volta a ameaça de estagnação. “O investimento necessário para adquirir um robô não é alto e o retorno é rápido, mas as empresas têm medo de fazer dívidas em moeda internacional, há um clima que favorece a instabilidade cambial”.

O grupo Wittmann Battenfeld apresenta um diferencial em relação aos seus principais concorrentes.

Plástico Moderno, Modelo da série W8 Pro oferece alto grau de integração às injetoras
Modelo da série W8 Pro oferece alto grau de integração às injetoras

Surgido a partir da aquisição da fabricante de injetoras alemã Battenfeld pelo grupo austríaco de automação industrial Wittmann, a empresa tem a oportunidade de importar tanto robôs de forma isolada quanto conjuntos de equipamentos completos, formados por injetoras, robôs e outros periféricos.

Como a venda dos conjuntos exige maiores investimentos, em tempos de crise a procura por robôs avulsos ganhou importância no desempenho da empresa nos últimos tempos.

“Temos uma linha de robôs cartesianos que podem ser instalados junto a injetoras de qualquer porte, das pequenas às grandes. Ela atende quase 100% das necessidades do mercado”, explica Pedrassani.

Um caso particular ocorre nas linhas voltadas para a produção de grandes volumes de peças, casos que ocorrem com frequência nas indústrias de embalagens e utilidades domésticas.

O avanço das máquinas injetoras permite a realização de ciclos muito rápidos, na casa dos três segundos. “Para essa aplicação temos robôs que realizam entradas pelas laterais dos moldes. Em geral eles pegam as peças e saem rapidamente, depois as transferem para um segundo braço”.

Seis eixos – Robôs

Existem empresas especializadas em automatização industrial que produzem robôs diferenciados, dotados com movimentos direcionados em seis eixos. São modelos que oferecem maiores recursos tecnológicos do que os de três ou quatro eixos, os favoritos entre os transformadores.

Tais fornecedores têm um argumento para convencer os clientes da indústria do plástico a colocarem a mão no bolso. Eles apelam para a boa relação custo/benefício proporcionada pelos seus equipamentos, que podem ser vantajosos em determinadas aplicações.

Entre as empresas que se encaixam nesse perfil se encontra a Fanuc America, multinacional especializada em automação industrial. Suas linhas de robôs de seis eixos são indicadas para aplicações voltadas para os vários setores fabris, entre os quais aparecem os transformadores de plástico.

“Cada caso é um caso, os interessados em adquirir um robô devem analisar com cuidado suas necessidades antes de efetuar a compra. Há situações nas quais os robôs cartesianos são os mais adequados, em outros os de seis eixos proporcionam melhor retorno”, explica Silvio Luqueti, engenheiro de vendas.

“Em uma máquina que produz peças de grande porte, que necessitam que sejam cortadas rebarbas, ou para ciclos muito rápidos, feitos em dois ou três segundos, o de seis eixos pode ser o mais indicado”, exemplifica. Para o setor do plástico, ele recomenda três modelos oferecidos pela empresa.

O LR Mate 200 iD tem alcance de 700 mm e é indicado para operações de peças com até 7 kg de carga. O MD iA/12, com alcance de 1,4 mil mm, opera peças de até 12 kg. Já o M 20 iA, conta com alcance de 1,8 mil mm e é indicado para peças com até 20 kg.

Luqueti reconhece que as vendas de equipamentos não passam por seus melhores momentos. A crise tem afetado os negócios. “Mas em nossa empresa, a área de robôs é a que menos tem sentido a recessão”. Ele lembra que a Fanuc tem sido bastante procurada para orçamentos mesmo por transformadores de pequeno porte. “Muitos demitiram funcionários durante o pior momento da crise e agora querem investir na compra de robôs para quando houver o reaquecimento da economia continuarem com estruturas enxutas”.

Plástico Moderno, Bueno: modelos mais complexos (ao lado) podem realizar mais tarefas na linha de produção
Rodrigo Bueno

Rodrigo Bueno, gerente geral de automação robótica da ABB Brasil, outra fabricante de robôs com seis eixos, defende a mesma tese.

Para ele, esses equipamentos oferecem opções diferenciadas.

“Eles têm versatilidade para atender necessidades variadas de capacidade de carga e alcance. Além disso, podem ser úteis não apenas na operação de retirada de peças as máquinas, realizam trabalhos complementares, como cortes de galhos de injeção e a retirada de rebarbas”.

Para esse nicho de mercado, Bueno recomenda a linha SafeMove2, dotada com tecnologia de monitoramento dos movimentos dos robôs. “Ela foi projetada para facilitar a integração homem máquina. Permite a aproximação do operador ao robô trabalhando dentro de um conceito de célula colaborativa, com total segurança”, garante.

Ele também destaca a flexibilidade, economia de espaço e ganhos significativos em tempo de ciclo proporcionados pelo equipamento quando comparado com outras soluções.

Plástico Moderno, Modelos mais complexos (ao lado) podem realizar mais tarefas na linha de produção
Modelos mais complexos (ao lado) podem realizar mais tarefas na linha de produção

Fornecedor de robôs para fábricas ligadas a diferentes segmentos da economia, o diretor da ABB fala sobre a importância do nicho representado pelos transformadores de plástico.

Ele lembra a crescente demanda por produtos flexíveis e duráveis por empresas de setores os mais distintos. “Inovações e novas aplicações em muitas indústrias, tais como automotiva, de alimentos e bebidas, de produtos eletrônicos, cuidados pessoais de saúde estão impulsionando o crescimento do setor em longo prazo”.

Um exemplo: as demandas de eficiência energética estão impulsionando o crescimento do plástico em setores como automotivo e aeroespacial. “Este cenário resume a importância da indústria de plástico no planejamento estratégico da nossa companhia”.

Apesar do momento de desaceleração nas vendas nos últimos dois anos, a expectativa para o futuro é otimista. “A ABB aposta na retomada da economia e continua investindo no país”.

Bueno informa que a inauguração de novo escritório da ABB no Rio, que reforça a importância da praça para negócios globais, e a ampliação da fábrica de Guarulhos-SP, que demandou investimento de R$ 100 milhões, comprovam a confiança da empresa. “Em Guarulhos passamos a ter uma das fábricas mais automatizadas do mundo”.

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