Robôs – Aumento de qualidade e segurança motiva ampliar aplicações

Plástico Moderno - Modelo de cinco eixos da Sepro pode realizar várias operações ©QD Foto: Divulgação
Modelo de cinco eixos da Sepro pode realizar várias operações

A sensação unânime entre os fornecedores de robôs é de que o aumento da presença desse equipamento na indústria do plástico tem crescido de maneira constante nos últimos dez anos. De acordo com os profissionais responsáveis por essas empresas, trata-se de tendência irreversível, graças à produtividade e redução de custos proporcionadas pelo periférico. A procura tem sido abrangente e atinge bom número de compradores de todos os portes, fator importante em um mercado pulverizado, no qual se estima a presença de em torno de 12 mil transformadores, em grande maioria de pequeno porte.

De longe, a aplicação em que mais se utiliza o equipamento na indústria do plástico no Brasil é a da retirada de peças das máquinas de injeção. Conforme o caso, eles podem cortar galhos ou rebarbas resultantes da operação e direcionar as peças para sistemas automáticos de embalagem e armazenamento. Em algumas outras aplicações os modelos mais sofisticados são imprescindíveis, casos da produção de peças injetadas que necessitam da colocação de insertos metálicos ou de embalagens que utilizam a técnica do in mold label.

Os robôs também podem exercer outras funções. Alguns modelos possuem comandos capazes de gerenciar tarefas quando instalados em injetoras antigas que ainda se encontram em funcionamento e têm poucos recursos de programação. Em uma linha, por exemplo, podem ligar ou desligar o fornecimento de água gelada ou controlar a alimentação da matéria-prima e o número de ciclos, entre outras tarefas. Também podem colaborar nas linhas finais de armazenagem de embalagens ou na pintura de peças plásticas.

Em 2020, o ano parecia muito promissor para essas empresas, as vendas até março se encontravam nos patamares planejados ou, em alguns casos, até superiores ao esperado. Com a chegada da pandemia, os negócios sofreram uma queda atípica, fenômeno que atingiu todo o setor de máquinas e equipamentos. Como não existem estatísticas oficiais desse nicho de mercado, não se sabe ao certo em quanto ele foi afetado. O que deve ocorrer nos próximos meses é difícil antecipar. Há esperança de que quando houver a retomada da economia as vendas de robôs se recuperem mais rápido do que as de outras máquinas.

No mercado há ampla gama de oferta de modelos, dos mais simples aos muito sofisticados. A seleção depende de algumas variáveis. Quando usado em injetoras, a escolha depende das características da máquina à qual será acoplado, da duração dos ciclos e do tamanho e formato das peças a serem fabricadas.

A não ser em operações que exijam tecnologia de ponta, os modelos cartesianos, com movimentos na direção de três ou quatro eixos, atendem as expectativas de grande parte das operações presentes na produção de peças injetadas. Esses modelos têm preços mais acessíveis e em queda nos últimos anos por conta da disseminação da tecnologia. São, de longe, os mais vendidos no mercado nacional.

Entre as fornecedoras de robôs cartesianos se encontram marcas como a Dal Maschio, com fábrica no Brasil, Star Seiki, Wittmann Battenfeld e Sepro, estas com escritórios comerciais instalados no país. Todas essas voltadas ao setor do plástico. Outras empresas, casos da Fanuc e ABB, oferecem os robôs chamados de articulados, com até seis eixos de atuação, indicados para operações mais sofisticadas e que também atendem outros setores industriais.

Qualquer que seja a aplicação, os robôs oferecem vantagens indiscutíveis, destacam os fornecedores. No caso da injeção, por exemplo, eles proporcionam a repetição da operação programada dentro dos parâmetros desejados – característica para lá de importante nas linhas com ciclos muito rápidos realizados em máquinas que operam 24 horas por dia. Reduzem o índice de perdas, pois impedem prejuízos causados por acidentes com quedas ou manuseio inapropriado.

Também evitam riscos à saúde dos trabalhadores em determinadas situações, como ocorre nas linhas de injeção de peças de grande porte, como para-choques, por exemplo. A aprovação da NR 12, norma do Ministério do Trabalho voltada para a segurança do operário, que recentemente ganhou versão mais rigorosa, tornou-se um incentivo a mais para os compradores.

Telefones mudos – “O ano começou muito bom, houve vendas e cotações para vários projetos. A partir da eclosão da pandemia, em março, o telefone parou de tocar”, conta José Luiz Galvão Gomes, diretor da Dal Maschio do Brasil. Ele conta que, em abril, as vendas da empresa atingiram 10% das previstas no orçamento. “No final de maio, o ritmo melhorou, fechamos dois pedidos bacanas voltados para a produção de tampas de embalagens. Espero que no segundo semestre comece uma retomada mais forte”.

A Dal Maschio, de origem italiana, é especializada em robôs cartesianos para a indústria do plástico e foi pioneira no setor a ter fábrica no Brasil. Gomes explica que ser a única marca importante de robôs com planta industrial local a diferencia da concorrência. “Estamos próximos dos clientes. Temos a nossa linha standard, mas conseguimos entender as necessidades e oferecer de forma rápida soluções que oferecem melhor retorno dos investimentos”. Outra vantagem é a possibilidade de vender equipamentos com preços em reais, fator importante em momentos de instabilidade das taxas cambiais.

O carro-chefe da empresa é a série DMG. A maior demanda por parte dos compradores para o equipamento é a da retirada das peças das injetoras ao término dos ciclos. Ainda no campo da injeção, outros tipos de pedidos são frequentes. “Tem sido boa a procura por robôs voltados para a colocação de etiquetas em embalagens pelo processo in mold label e também no caso de peças onde são colocados insertos”. A gama de clientes é bem completa. “Atendemos de empresas com apenas uma máquina de injeção a fornecedoras de montadoras e de grandes fábricas de eletrodomésticos da linha branca”.

O diretor destaca uma aplicação fora do campo da injeção na qual a empresa começou a trabalhar com bons resultados. “Recentemente instalamos um projeto para a automação do final da linha de embalagens de uma empresa de leite longa vida”, conta preservando o nome do cliente. O sistema monta as embalagens de uma dúzia de caixas de leite sobre pallets para posterior distribuição. “Para a operação oferecemos um robô cartesiano de três eixos com servo controle e também as esteiras de rolos usadas no transporte”.

Coisa do passado – A StarSeiki é uma empresa japonesa especializada na produção de robôs cartesianos para máquinas injetoras com escritório de vendas na capital paulista. A empresa atende a transformadores ligados a diversos segmentos da economia, entre as quais as indústrias de autopeças e de embalagens aparecem como destaque. “O ano passado e os dois primeiros meses de 2020 foram muito bons, superaram as nossas metas. De meados de março para cá, o coronavírus derrubou nossas expectativas”, revela o gerente de vendas Márcio Morioka.

Plástico Moderno - Morioka: transformador ganha produtividade com robôs ©QD Foto: Divulgação
Morioka: transformador ganha produtividade com robôs

Para ele, a favor do setor, acabou no Brasil o paradigma que havia no passado de que os robôs eram caros e usados apenas em aplicações de elevada tecnologia. “Hoje isso não existe mais, os transformadores sabem que a automação aumenta a produtividade e a qualidade das peças fabricadas”. Por isso acredita no potencial do mercado quando a pandemia for controlada. “Na saída da crise o robô pode contribuir com a retomada da produção e a redução de custos”.

A empresa possui leque bastante amplo de modelos. A principal demanda dos clientes é a de máquinas para a retirada de peças dos moldes de injeção. A utilização em sistemas de embalagens de in mold label, a colocação de insertos em peças a serem injetadas e o corte dos galhos e rebarbas de peças prontas são alguns outros usos comuns. Uma das novidades recentes da empresa foi o lançamento mundial de um robô que se comunica com as redes de computador, prestando informações sobre o planejamento da produção e outros tópicos. Ele foi projetado visando facilitar a adaptação ao conceito de indústria 4.0.

Plástico Moderno - Modelo StarSeiki ES-800sII aplica servomotores para movimentos em três a cinco eixos ©QD Foto: Divulgação
Modelo StarSeiki ES-800sII aplica servomotores para movimentos em três a cinco eixos

A linha de maior sucesso no mercado nacional é a ES, indicada para máquinas que atuam com ciclos de injeção entre oito e quinze segundos. A linha atende máquinas injetoras de 40 até 3 mil toneladas de força de fechamento. Suas unidades possuem controle dotado de tela colorida sensível ao toque e instruções em português. “Para aplicações mais complexas é possível utilizar as funções de programação livre e gravar até mil programas diferentes em sua memória”. O acionamento dos eixos é feito por servomotores com de três a cinco eixos de movimento, dependendo da necessidade do cliente. Outras opções são as linhas Top GX, que opera em ciclos de seis a doze segundos, e a ZX, dotada com modelos rápidos, que atuam em injetoras que operam com ciclos de até seis segundos.

Plástico Moderno - Controle da linha ES da StarSeiki tem tela sensível ao toque ©QD Foto: Divulgação
Controle da linha ES da StarSeiki tem tela sensível ao toque

Plástico Moderno - Pedrassani: maior demanda está na retirada das peças prontas ©QD Foto: Divulgação
Pedrassani: maior demanda está na retirada das peças prontas

Antes e depois – “Sobre vendas, o que podemos falar é no que acontecia antes da pandemia”, informa Marcos Pedrassani, gerente de vendas de robôs e automação da multinacional Wittmann Battenfeld. O ano passado foi próspero para a empresa e este ano havia começado bem, tanto que havia planos para aumentar a equipe de colaboradores. “Agora vivemos um momento atípico e é difícil fazer qualquer previsão”.

Em relação aos concorrentes especializados em robôs cartesianos para a indústria do plástico, o grupo Wittmann Battenfeld apresenta um diferencial. Surgido a partir da aquisição da fabricante de injetoras alemã Battenfeld pelo grupo austríaco de automação industrial Wittmann, a empresa oferece conjuntos completos para injeção, formados por injetoras, alimentadoras e outros periféricos. A particularidade facilita a vida dos transformadores interessados em investir em novas linhas de produção, que podem adquirir todos os componentes em uma única empresa. “Cerca de 20% a 30% das vendas dos robôs são feitas em conjunto com os demais equipamentos”.

Plástico Moderno - Robô W833pro, da Wittmann, admite várias configurações, conforme a aplicação desejada ©QD Foto: Divulgação
Robô W833pro, da Wittmann, admite várias configurações, conforme a aplicação desejada

Os clientes que adquirem robôs para instalá-los em injetoras de outras marcas não podem ser desprezados, é lógico. A observação vale tanto para empresas de grande porte, já familiarizadas com a automação, quanto para as pequenas e médias, que geram bom número de novos clientes para a empresa todos os anos. O grupo conta com linha ampla, formada por modelos adaptáveis às injetoras de todos os portes.

“A retirada de peças das injetoras é a aplicação com maior demanda entre os clientes”. Os modelos mais vendidos são os da família W8pro. “Eles são configuráveis de acordo com a capacidade de carga, os cursos dos eixos e podem contar com acionamento de até seis eixos servomotorizados. Possuem software com texto em português e programação amigável”.

Automação é o caminho – A pandemia prejudicou a venda de robôs pelo fato de a maioria das empresas terem reduzido ou adiado os investimentos previstos. A automação, no entanto, é boa saída para a situação que estamos vivenciando, pois consegue manter o ritmo de produção com menos funcionários e diminui riscos de contaminação dentro da empresa. Pouco a pouco a cultura está mudando, mas estamos longe dos mercados mais desenvolvidos nesse quesito.

Plástico Moderno - Silva: robô não deve ser visto como um periférico comum ©QD Foto: Divulgação
Silva: robô não deve ser visto como um periférico comum

As opiniões são de Oscar da Silva, diretor da Sepro, empresa de origem francesa. Para o executivo, a procura por robôs no Brasil tem aumentado, com uma ressalva. “O transformador brasileiro ainda adquire o robô como um periférico comum, orientado mais pelas vantagens financeiras ofertadas por alguns fabricantes chineses de máquinas do que pela definição técnica mais adequada a sua real necessidade e que proporciona melhor retorno”. Os mais procurados fornecidos pela empresa no Brasil são os mais simples, de três eixos.

A indústria do plástico representa 99% dos clientes da empresa. “Nossa gama de robôs foi desenvolvida especificamente para o processo de automatização de máquinas injetoras, mas também podem ser utilizados em outras aplicações”. A linha da empresa é bastante ampla, oferece desde modelos cartesianos de três eixos para operações de retirada, empilhamento e pequenas automações, passando pelos de cinco eixos para operações como multiposicionamento ou corte de rebarbas, até os robôs poliarticulados de seis eixos, indicados tanto para automatizar a injetora quanto para complementar a ação de um robô cartesiano em operações fora da injetora.

Uma das novidades da Sepro, apresentada na edição da feira K’ do ano passado, foi a nova linha Success X, que estará disponível no Brasil no primeiro trimestre de 2021. Ela combina uma plataforma remodelada do modelo cartesiano Success de três eixos com dupla rotação servomotorizada de dois eixos e foi desenvolvida em conjunto com a empresa Yaskawa Motoman. É indicada para injetoras de 20 a 700 toneladas de força de fechamento e tem preços mais atrativos que outros modelos do gênero. No caso de aplicações mais avançadas, a Sepro oferece os modelos de cinco eixos 5X Line, de pequeno e médio porte, e 7X Line, de grande porte.

Atuação ampliada – Empresas especializadas em automação industrial e voltadas não apenas para a indústria do plástico oferecem opções interessantes para os transformadores do setor. Uma dessas empresas é a Fanuc, que entre outras linhas de produtos conta com completa gama de robôs industriais, entre eles os articulados com movimentos direcionados em seis eixos.

São modelos com maiores recursos tecnológicos do que os cartesianos, os preferidos pelos transformadores. A boa relação custo/benefício desses equipamentos em determinadas aplicações é um argumento de venda interessante para convencer os clientes do setor. São os casos, por exemplo, de linhas de produção que fabricam peças de grande porte, das peças que necessitam de retrabalho como o corte de rebarbadas ou das produzidas em ciclos muito rápidos, de dois ou três segundos.

“A indústria do plástico ainda é um mercado pouco automatizado no Brasil, mas com grande potencial. Hoje ela acaba se limitando à instalação de robôs nas injetoras, mas existem muitas outras funções que podem ser automatizadas com excelente retorno”, explica Felipe Ferreira, gerente de vendas de robôs. A empresa conta com linha de mais de 220 modelos em seu portfólio e muitos deles podem ser aproveitados pelo setor do plástico. São robôs com capacidade de carga de 500 g até 2300 kg, este último, de acordo com a empresa, o maior oferecido ao mercado. “Além de serem indicados em algumas operações de injeção, podem ser utilizados em linhas de pintura de peças, carga e descarga, encaixotamento, paletização, montagem e outros”.

Para Ferreira, a incerteza gerada pela pandemia levou muitos fabricantes a postergar ou cancelar projetos de automação. O gerente não considera essa a melhor estratégia. Ele acredita ser agora o momento ideal para os transformadores realizarem investimentos. “Quando houver a retomada, existirá uma carência de produtos e a demanda alta exigirá das empresas processos de fabricação mais eficientes. As que conseguirem se preparar terão vantagens competitivas”.

Considerando o processo mais automatizado do setor do plástico, o da descarga de injetora, os modelos mais procurados da empresa são os LRMate200iD (7kg, 717mm de raio), M10iD (12kg, 1441mm de raio) e M20iD (25kg, 1831mm de raio). “Eles podem ser instalados na frente ou na parte superior das máquinas”. A família Scara, formada por modelos de alta velocidade e preço reduzido, é um lançamento recente. É indicada em especial para processos de encaixotamento e embalagem.

Outra empresa com divisão especializada no fornecimento de robôs industriais para indústrias de diversos segmentos da economia é a ABB Robotics. “A nossa atuação vem crescendo ano após ano no segmento do plástico, no qual novas aplicações estão sendo desenvolvidas e as empresas buscam inovações e tecnologias que otimizem a produção e melhorem a qualidade de seus produtos”, revela Nelson Kumagai, gerente da empresa.

Kumagai informa que a ABB fornece de robôs individuais até células e soluções turn-key completas para grandes e complexos projetos industriais. Os modelos da empresa de maior destaque para a indústria do plástico são os articulados de seis eixos. “Eles dão maior flexibilidade ao processo quando comparados aos cartesianos, muito utilizados no Brasil para descarga de injetoras”, afirma. O gerente também destaca as linhas da empresa indicadas para a pintura de peças e automação de embalagens.

O gerente informa acompanhar o crescimento gradual da demanda por automações na indústria de plásticos. “As empresas estão se adequando aos novos padrões globais de classe de qualidade e segurança”. Lembra que a pandemia afetou os negócios de vários segmentos da indústria, entre eles o setor automotivo, muito importante para o segmento do plástico. “Observamos uma queda significativa no setor neste trimestre”. Resta torcer para ser rápida a recuperação da economia nos próximos meses.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios