Robôs – Aumento de produtividade e segurança ocupacional estimulam a investir

Automação

O momento econômico gera insegurança e adia os investimentos dirigidos à compra de bens de capital. A situação prejudica as vendas de robôs, menores de 2014 para cá do que nos primeiros anos da década.

A produtividade gerada por esses equipamentos, no entanto, faz os fornecedores que trabalham no ramo sofrerem menos do que os de outros tipos de equipamentos. São os casos de empresas como Dal Maschio, Sepro, Wittman Battenfeld e Kuka.

No momento, a chamada indústria 4.0 se encontra em pleno desenvolvimento em todo o mundo e faz crescer a percepção dos transformadores de plástico nacionais sobre o retorno favorável proporcionado pela automatização.

E os robôs são essenciais para o sucesso do aperfeiçoamento das linhas de produção. A opinião está próxima da unanimidade. Um robô aumenta a produção de uma máquina em de 20% a 30%, em média. Também melhora a qualidade das peças produzidas e reduz refugos.

Outra ajuda às empresas do setor é percebida pelo órgão mais sensível dos clientes: o bolso. De acordo com os fabricantes, os preços dos robôs têm caído ao longo dos últimos anos, fruto da popularização do equipamento e do barateamento dos componentes eletrônicos utilizados em seus comandos.

A entrada em vigor da NR 12, que versa sobre a segurança do trabalhador nas fábricas, também pesa a favor desse tipo de investimento. Os robôs são capazes de executar tarefas que proporcionam riscos de acidentes aos operadores de máquinas. Por questões como essas, a sensação das empresas do ramo, apesar do momento atual não ajudar muito, é de ter em mãos um produto para lá de promissor, cujos negócios devem apresentar resultados bastante positivos quando houver a retomada da economia.

No caso da indústria do plástico, esse mercado conta com características particulares. A grande maioria das vendas se concentra nos modelos de robôs cartesianos, cujos movimentos das garras percorre três direções (eixos x, y e z).

De menor custo, eles são usados para retirar as peças das máquinas e colocá-las nos locais selecionados. Também efetuam operações secundárias, como recorte de rebarbas, colocação de insertos metálicos em determinadas peças ou de rótulos nos moldes de embalagens produzidas pelo sistema in mold label, entre outras tarefas.

Entre os modelos mais sofisticados, os robôs orbitais – cujos movimentos se dão em seis eixos – são bem menos utilizados pelos transformadores. Os orbitais são modelos mais caros, fator forte o bastante para inibir a procura. Por serem mais sofisticados, exigem dos programadores melhor formação, nem sempre disponível no chão da fábrica.

De maneira geral, eles são mais aproveitados para movimentar peças em operações automatizadas que envolvam duas ou mais máquinas de transformação, situações que no setor não acontecem em grande número no dia a dia. Tais interfaces ocorrem, por exemplo, em linhas de embalagens para alimentos que, para serem fabricadas, exigem duas injetoras e a limpeza do ambiente, estipulada a partir de normas rigorosas.

A conscientização sobre as vantagens proporcionadas pelos robôs tem alterado o perfil das vendas dos fabricantes do ramo. No passado, a procura se concentrava muito entre os proprietários de máquinas de transformação de grande porte, casos, por exemplo, das injetoras acima de mil toneladas de força de fechamento. Esse nicho continua sendo muito bom, hoje é difícil encontrar injetoras com esse porte que não funcionem com robô acoplado. A novidade tem sido o aumento de interesse entre os proprietários de máquinas de menor porte.

Outro aspecto a ser destacado: há alguns anos, o empreendedor quase sempre avaliava a possibilidade de acoplar um robô em sua célula de produção quando adquiria uma injetora nova. Para os fornecedores, isso significa que no passado a maior parte das vendas se concentrava entre os compradores de máquinas de transformação novas. O interesse entre os compradores de máquinas novas continua o mesmo. Mas tem crescido a demanda por parte de clientes proprietários de equipamentos mais antigos, interessados em incrementar sua produtividade.

Flexibilidade

A empresa italiana Dal Maschio é a única fornecedora de robôs com fábrica no Brasil, instalada em São Bernardo do Campo-SP. Seus produtos são bastante dirigidos para a indústria do plástico e o carro-chefe é a venda de robôs cartesianos usados em máquinas injetoras.

Quando necessário, importa robôs orbitais da matriz italiana. “O fato de contarmos com planta industrial no país nos permite desenhar e oferecer de forma ágil robôs com características adequadas às necessidades dos clientes”, explica José Luiz Galvão Gomes, diretor industrial.

Plástico Moderno, Paletizador de fim de linha, fabricado pela Dal Maschio
Paletizador de fim de linha, fabricado pela Dal Maschio

As vendas não estão lá essas coisas. As dificuldades começaram em 2014 e foram se agravando com a crise política. “De 2010 a 2012 estava tudo muito bem, vivemos uma fase bacana”. Para o dirigente, nos últimos dois anos, a insegurança da indústria em geral foi crescendo e muitos empresários, mesmo os mais interessados em investir, estão adiando seus projetos. No primeiro semestre deste ano, os negócios foram muito fracos. De maio para cá surgiu uma esperança. “Senti a mudança de ânimo no mercado, o número de consultas começou a crescer”. Há projetos represados que o diretor acredita que possam sair do papel.

Uma forma encontrada pela Dal Maschio para enfrentar os tempos bicudos foi investir na diversificação. “Passamos a nos dedicar mais ao projeto e comercialização de outros equipamentos voltados para a automação”. Para exemplificar, Gomes cita o caso dos dispositivos indicados para o final da linha, para operações como montagens, empacotamento e sistemas de inspeção.

Todos os produtos são feitos com tecnologia italiana da Dal Maschio, mas com projetos desenvolvidos no Brasil. “Ao desenhar um sistema de empacotamento, por exemplo, levamos em conta parâmetros como a velocidade de produção da máquina de injeção, o tamanho das caixas onde as peças serão alocadas, a quantidade de caixas necessárias por minuto e as demais variáveis”.

Historicamente, o modelo de robô mais vendido da empresa é o DMG 4, indicado para injetoras entre mil e 1,5 mil toneladas de força de fechamento. De uns tempos para cá, tem ganhado força nova tendência. “Temos atendido proprietários de injetoras de menor porte, até mesmo pelos que têm máquinas de 100 a 500 toneladas de força de fechamento”. Nesses casos, os modelos indicados são os DMG 1 e DMG 2. “A entrada em vigor da NR 12 tem nos ajudado nesse nicho de mercado, hoje as empresas querem evitar problemas com acidentes que acontecem com trabalhadores que retiram as peças manualmente das máquinas, mesmo as pequenas”.

Outra mudança tem ocorrido no perfil dos clientes da empresa. “Até 2014, entre 70% e 80% das vendas de robôs eram direcionadas aos transformadores que adquiriam máquinas novas”. Hoje esse número caiu para 50%. A outra metade das vendas é destinada para equipar injetoras antigas.

O fenômeno se explica pelo fato da crise ter reduzido a renovação de injetoras por parte dos transformadores. Outra causa também está ligada à dificuldade econômica. “É chato dizer isso, mas muitos querem comprar robôs para suas máquinas antigas com a intenção de reduzir seus custos fixos, aliviar suas folhas de pagamento”.

Oportunidade

A fabricante de robôs Sepro está totalmente voltada para a indústria do plástico. É uma das pioneiras mundiais no desenvolvimento de robôs cartesianos para máquinas injetoras e foi responsável pelo lançamento do primeiro manipulador dotado com servocontrole, feito realizado em 1981.

Suas filiais e escritórios de vendas diretas e de serviço estão presentes na Alemanha, Espanha, Benelux, Reino-Unido, Estados Unidos, Canadá, México, Brasil, China e agora na Áustria e Hungria. A empresa também conta com representantes comerciais independentes, distribuidores e centros de serviço em mais de 50 países. No Brasil, a filial foi criada em 2001, em Jundiaí-SP, onde se encontra seu centro de serviço e vendas diretas para todo o território nacional e sul-americano.

“Até hoje, a Sepro automatizou mais de 30 mil máquinas injetoras no mundo inteiro”, explica Oscar da Silva, diretor.

Para ele, apesar das dificuldades vividas pela indústria brasileira, é uma boa hora para o transformador aproveitar oportunidades. Mais do que nunca, as empresas do setor, inclusive as especializadas em transformação de plástico, têm a chance de investir no aumento de produtividade para sobreviver, para ficarem prontas para quando houver a retomada do crescimento.

Plástico Moderno, Silva: linha híbrida consegue associar velocidade e precisão
Silva: linha híbrida consegue associar velocidade e precisão

“Nossas novas gamas de robôs de pequeno e grande porte, assim como nossos modelos de cinco e seis eixos, se inscrevem perfeitamente neste objetivo”.

O desempenho internacional das vendas da Sepro comprova a necessidade atual dos transformadores de se investir em automação. “Em nível mundial, estamos caminhando para realizar nosso quarto ano consecutivo com recorde de vendas”.

A previsão é de um faturamento global pela primeira vez acima de € 100 milhões, com vendas acima de 2,5 mil equipamentos. O mercado nacional tem desempenhado papel importante nesse cenário. “Até 2015, o Brasil era nosso quarto maior mercado.

No ano passado, a filial Sepro do Brasil bateu seu recorde de vendas por aqui”. Esse ano o quadro se alterou. O fato de estarmos atravessando um período muito caótico política e economicamente não tem ajudado os negócios.

A Sepro oferece ampla gama de produtos, de modelos bem simples a robôs de seis eixos. “Temos robôs que se adaptam a qualquer máquina injetora nova ou usada, independentemente da marca e para qualquer aplicação desejada”.

O diretor destaca a linha de robôs híbridos, que oferecem a velocidade do cartesiano com a precisão e flexibilidade dos seis eixos, como solução capaz de apresentar melhor adaptação às necessidades dos clientes. “Hoje, esse modelo representa 15% das vendas no Brasil, acreditamos que em breve ele poderá chegar a 25%”.

Algumas novidades serão mostradas na feira K, a ser realizada em outubro em Dusseldorf, na Alemanha. No evento, a Sepro apresentará um total de 26 robôs em onze estandes, repartidos em quatro halls.

“É a nossa maior participação numa feira até hoje”. Entre as novidades, a nova gama de robôs de grande porte, com destaque para os modelos 7X-100XL e 6X-400. O 7X-100 XL completa a série de robôs cartesianos de cinco eixos da empresa, agora formada por seis modelos indicados para injetoras de 20 a 5 mil toneladas de força de fechamento.

O novo robô de seis eixos 6X-400 possui raio de ação de mais de quatro metros e capacidade para carga útil de até 120 kg. “Graças ao seu design racionalizado, ele é concebido para atender exigências de espaço útil mínimo”.

A Sepro vai expor também novos robôs de pequeno porte, incluindo o Success 5, de três eixos.

 

 

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