Robô: automatização proporciona rapidez, precisão e segurança elevada

Automação: Robôs realizam operações mais complexas com rapidez, precisão e segurança elevada

Com exceção da época da pandemia, quando durante um período sofreram com quedas nas vendas, os fornecedores de robô apresentam bons resultados no mercado nacional desde os anos 90. Estamos falando de empresas como Mago Automação, Star Seiki, Sepro e Wittmann Battenfeld.

A procura do equipamento pelos quase 12 mil transformadores da indústria do plástico presentes no país tem sido crescente e abrange empresas de todos os portes. A explicação para o fenômeno é bastante simples. Os robôs oferecem ganhos de produtividade e de qualidade nas peças fabricadas, além de reduzir os custos das linhas de produção.

Outro aspecto favorável ao equipamento é a evolução de seu emprego. José Luiz Galvão Gomes, diretor da Mago, faz um breve histórico.

“Nos anos 90, quando eles começaram a aparecer nas fábricas, eram usados basicamente para retirar peças de grande porte das injetoras, como para-choques e painéis, função que exige grande sacrifício dos operadores”.

No início do século XXI, vantagens como redução dos tempos dos ciclos e estabilidade das linhas da produção chamaram a atenção dos transformadores mais sofisticados, casos, por exemplo, dos que atendem montadoras de automóveis e de produtos de linha branca.

“No período de 2008/09, a indústria trabalhava a todo vapor e era difícil encontrar operadores de máquinas disponíveis. Tornou-se comum os robôs serem comprados para substituir mão de obra humana”, lembra. De lá até hoje eles passaram a ser aproveitados em tarefas as mais distintas.

Automação: Robôs realizam operações com segurança elevada ©QD Foto: Divulgação
Gomes: proximidade com cliente levou a fazer robô sob medida

“Além disso, hoje os transformadores também se preocupam mais com a segurança dos trabalhadores”, emenda Gomes.

De longe, a aplicação em que mais se utiliza o equipamento continua a ser a da retirada de peças das máquinas de injeção. Mas, conforme o caso, eles podem cortar galhos ou rebarbas resultantes da operação e direcionar as peças para sistemas automáticos de embalagem e armazenamento, participar de operações de realização de furos ou outros acabamentos. Em algumas aplicações se tornaram quase imprescindíveis, casos da produção de peças injetadas que necessitam da colocação de insertos metálicos ou de embalagens com a técnica do in mold label.

Alguns modelos possuem comandos capazes de gerenciar tarefas quando instalados em injetoras antigas que ainda se encontram em funcionamento e têm poucos recursos de programação. Em uma linha, por exemplo, podem ligar ou desligar o fornecimento de água gelada ou controlar a alimentação da matéria-prima e o número de ciclos, entre outras tarefas. Também colaboram nas operações de pintura de peças plásticas. Em resumo, possuem mil e uma utilidades.

Sob encomenda

Pioneira na fabricação de robôs no Brasil, a Mago Automação também é conhecida no mercado como Dal Maschio, nome da empresa italiana produtora de robôs manipuladores cartesianos que representava no Brasil. A empresa rompeu o acordo com a marca italiana no final de 2020 e passou a trabalhar de maneira independente.

“Esse ano estamos indo bem, vamos apresentar crescimento de 20% a 30% em relação aos resultados do ano passado”, revela o diretor Gomes.

Automação: Robôs realizam operações com segurança elevada ©QD Foto: Divulgação
Equipamento da Dal Maschio é fabricado no Brasil

O dirigente explica que ser a única marca importante de robô com planta industrial local a diferencia da concorrência.

“Estamos próximos dos clientes; temos a nossa linha standard, mas conseguimos entender as necessidades e oferecer de forma rápida soluções para melhor retorno dos investimentos”. Isso explica o grande número de encomendas sob medida que a empresa vem recebendo nos últimos tempos. “Estamos desenvolvendo muitos projetos de automação tailor made, de conjuntos para montagens de insertos em peças, colocação de rótulos em embalagens fabricadas pelo processo in mold label, interação de linhas de produção de linhas de montagens e outras tarefas”.

Entre os modelos standard, o carro-chefe da empresa é a série de robôs cartesianos DMG, oferecida em cinco versões com características adequadas para aplicações em injetoras com diferentes pesos e tamanhos. Os robôs cartesianos se movem em três eixos principais de controle e quase sempre são montados na parte superior das injetoras. Também entre os modelos standard, a Mago oferece a série de modelos side entry Snap, que operam na lateral das injetoras e são indicados para o depósito e retirada em alta velocidade de peças.

Durante a Plástico Brasil, realizada em março último em São Paulo, a Mago anunciou duas novidades. Uma foi o lançamento da linha RCQ, formado por robôs com preços mais atraentes e produzidos sob encomenda na China. “Eles têm sistema livremente programável, foi desenvolvido e produzido de acordo com a NR12 e conta com robustez acima da média”, garante Gomes. A outra notícia é a parceria realizada com a empresa sueca Wemo Robotics. “É um dos maiores players europeus”.

Robô: Vendas crescentes

A Star Seiki, uma das pioneiras mundiais na automatização de máquinas de injetoras de plásticos, completa 60 anos em 2024. A empresa conta com duas fábricas no Japão e uma na China, além de centros de desenvolvimento na Europa e EUA. Possui escritório no Brasil desde 1997, prestando atendimento comercial e técnico para a América do Sul, região onde já possui 4 mil robôs instalados.

Seu portfólio é formado por diversas linhas de robôs cartesianos com características as mais distintas, indicados para aplicações de peças pequenas às de grande porte, além de todos os itens necessários para a instalação dos robôs em projetos sob medida.

Automação: Robôs realizam operações com segurança elevada ©QD Foto: Divulgação
Morioka: técnica de in mold label está ganhando força

“As vendas realizadas em todos os meses de 2023 no Brasil superaram as dos respectivos meses de 2022, o que demonstra que vamos atingir a meta estabelecida”, revela Márcio Morioka, diretor de vendas.

Para o próximo ano, a empresa ainda irá traçar as metas, mas a expectativa é de que a procura por equipamentos de automação continue crescendo. Os equipamentos mais procurados são os indicados para automatizar injetoras entre 100 e 350 toneladas de força de fechamento.

“Na maioria dos casos são voltados para os segmentos de embalagens, utilidades domésticas, cosméticos e produtos promocionais. Temos notado o aumento constante de projetos de copos, brindes e produtos promocionais fabricadas pelo processo in mold label”, explica Morioka.

O diretor também destaca a boa procura de robôs pelo ramo automotivo, tanto para máquinas pequenas quanto para as com porte acima de mil toneladas de força de fechamento.

Automação: Robôs realizam operações com segurança elevada ©QD Foto: Divulgação
Linha GXW V1-P ganhou mais velocidade e recursos novos

O modelo campeão de vendas por aqui é o ES/ESW, que chegou a sua quarta geração e recebeu aperfeiçoamentos.

“Os modelos GX/GXW, referência em tecnologia, também ganharam nova versão, denominada VI-P, com maior velocidade e recursos para diversas necessidades”. Outro destaque vai para o modelo ZXW-800VIP. “É um robô cartesiano ultra rápido, capaz de trabalhar em ciclos de injeção com duração de até 2,6 segundos”.

Tudo bem

O grupo europeu Sepro é dos mais tradicionais do mundo em soluções de robótica modular e sistemas de automação inteligentes. Há 50 anos no mercado, já instalou mais de 40 mil robôs em todo o mundo. Com escritório de vendas e assistência técnica para a América do Sul na capital paulista, a empresa conta com ampla linha de equipamentos com três, cinco ou seis eixos, além de modelos especiais e de unidades específicas para sacar canais de injeção.

Automação: Robôs realizam operações com segurança elevada ©QD Foto: Divulgação
Silva: cresce a demanda por 5 eixos e com dupla rotação

“A previsão é de fecharmos 2023 com um faturamento 20% acima do registrado no ano anterior e com recorde de volume de vendas”, informa Oscar da Silva, diretor de vendas e serviços para a América do Sul.

O diretor diz ser muito difícil projetar os resultados do próximo ano diante de tantas incertezas globais. Mas se mostra otimista. “Seguimos investindo, contratando profissionais e desenvolvendo mais soluções para nossos clientes”.

Ele destaca que a automação é a chave para o sucesso dos transformadores que trabalham com injeção. “A escassez de mão-de-obra qualificada, os elevados preços da energia e dos materiais, a pressão ambiental e a incerteza global são grandes preocupações para os transformadores e a automação robótica oferece solução parcial para cada um desses problemas”.

Os modelos mais vendidos da Sepro por aqui são os da gama Success, composta por unidades que atendem máquinas injetoras de 20 a mil toneladas de força de fechamento. O diretor ressalta, dentro dessa gama, o crescimento da procura por modelos de cinco eixos equipados de dupla rotação servo motorizada que permitem a aplicação em operações como etiquetagem, marcação, corte e empilhamento, entre outras.

Uma novidade é o recente lançamento nos robôs da função “EcoAir”, cuja função é permitir a redução do consumo de ar comprimido em até 85% durante as operações.

“A função antecipa o desgaste prematuro da garra de preensão”. A empresa também apresentou na última edição da feira K’, na Alemanha, o painel “Sepro Connect” que permite coletar e apresentar informações de todos os equipamentos que completam células automatizadas de moldagem por injeção de plástico, incluindo as injetoras.

Robô: Soluções casadas

De olho no promissor mercado de robôs, várias fornecedoras de equipamentos oferecem soluções casadas para os clientes, que englobam conjuntos de injetoras e robôs. A Sumitomo Demag, tradicional fabricante de injetoras, lançou em 2021, na Europa, seu primeiro modelo de robôs – as vendas do equipamento ainda não estão sendo divulgadas pela empresa no Brasil.

Outras marcas oferecem essa alternativa há anos, caso das europeias Wittmann Battenfeld, Arburg e Engel e das chinesas Haitian e Yizumi. Um desses grupos, o Wittmann Battenfeld foi criado em 2014 com a incorporação da fabricante de injetoras alemã Battenfeld pelo grupo austríaco Wittmann, na época fornecedor de robôs e equipamentos periféricos para automação de linhas de produção de injeção. Com o acordo o grupo passou a oferecer soluções completas para os clientes.

Automação: Robôs realizam operações com segurança elevada ©QD Foto: Divulgação
Pedrassani: controle R9 permite testar movimentos em 3D

“Eu acredito que esse ano as vendas serão parecidas com as do ano passado. Elas têm ocorrido mais para substituir equipamentos antigos do que para ampliações de capacidades instaladas”, disse Marcos Pedrassani, engenheiro do departamento comercial.

Isso explica em parte o fato de entre 20% e 30% das vendas de robô serem feitas casadas com máquinas injetoras e demais periféricos. “A maior parte das vendas é de equipamentos avulsos”.

Outro aspecto que explica o desempenho é a forte conexão do grupo com o segmento automotivo, seu principal cliente no campo das injetoras – as montadoras não têm feito muitos investimentos nos últimos tempos. Também são vendidos robôs para o agronegócio, fabricantes de produtos de PVC e outros segmentos.

O portfólio de robôs oferecidos pela Wittmann Battenfeld tem modelos com capacidade de manipulação de peças de 1,5 a 130 kg, adaptáveis a todos os tamanhos de injetoras. A série Primus, com servo motor nos três eixos, é indicada para automatizar a operação de remoção de peças. Já a série W9 ou WX, com servo motor em até seis eixos, é voltada para automatizar operações de maior complexidade.

Um dos destaques dos robôs é o controle R9. Oferecido com telas coloridas de 10,1 polegadas de alta resolução, possibilita animação dos movimentos em 3D, execução passo a passo de testes e a criação de telas de ajustes de parâmetros sem a necessidade de edição do programa, entre outros recursos.

Transformadores

De todos os portes passaram a utilizar robôs em funções as mais diversas. Alguns exemplos ajudam a entender esse cenário. O grupo brasileiro Jaguar Plásticos, fundado em 1978, em Jaguariúna-SP, atua nos segmentos de embalagens, baldes industriais e utilidades domésticas. Conta com mais de mil colaboradores. Além de máquinas e sistemas de automação, possui ferramentaria própria. Também conta com indústria própria de reciclagem mecânica em São Carlos-SP, onde reaproveita materiais industriais e embalagens pós-consumo para produzir e comercializar material PCR com a marca Jaguar Transforma.

“Robôs e sistemas de automação são um grande foco de nosso processo produtivo. Temos vários tipos de produtos e projetos, especialmente linhas de produção de altos volumes, nas quais possuímos automações de última geração, contribuindo com o ciclo de injeção, qualidade do produto, custo e vantagem competitiva”, explica Vaner Vitor Versori Filho, diretor de estratégia.

O diretor informa que a empresa conta com diferentes tipos de robôs de entrada por cima ou nas laterais das máquinas, voltados para compor linhas automatizadas de montagem de componentes e para inserção de etiquetas em ferramentas com dispositivo in mold label, além de modelos de cinco eixos, indicados para várias operações.

“A empresa está constantemente investindo em automação e processos de alta performance, o investimento e estudos nestes equipamentos fazem parte de nosso core business”.

Robô: Corte, furação …

O Grupo IBT, de Joinville-SC, é formado por três empresas: IBT Plásticos, fabricante de peças plásticos por injeção, sopro e termoformagem; IBT Moldes; e ICBras, fornecedora de produtos com marca própria entre os quais se destacam os baús plásticos instalados em motocicletas.

O grupo informa oferecer aos clientes soluções completas para o desenvolvimento e produção das peças plásticas, com atuação desde o desenho dos produtos, projeto e construção dos moldes, dispositivos e equipamentos até a validação e fornecimento das peças. Atende os segmentos automotivo, de construção civil, agronegócio e saúde.

O grupo conta com um robô de seis eixos, bastante utilizado em operações de corte e furação de peças prontas. A empresa enumera as principais vantagens do uso do equipamento. Redução significativa do tempo dedicado na atividade de setup, facilidade de regulagem e seleção do programa da operação da peça a ter processo de acabamento. Ao utilizar o robô “há variação praticamente zero no acabamento, com maior estabilização do processo, precisão dimensional e índice de refugo zero relacionado ao acabamento”. Com o robô é possível realizar cortes com precisão de formas geométricas complexas.

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